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sábado, 28 de fevereiro de 2026

NOVAS CHEFIAS NAS FORÇAS ARMADAS

 

CEME General Eduardo Ferrão (esq) e o CEMFA General Cartaxo Alves (dir), novo CEMGFA    Foto: FAP

O Governo português confirmou esta sexta-feira a proposta de nomeação do General João Cartaxo Alves para o cargo de Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA). O General Cartaxo Alves, que até agora liderava a Força Aérea Portuguesa (FAP) como CEMFA, sucede ao General Nunes da Fonseca, cujo mandato de três anos termina no dia 1 de março. Desde 2014 que o cargo de CEMGFA não era ocupado por um oficial general da Força Aérea.

Esta movimentação na cúpula das Forças Armadas, aprovada em Conselho de Ministros, força por consequência a renovação no topo do ramo aéreo. Para substituir Cartaxo Alves, o Executivo indicou o Tenente-General Sérgio Roberto Leite da Costa Pereira (até ao momento Comandante Aéreo) como o novo Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, com a transição de comando prevista para o mesmo dia 1 de março. 

General Sérgio Pereira, novo CEMFA    Foto: FAP

Simultaneamente, o Governo optou pela estabilidade no ramo terrestre, decidindo prorrogar por mais dois anos, o mandato do General Eduardo Ferrão como Chefe do Estado-Maior do Exército. Com estas nomeações, redefine-se a estrutura de comando que terá a responsabilidade de gerir a modernização dos meios e a prontidão operacional das Forças Armadas nos próximos anos, num contexto de profunda adaptação das capacidades militares nacionais às exigências internacionais.



sábado, 20 de dezembro de 2025

NOVA ERA NA FORÇA AÉREA PORTUGUESA - Do Espaço à 6ª Geração

A substituição do F-16 MLU da Força Aérea Portuguesa é um dos temas centrais da modernização da FAP

Em entrevista ao Diário de Notícias publicada na sexta-feira, 19 de dezembro de 2025, o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea (CEMFA), General Cartaxo Alves faz um retrato do momento de profunda transformação que se vive no ramo aéreo das Forças Armadas Portuguesa. Ao mesmo tempo, a diretiva de planeamento estratégico para o horizonte 2024-2034 estabelece um roteiro ambicioso que visa elevar Portugal a um novo patamar de autonomia. Este plano integra capacidades espaciais sem precedentes, drones de alta performance e a preparação crítica para a sucessão da frota F-16, consolidando o conceito de poder aeroespacial português.

O Fim da Era F-16 e o Horizonte da 6.ª Geração

Um dos anúncios mais aguardados foi a confirmação de que a decisão sobre a substituição dos F-16M deverá ocorrer durante o ano de 2026. Após mais de 30 anos de serviço, o General alerta que o processo começou tarde, mas que o foco agora é a conectividade total. Para a transição, a FAP planeia uma abordagem em duas fases. Embora o F-35 surja como a escolha natural de 5.ª geração pela sua interoperabilidade na NATO, o General já olha para a 6.ª geração, que introduzirá tecnologias disruptivas como armas de energia dirigida. O Investimento estima-se entre 3000M e 4800M EUR, para a aquisição de 14 a 28 novas aeronaves, a ser enquadrado na Lei de Programação Militar. A quantidade de aeronaves de 5ª geração a adquirir dependerá da participação num programa de 6ª geração. Abre a porta a ter dois caças de gerações diferentes em operação simultaneamente.

Portugal como Potência Espacial: A Constelação do Atlântico

Pela primeira vez, a Força Aérea assume o Espaço como um domínio operacional crítico. O programa espacial, sediado no novo Space Technological Hub em Alverca, prevê lançamentos imediatos, com dois satélites em fevereiro e abril de 2026, totalizando quatro até ao final do ano, para uma capacidade final de oito satélites até 2028 (em parceria com a Finlândia e o programa SAFE da UE). Estes satélites terão por missão a observação da Terra, com radares de abertura sintética (resolução de 25cm) para vigilância militar, controlo de pescas e monitorização ambiental, com capacidade de revisita de apenas 30 minutos.

Drones e a Modernização da Vigilância (ISR)

A experiência colhida nos conflitos internacionais (Ucrânia e Médio Oriente) recentes acelerou a integração de sistemas aéreos não tripulados na estrutura da Força Aérea. Através de parcerias com a indústria nacional, a instituição irá receber dois novos sistemas de vigilância e reconhecimento AR5 da Tekever ainda este ano, de um total de oito, estando paralelamente a decorrer o desenvolvimento de um drone de maior dimensão, com cerca de 20 metros de envergadura, capaz de permanecer em operação por períodos de 12 a 16 horas, com capacidades de conectividade superiores. Aquisição de sistemas anti-drone para todas as bases.

Este reforço tecnológico é acompanhado pela modernização da rede de radares terrestres, datados atualmente da década de 80, que serão substituídos por sistemas de última geração capazes de detetar ameaças complexas como mísseis de cruzeiro e drones com reduzida assinatura radar.

Reforço de Meios e Recuperação de Frotas

O cumprimento da meta de 2% do PIB para a Defesa permitiu uma "lufada de ar fresco" financeira. À FAP coube um aumento de cerca de 170M EUR no orçamento, dos quais 60M EUR aplicados na opção de aquisição do sexto KC-390 e os restantes 110M EUR na recuperação de sistemas, aquisição de sistemas de radar, drones e capacidade espacial.

O programa KC-390 está já consolidado com três aeronaves operacionais e a aquisição de uma sexta célula, com o intuito de aumentar a capacidade de transporte no âmbito da NATO. 

A frota de helicópteros Black Hawk conta cinco aeronaves integradas, com o objetivo de nove até ao final de 2026. Estes helicópteros já estão a ser certificados para operar em 24 heliportos hospitalares. 

A frota P-3C CUP de patrulhamento marítimo será aumentada de 5 para 11 aeronaves (via protocolo com a Alemanha), com modernização focada na conectividade em tempo real. Início da segunda fase de modernização da frota.

Programa de investimento na Defesa SAFE europeu

O programa prevê um investimento de aproximadamente 180M EUR para a Força Aérea. Este valor não se destina à compra de aeronaves, mas sim ao reforço da infraestrutura de defesa e vigilância, focando-se em quatro eixos:

Radares de última geração: Substituição dos sistemas da década de 1980 por tecnologia capaz de detetar mísseis de cruzeiro e drones.

Sistemas de Defesa Aérea: Aquisição de mísseis terra-ar de médio alcance.

Drones: Reforço das capacidades de vigilância e reconhecimento.

Capacidade Espacial: Aquisição de quatro satélites.


O Pilar Humano: Recorde de Formação

Apesar dos desafios de retenção no passado, o General Cartaxo Alves destaca uma inversão de tendência em 2025, com saldo positivo pela primeira vez em anos. Entram mais militares do que saem (saldo de +240 em 2025). Em instrução atingiu-se uma marca histórica com 1300 militares em formação atualmente, o dobro da média da última década. Maior estabilidade com 67% do efetivo (cerca de 6300 militares) pertence agora ao Quadro Permanente, garantindo a especialização necessária para operar sistemas de alta tecnologia. No entanto, o General admite que ainda existe um défice de aproximadamente mil militares em relação ao quadro previsto, um caminho que continuará a ser percorrido através da valorização da carreira e do reconhecimento do trabalho militar.


Incentivos e Apoio à Família Militar

A inversão da tendência de queda nos efetivos é atribuída a um conjunto integrado de medidas que vão além dos ajustes salariais. O General destaca que o nível tecnológico da FAP é um forte atrativo para jovens engenheiros que procuram trabalhar com sistemas de complexidade inigualável no mundo civil. Somam-se a isto melhorias nas infraestruturas e condições de trabalho, bem como um reforço no apoio social. A assistência médica nas bases aéreas foi alargada às famílias e filhos dos militares, e a questão da habitação junto às unidades tem sido fundamental para garantir estabilidade. O próximo passo deste processo de valorização será a revisão do regime de reformas, tema que está a ser articulado com a tutela.


Visão Estratégica para 2035 e o Futuro do Combate em Rede

Projetando a Força Aérea para a próxima década, o General Cartaxo Alves antevê uma instituição de elite, reconhecida internacionalmente pelo seu sucesso na integração entre o ecossistema militar e o civil, especialmente na área espacial. O futuro do combate aéreo será definido pela cooperação entre meios tripulados e não tripulados. O CEMFA explica que a sexta geração de caças operará em "enxames", onde uma aeronave tripulada será escoltada por vários sistemas não tripulados coordenados, capazes de proteção e ataque de precisão. Esta visão sublinha que, embora a tecnologia seja o garante da sobrevivência no campo de batalha, ela serve o propósito último de defender a paz e a soberania nacional através de militares altamente preparados e motivados.




quinta-feira, 13 de abril de 2023

SEGUNDO KC-390 DA FAP NA LINHA DE MONTAGEM DA EMBRAER - atualizado [M2397 - 29/2023]

O grupo da visita junto à cauda do que será o segundo KC-390 da FAP   Foto: MDN
A ministra da Defesa Nacional, Helena Carreiras encontra-se em visita oficial ao Brasil, desde o dia 11 de abril, onde teve já oportunidade de visitar a LAAD Defence & Security 2023 – Feira Internacional de Defesa e Segurança, no Rio de Janeiro e realizar diversos encontros com as autoridades brasileiras e indústrias de defesa, além de uma sessão académica na Escola Superior de Guerra.

O dia de ontem esteve reservado para uma visita às instalações da Embraer em Gavião Peixoto, estado de São Paulo, onde se encontra em linha de montagem, o segundo KC-390 destinado à Força Aérea Portuguesa.

Helena Carreiras com o Gen. Cartaxo Alves a assinar a segunda célula portuguesa  Foto: MDN
Durante a visita, acompanhada pelo CEMFA Gen. Cartaxo Alves, a ministra da Defesa teve oportunidade de assinar a célula que receberá a matrícula 26902 da FAP e está previsto ser entregue no decorrer do ano 2024.

Recordamos que a primeira célula destinada à FAP já se encontra em Portugal desde Março, para realização de certificações de equipamentos específicos da versão portuguesa, antes de ser entregue oficialmente.

A ministra da Defesa com uam miniatura de um A-29 Super Tucano à chegada a Gavião Peixoto  Foto: MDN

Das fotos partilhadas nas redes sociais, é possível ver ainda Helena Carreiras com uma miniatura daquilo que parece ser o novo modelo A-29N Super Tucano, anunciado também ontem pela Embraer.


Atualização 13/04/2023 às 16h30

Em declarações à comunicação social, a ministra da Defesa deu algumas pistas acerca do andamento do programa KC-390: “Pude ver a segunda aeronave, que poderá estar pronta em outubro, mas contratualmente, será entregue apenas em março de 2024, na altura em que também receberemos, em princípio, um simulador de voo que é uma parte importante deste projeto. As outras [três] aeronaves têm entrega prevista, uma por ano, até 2027. É este o plano e está tudo a correr de facto de acordo com o planeamento”.

Relativamente à primeira aeronave, que se encontra já em solo português disse “está a correr muitíssimo bem e todos os prazos previstos estão a ser cumpridos. Temos já uma primeira aeronave connosco. O projeto está a ser terminado e computado, assim como o processo de inclusão dos temas da NATO de adaptação da aeronave, que está pronta”,

Quando questionada sobre a possibilidade de adquirir mais aeronaves KC-390 [NR: o contrato prevê opção por mais uma célula] Helena Carreira referiu não haver de momento planos nesse sentido.




quarta-feira, 12 de abril de 2023

EMBRAER APRESENTA SUPER TUCANO NA CONFIGURAÇÃO NATO [M2396 - 28/2023]

Ilustração: Embraer
 A Embraer anunciou hoje, 12 de abril de 2023, durante a feira de defesa LAAD Defence & Security 2023 no Rio de Janeiro, o lançamento da aeronave A-29 Super Tucano, avião de ataque leve, reconhecimento armado e treinamento avançado, na configuração da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte - OTAN), com foco no atendimento às necessidades de nações pertencentes à Aliança Atlântica. 

A nova versão da aeronave, denominada A-29N, incluirá equipamentos e funcionalidades para atender aos requisitos operacionais da NATO, tais como um novo datalink, single-pilot operation, entre outras modificações. 

Segundo reforça a Embraer em nota de imprensa, estas funcionalidades aumentarão ainda mais as possibilidades de utilização da aeronave, permitindo por exemplo a sua utilização em missões de treino de JTAC, (Joint Terminal Attack Controller). Os dispositivos de treino serão igualmente atualizados para os padrões mundiais mais exigentes, incluindo realidade virtual, aumentada e mista.

Esta é uma nova etapa na vida operacional do A-29 Super Tucano”, disse Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança. “Vemos muitas possibilidades de aplicação do A-29N no momento. Vários países europeus têm mostrado interesse em capacidades específicas da aeronave que agora introduzimos com esta versão.”   

Segundo a mesma nota do fabricante, o A-29 pode realizar uma ampla gama de missões, incluindo ataque leve, vigilância e interceção aérea e contrainsurgência. Tem ainda capacidade de operar a partir de pistas remotas e não pavimentadas em bases operacionais avançadas com pouco apoio logístico, aliado a baixos custos operacionais e alta disponibilidade (superior a 90%). Além das funções de combate, a aeronave é ainda amplamente utilizada como treinador avançado. A capacidade de simular missões de combate e fazer upload e download de dados de voo fazem dela uma plataforma de treinamento altamente eficaz. Sendo uma verdadeira aeronave multimissão, o A-29 é flexível para fornecer às forças aéreas uma única plataforma para ataque leve, reconhecimento armado, apoio aéreo próximo e treino avançado, otimizando assim as frotas. 

O A-29 Super Tucano está equipado com uma variedade de sensores e armas de última geração, incluindo um sistema eletro-ótico/infravermelho com designador de laser, óculos de visão noturna, comunicações seguras de voz e dados, colocando o A-29 Super Tucano entre os melhores da sua classe, combinando excelente desempenho com armas do século 21, sensores integrados e sistemas de vigilância para criar um componente altamente eficaz de poder aéreo, segundo pode ler-se ainda na nota da Embraer.

De notar que o Super Tucano vem sendo insistentemente relacionado com a Força Aérea Portuguesa (FAP) nos últimos anos, podendo esta nova versão estar proximamente relacionada com essas notícias, à semelhança da versão portuguesa do KC-390, igualmente específica para utilizadores NATO. 

O anterior Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas manifestou também a intenção de adquirir aeronaves de combate a hélice para utilização "em teatros africanos". A revisão da Lei de Programação Militar recentemente aprovada em Conselho de Ministros, prevê a aquisição de "aeronaves de Apoio Próximo" categoria onde se pode enquadrar o Super Tucano, tal como descrito acima.

Já a OGMA, empresa detida maioritariamente pela Embraer, iniciou a capacitação para realizar manutenção e modernização do Super tucano na Europa. 

Minisstra da Defesa Nacional Helena Carreiras do lado direito do CEMFA Gen. Cartaxo Alves (ao centro) no stand da OGMA na LAAD no Rio de Janeiro     Foto: Embaixada de Portugal em Brasília

A título de curiosidade, também a ministra da Defesa Nacional, Helena Carreiras e o Chefe de Estado-Maior da FAP, Gen. Caraxo Alves se encontram de visita à LAAD e à Embraer no Brasil.  

A Embraer entregou até ao momento mais de 260 unidades do Super Tucano em todo o mundo, tendo sido selecionado por mais de 15 forças aéreas, incluindo a Força Aérea dos Estados Unidos (USAF)

Aguardemos novos desenvolvimentos.





 

terça-feira, 22 de novembro de 2022

CEMFA NO BRASIL [M2362- 78/2022]

 

O Gen. Cartaxo Alves em Brasília com o TBrig. do Ar Baptista Junior   Foto: Sargento Viegas / CECOMSAER       

O Chefe de Estado-Maior da Força Aérea Portuguesa, General João Cartaxo Alves, esteve na passada semana em visita oficial ao seu homólogo brasileiro, o Comandante da Força Aérea Brasileira, Tenente-Brigadeiro do Ar Carlos de Almeida Baptista Junior.

O Gen. Cartaxo Alves, juntamente com o Chefe de Gabinete do EMFA, MGen Sérgio Pereia e o Adido Militar no Brasil, Capitão de Mar e Guerra Silveirinha Canané, foram recebidos na manhã do dia 17 de novembro em Brasília, com enorme satisfação pelo anfitrião, expressada nas palavras: “Somos Forças Aéreas que atuam de forma integrada e com muita amizade consolidada. Estamos 100% abertos para parcerias, não somente pelo KC-390 Millennium, mas para outras pautas, projetos, aviões e aviações”, disse o Comandante da FAB.

Em igual tom retorquiu o CEMFA que referiu sentir-se "em casa ao estar no Brasil" e garantindo ainda que a Força Aérea Portuguesa é "um parceiro disposto a voar e contribuir com os projetos".


O Gen. Cartaxo Alves na apresentação do primeiro KC-390 português em Beja

De realçar que principalmente durante a última década, a FAP e a FAB têm mantido cooperação, quer através da participação em exercícios, quer com programas de intercâmbio de pilotos. O programa KC-390 Millennium tornou-se contudo a face mais visível e extensa dessa parceria, com a discussão técnica dos requisitos durante a fase de desenvolvimento da aeronave, e com a qualificação da primeira tripulação portuguesa no avião. Mais recentemente ainda, durante a apresentação do primeiro KC-390 em Portugal, o Gen. Cartaxo Alves manifestou mesmo o desejo de prolongar essa parceria, com intercâmbio de pilotos durante a fase operacional do novo modelo na FAP.




quarta-feira, 31 de agosto de 2022

CEMGFA CONFIRMA INTERESSE EM AERONAVES DE COMBATE A HÉLICE [M2333 - 48/2022]

O A-29 Super Tucano tem vindo a ser insistentemente relacionado com a Força Aérea Portuguesa

O Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), Almirante Silva Ribeiro, confirmou em entrevista à CMTV no dia 29 de Agosto de 2022, a necessidade de cerca de 5000 efectivos para as Forças Armadas Portuguesas. 

Na mesma entrevista, referiu ainda o interesse em voltar a ter helicópteros para "cobertura aérea", bem como "aeronaves a hélice para poderem operar em teatros africanos". E se a intenção de aquisição de helicópteros para teatro de combate há já muito tempo que foi assumida oficialmente, com verba inclusivamente inscrita na Lei de Programação Militar (LPM), esta será porventura a primeira vez que o interesse em aeronaves de asa fixa é admitido.

Apesar de aeronaves Super Tucano terem estado já por várias vezes em Portugal em avaliação, levando à circulação de vários rumores, o intuito de tais visitas nunca foi realmente assumido oficialmente.

Mais recentemente, foi comentado na imprensa internacional que teria havido uma oferta ao Estado Português, de uma dúzia de A-29 Super Tucano usados, mas mais uma vez sem confirmação oficial.

À luz das recentes declarações do CEMGFA, será por isso uma situação a acompanhar nos próximos tempos, até porque a LPM será revista brevemente. 

Portugal vem participando há já vários anos operações de manutenção de paz na região do Sahel em África, e as autoridades políticas nacionais e internacionais têm reafirmado o interesse em manter essa participação.



quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

PRIMEIRO KC-390 DA FAP EM CONSTRUÇÃO NA OGMA [M2086 – 04/2020]

Foto: OGMA
Foto: OGMA

O Chefe de Estado-Maior da Força Aérea, Gen. Joaquim Borrego, visitou as instalações da OGMA em Alverca, onde pôde já ver o painel central do primeiro, dos cinco aviões de carga KC-390 Millennium, encomendados em Agosto de 2019 à Embraer, destinados a substituir os C-130H Hercules, na Esquadra 501 da Força Aérea Portuguesa.

Foto: OGMA

O KC-390 Millennium é um projecto da Embraer, com participação portuguesa, tanto na fase de desenvolvimento, como de construção das aeronaves.

Foto: OGMA


A OGMA é responsável pela construção dos lemes de profundidade e compartimento do trem de aterragem principal, além da já referida secção central da fuselagem. A montagem final dos aparelhos é contudo realizada no Brasil.



Enquanto a Força Aérea Brasileira está já a operar o modelo desde Setembro de 2019, a entrega da primeira aeronave da FAP está prevista para Fevereiro de 2023.








sábado, 20 de abril de 2019

ROMÉNIA OFICIALIZA INTERESSE EM MAIS CINCO F-16 PORTUGUESES [M2033 - 20/2019]

F-16 do primeiro lote vendido por Portugal à Roménia

O ministro da Defesa romeno Gabriel Les, confirmou em conferência de imprensa, a intenção de comprar  cinco células F-16 a Portugal: "Todos os documentos foram já enviados para o nosso parceiro português. Só nos falta percorrer os últimos metros de distância. Acredito firmemente que é possível assinar ainda este ano o contrato para os cinco aviões" referiu.

Segundo informação adicional ventilada na imprensa romena, apenas quatro das células serão destinadas a voar, juntando-se assim às 12 do primeiro lote adquirido em Portugal, actualmente a operar a partir de Borcea, na Roménia, para perfazer um total de 16. A quinta célula destinar-se-á ao fornecimento de peças para a frota operacional.
Ainda segundo a imprensa local, as cinco células virão do AMARG nos EUA, sendo modernizadas na OGMA, em Alverca, para o padrão MLU.

O potencial negócio tinha já sido anteriormente assumido pela parte portuguesa, tanto pelo Ministério da Defesa, como pela Força Aérea, na pessoa do Gen. Manuel Rolo. Em Janeiro passado, na Comissão Parlamentar de Defesa, o então CEMFA revelou ser a alienação de cinco células F-16, a solução encontrada para financiar a modernização e operacionalidade da restante frota portuguesa. Isto significa que - ao contrário da informação veiculada na Roménia e pelo MDN inicialmente - as células a transferir para a Roménia sairão da frota nacional e não serão repostas, ficando por isso a frota da Força Aérea Portuguesa reduzida a 25 aeronaves.
A lógica subjacente a esta decisão, é de que estas cinco células têm estado paradas nos últimos anos, por falta de verbas para as manter operacionais, sendo por isso a sua venda irrelevante para a execução das operações que é possível manter actualmente.

Não há, por enquanto, informação oficial acerca dos valores envolvidos no negócio.


quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

FAP PONDERA M-346 ALUGADOS PARA TREINO AVANÇADO DE PILOTOS [M2015 - 02/2019]

Leonardo M-346

Faz no próximo dia 31 de Janeiro exactamente um ano, que o Alpha Jet - avião que cumpria o treino avançado de pilotos de caça - realizou o último voo. Desde então, a Força Aérea Portuguesa ficou sem uma aeronave capaz de realizar esta missão, passando a solução para a formação dos futuros pilotos de caça, por realizar o curso avançado de pilotagem nos EUA.

Para o Chefe de Estado Maior da Força Aérea, General Manuel Rolo contudo, esta situação está longe de ser ideal, tendo revelado na Comissão de Defesa Nacional no passado dia 16 de Janeiro, que a solução poderá passar por um contrato de utilização de aviões de treino modernos, alugados num regime de "power by the hour", sendo a aeronave preferida para este fim, o M-346 da Leonardo, apesar de salvaguardar existirem alternativas no mercado.

Segundo o CEMFA, a escassez de pilotos militares operacionais nos EUA, tem limitado as vagas para a formação de pilotos estrangeiros, o que tem para já a consequência de que dos quatro pilotos em média destinados às Esquadras de F-16 da FAP todos os anos, apenas um tem o curso assegurado em 2019, nos EUA.

Revelou por isso, que decorrem negociações avançadas com a empresa portuguesa Hi Fly - que adquiriria as aeronaves - e com as forças aéreas dos países EPAF (European Participant Air Forces) parceiros de Portugal na operação e manutenção do F-16 (Países Baixos, Dinamarca, Noruega e Bélgica) de modo a rentabilizar os custos de aquisição e operação das aeronaves M-346.

Esta situação permitiria criar uma escola de pilotagem avançada na Base Aérea nº11 em Beja, mantendo os standards de qualidade e exigência actuais deste grupo, que a Força Aérea Italiana - que fornece este mesmo serviço actualmente no M-346 - não proporciona, para além dos elevados preços que pratica.

Ainda em relação a aeronaves de treino, mas básico, referiu ainda o General CEMFA que para a substituição do Chipmunk - frota com 68 anos - estão reservados 2,5M EUR, para aquisição de aeronaves "quase ultra-ligeiras", mas que permitam pelo menos aos alunos da Academia da Força Aérea voar em aviões com um cockpit moderno.











quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

CEMFA ALERTA PARA RISCOS DE SAÍDA DE PILOTOS DA FORÇA AÉREA (M1316 - 381PM/2013)



A capacidade operacional da Força Aérea está próxima do limite com a saída de pilotos para a aviação comercial, onde os salários são mais atractivos, alertou o chefe do Estado-Maior do ramo, José Pinheiro.

O general José Pinheiro manifestou este domingo "grande, grande preocupação" com a saída de pilotos para o sector privado, sobretudo para a aviação comercial portuguesa e, recentemente, para mercados internacionais.

"Há um limite a partir do qual a nossa capacidade operacional está em causa", frisou aquele responsável em declarações à agência Lusa.

Questionado sobre se esse limite está a ser atingido, José Pinheiro afirmou: "Estamos em risco de atingir esse limite."
Sem avançar números totais, o chefe do Estado-Maior da Força Aérea adiantou que nos "últimos meses" saíram sete pilotos e confirmou que a esquadra mais afectada é a dos helicópteros.

Abrangida pelas restrições orçamentais que afectam as Forças Armadas, a Força Aérea Portuguesa dispõe actualmente de pouca margem de manobra para investir na formação de mais pilotos, admite José Pinheiro.

"A TAP é a grande sugadora de pilotos, mas não é a única. Periodicamente abre-se um concurso e nós não podemos prender as pessoas", que podem sair com um aviso de poucos dias após doze anos nos quadros, disse.

Questionado sobre que medidas estão a ser tomadas para prevenir uma eventual ruptura da capacidade operacional, José Pinheiro disse apenas que tem estado "em contacto com a tutela política para ver medidas possíveis".

A "fuga" de pilotos aviadores da Força Aérea para a aviação comercial é uma situação recorrente, com picos em determinados anos. Em 2007, o então Governo alargou de oito para 12 anos o tempo mínimo de permanência nos quadros.

Em Maio de 2009, o Presidente da República, Cavaco Silva, que é o Comandante Supremo das Forças Armadas, disse publicamente que a saída de pilotos para a aviação civil era "de facto um problema" e afirmou esperar soluções da parte do Governo e das chefias militares. A chefia do ramo defendeu na altura a revisão dos suplementos remuneratórios como forma de incentivo à permanência dos pilotos aviadores na Força Aérea.

Fonte: Público

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

FORÇA AÉREA CEDE T-33 À C.M. DE CONSTÂNCIA (M1181 - 274PM/2013)


T-33 cedido ao centro Ciência Viva em Constância     Foto: Força Aérea

O Chefe do Estado-Maior da Força Aérea (CEMFA), General Piloto-Aviador José  Pinheiro, presidiu a 26 de setembro à assinatura de um Contrato de Cedência da Aeronave Lockheed T-33 T-Bird à Câmara Municipal de Constância.

O contrato prevê a utilização da aeronave no Centro Ciência Viva de Constância - Parque de Astronomia, para fins de exposição e divulgação científica, valorizando-a de acordo com os princípios museológicos e patrimoniais.

A escolha desta aeronave em específico deve-se sobretudo ao facto histórico de este ter sido o primeiro tipo de avião a jato a operar na antiga Base Aérea de Tancos.
A instalação da aeronave vai permitir ao Centro Ciência Viva de Constância abordagens científicas ao tema "voo", com especial incidência no princípio de Bernoulli e nas manobras de direção e de altitude de um avião em plena operação.

Este Centro tem vindo a assumir-se como um local de excelência para a divulgação de ciências relacionadas com a astronomia - nomeadamente a física, a química e a matemática, apostando no desenvolvimento de novas estratégias de ensino e investigação.

Em declarações aos Órgãos de Comunicação Social, o General CEMFA afirmou que ficou bastante agradado com este pedido de cedência de aeronave, uma vez que permite à Força Aérea contribuir para a formação, ao transformar uma peça de museu num instrumento de aprendizagem para os jovens e restante público. 

Fonte: Força Aérea




segunda-feira, 1 de julho de 2013

AERONAVES EM TERRA (M1059 - 183PM/2013)



A Força Aérea cumpre hoje 61 anos desde que se tornou ramo independente. Ontem domingo, tiveram lugar na cidade de Leiria, as solenidades devidas à ocasião.
Discursou por isso o Chefe de Estado Maior da Força Aérea, General José Pinheiro, proferindo talvez pela primeira vez  publicamente, várias verdades quiçá incómodas, entre as quais se destaca uma: às Forças Armadas foram cortados 36% do orçamento, em apenas dois anos. As consequências, fazem-se sentir (como seria previsível) ao nível da segurança dos militares que servem o país e da prontidão no cumprimento da missão que juraram cumprir.
Como é apanágio deste (e outros governos), a resposta fez-se ouvir, por palavras que podem ser traduzidas por um conselho à utilização da "lei da rolha": 
"Acredito que é da cultura de todos os chefes e da boa estratégia militar que as vulnerabilidades das Forças Armadas e da Defesa Nacional não devam ser ecoadas no palco da discussão pública" Aguiar-Branco dixit.

Um corte de 36% arriscaria a dizer que não foi conseguido em nenhum outro setor do Estado durante o exercício do atual (des)governo. Os chefes militares têm aguentado tempo demais em silêncio, à espera que o bom-senso tome alguma vez conta no poder político. Depois da Marinha, agora a Força Aérea pela voz do seu chefe supremo, lança o alerta, prontamente condenado pelo chefe civil da Defesa, num pseudo-conselho de sapiência militar.
Interessante como a hipocrisia dos mesmos políticos que cortam direitos inerentes a quem jurou servir a Pátria, se necessário em prejuízo da própria vida, fazendo vista-grossa à sua especial condição, se serve dessa mesma condição quando lhes interessa, para justificar o abafar da voz da razão.

Porque é mais fácil mandar calar, do que fazer alguma coisa de realmente útil para o país. 
Do que correr mal entretanto, nunca ninguém é culpado. 
Das próximas eleições mais virão, para voltar a cometer as mesmas barbaridades, das quais sairão mais uma vez despreocupadamente incólumes.
Entretanto, o país e o povo definham. 
Enquanto não for implantado um sistema que responsabilize os gestores públicos pelos atos que realizam ou realizaram no exercício das suas funções, assim continuará a ser.
Não tenhamos dúvidas. 
E não vai ser a classe política, de livre vontade a impor a si mesma esse sistema.




terça-feira, 18 de dezembro de 2012

LANÇAMENTO DO LIVRO "SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DA FORÇA AÉREA PORTUGUESA" (M798 - PM148/2012)

Foto: Força Aérea

Teve lugar no dia 17 de dezembro, no auditório do Estado-Maior da Força Aérea, em Alfragide, a sessão solene de lançamento do livro "Subsídios para a História da Força Aérea Portuguesa", que se insere nas comemorações do 60º aniversário da Força Aérea, e que é da autoria de Carlos Serejo.

A sessão iniciou-se com algumas palavras de boas vindas por parte do Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, General José Pinheiro, a qual se seguiu a apresentação da obra pelo Coronel Carlos Macário, Chefe do Serviço de Documentação da Força Aérea.

Este livro incide sobre factos relevantes para a história da Instituição, sob forma de cronologia, com destaque para a evolução da organização e da sua estrutura. É também composto por várias galerias (das chefias da Força Aérea; de pessoal da Força Aérea que ocupou cargos de relevância exteriores à Instituição e de pessoal da Força Aérea a quem foram concedidas dignidades honoríficas) e termina com uma listagem de condecorações atribuídas a órgãos da Força Aérea.

Carlos Manuel Robalo Serejo é assistente técnico na Força Aérea e desempenha funções, desde 2004, no Arquivo Histórico, na Área de Biblioteca, Arquivo e Documentação/Fotografia. É licenciado em Línguas e Literatura Moderna, encontrando-se a frequentar uma 2ª licenciatura em História. São também obras de referência do Sr. Carlos Serejo a “Igreja da Nª Sr.ª do Rosário”, “Nª Sr.ª do AR” e “Granja do Marquês”.


Fonte: Força Aérea

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