sábado, 24 de outubro de 2020

APRESENTAÇÃO OFICIAL DO F-39E GRIPEN DA FORÇA AÉREA BRASILEIRA [M2195 - 113/2020]

O primeiro F-29E Gripen da FAB na apresentação em Brasília

O Gripen E, denominado F-39E Gripen pela Força Aérea Brasileira (FAB), foi apresentado oficialmente, no dia 23 de outubro, tal como o Pássaro de Ferro oportunamente noticiou, durante o evento em celebração ao Dia do Aviador e da Força Aérea Brasileira, na Ala 1, em Brasília. A aeronave fez um voo sobre a base aérea após a exibição da Esquadrilha da Fumaça.


A cerimónia contou com a presença do Presidente do Brasil Jair Bolsonaro; do Ministro da Defesa do Brasil Fernando Azevedo e Silva; da Embaixadora da Suécia no Brasil, Johanna Brosmar-Skoogh; do Comandante da Força Aérea Brasileira, Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Moretti Bermudez; do Comandante da Força Aérea Sueca, Major General Carl-Johan Edström; do Presidente do Conselho de Administração da Saab, Marcus Wallenberg; do Presidente e CEO da Saab, Micael Johansson, entre outras autoridades.

O Presidente Brasileiro Jair Bolsonaro com o piloto de testes da Saab Marcus Wandt 

"É uma grande honra ver o Gripen na cerimónia alusiva ao Dia do Aviador e ao Dia da Força Aérea Brasileira. Acredito que não há ocasião mais representativa para essa apresentação, pois, certamente, significa muito para todos os aviadores brasileiros ter a aeronave voando nos céus do País", disse Micael Johansson, CEO e presidente da Saab. "Esse é o resultado de uma colaboração real entre Brasil e Suécia, e uma grande oportunidade para estreitar ainda mais os laços entre os países".

O Tenente-Brigadeiro Bermudez, destacou que o novo caça está cada vez mais próximo do início da operação pela FAB: "O desenvolvimento e o fabrico do smart fighter - o caça inteligente - também vêm sendo acompanhados de perto pelos integrantes da Força e envolvem profissionais de diversas empresas brasileiras. Este 23 de outubro de 2020, portanto, é ainda mais especial, pois contamos com a apresentação oficial do primeiro F-39 Gripen a chegar ao Brasil".


A aeronave chegou ao Brasil no dia 20 de setembro e três dias depois fez seu primeiro voo no País, entre Navegantes (SC) e Gavião Peixoto (SP), para dar continuidade ao programa de ensaios em voo.

No Brasil, as atividades incluem testes nos sistemas de controlo de voo e de climatização, assim como testes na aeronave em condições climáticas tropicais. Além dos ensaios que são comuns às aeronaves do Programa Gripen E, serão testados no Brasil características únicas das aeronaves brasileiras, como integração de armamentos e o sistema de comunicação Link BR2 - que fornece dados criptografados e comunicação de voz entre as aeronaves.


Os primeiros caças serão entregues à Força Aérea Brasileira, na Ala 2, em Anápolis (GO), a partir do final de 2021.


O Programa Gripen

A parceria com o Brasil começou em 2014, com um contrato para o desenvolvimento e produção de 36 aeronaves Gripen E/F para a Força Aérea Brasileira, incluindo sistemas, suporte e equipamentos. Um amplo programa de transferência de tecnologia, que está a ser executado num período de dez anos, está a impulsionar o desenvolvimento da indústria aeronáutica local através das empresas parceiras que participam no programa Gripen Brasileiro.

No decorrer desse período, mais de 350 técnicos e engenheiros brasileiros participarão de treinos teóricos e práticos, na Suécia, para adquirirem o conhecimento necessário para a execução das mesmas tarefas no Brasil. Até ao momento, mais de 230 profissionais já concluíram os cursos e a maior parte deles está de volta ao País trabalhando no Centro de Projetos e Desenvolvimento do Gripen (GDDN, do inglês Gripen Design and Development Network).

Os caças Gripen E/F que serão entregues à FAB estão a ser desenvolvidos e produzidos em colaboração com técnicos e engenheiros brasileiros. A partir de 2021, a montagem completa de 15 aeronaves terá início localmente. O desenvolvimento do Gripen F, bilugar, está a avançar com inúmeras atividades no GDDN. 

Todos os modelos F (oito células) serão construídos integralmente no Brasil, enquanto os restantes 28 modelo E, monolugares serão fabricados em parceria, estando previsto até dez células desta versão, serem totalmente montadas no Brasil.




Texto e fotos: Valter Andrade, jornalista brasileiro especializado em temas de defesa, fotógrafo, pesquisador de história militar e colaborador de publicações e sites do mesmo segmento.




quinta-feira, 22 de outubro de 2020

OGMA ENTREGA MAIS UM F-16 PARA A ROMÉNIA [M2194 - 112/2020]

Descolagem do 15122 em Alverca rumo a Monte Real    Foto: OGMA

A OGMA entregou à Força Aérea Portuguesa (FAP) na passada segunda-feira 19 de Outubro de 2020, mais uma célula de F-16 MLU destinada à Roménia, após cumprir manutenção e receber o esquema de pintura da Forțele Aeriene Române.

A célula com número de cauda 15122 da FAP (ex-USAF 82-0918) integrará com o 15141, tal como  noticiámos anteriormente, a segunda remessa pertencente ao segundo contrato de alienação de F-16, com destino ao país dos Cárpatos, onde lhe será atribuído o número de cauda 1613.

Os dois caças deverão seguir para a Roménia na primeira metade de Novembro de 2020. Ficará apenas a faltar a entrega de mais um F-16 (n/c 15134), a entregar já em 2021, para completar os cinco previstos neste contrato

Após a alienação destes cinco caças, a Força Aérea Portuguesa irá receber três células de F-16 adicionais (n/c 15145 a 15147), modernizadas na OGMA para o padrão MLU, de modo a levar o número final da frota portuguesa para 28 unidades (24 monolugar e 4 bilugar).



quarta-feira, 21 de outubro de 2020

PISTA TRANSVERSAL DAS LAJES REATIVADA [M2193 - 111/2020]

C-130H Hercules dos "Bisontes" a operar na pista transversal da BA4 no dia 21/10/2020

A pista transversal da Base Aérea nº 4 nas Lajes, Açores irá voltar a ser utilizada. A notícia foi veiculada ontem 20 de Outubro de 2020, pelo Diário Insular. Segundo o mesmo periódico açoriano, a cerimónia de inauguração marcada para a manhã de hoje, seria presidida pelo comandante da Zona Aérea dos Açores Brig.Gen João Pereira, em conjunto com o Destacamento da Força Aérea dos Estados Unidos da América, 65th Air Base Group.

A inauguração da pista foi feita pelo C-130H Hercules n/c 16803 da Esquadra 501 da Força Aérea Portuguesa.

Segundo o comunicado enviado às redações pelo Comando da Zona Aérea dos Açores, a pista transversal tinha "sido desativada por motivos operacionais e a sua inauguração conclui um longo processo que teve início numa proposta apresentada pela parte norte americana, através do qual foram analisadas e avaliadas todas as implicações que a sua implantação poderiam acarretar, nomeadamente no que respeita a segurança".


A Permanent Lajes Landing Zone - como é designada oficialmente esta pista secundária - será importante, "uma vez que permite o treino real de aterragens e descolagens em pistas curtas e em condições de piso adversas, a aeronaves militares de transporte aéreo tático, como por exemplo o C-130 e o C-17, de Portugal, dos Estados Unidos da América ou ainda dos países da NATO", pode ainda ler-se no comunicado. "Com este tipo de treino é possível incrementar a proficiência das tripulações que tenham que vir a operar em teatros de operações adversos".

A pista transversal da BA4 agora reativada      Imagem: Google

Ainda assim, a operação na pista secundária (09/27), que cruza a principal no seu extremo Noroeste "será sempre condicionada pelo tráfego aéreo militar e civil que opere na pista 15/33 [NR: pista principal] que será sempre prioritário", esclarece ainda o Comando da Zona Aérea dos Açores. 

O comunicado realça ainda que a "Carta de Operações contempla a figura do Landing Zone Safety Officer (LZSO-Agente de Segurança da Zona de Aterragem), que sempre que a Permanent Lajes Landing Zone seja ativada, operará no local e será responsável por garantir que a operação das aeronaves decorre de forma segura e eficiente". Este função será a desempenhar "conjuntamente por Controladores de Tráfego Aéreo da Esquadra de Aeródromo da Base Aérea Nº4 (BA4) e do 65th ABG, devidamente qualificados e treinados para o efeito".


Ainda segundo o Diário Insular, a "nova" pista será utilizada, primariamente para o treino e qualificação de operações em pistas muito curtas das tripulações e condições adversas de aviões C-130 e C-17, que irão operar em África no âmbito das atividades do AFRICOM dos EUA. Segundo adianta o DI, os treinos deverão decorrer sobretudo à noite, uma vez que uma das componentes essenciais do treino incidirá nas operações com sistemas de visão noturna (Night Vision Goggles - NVG).



1º CURSO NO CENTRO DE TREINO TÁTICO DE HELICÓPTEROS EM SINTRA [M2192 - 110/2020]

Participantes do 4º Curso de Guerra Eletrónica da EDA em Sintra      Foto: FAP
 

O 4º Curso de Guerra Eletrónica da Agência Europeia de Defesa (EDA), que envolveu mais de uma dezena de participantes da Bélgica, Hungria, Itália, Portugal, Suécia e Ucrânia, teve lugar na Base Aérea nº1 (BA1) em Sintra, entre 5 e 16 de Outubro de 2020 . Foi o primeiro curso direcionado a tripulações de helicópteros, realizado nas novas instalações de formação da EDA, instaladas ao longo dos últimos quatro meses na BA1, e que acolherá também o futuro Centro Multinacional de Treino de Helicópteros (MHTC) até meados de 2023.

O curso de Guerra Eletrónica, que faz parte das diversas atividades de treino de helicópteros da EDA, permitiu aos participantes aprofundar os conhecimentos e especialidades sobre Guerra Eletrónica e a sua aplicação nos atuais teatros operacionais. De briefings sobre ameaças, a aulas de matemática, foram abordados uma série de tópicos, com o objetivo de aumentar o conhecimento dos formandos, que também tiveram a oportunidade de compartilhar experiências entre si, apesar das medidas cautelares estritas da Covid-19, postas em prática pela Força Aérea Portuguesa (FAP) e pelas autoridades de saúde do país.

Segundo a EDA, após meses de intensa preparação, o centro de formação de Sintra reúne todas as condições necessárias para a realização de uma formação de qualidade para os programas da EDA, Helicopter Exercise Program (HEP), Helicopter Tactics Course (HTC) e Helicopter Tactics Instructors Course (HTIC). 

O centro é constituído por um edifício de escritórios e salas de aula e um hangar, construído para acomodar um simulador avançado de missões de helicóptero. O simulador, de última geração, é composto por dois cockpits completos e cabines traseiras, permitindo o treino de todos os tripulantes, tanto pilotos como operadores de sistemas. Baseado na mais recente tecnologia de simulação, o dispositivo de treino possui software VBS4 integrado numa base de dados mundial, um modelo de voo muito realista e um EW Defense Suite (Sistema de Defesa de Guerra Eletrónica) completo, o que permitirá às tripulações melhorar e aumentar as capacidades táticas e conhecimentos, em qualquer tipo de ambiente físico ou tático.

As novas instalações de formação irão garantir a continuidade dos atuais programas da EDA até meados de 2023, altura em que serão integralmente entregues ao Centro Multinacional de Formação de Helicópteros (MHTC), também a ser sedeado em Sintra, que assumirá a gestão dos três programas de helicópteros da EDA. Segundo o ministro da Defesa João Gomes Cravinho referiu, em entrevista à revista da EDA em Julho transato, "Em relação ao quadro de pessoal, o MHTC terá dez cargos permanentes, além do pessoal temporário responsável pelos cursos académicos e simulador. Em princípio, a Força Aérea Portuguesa será responsável por cerca de 50% destes postos permanentes, com pessoal dedicado a tempo inteiro." O titular da pasta da Defesa do Governo português referiu ainda que, apesar da FAP não ter estado envolvida até ao momento nos programa HTIC, está sob consideração essa hipótese.

NH90 do Exército Alemão em Portugal no Hot Blade 2018

Gomes Cravinho adiantou na mesma ocasião, que Portugal irá organizar o exercício Hot Blade 2021, tendo já manifestado disponibilidade para organizar o mesmo exercício - do qual é já o organizador mais frequente - em 2024, 2027 e 2030.


quinta-feira, 15 de outubro de 2020

OGMA ENTREGA MAIS UM F-16 DESTINADO À ROMÉNIA [M2191 - 109/2020]

O  F-16 n/c 15141 pertence ao segundo lote vendido por Portugal à Roménia    Foto: OGMA

A OGMA anunciou através da rede social Twitter a entrega à Força Aérea Portuguesa no passado dia 8 de Outubro de 2020, de mais um F-16 destinado à Roménia.

De facto, após ter sido submetida a manutenção, para a colocar de acordo com os standards contratuais e receber o esquema de camuflagem da Força Aérea Romena, a célula com registo FAP 15141 (ex-USAF 82-0975) foi captada pelo programa de radar virtual ADSB Exchange com o callsign "VLAD50", no trajecto entre as instalações da OGMA em Alverca e a Base Aérea Nº5, em Monte Real.

Screenshot do programa ADSB Exchange via LP-ADSB



A Roménia adquiriu um segundo lote de F-16 da Força Aérea Portuguesa compreendendo cinco células monolugares, duas das quais foram já entregues em Agosto do corrente. O 15141 (que deverá receber a matrícula 1617 na FA Romena) fará parte da segunda remessa juntamente com o 15122, a entregar à Roménia no final de Outubro ou início de Novembro de 2020, segundo informação prestada pelo ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho. O último do lote (FAP n/c 15134) será entregue já em 2021.

Dos cinco caças da FAP agora vendidos, três serão repostos por células ex-USAF a modernizar igualmente na OGMA, levando o número final da frota portuguesa para 28 (24 monolugar e quatro bilugar).




segunda-feira, 12 de outubro de 2020

PRIMEIRO LYNX MODERNIZADO DA MARINHA PORTUGUESA ADIADO PARA 2021 [M2190 - 108/2020]

Primeiro Lynx modernizado da Marinha Portuguesa
Segundo a conceituada publicação de defesa Janes, a entrega à Marinha Portuguesa do primeiro Lynx Mk.95A modernizado, foi adiada para os primeiros dias de 2021.

A primeira célula modernizada (19204) realizou o voo inaugural já a 14 de Fevereiro de 2020 em Yeovil, a partir das instalações da Leonardo, estando a entrega prevista para o final de Setembro, o que não viria a no entanto a concretizar-se. Segundo informações prestadas pela Marinha, as razões do adiamento prendem-se os efeitos decorrentes da pandemia de Covid-19.

A avaliação do helicóptero está agora marcada para Dezembro de 2020, como parte da certificação do modelo. Os pilotos devem finalizar o treino no início do mesmo mês.

A Leonardo recebeu um contrato de 69M EUR em Julho de 2016 para modernizar as cinco aeronaves Super Lynx Mk.95 da Marinha Portuguesa. A quinta e última célula foi entregue à Leonardo em Junho de 2020 e de acordo com a programação atual, a entrega de todos os cinco helicópteros modernizados está prevista decorrer durante 2021.

O pacote de modernizações inclui modificação estrutural decorrente da instalação dos novos motores LHTEC CTS800-4N em substituição dos Rolls Royce Gem 42, sistemas de ajudas e navegação, substituição do painel de instrumentos por um glass cockpit com três ecrãs multifunções, novo guincho de salvamento hidráulico e sistema de amortecimento de vibrações do rotor principal.




sábado, 10 de outubro de 2020

… a histórica Malta [M2189 - 107/2020]

Malta é uma pequena nação insular (316 km2), que fica na fronteira entre dois continentes, África e Europa, posicionada entre as Torres de Hércules e o Canal do Suez, pelas suas águas territoriais passam as principais rotas do Mar Mediterrâneo, é um local de indubitável e milenar valor estratégico, com um percurso histórico de ocupação humana de mais de sete milénios, são estes, parece-me, motivos suficientes para ser destino de férias quase obrigatória, tanto ou mais que qualquer outro destino europeu. Mas, quem tem os aviões na massa do sangue, na oportunidade de uma visita a Malta, não podia deixar de, pelo menos, visitar o Museu de Aviação de Malta.


Antecedentes – National War Museum

Pouco mais de 20 anos antes, a 29 de Julho de 1974, é criada por um conjunto de voluntários a National Air Museum Association (NAMA), com o objectivo de registar e manter, o registo histórico de Malta enquanto fortaleza, compilando informação histórica, documental, artefactos, promovendo o seu estudo, preservação e restauro.

Este foi o embrião do actual, que foi tomando uma forma mais palpável com a cedência de muitos artefactos e documentos, incluindo muitos artefactos encontrados por toda a ilha, e por exemplo, no caso recente da 2ª Grande Guerra, em campos agrícolas, ou submersos ao longo da costa. Em resultado disso, a 30 de Maio de 1975, é inaugurada uma pequena exposição militar no Forte de St. Elmo (constr. 1552), em Valetta, que foi crescendo dando forma ao actual National War Museum (NWM), inaugurado quatro anos mais tarde, a 5 de Novembro de 1979. 

A exposição está distribuída por diversas áreas do forte, cobrindo todos os períodos da ocupação da ilha, desde 5000 AC ao final do período medieval, o Grande Cerco de 1565, a “Batalha de Malta” [1] na 2ª Grande Guerra, até ao período moderno, de uma nação europeia que se afirma neutral e pacífica.

Não posso deixar de destacar desde logo, uma peça que é o símbolo máximo da resistência do povo de Malta  durante a “Batalha de Malta”[1], a George Cross, uma das mais importantes condecorações inglesas, atribuída pelo Rei Jorge VI de Inglaterra, a 15 de Abril de 1942 -- “to bear witness to a heroism and devotion that will be famous in history”.

Um dos símbolos da resistência maltesa durante a 2ª Grande 
Guerra, este Sea Gladiator reg. N5520, o “Faith” um dos poucos 
aviões que durante algum tempo foram o único tipo de caça 
contra as forças italianas.

 
Um holofote de apoio às antiaéreas, que conseguiram abater 
inúmeros aparelhos italianos e alemães, como caso do fragmento 
de uma asa que se vê no canto superior da imagem.

O que resta de um Spitfire Vc resgatado do fundo do mar, 
em tudo semelhante ao que a partir do qual se reconstruiu 
o Spitfire em exposição no museu, em Ta’Qali.

Diversos são os painéis ilustrativos deste período que ocupam as salas do 
museu, polvilhados de inúmeros artefactos, e até restos de aviões, 
documentos, instrumentos, um sem fim de artefactos históricos.


A George Cross integra desde então a Bandeira Nacional e diversos 
símbolos nacionais, como é o caso, da cocarde da componente aérea 
das Armed Forces of Malta.

 


Malta Aviation Museum

Na sequência do trabalho realizado até aqui, a 1 de Novembro de 1994, é constituída a Malta Aviation Museum Foundation (MAMF),  com o objectivo de criar um museu de aviação. 

Localizado em parte do que foi o antigo aeródromo de Ta’Qali (ex-base aérea da RAF desactivada em 1968), dele fazem parte a exposição, oficinas de restauro e serviços administrativos, distribuídos por três hangares, dois deles recentes e um deles, que na verdade são dois Romney Huts, foram trazidos das bases de Hal Far e de Kalafrana, integrando o espólio.

O Malta Aviation Museum (MAM) possui uma colecção de aviões e diversos outros artefactos, dispostos pelos três hangares, cada um deles dedicado a um tema: Air Battle of Malta Memorial hangar, Main Exhibition hangar, e a Romney Exhibition hangar.

 

Fazem parte da colecção, para além dos aviões e helicópteros em exposição, em armazenamento ou restauro, mais dois aparelhos, em estado de voo, baseados em Luqa, um Tiger Moth e um Piper Cub.

 

Toda a visita foi interessantíssima e no final, enquanto me decidia onde gastar alguns euros na “shop”, ainda estive à conversa com um dos voluntários, o Frederick Galea, autor de diversos livros que me confessou estar «maluco» já que, explicou, foi um dos que restauraram o Hurricane e Spitfire, refeitos peça a peça  depois de terem passado uns redondos 30 anos debaixo de água! Reformado há já alguns anos, crescenta que, «it’s better then staying at home, watching television!»

E eu acrescentei, pudéssemos nós todos, entusiastas de aviação, fazer o mesmo! [2]

 

A colecção do Museu de Aviação de Malta é muito interessante ainda que, não estejam todos os aparelhos em exposição, alguns estão nas reservas, estes foram os que consegui ver.

 

Agusta-Bell AB47 G-2 reg.AS7201 (c/n225)

Agusta-Bell AB.204B  MM80303/1 (reservas)

Agusta Bell UH-1H c/n AAB5232 s/n 66-0749 reg.D-HAQU (w/tail boom of D-HAQO)

Armstrong-Withworth Sea Hawk FGA.6 reg. WV826 c/nA2532

BAC 1-11 (cabine) (ex5N-BBP, c/n 202)

Beechcraft 18S  (N495F) (reservas)

Callus Centaur 2000 reg. JC-XXX/Ariana (girocoptero)

Cessna L-19E Bird Dog reg.9H-ACB s/bn 61-2983, exItalian AF, exAFM

De Havilland Vampire T MK.11 reg. WZ550

Denney Kitfox 3 reg. 9H-UMH exG-BUDR

Douglas C-47A (43-15762; c/n 20228, exC-FITH)

Douglas Dakota IV (KN462)/Z , c/n16118/32925?  (T9-ABC) exF-GILV?

English Electric Company Lightning F.2 (secção de nariz) reg.XN769 RAF 92 Sqdn

Fairey Swordfish Mk.II HS491

FIAT G.91R1/B reg.MM6377/2-11 c/n NC191 Italian Air Force 14º Gruppo 2º Stormo

Gloster Meteor F.8 WF714

Gloster Meteor NF.14 WS774

Handley Page Hastinsg C(VIP).4 WJ325 (restos da cabine)

Handley Page Hastings C.2 WJ328 (restos da cabine)

Hawker Hurricane MkIIA Z3055

North American T-6G reg. MM53679/SL-36

Pou du Ciel reg. HM14

Schleicher K8  reg.PH-455

Supermarine Spitfire LF.IXc  EN199/R-B

 

Fora daqui, e em estado de voo, baseados no aeroporto de Luqa estão,

De Havilland DH82A Tiger Moth reg. G-ANFW c/n 85660 exRAF DE730

Piper Cub L4H A-65-8 Grasshopper  9H-CUB (c/n 11883)

 

Armstrong-Withworth Sea Hawk FGA.6 reg. WV826, restaurado 
como sendo o O-161 do 804 Naval Air Squadron, baseado no 
HMS Ark Royal, representando um dos aparelhos que  a bordo 
do HMS Bulwark participou na campanha do Suez, em 1956 
(daí as riscas na fuselagem e asas).

 

De Havilland Vampire T MK.11 reg. WZ550, restaurado como sendo 
um DH Sea Vampire T Mk.22, reg. HF-599 do 750 Naval Air Squadron,
baseado em Hal Far, em Malta, base conhecida com o HMS Falcon.
Aparelho ofertado pela Malta Aviation Society que o adquiriu com verbas 
provenientes da realização do festival internacional de aviação de Malta! 

 

Um colorido Gloster Meteor F.8, nas cores do 500 Sqdn
 

O Hawker Hurricane MkIIA Z3055, foi um dos aviões restaurados aqui, 
depois de ter sido resgatado do Mediterrâneo em 1995. perto da 
Blue Grotto, 54 anos depois de se ter despenhado, a 4 de Julho de 1941.

O primeiro aparelho e também o primeiro helicóptero do Helicopter 
Flight, das Armed Forces of Malta, um Agusta-Bell AB47 G-2.

Também este Spitfire LF.IXc estava no fundo do mar, reconstruído a 
partir do conjunto do motor e parte do cockpit -- está irreconhecível!

Um T-6G da Força Aérea Italiana é um de vários aparelhos que integram a colecção.

 

 

 

 

 

É um lugar-comum, repetido nos escaparates das agências de viagens, que Malta é um museu em si mesma, tal é o peso da História que transporta em cada local, em tudo o que vemos à nossa volta ou que visitamos transpiram História, a cada passo que damos transpomos séculos e até milénios.

Naturalmente com a minha atenção sempre voltada para a “cousa do ar”, no que concerne à aviação toda a ilha está também pontilhada de imensos locais interessantes e históricos da aviação, fortemente marcada  pela 2ª Grande Guerra. Em preparação para a visita estive a estudar algumas coisas (ver referências).

 

Esta viagem fez-me recordar várias outras coisas, por exemplo, pela proximidade de outros países, como o caso da Líbia, lá mais para Sul, veio-me logo à ideia a célebre “linha da morte”, traçada no Golfo de Sidra nos tempos de Kadafi. Reclamava então uma maior área de águas territoriais, intenção que foi prontamente desafiada pelo Tio Sam, que cedo estacionou ali perto uma das suas esquadras navais, e que resultaram, entre outros, em braços de ferro, como foi o caso dos combates aéreos entre aparelhos da Força Aérea Líbia e daMarinha Norte-Americana dos anos 80., o que aconteceu em duas ocasiões. Acho que ainda tenho algures um recorte de uma Newsweek sobre isso.

 

No aeroporto de Luqa, algumas referências também mais recentes, a uma altura em que nos noticiários ouvíamos falar repetidas vezes em sequestros aéreos, foi este aeroporto palco de diversos desvios de aviões, nem todos bem sucedidos, como o caso do 737 da Egyptair (Novembro 1985), que resultou em tragédia.

 

Não me posso esquecer também, da Guerra do Biafra, que de algum modo passou por aqui, sob a forma de um Lockheed Constelation (reg.5T-TAF, exTAPCS-TLC), que aqui ficou arrestado em 1968. À semelhança do que sucedeu em Faro, este também andou um bocado aos caídos, vendido em 1972, foi utilizado como bar/restaurante, o Malta Aviation Museum ainda o tentou adquirir, para a sua colecção, mas em Janeiro de 1997, foi destruído por um incêndio (lá está, como o de Faro). Curiosamente, ou não, do lado de Kirkop, existe um espaço para os plane spotters, gerido pela Malta Aviation Society, onde ainda se encontra um dos motores. Todo o espaço vai ser melhorado.

Esta associação organiza há já vários anos um festival aéreo internacional, de meter respeito!


 

Aspecto da área da Malta Aviation Society, junto ao aeroporto, onde 
está um dos motores do Super Constelation exTAP CS-TLC.  Toda a esta
área irá sofrer uma intervenção e melhoramento.


Não que tenha andado “à caça” dos wrecks&relics locais, ainda arranjei maneira de fotografar o EECo Canberra T.4 que está junto à torre de controle do aeroporto, onde se situou durante muitos anos a Royal Air Force Station Luqa, pertencendo este ao 13 Sqdn aqui baseado de  1965 a 1978.




Entretanto, e como tudo o que é bom, tem um fim, regressei a casa cheio de imagens bonitas de um país fantástico, e uma lista imensa de coisas que ficaram por fazer … até à próxima!

 

 

Rui “A-7” Ferreira

Entusiasta de Aviação

 


 

Notas:

[1] – foi durante a Segunda Grande Guerra que malteses e ingleses, civis e militares sofreram os mais intensos bombardeamentos da Regia Aeronautica e sobretudo da Luftwaffe, com especial incidência em toda a área do Grande Porto, em Valetta, mas também nos aeródromos de Luqa, Halfar, e Ta’Qali. Foi durante os bombardeamentos mais intensos, entre 20 de Março a 28 de Abril de 1942, e sobretudo a resistência dos Malteses, que lhes fez merecer a George Cross (todas estas áreas receberam cerca de o dobro da tonelagem de bombas, em relação a Londres durante o período de um ano: 6700 toneladas de bombas durante o período de 6 semanas!).

 

[2] – à laia de desabafo, e ideia peregrina, lembrei-me de um projecto antigo, que deu alguns frutos mas que voltou a ver fechadas as portas ao comum mortal, entusiasta de aviação, à possibilidade de efectuar trabalho de voluntariado num museu de aviação nacional … como diriam os Monty Python: say no more, say no more, winck, winck!

 

 

Agradecimentos:

Frederick Galea (MAM); Joe Ciliberti (MAS); Jos Stevens (Rotorsport);

 

 

Fontes e referências:

Malta Aviation Museum - https://www.maltaaviationmuseum.com/


Malta Aviation Museum - http://www.sbap.be/museum/taqali/taqali.htm


FIAT G.91 - https://maltashipnews.com/2019/07/24/aviation-italian-airforce-g-91-aircraft-presentation-to-the-malta-aviation-museum/

 

 

Mais alguns links interessantes, por entre sítios, filmes e documentários:

http://silverhawkauthor.com/warplanes-of-the-second-world-war-preserved-in-malta_601.html

http://www.globalairpowermedia.com/files/articles/malta-afm.html

http://www.andrewgrantham.co.uk/soundmirrors/locations/il-widna-malta/ 

 

https://www.youtube.com/watch?v=bX8r5oUo-4E&t=1192s

 

https://www.youtube.com/watch?v=snc881kjin8

 

https://www.youtube.com/watch?v=tOKwANmj_n0

 

http://www.sbap.be/museum/taqali/taqali.htm


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CRÉDITOS

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