sexta-feira, 10 de maio de 2019

OGMA ENTREGA NOVO F-16 MLU À FAP [M2037 - 24/2019]

A descolagem do 15142 da pista de Alverca rumo à BA5 - Monte Real a 9 de Maio de 2019        Foto: OGMA

A OGMA entregou ontem 9 de Maio de 2019 um F-16 à Força Aérea Portuguesa, após ter sido submetido ao programa Mid Life Upgrade (MLU), portanto o mesmo standard da restante frota operacional da FAP.

Este F-16 com número de cauda 15142, voou pela primeira vez em mais de 24 anos, a 13 de Fevereiro do corrente ano, em Alverca, naquele que foi o voo de experiência, após os trabalhos de modernização realizados na OGMA. A célula F-16A original (n/s 82-0952 - informação não confirmada) foi inibida nos EUA a 15 de Dezembro de 1994, tendo sido fornecida a Portugal integrada no programa Peace Atlantis II (PAII) em 1999, estando armazenada desde então.

O 15142 no voo de experiência a 13 de Fevereiro de 2019       Foto: FAP

A modernização MLU para as células do programa PAII, inclui, além da substituição dos sistemas electrónicos do avião, os programas de melhoramento estrutural Falcon Up e Falcon Star, que aumentam a vida útil da célula em 3000 horas de voo, além das 5000 iniciais suportadas pelos F-16A Bloco 15L, como é o caso.

O 15142 é a primeira de três células F-16 (dois A e um B) a incorporar na frota da Força Aérea Portuguesa, de modo a compensar outras três vendidas à Roménia, além das nove inicialmente previstas (total de 12).

O objectivo inicial desta decisão era manter uma frota de 30 aviões disponíveis para as Esquadras 201 e 301 da FAP. Contudo, com a perspectiva da venda de 5 aviões mais à Roménia, é possível que a frota portuguesa venha a ficar reduzida a 28, caso se confirme o negócio.

Poderá parecer que errámos as contas mas passamos a explicar: aquando da alienação dos 12 F-16 à Roménia, foram adquiridas 3 células adicionais aos EUA (dois A e um B) armazenados até então no AMARG. No entanto, os aviões n/c 15142 e 15143 agora modernizados, são células remanescentes do PA II. Apenas o 15144 (modelo B) é do lote recebido em 2014.
Entretanto, o Ministério da Defesa decidiu modernizar e colocar operacional as duas células A recebidas em 2014 e a última célula A remanescente do PA II, caso a nova venda à Roménia se concretize.

Portanto 30-5+3=28.
25AM e 3BM

Se a venda não se concretizar à Roménia, ficará a frota em 30 F-16: 26 AM e 4 BM, como previsto inicialmente.

Neste momento, com a incorporação do 15142 e por coincidência, estão 28 F-16 MLU baseados em Monte Real.




terça-feira, 7 de maio de 2019

PILOTOS MERCENÁRIOS PORTUGUESES NA LÍBIA? [M2036 - 23/2019]

ACTUALIZADO 9/5/2019

Foto dos destroços do Mirage F.1ED abatido hoje 7/5/2019

A notícia já não é nova, mas teve hoje novos desenvolvimentos, com o abate de um piloto alegadamente de nacionalidade portuguesa, na Líbia.
Já em Junho de 2016 pereceu na Líbia um piloto de nacionalidade portuguesa, a bordo de um Mirage F.1ED, ao serviço do GNA (Government of National Accord - Governo de Acordo Nacional), abatido por fogo "amigo" ou devido a avaria na aeronave.
Este indivíduo, de confirmada nacionalidade portuguesa, nunca terá sido piloto militar em Portugal, tendo recebido treino para voar o Mirage F.1 na Academia em Misrata, na Líbia, apesar do seu background ser em aviões a hélice de recreio e combate a incêndios.

Segundo Arnaud Delalande, reputado analista de assuntos militares do Médio Oriente e Norte de África, múltiplos pilotos e mecânicos de várias nacionalidades frequentaram a Academia em Misrata, com vista a operarem os poucos aviões de combate do GNA.






Hoje, 7 de Maio de 2019, novamente um Mirage F.1 foi abatido, desta vez por forças do Exército Nacional Líbio (LNA) sobre al-Hirah a Sul de Tripoli, tendo o piloto conseguido ejectar-se com sucesso.

O local do despenhamento do Mirage F.1 do GNA

O equipamento da cadeira ejectável e pára-quedas já num veículo do LNA

Vídeos veiculados na rede social Twitter mostram o piloto (chamamos a atenção para o facto das ligações terem imagens eventualmente chocantes), escassos momentos depois de tocar o solo, rodeado por elementos do LNA, que o transportaram e interrogaram em inglês acerca da sua nacionalidade, ao que respondeu ser portuguesa.

Após receber assistência médica prestada pelo LNA, terá apresentado documentação comprovativa da identidade portuguesa, sendo o nome contudo, aparentemente de origem anglo-saxónica.
O individuo comprovadamente não tem ou - tanto quanto se sabe - sequer teve, qualquer ligação com as Forças Armadas Portuguesas e mesmo a autenticidade da sua cidadania portuguesa é questionada.
O fardamento não é também coerente com os fardamentos conhecidos em uso pelos pilotos do GNA, a que alega pertencer.

Dado que o LNA também opera Mirage F.1 (pelo menos o de matrícula 402 e talvez também o 515), da ex-Força Aérea Líbia, poderá dar-se o caso de se tratar de mais um incidente de abate por "fogo amigo", mas desta vez do LNA aos próprios aviões, dado que comprovadamente operavam pelo menos dois Mirage F.1AD na altura.

O piloto já depois de receber assistência médica

O LNA reclamou ainda o abate de outro Mirage F.1 no passado dia 23 de Abril de 2019, tendo já na altura levantado algumas dúvidas se de facto pertenceria ao GNA ou se os destroços seriam de um avião próprio, com número de cauda 402. O porta-voz do LNA apresentou então um vídeo comprovativo de que o Mirage de matrícula 402 se encontrava ainda operacional, alegando que o avião abatido seria o 403, ao serviço do GNA. Não foram contudo mostradas imagens do piloto do avião abatido, apesar de terem revelado o seu nome, correspondente ao piloto instrutor principal de Mirage F.1 do GNA, de nacionalidade equatoriana.



Em 2016 o GNA apenas possuía dois Mirage F.1ED operacionais (n/c 502 e 508), os mesmos que tinham regressado de Malta, para onde desertaram durante a guerra em 2011, por os pilotos se recusarem a bombardear alvos civis.
Há informações, de que entretanto, um número reduzido de Mirage F.1 armazenados, também pertencentes à ex-Força Aérea Líbia, teria sido colocado em condições operacionais (talvez o 403 e 407), ao serviço do GNA.

Com todas estas informações e contra-informações é muito difícil, de momento, saber exactamente quantos aviões cada uma das partes terá no activo, bem como quais foram abatidos por quem.

A identidade do piloto capturado a 7/5/2019 continua também a ser um mistério, bem como qual das facções estaria a servir quando foi abatido. A forma como foi invulgarmente bem tratado pelos alegados inimigos (foi inclusivamente divulgada uma foto do piloto a descansar após ter sido socorrido), parecem sugerir algum tipo de encenação.






sexta-feira, 3 de maio de 2019

APROVADA LEI DE PROGRAMAÇÃO MILITAR 2019-2030 [M2035 - 22/2019]

Com a aprovação da LPM a aquisição do Embraer KC-390 pode agora avançar

A Lei hoje aprovada na Assembleia da República, definirá a estratégia de investimento, equipamento e transformação das Forças Armadas Portuguesas para os próximos 12 anos. Isto significa, que finalmente alguns programas de fundo onerosos, tal como a substituição da frota C-130 Hercules pelo KC-390, poderão finalmente avançar.

Segundo comunicado do Ministro da Defesa Nacional no dia de hoje 3 de Maio de 2019, estes projectos reforçarão a capacidade das Forças Armadas para responder às necessidades da Diáspora portuguesa, para cuidar da soberania e coesão nacionais, tanto no que diz respeito à sua área de exercício de busca e salvamento, como no que concerne a responsabilidade de jurisdição, decorrente da futura extensão da plataforma continental. Permitirão, também, fazer face às ameaças actuais e futuras, num contexto em que o maior grau de imprevisibilidade introduz maiores incertezas. Ainda segundo o MDN, esta Lei gera valor económico, tecnológico e emprego, promovendo a investigação e a inovação.

A Lei de Programação Militar (LPM) é o principal instrumento financeiro plurianual para o investimento público na Defesa e nas Forças Armadas. Trata-se da fonte primordial de equipamento, de desenvolvimento da Base Tecnológica e Industrial de Defesa Nacional, e de apoio para a Investigação e Desenvolvimento, com impacto directo nas capacidades militares necessárias para a prossecução das múltiplas missões das Forças Armadas.

A nova LPM prevê uma dotação global de 4740M EUR, superior em 1580M EUR à actual LPM, correspondendo por isso a um acréscimo de 50%.

Relacionados com a aviação, estão incluídos vários programas de reequipamento ou modernização, havendo a destacar:

-cinco aeronaves de transporte aéreo estratégico e táctico (827M EUR)
-cinco helicópteros de evacuação (53M EUR)
-substituição de aeronaves de instrução básica (2,5M EUR)
-UAVs de vigilância Classe 2 e 3 (37M EUR)
-um navio polivalente logístico (150M EUR)

As aeronaves de transporte estratégico e táctico serão, ao que tudo indica, os KC-390 que aguardavam apenas pela aprovação da LPM, para a assinatura do contrato com a Embraer, atingido que está o acordo entre as partes.

Os helicópteros de evacuação estão definidos como sendo de médio porte. Pelo valor unitário atribuído e contactos exploratórios com a Leonardo - actual fornecedor das restantes frotas de helicópteros das FAs - poderá ser do tipo AW139. Destinam-se à utilização em campo de batalha, para transporte e apoio a tropas no terreno.


O histórico DHC-1 Chipmunk poderá finalmente estar de saída

As aeronaves de instrução básica de pilotagem a adquirir, destinam-se a substituir a frota DHC-1 Chipmunk, ao serviço da Academia da Força Aérea e deverão ser "quase ultra-ligeiras", ainda por definir.

Os UAVs (aeronaves não-tripuladas) serão de Classe 2 (acima de 150 kg) e 3 (acima 600kg) e destinam-se a complementar ou substituir as aeronaves P-3C e C295M no patrulhamento e vigilância marítima.

O navio polivalente logístico, é um sonho antigo das FAs portuguesas, previsto já em várias LPMs anteriores, mas nunca executado. Permite, entre outras valias, o transporte e operação de helicópteros.

A LPM inclui ainda verbas para modernização nas frotas Falcon 50, TB-30 Epsilon, P-3C Orion e C-130H. De notar que a actualização de sistemas da frota F-16, terá que ser financiada parcialmente pela alienação de parte da frota, dado que os 202M EUR previstos na LPM, não são suficientes para a assegurar até 2030.

De fora, ficou dotação para a futura substituição dos caças F-16, eventualmente dependente de negociações com os EUA, no âmbito da utilização da base aérea das Lajes.
Outra ausência notória relaciona-se com a instrução avançada de pilotos de caça, actualmente realizada nos EUA, mas em condições pouco satisfatórias para as necessidades da FAP. Neste caso, a contratação de horas de instrução através de uma empresa particular, poderá ser a solução a adoptar, não implicando por isso a aquisição de aeronaves.

No geral, a Lei hoje aprovada na Assembleia da República, respeita o documento que o Conselho de Ministros aprovou e que o Ministro da Defesa apresentou, a 23 de Janeiro, no Plenário da Assembleia da República. Houve contudo ainda alguns ajustamentos, decorrentes da negociação com as diferentes forças partidárias, que ditaram por exemplo uma estratégia diferente, relativamente ao navio polivalente logístico, cujo programa previa inicialmente 300M EUR para a sua construção.
Este valor aparece no documento definitivo com apenas 150M EUR, tendo a diferença de verbas sido aparentemente redistribuída em 25M EUR para projectos cooperativos europeus, 5M EUR para o programa de ciberdefesa e uma consagração de 120M EUR para a modernização das fragatas da Classe Vasco da Gama.

Projecto do NPL Adamastor


A lógica associada a esta opção, tem a ver, por um lado com a priorização da manutenção de capacidade das fragatas, para assegurar a soberania dentro daquilo que virá a ser o alargamento da plataforma continental portuguesa e por outro, com a expectativa do aparecimento no mercado, durante o primeiro quadriénio da LPM, de algum navio em segunda mão que permita uma aquisição a valores mais baixos do que orçamentado para a construção de um navio de raiz.
Caso este objectivo não se concretize, as verbas em falta para a conclusão do programa, deverão ser asseguradas por meios de financiamento alternativos, ou por uma LPM ulterior.




quinta-feira, 2 de maio de 2019

REAL THAW 2019 - NO OUTONO PELA PRIMEIRA VEZ [M2034 - 21/2019]

F-16 no regresso de uma missão durante o Real Thaw 2015

Realizado normalmente nos primeiros meses de cada ano, o exercício Real Thaw, empenha os meios operacionais da Força Aérea Portuguesa, num ambiente conjunto com meios dos outros ramos das Forças Armadas portuguesas e combinado com forças estrangeiras.

C-130 belga e holandês, C295M da FAP, C-212 Aviocar espanhol e F-15 da USAF no Real Thaw 2016

Desde 2009 com esta designação, o maior exercício de responsabilidade de Força Aérea Portuguesa, tomou por opção a realização preferencialmente durante os meses de Janeiro, Fevereiro ou Março, de modo a poder atrair Esquadras de voo de outros países, normalmente bastante limitadas pela meteorologia nessa época do ano. Até ao momento a edição que se realizou mais tarde, aconteceu em 2011, quando decorreu entre 28 de Março e 8 de Abril.

Este ano porém, o calendário das várias Esquadras da FAP especialmente preenchido durante a primeira metade do ano, impossibilitaram manter o exercício fiel à época que lhe deu o nome (Thaw - Degelo).

Nomeadamente, e desde o início do ano, realizaram-se na Base Aérea nº 5 em Monte Real, o Treino Operacional e Avaliação do novo software da frota F-16 (OT&E da Tape S1.1), o exercício Winter Hide (destacamento de F-16 dinamarqueses) e o destacamento de F-16 da USAF; seguidos do destacamento das duas Esquadras de F-16 baseadas na BA5, para a Polónia, ao abrigo das Medidas de Tranquilização da NATO. Em Maio começará ainda o curso FWIT nos Países Baixos, que implicará igualmente destacamento de meios técnicos e humanos em Leeuwarden, por vários meses.

Além das Esquadras 201 e 301 que operam o F-16, também a Esquadra 601 (P-3C Orion) teve um início de 2019 bastante movimentado, com a participação no exercício Obangame Express 2019 no Golfo da Guiné, seguido de destacamento na Polónia, e novamente regresso a águas africanas para o patrulhamento marítimo na operação Junction Rain 2019, iniciada na passada semana.

Já a Esquadra 502, teve também um C295M com a agência FRONTEX no Mediterrâneo, no âmbito do patrulhamento de fronteiras do Sul da Europa.

C295M da Esquadra 502 embarca tropas para-quedistas no aeródromo de Seia - Reat Thaw 2015

Os C-130 da Esquadra 501 por sua vez, têm estado envolvidos em múltiplas missões operacionais, seja com o transporte de tropas de, e para os destacamentos das Forças Nacionais (Iraque, República Centro Africana, Polónia, Afeganistão, etc), bem como no auxílio humanitário a Moçambique.

EH101 Merlin da Esquadra 751 na Covilhã - Real Thaw 2011

A Esquadra 751, teve também em Março o exercício MORSA de Busca e Salvamento, onde empenhou um helicóptero EH101 Merlin e meios humanos nas Canárias, a adicionar obviamente aos três alertas permanentes que mantém no Montijo (BA6), Lajes (BA4) e Porto Santo (AM3).

A Esquadra 552, encontrando-se na fase de transição do Alouette III para o AW119 Koala, não deverá participar.

A edição de 2019, será assim a primeira a realizar-se na segunda metade do ano, estando agendada para o período de 23 de Setembro a 4 de Outubro.

AS550 dinamarqueses - Real Thaw 2015

Não há por enquanto ainda confirmação dos meios aéreos estrangeiros que irão participar, nesta 11ª edição.


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