sexta-feira, 10 de novembro de 2017

GOVERNO PONDERA MANTER C-130 PARA COMBATE A INCÊNDIOS (M1937 - 74/2017)

C-130 da FAP em 1994 em demonstração do kit MAFFS de combate a incêndios

Durante o debate do Orçamento de Estado de 2018 o ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, informou que além da aquisição dos  aviões de transporte KC-390 (com capacidade complementar para o combate a incêndios com calda retardante e água), está em estudo a possibilidade de manter a voar a actual frota C-130 - que está previsto ser substituída pelos KC-390 nas principais funções que desempenha actualmente na FAP - para ser usada no combate a incêndios.
O titular da pasta da Defesa adiantou que foi remetido o pedido "price and availability" à Força Aérea dos EUA, após concluídas as especificações técnicas, para a "modernização de cinco dos seis C-130" [NR: Um C-130 perdeu-se em acidente em Julho de 2016], de modo a prolongar o seu potencial de vida para além de 2025. A informação sobre o processo de MLU (mid-life upgrade) estará já em condições de poder ser submetida a decisão. Esta decisão terá em conta não apenas a intenção de usar as aeronaves para o combate a incêndios, mas também a expectativa da futura frota KC-390 estar operacional apenas em 2021.

Ainda a respeito do Orçamento de Estado para o sector da Defesa, o secretário de Estado da Defesa esclareceu que não está previsto a FAP realizar operações de combate directo a incêndios para 2018, dado que "é preciso ter consciência de que a capacidade de operação não se monta de um ano para o outro" e portanto para 2018 " a capacidade de operação não terá tradução orçamental".
Marcos Perestrelo admitiu contudo estar em avaliação "o tipo de operação que a Força Aérea poderá fazer na gestão centralizada e nas operações de comando e controlo" já para o próximo ano. Este tipo de participação já poderá implicar reforço de verbas "que terão de ser avaliadas a tempo de ter tradução orçamental" para 2018.
Relativamente aos helicópteros ligeiros de combate a incêndios pertencentes ao Estado (três AS350 Ecureuil), informou que a operação dos mesmos está contratada a privados até ao final da época de incêndios de 2018.

Não foi no entanto mencionado o destino da frota de Kamov Ka-32, também pertencente do Estado, concessionada a privados até 2019, em condições de operacionalidade limitada a três helicópteros, estando dois parados à espera de reparação e um acidentado sem possibilidade de recuperação.
A operação deste tipo de helicóptero pesado tem estado envolta em polémicas de vária ordem desde que foi adquirida em 2006, mormente no que respeita aos custos e problemas da manutenção.
A Força Aérea terá recusado em 2016 assumir a operação desta frota, sem o necessário reforço de meios humanos e materiais correspondente.

Oito helicópteros SA-330 Puma retirados do serviço operacional na FAP em 2010, estão também parados desde então, à espera de novo dono. Várias vezes têm sido falados como passíveis de ser reaproveitados para o combate a incêndios - pelo menos quatro a seis células em melhores condições - mas nunca uma decisão seria tomada no sentido de os reaproveitar para esse fim.

Em processo de aquisição estão cinco a sete helicópteros ligeiros para a FAP, que estão descritos virem a ter como missão secundária o combate a incêndios. A avaliação das propostas apresentadas pela Airbus Helicopters e Leonardo estava prevista terminar a 31 de Outubro. Contudo, face aos trágicos acontecimentos do mesmo mês e à evidência das vantagens do Estado possuir meios próprios de combate durante todo o ano, chegou a ser ventilada a hipótese deste concurso ser alterado, de modo a contemplar mais unidades. Oficialmente contudo, nada foi assumido oficialmente acerca do tema.

De fora do debate, ficaram ainda (e mais uma vez) meios anfíbios pesados, vulgarmente conhecidos como Canadair, consensualmente os mais eficientes e adaptados às características do nosso país. Normalmente duas a quatro unidades são alugadas para a época de incêndios, ficando a depender de países terceiros, sempre que é necessário reforço, que quase sempre ocorre tarde e com os gastos obviamente inerentes.

Finalmente, e apesar de ser irrealista começar em 2018 a empenhar a Força Aérea no combate directo a incêndio, ficou por estabelecer um prazo para a efectivação dessa promessa e tratar também a problemática dos meios humanos necessários para esse fim.

É certo que tempo poderá ainda ser curto, desde o anúncio da intenção de tornar a Força Aérea na principal entidade gestora dos meios aéreos de combate a incêndios, para ter elaborado um plano consistente, que defina todos os pontos em aberto, que permita ter uma estrutura eficaz, operacional e sustentável, no combate aos incêndios.
Mas espera-se que não suceda como em todas as promessas dos sucessivos Governos nas últimas décadas.
A gravidade das tragédias deste ano e a consciência de todos nós assim o exigem.


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

O INCIDENTE COM O KC-390 - actualizado 10/11/2017 (M1936 - 73/2017)

Protótipo do Embraer KC-390

Durante um voo de teste a 12 de Outubro de 2017, com o protótipo do KC-390 de matrícula PT-ZNF, ocorreu um incidente com queda abrupta da aeronave em voo, sobre o qual o fabricante Embraer emitiu o seguinte comunicado:

Um protótipo do avião de transporte multimissão KC-390 realizou na manhã de quinta-feira, 12 de outubro, ensaios em voo para situação de estol, que resultam em perda de altitude da aeronave, devido à diminuição da força de sustentação, como parte da campanha de testes para certificação.

Em razão das manobras efetuadas e seguindo os protocolos estabelecidos, a tripulação solicitou retorno antecipado à base, pousando normalmente no aeródromo da companhia em Gavião Peixoto (SP) onde a campanha de ensaios é realizada.

A entrada em serviço do KC-390 está prevista para acontecer em 2018, conforme o cronograma do programa. Atualmente, dois protótipos do KC-390 somam mais de 1.300 horas de voo.

Apesar deste comunicado, em vários sítios de internet brasileiros dedicados à aviação, bem como nas redes sociais, circularam desde então versões, que davam conta de uma situação mais gravosa, que teria alegadamente envolvido danos estruturais na aeronave bem como danos físicos nos tripulantes, devido ao excesso de forças G.

Relativamente à perda de altitude, a aplicação informática FlightRadar permitiu confirmar imediatamente a queda dos 20.000 pés para abaixo dos 3000, chegando a ter uma velocidade vertical de 30.976 ppm (!), mas os restantes dados permaneceram alvo de especulação.

Fonte: The Aviationist

Apenas ontem, 9 de Novembro de 2017 e após o artigo da revista brasileira Aero Magazine, citando uma fonte interna ao projecto não revelada, foi possível confirmar mais dados acerca do incidente de 12 de Outubro.
Segundo o testemunho de um alegado engenheiro envolvido no programa, ao realizar o teste de qualidade de voo em situação de baixa velocidade com formação de gelo nas superfícies horizontais (situação que implica um elevado ângulo de ataque – ângulo entre a direcção do movimento e o eixo longitudinal da aeronave) ter-se-á desprendido um dos equipamentos de monitorização dos testes, que ao deslocar-se subitamente para a parte de trás, originaria o deslocamento súbito do centro de gravidade, num avião já numa situação de voo limite, o que teria originado a perda de controlo da aeronave e consequente perda de altitude.

Após a publicação desta versão, a Embraer confirmaria parte da informação: "o protótipo 001 da aeronave de transporte e reabastecimento Embraer KC-390 experimentou um evento além do limite planejado no teste de uma das várias configurações experimentadas durante um voo de teste de certificação para avaliar as qualidades de voo em baixa velocidade com simulação de formação de gelo".
Ainda segundo as explicações dadas pela Embraer à Aero Magazine, a aeronave regressou às condições normais de voo “realizando os procedimentos de recuperação recomendados”, mas as características e duração das manobras resultaram numa perda substancial da altitude, excedendo os limites operacionais, tanto de velocidade como factor de carga [NR: forças G]. A Embraer acrescentou ainda que "todos os sistemas da aeronave se comportaram conforme o esperado durante todo o voo".

Actualização 10/11/2017

A causas do incidente estão a ser investigadas desde a ocorrência, refutando o fabricante a versão da variação brusca do centro de gravidade, ou deficiência nos comandos de voo fly-by-wire. Em esclarecimentos ao site de aviação brasileiro CAVOK, a Embraer pormenorizou que os únicos equipamentos adicionais a bordo eram racks de aviónicos e sistemas de avaliação do teste, que se moveram em consequência da queda e não o contrário. Relativamente a uma eventual falha do sistema fly-by-wire, justificou tal ser impossível, dado o mesmo estar desactivado - em modo Direct Law  - para a realização do teste.
A empresa brasileira esclareceu também que não houve feridos entre a tripulação, ao contrário dos rumores que têm circulado.

Apesar da causa não estar ainda apurada, as inspecções realizadas permitiram verificar que a estrutura principal do aparelho não foi afectada, apesar de existirem danos em "algumas carenagens externas e janelas de inspecção” que “precisarão ser reparadas antes que a aeronave retorne aos voos".
Dado que o protótipo 002 do KC-390 - que esteve em Portugal no Verão de 2017 (matrícula PT-ZNJ), realizou vários voos desde a data do incidente, nada indica que haja suspeitas de que a causa tenha a ver com um problema da frota, sendo mais provável que esteja relacionado com as condições daquele voo em concreto.

A fase de testes de qualquer aeronave é extremamente complexa e envolve riscos necessários para determinar e estabelecer os limites de operação segura do aparelho, bem como as manobras a adoptar nas várias situações que se podem apresentar ao longo da vida e utilização do modelo.
Conforme descrevemos, terá sido numa dessas situações, em que estava em avaliação o comportamento do KC-390, que ocorreu o incidente.

A Embraer continua a afirmar que o programa de certificação do modelo não foi afectado e a entrada a serviço da Força Aérea Brasileira com a entrega da primeira aeronave de série, se mantém para 2018, como previsto.

Portugal oficializou o interesse na aquisição de 5 a 6 aeronaves KC-390 a 27 de Julho de 2017, constituindo então um grupo de trabalho para realizar as negociações com o fabricante, com vista a estabelecer as condições de aquisição. Ficou então estabelecida a data de 31 de Outubro de 2017 como limite para a apresentação do relatório, mas não se conhecem até ao momento as conclusões.
A intenção então expressa, era a de atingir a Capacidade Inicial de Operação na Força Aérea portuguesa, até ao final de 2021.






segunda-feira, 6 de novembro de 2017

ALPHA JET: ÚLTIMOS CARTUCHOS (M1935 - 72/2017)

15236 em largada de bomba de treino BDU-33 com Mk.106 na asa esquerda  (Imagem de arquivo)

A anunciada despedida do Alpha Jet aproxima-se a passos largos e por essa razão vão-se encerrando capítulos na história da operação desta aeronave com as cores portuguesas.
Hoje foi o dia da última ida ao Campo de Tiro de Alcochete para os alunos do último curso de piloto de caça realizado em Alpha Jet, que largaram bombas de treino BDU-33 e Mk.106.
Da parte da tarde, a actividade de tiro foi encerrada definitivamente pelos pilotos instrutores, que efectuaram disparos de munição real com canhão Mauser BK-27.

Últimas munições carregadas no canhão Mauser  de 27mm

Derradeiro registo das munições usadas 
O Alpha Jet n/c 15236 municiado à partida para a última ida ao CTA

Após 24 anos e mais de 53.000 horas de voo a ostentar a Cruz de Cristo, o último curso ministrado em Alpha Jet será concluido no início de Dezembro de 2017, com a actividade aérea da aeronave na Força Aérea Portuguesa com fim marcado para as primeiras semanas de 2018.

Patch do último curso realizado em Alpha Jet na FAP

O Ministério da Defesa não definiu ainda uma solução para a sua substituição, passando para já a instrução complementar de pilotagem de aviões de caça a realizar-se no estrangeiro.



Vídeo dos últimos disparos no Campo de Tiro de Alcochete - Imagens Esq.103





quarta-feira, 1 de novembro de 2017

BASE AÉREA DE BEJA, 14 DE OUTUBRO (M1934 - 71/2017)



As fotografias desta edição são da autoria do João Guilherme, 13 anos de idade, aficionado por aviões.
Reportam-nos para o passado dia 14 de outubro, dia em que a Base Aérea nº11, em Beja, abriu as suas portas ao público, evento integrado nas comemorações do 65º aniversário da Força Aérea Portuguesa.
Num dia que foi, à sua maneira, histórico - com o aproximar do fim das frotas de ALIII e Alpha Jet - percebe-se pelas imagens que o futuro dos amantes da aviação continua firme e com asas para voar e que a paixão pelos aviões pode começar bem cedo a fazer parte da circulação sanguínea!











Fotografias: João Guilherme.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

ESPANHA ESCOLHE ENTRE TYPHOON, F-35 E SUPER HORNET PARA SUBSTITUIR EF-18 (M1933 - 70/2017)

EF-18 Hornet do Ejército del Aire espanhol

A informação foi avançada durante a cerimónia de encerramento do seminário "O poder aeroespacial a curto e médio prazo: o caminho a seguir" da Força Aérea Espanhola.
O Ejército del Aire terá solicitado, como é designada a Arma Aérea Espanhola, terá enviado um RFI (Request For Information) à Eurofighter (consórcio fabricante do Ef-2000 Typhoon), Boeing (fabricante do F/A-18 Super Hornet) e Lockheed Martin (F-35).

A intenção será encontrar um substituto para os EF-18 Hornet da Ala 46, baseada em Gando, Canárias, os mais próximos do limite de vida  útil das células.
Ao contrário da primeira encomenda de F/A-18, adquiridos novos pela Espanha durante os anos oitenta, os 21 EF-18 actualmente atribuidos a Esquadra 462 da Ala 46, foram adquiridos em segunda mão na segunda metade dos anos 90, provenientes de excedentes da Marinha dos EUA. Apesar de modernizados em equipamentos e compatiblidades de armamento, não receberam reforços estruturais, sendo por isso a vida útil das células, de 6000 horas de voo.

Dentre os três modelos em analise, o EF-2000 Typhoon já se encontra em serviço no Ejército del Aire, tendo o número total de unidades encomendadas, sido reduzido das 87 para 73 durante os últimso anos, devido aos cortes orçamentais durante a crise económica que acarretou também o adiamento das últimas células entregues. Afigura-se por isso como o mais sério candidato a substituir os envelhecidos Hornet, até porque a fábrica da Airbus de Getafe seria uma das beneficiárias de uma nova encomenda.

Já o F-35 é o único caça de 5ª Geração do trio consultado e tem vindo a ganhar adeptos para uma compra conjunta com a Armada Espanhola, dado que o modelo F-35B é igualmente o único caça em fabrico actualmente com capacidade de aterragem curta/descolagem vertical (STOVL), capaz de substituir os AV-8B Harrier II (igualmente STOVL) embarcados no porta-aviões Juan Carlos I.

O F/A-18 Super Hornet aparenta ser o elo mais fraco do grupo, embora possa ser uma opção de continuidade com o actual modelo EF-18 Hornet ao serviço da Ala 46, e numa perspectiva de ser uma solução de transição para o programa FCAS (Futuro Sistema Aéreo de Combate) a desenvolver em consórcio com França e Alemanha, que deverá incluir aeronaves de combate não-tripuladas (UCAV) em conjunto com um novo caça tripulado.

Não foram divulgados prazos para eventuais propostas ou desenvolvimento do processo.



quinta-feira, 26 de outubro de 2017

PILOTOS DE CAÇA BÚLGAROS EM GREVE (M1932 - 69/2017)

 MiG-29 búlgaro em Graf Ignatievo           Foto: Hailey Haux/USAF

Numa altura em que a decisão do novo caça para substituir os MiG-29 na Força Aérea Búlgara foi novamente adiada, chegam notícias de que os pilotos da base aérea de Graf Ignatievo se terão recusado a realizar os voos de treino previstos para a manhã de 24 de Outubro de 2017. A missão de policiamento aéreo contudo, terá estado sempre assegurada.

Segundo o jornal online Sofia Globe, oficialmente o vice-ministro da defesa Atanas Zapryanov negou num primeiro momento que quaisquer voos tenham sido suspensos, enquanto o comandante da base aérea alegou razões meteorológicas para o cancelamento dos mesmos voos. Já o ministro da Defesa optou por referir que "alguém está a tentar criar tensão artificialmente" e que iria inteirar-se da situação.

Mas se por um lado as condições meteorológicas na região de Graf Ignatievo eram suficientemente verosímeis para justificar o cancelamento dos voos, o General Tsanko Stoykov confirmou publicamente em entrevista durante as comemorações do centenário da aviação militar no país, o baixo estado anímico que o adiamento da aquisição dos novos caças provocou dentro da Força Aérea local: "sentem-se negligenciados, algo ofendidos e essas razões reflectem-se na sua motivação de continuar na Força Aérea", disse a propósito.

O mesmo órgão de comunicação social, bem como a Rádio nacional da Bulgária, haviam reportado no próprio dia 24 uma "recusa massiva dos pilotos para voar" devido a preocupações de segurança com o estado dos aviões e o adiamento da aquisição de novos caças, invocando por isso estar "psicologicamente inaptos" para voar.

Ainda segundo o Sofia Globe, dez dos doze motores  modernizados dos MiG-29 entregues à Força Aérea, ainda não foram colocados em operação, devido a falhas na documentação dos mesmos. Falta de lubrificantes para os motores, causando a paragem quase total da frota, foi igualmente já assinalada em Maio e Junho transactos.

Entretanto, o canal de televisão BTV confirmou inequivocamente a razão do cancelamento dos voos ser o descontentamento pelo estado da Força Aérea, citando mesmo o vice-ministro da Defesa Atanas Zapryanov que atribuía a falta de confiança dos pilotos ao "treino insuficiente por horas de voo insuficientes". O mesmo interlocutor adiantou ainda que uma reunião com os pilotos iria ser realizada e que os problemas com a documentação dos motores (seis novos e quatro modernizados) estavam a ser tratados.
Segundo Atanas Zapryanov, um relatório do comandante de Graf Ignatievo dava sete MiG-29 como operacionais, e que assim que mais motores ficassem disponíveis, este número aumentaria, permitindo alargar as horas de voo.

Já o próprio ministro da Defesa, acerca do mesmo tema e desenvolvendo a sua teoria de que "alguém está a criar tensões artificialmente" referiu que as prioridades tinham sido definidas: primeiro manutenção e modernização do equipamento existente e depois as negociações e a aquisição de novos caças. Mostrou-se ainda "surpreendido por [os pilotos] terem descoberto que existem problemas no mundo da aviação" e que não fazia ideia por que razão estes pensavam que um novo caça não iria ser adquirido. Rematou o assunto com " já haveria um novo caça se estes fosse um aspirador, em que vais à loja, pagas, traze-lo e usa-lo", admitindo ainda o "estado crítico" em que se encontram as Forças Armadas do país, mas que os problemas não se resolvem com "uma varinha mágica".

Por detrás do atraso na decisão do novo modelo de caça a adquirir, estarão jogadas políticas de bastidores, por parte das facções apoiantes do Gripen e do F-16 principalmente. Apesar do primeiro-ministro Boiko Borissov ser aparentemente um dos apoiantes do Gripen e se ter proposto a avançar com as negociações com a Saab numa primeira fase após o anúncio do gripen como vencedor, o seu partido GERB - que iniciou a investigação parlamentar que resultaria na anulação do primeiro concurso - pretende uma aproximação aos interesses americanos (F-16), sugerindo uma uniformização com as frotas dos países vizinhos Roménia, Grécia e Turquia, todos utilizadores de F-16.
O presidente da Bulgária e ex-Chefe de Estado-Maior da Força Aérea Gen. Rumen Radev, definiu a reviravolta  no processo de aquisição dos caças, como um ataque pessoal, face às acusações de que foi alvo por parte do líder parlamentar do GERB, de ter favorecido o Gripen.

Portugal está envolvido na proposta de fornecimento dos F-16,  recebendo células usadas dos EUA para modernizar na OGMA e posterior exportação para a Bulgária.


quarta-feira, 25 de outubro de 2017

ROYAL NAVY COLOCA NAVIOS POLIVALENTES À VENDA (M1931 - 68/2017)

HMS Bulwark, segundo da classe Albion

Embora não seja ainda oficial, foi ontem 24 de Outubro de 2017, noticiado que as Marinhas do Brasil e do Chile terão sido "discretamente informadas" da potencial disponibilidade de fragatas e navios logísticos da Royal Navy.

Além de permitir a operação com helicópteros os LPD servem de doca para lanchas e veículos anfíbios

Os navios polivalentes logísticos  ou Landing Platform Dock em inglês (LPD) serão os dois da classe Albion actualmente ao serviço da Royal Navy (HMS Albion e HMS Bulwark), que a Royal Navy estará a considerar colocar no mercado, na sequência de reestruturações orçamentais daquele ramo das Forças Armadas britânicas, relacionadas com a entrada em serviço dos dois novos porta-aviões da classe HMS Elizabeth II.

Portugal mantém a pretensão de equipar a sua Marinha com um navio polivalente logístico deste tipo, desiderato que esteve perto de se realizar em 2015, com o Siroco francês. O negócio contudo não se concretizaria, alegadamente por incompatibilidade de operação com os helicópteros EH101 Merlin da Força Aérea Portuguesa.

O Siroco acabaria por ser adquirido pelo Brasil, incorporado na Marinha Brasileira com o nome NDM Bahia. O mesmo país está actualmente em negociações com o Reino Unido para a aquisição do porta-helicópteros HMS Ocean britânico, por uma verba a rondar os 90M EUR, um valor próximo ao atribuído ao negócio do Siroco.

A confirmar-se a disponibilidade dos navios da classe Albion, a Marinha Portuguesa poderá estar perante uma nova oportunidade para adquirir o tão ambicionado LPD, inscrito nas sucessivas Leis de Programação Militar, mas cuja concretização se tem arrastado.

Além das capacidades militares, um navio deste tipo permite fazer face a situações de resgate em larga escala em crises humanitárias.

AgustaWestland Merlin da Royal Navy a bordo do HMS Bulwark


A cauda dobrável para operar em navios que os quatro EH101-516 Merlin da FAP também possuem

Os LPD da classe Albion deslocam 14.000 toneladas, sendo mais recentes do que o Siroco e o Ocean, ao serem lançados ao mar já no século XXI. Estão além disso também capacitados para operar helicópteros pesados, incluindo os Merlin da Royal Navy.
A haver  algum problema, desta vez não será de incompatibilidade com a operação dos helicópteros.



Actualização 26/10/2017

A propósito das notícias da venda dos navios da classe Albion no Reino Unido, foi lançada uma Petição Pública naquele país, para impedir a venda dos navios, bem como evitar o corte de um milhar de Royal Marines.






Fotos: Mário Diniz






BULGÁRIA RELANÇA CONCURSO PARA AQUISIÇÃO DE CAÇAS (M1930 - 67/2017)

Alinhamento de caças F-16 semelhantes aos que Portugal se propõe fornecer à Bulgária

A Bulgária irá lançar um novo concurso para a aquisição de oito caças destinados a substituir a frota de MiG-29 actualmente a desempenhar a missão de defesa aérea do país.

Contrariando a recomendação de um grupo Ministério da Defesa que aconselhava a aquisição de Gripen novos, após o primeiro concurso ao qual Portugal e Itália também concorreram, com F-16 e Typhoon usados, respectivamente, a Assembleia Nacional búlgara votou a favor da reabertura do processo concursal.

A escolha do Gripen cedo foi contestada pelo novo Governo empossado em Sófia, pouco tempo depois da decisão tomada pelo anterior Governo de gestão em Abril passado. No início do corrente mês de Outubro de 2017, uma comissão parlamentar emitiu finalmente um relatório, recomendando o relançamento do concurso, relatório esse que seria aprovado com 126 votos a favor, 59 contra de duas abstenções.

Acerca do assunto, em entrevista à televisão búlgara, o ministro da Defesa Krasimir Karakachanov revelou que apesar de pessoalmente preferir aviões novos, isso só deverá acontecer se estes puderem ser pagos ao longo de um período de tempo mais alargado do que o inicialmente previsto.
Com alguma surpresa, afirmou ainda que o país deveria investir na modernização da actual frota de MiG-29 e Su-25 de origem russa.
Adiantou ainda que pretende levar o novo programa de concurso a conselho de Ministros, no início de Novembro.

Portugal terá por isso uma nova oportunidade para melhorar a proposta de fornecimento de caças F-16 à Bulgária. De recordar que a proposta lusa contemplava o fornecimento de células de F-16 usadas, vindas dos EUA e modernizadas na OGMA, aproveitando as capacidades criadas com o programa MLU de modernização da frota de F-16 da Força Aérea Portuguesa.

Portugal entregou recentemente o último lote de doze F-16 vendidos à Roménia em condições similares, embora com a nuance de se ter tratado de aeronaves operadas pela Força Aérea Portuguesa, o que não será o caso na eventualidade de ganhar o concurso da Bulgária.


segunda-feira, 23 de outubro de 2017

"CANADAIR" EXISTEM E ESTÃO PARA DURAR (M1929 - 66/2017)

Anfíbio pesado de combate a incêndios Bombardier CL-415 vulgo "Canadair"

Acerca dos meios aéreos de combate aos incêndios (e da sua falta) muito se tem escrito e falado nos últimos anos. Mais ainda nos últimos meses, pelas catástrofes que assolaram Portugal e que colocaram a nu as carências de organização e meios existentes no nosso país.

Entre os argumentos para não adquirir aviões anfíbios pesados tipo "Canadair"por parte do Estado, para operação pela Força Aérea Portuguesa, acabaram por difundir-se vários mitos, que por entre toda a contra-informação e falta de informação credível, são repetidos tanto de boca em boca, como nas redes sociais e até meios de comunicação social, como sendo verdades absolutas.  Um deles, tem a ver com a disponibilidade de aviões de anfíbios de combate a incêndios  "Canadair" para aquisição, "porque já não se fabricam".

Em rigor, os Canadair já não se fabricam como tal desde 1986, quando a empresa Canadair foi adquirida pela Bombardier. No entanto, esta última além de fabricar o modelo CL-215 até 1990 e manter depois disso o apoio logístico aos modelos mais antigos, introduziu novos modelos (CL-415 e sub-variantes), que fabricou até 2015.
Em 2016, o programa de aviões anfíbios da Bombardier (incluindo CL-415 e os seus antecessores CL-215, todos vulgarmente designados Canadair), foi adquirido pela Viking Air empresa que detém actualmente os direitos de fabrico e prestação de serviços dos modelos, conforme se pode ler no seu sítio na internet.
A produção de qualquer dos modelos está actualmente interrompida, existindo contudo unidades em segunda mão disponíveis no mercado.

Foi difundida mais recentemente ainda a notícia de que a produção só seria reiniciada, com uma encomenda substancial de 25 a 30 aviões.
Para esclarecer este e outros assuntos acerca do tema, transcrevemos a entrevista de Christian Bergeron, Director de Vendas da Viking Air, a 19 de Outubro de 2017 na Conferencia de meios de Busca e Lavamento em Nimes, França:

"Estamos a falar com os nossos clientes, para ver as perspectivas a médio e longo prazo para os aviões [CL-415/215]. Sabemos que existe uma necessidade a curto e médio prazo e interesse a longo prazo.
Perguntaram-nos se vamos reiniciar a produção. Contudo, devido ao tempo normal que demora o início de produção, algumas das necessidades a curto prazo não puderam ser colmatadas. Além disso, está para sair alguma regulamentação de navegação e alguns componentes antigos que terão que ser substituídos nas frotas actuais. Por essa razão anunciámos recentemente aos nossos clientes o novo modelo CL-415EAF (Enhanced Aerial Firefighting).

"O 415AEF servirá dois objectivos estratégicos: primeiro suprimir a necessidade a curto prazo de actuais e novos clientes, quer queiram expandir a frota ou como novos clientes. Em segundo lugar, refazer os aviónicos, com  que iremos fornecer aviões novos, se decidirmos reiniciar a produção do 415, ao qual chamaremos CL-515. Ainda não foi tomada uma decisão, mas estamos a realizar um estudo de negócio e uma decisão será tomada em meados de 2018.

"O CL-415AEF é um programa oficial. Estamos a propô-lo a todos os nossos clientes. Adquirirmos onze células CL-215 da série 5 [últimos fabricados nos anos 80] e revimos cuidadosamente o historial de cada uma delas. Até ao momento temos reservas em relação a três delas. Temos uma base forte constituída, dado que já há 25 CL-215T [CL-215 remotorizados com motores turbo-hélice) em operação. Estamos a apontar as entregas para 2020 a 2023 e antecipamos que seja aproximadamente o mesmo horizonte temporal para a entrega do CL-515, se formos avante com ele. O CL415EAF manterá o sistema de portas duplas e capacidade de água do 215T.

"Iremos fazer duas coisas: Primeiro converter os 215 existentes em 215T- remotorizá-los, realizar reforços [estruturais], no sistema de distribuição eléctrica e sistema electrónico de combustível. Depois, será modernizado com um novo sistema de aviónicos já existente. Ainda não foi tomada uma decisão, mas iremos contemplar  as novas regulamentações de navegação preparadas para 2020, além de permitir evolução para funcionalidades futuras."

Em resumo: irá avançar imediatamente a modernização dos CL-215 do mercado de usados - denominada CL-415EAF - que servirá de base ao novo modelo CL-515 construído de raiz, caso haja mercado suficiente para iniciar a produção.

O presidente francês Emmanuel Macron manifestou publicamente a sua vontade de que a produção seja reiniciada, estando a França, ou até eventualmente uma futura força europeia de protecção civil, interessada na aquisição de mais de 20 novos Canadair até 2022.

Apesar das medidas anunciadas pelo Governo português no último fim-de-semana, não se sabe ainda quais as intenções do executivo de São Bento, relativamente à aquisição de aeronaves de combate a incêndios, para operação permanente pelo Estado.
Para acompanhar com atenção.




quinta-feira, 19 de outubro de 2017

RUSSOS SOBREVOAM PORTUGAL... AUTORIZADOS (M1928 - 65/2017)

Russian Federation Open Skies Tupolev Tu-154M/LK-1 RF--85655
O Tupolev Tu-154M que andou a voar nos céus portugueses  

Durante o dia de ontem, 18 de Outubro de 2017, os mais atentos a aplicações como o Flight Radar repararam num avião a descrever uma estranha rota sobre Portugal continental, a uma velocidade (257 nós - 476 km/h) e altitude (6075 pés - 1850m) igualmente pouco comuns para a aeronave em questão: um Tupolev Tu-154M.
A aplicação permite igualmente saber a matrícula e a que entidade pertence: RF-85655 da Força Aérea Russa, o que torna tudo aparentemente ainda mais estranho.

Screenshot da rota reguida pelo Tu-154 da FA Russa a 18/10/2017 sobre Portugal

Mas ao contrário de ocasiões anteriores, em que a Força Aérea Portuguesa lançou a parelha de alerta (Quick Reaction Alert - QRA) de F-16 para interceptar aeronaves russas sem plano de voo, o voo de ontem não foi interceptado simplesmente porque estava autorizado, apesar do Tupolev  estar a realizar oficialmente uma missão de observação nos céus portugueses.

Passamos a explicar: o acordo "Open Skies" assinado por 34 países - entre os quais Portugal - e que entrou em vigor a 1 de Janeiro de 2002, permite a realização de voos de observação mútua, para a recolha de informação sobre o armamento e actividades militares, no sentido de aumentar a confiança e a transparência entre as partes envolvidas. A trajectória destes voos é previamente definida, podendo ter o país sobrevoado observadores próprios a bordo, que receberão igualmente uma cópia das imagens recolhidas.

Se repararmos na rota seguida neste caso, esta inclui zonas de claro interesse militar como Ovar, Monte Real, Tancos/Santa Margarida e a região de Lisboa.

Este tratado Open Skies, nada tem a ver com a convenção Open Skies de uniformização da regulamentação da aviação civil internacional.


Agradecimento: André Carvalho




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