sábado, 25 de julho de 2015

Edgley Optica em Le Bourget (M1818 – 10RF/2015)


Confesso-me quasi boquiaberto quando, numa das manhãs do Salão, enquanto me dirigia pelo tarmac a caminho da minha dose diária de café, ao encontrar com um avião que julgava “perdido” nos meandros da história, o Edgley EA7 Optica, que me recordo de ver numa Aircraft Illustrated (?) dos anos 80, operado por uma das polícias metropolitanas do Reino Unido.
Ao que parece, está de volta aos céus, conforme explicou o engenheiro John Edgley que, junto com o seu piloto, Clive Davidson, voaram (em 16 de Junho) para Le Bourget com o seu aparelho de demonstração, recuperado há sete anos pela nova companhia, Aero Elvira Ltd.
O Optica, que voou pela primeira vez em 1979, teve uma produção de 25 unidades, culminou em 1987, de forma abrupta, quando a empresa foi vítima de fogo posto na fábrica. Em 2008, após onze anos de interregno, John Edgley reúne num novo projecto a equipe que trabalhou originalmente no design, construção e certificação do Optica, com novos projetos na área dos aviões ligeiros.
Atualmente há alguns Optica a voar em Inglaterra, Austrália e nos Estados Unidos, e o seu criador, John Edgley, pretende reativar o interesse na sua produção como avião de observação e vigilância, razão da sua ida a Le Bourget.
Bons voos e bons negócios!



O G-BOPO é o Edgley EA-7 Optica com o número de construtor 021.
O seu registo inicial G-BOPO, foi depois EC-438 e depois EC-FVM. Em 1993 foi registado EC-438 pela Helisureste Helicopteros del Sureste Sam, depois em 20/04/1994 registado EC-FVM pela TAS Transportes Aéreos del Sur S.A., operado para o Sefobasa 94 [Serveis Forestals de Balears S.A.] registo cancelado em Abril de 1997.
Foi adquirido em 2007 por John Edgley, chegando a North Weald ainda com as marcas espanholas e foi consequentemente reabilitado para voo
A 4 de Junho de 2008 dá-se o seu primeiro voo, e a certificação ocorre dois dias depois. Ainda esse ano apareceu pela primeira vez num festival aéreo pilotado por Clive Davidson


Rui Ferreira
Entusiasta de Aviação

Informação adicional:
http://www.aeroelvira.co.uk/
http://www.optica.co.uk/
https://en.wikipedia.org/wiki/Edgley_Optica


domingo, 19 de julho de 2015

Musée de l’Air et de l’Espace (M1817 – 09RF/2015)


   
Ao visitar o Salão Aeronáutico de Le Bourget é obrigatória a visita ao Museu do Ar e do Espaço, um dos mais importantes museus de aviação do mundo e também o mais antigo.
Fundado em 1919, as bases para a sua constituição e o início da sua colecção remonta a alguns anos antes, aos finais de 1914. Abre ao público em 1921, em Chalais-Meudon,  vindo a instalar-se em Le Bourget a partir de 1973, onde tem vindo ao longo dos anos a ganhar novos espaços, resultado da desactivação dos diferentes edifícios da antiga aerogare do aeroporto de Le Bourget, e da infraestrura militar de Dugny.
Sempre em crescimento e transformação com a renovação e construção de novas áreas de exposição, na sua colecção tem aeronaves e artefactos únicos, para a história da aviação e do espaço francesa e mundial, cobrindo desde o pioneirismo da aviação até ás últimas novidades da aviação e da conquista espacial, com muitas doações efectuadas pelas muitas empresas e entidades que compõe a industria aeroespacial francesa.
É um museu estatal, na dependência da Direcção da Memória, do Património e dos Arquivos, do Ministério da Defesa.
Durante o Salão Aeronáutico o espaço de exposição é de acesso livre a todos, sendo necessário bilhete apenas para as visitas ao Boeing 747 e os Concordes. Nos dias do Salão, decorrem eventos e actividades diversas privadas ou publicas, como recepções, encontros de associações ligadas à aviação, feira de emprego e até, missa...

Lista de Aeronaves [*]

No exterior
F-BPVJ      Boeing B747            Air France
F-ZXXX    Eurocopter X-3        Eurocopter
A1/F          SEPECAT Jaguar A  Armée de l’Air               
E3/339-WF SEPECAT Jaguar E  Armée de l’Air
64               Super Etendard         Aeronavale Française
As mockups dos Ariane 1 e Ariane 5, na entrada do Museu estão os Fouga Magister, ostentado as cores da Patrulha de França, ( na realidade são três replicas plásticas).


HALL 1 – Débuts de l’Aviation
Regista-se com agrado, de entre as alterações notadas pelo autor desde a última visita, a recriação do atelier dos irmãos Voisin, e o restauro recente da parte central da aerogare do antigo aeroporto de Le Bourget.

Nesta área podemos encontrar os:
Astra Wright Type BB
Blèriot XI       [foto2]
Deperdussin type B          [foto2]
Levasseur Antoinette
Morane Saulnier G
Nieuport 11 N (replica)
Santos Dumont XX
Traia Vuia Nr. 1 
Voisin 10Ca2 (fuselage)
Voisin Farman 1bis


HALL 2 – Les as de 14-18
Também aqui muitos aparelhos importantes deste período histórico, possui uma recriação de uma Baraque Adrian, que recria o ambiente de um período onde muitos Portugueses combateram, nas trincheiras e no ar, como é o caso de Lello Portela.  Ali podemos também ver algumas relíquias de um dos ases da 1ª GG, Charles Nungesser.

Nesta secção estão os:
N.2016        Breguet 14A2
C.1720        Caudron G.4
F1258        DH.9       [foto2]
15        Farman MF-7
6796/A8    Fokker D.VII
5993/R        Junkers D I
N556        Nieuport 11
2690/18    Pfald D.XII
556        Sopwith 1 ½ Strutter
S.254/2        SPAD VII “Vieux Charles”
V-955         Voisin LA.S
LZ113         Zeppelin (nacelle)


HALL 3 – Galerie des maquettes
Imensos modelos, quase um museu do brinquedo, se assim se pode dizer, pelos modelos de kits e de brinquedos, muitos dos quais já não se fabricam, sem esquecer as as maquetes construídas de raíz, que é como quem diz na gíria modelística, em “scratch”...
Uma das peças centrais é um USS Enterprise CVN65 à escala 1/100.


HALL 4 – Les ballons
Artefactos, miniaturas, documentos, pinturas, compõem este hall, contando e recriando os passos do Homem desde o mito de Dédalo e Ícaro, passando pelas máquinas de Leonardo Da Vinci, e a máquina voadora do francês Besnier (1678), entre muitos outros.


HALL 5 – Second Guerre Mondiale
Um dos edificios novos, no exterior, este ano possuia as seguintes aeronaves abrigadas no seu interior.
277          Dewoitine D520        French AF
2100558/U5-N    Douglas C-47A    USAAF
126979/20-QN    Douglas AD-4NA Skyraider    Armée de l’Air
               Fieseler Fi-103 / FZG 76        (bombe volante V1)
21/120015  Heinkel He162A    Luftwaffe
466318/MO-C NA P-51D Mustang    USAAF
7298/13  NC900A-8        Luftwaffe (French built Fw190A-8)
44-20371    Republic P-47D Thunderbolt    French AF
TB597/GW-B    Supermarine Spitfire LF.XVIe    RAF


HALL 6 – Concorde
Construído para proteger os dois Concordes da colecção, abriga também um Mirage IV e, durante o Salon, decorrem neste espaço diversos encontros, este ano relativos às ofertas de emprego, na área aeroespacial.

F-WTSS        Concorde    Prototype 01
F-BTSD        Concorde     Air France
9/AH        Dassault Mirage IVA    Armée de l’Air


HALL 7 – Prototypes
São apenas parte da colecção de protótipos do museu, que continua a crescer, como é exemplo recente o Eurocopter X3, recebido em 2014.
Nesta secção estão os,
210      Dassault Mystère IV A (nose section)
01        Dassault Mystère IVA
01        Dassault Mirage III A
01        Dassault Mirage III V
01        Dassault Mirage G8
F-WGVC    Hirsch MRA C.100
(03)      Leduc 0.10
01        Leduc 0.22
F-WGVA    Payen Pa49 “Katy”
02/1     Nord N1500 Griffon II   [foto2]
03        SNCASO SO6000N Triton    F-WFKY
01/Y    SNCASO SO9000 Trident
            Sud Aviation Ludion
01/E    SNCASE SE3210 Super Frelon    F-ZWWE
           SNECMA C 400 P-2 Atar Volante



HALL 8 – Avions de Chasse de l’Armée de l’Air
Reflectindo os princípios do voo de caça a reacção da Força Aérea Francesa, expostos em volta de uma cocarde, podemos ali ver também um Mirage F.1 transparente.
4/7-CE         SE535 Mistral
154/4-LT      Dassault MD450 Ouragan    [foto2]
‘289/2-EY’   Dassault Mystère IV A  (s/n 105)
‘153/12-YY’ Dassault Super Mystère B2 (s/n 11)      [foto2]
01        Dassault Mirage 2000
28        Fouga CM170 Magister (cockpit section)
122      MS472 (cockpit section)
14915/RM      NA T-6G (s/n 114522)
54841/13-PI   NA F-86F Sabre
52736/11-EF  NA F-100D Super Sabre   
28875/3-VA   Republic F-84F


HALL 9 – Hélicoptères et autres voilures Tournantes
Desde os primeiros helicópteros de origem francesa, como o Oehmichen N°6, a outros interessantíssimos, como o helicóptero de eixo co-axial contra-rotativo Pescara 3F, ao SNCASE SE3101, e aos “nossos” Alouette II e Alouette III.
Em exposição estão os,
1069/BGD    SA341F Gazelle
F-WFRQ     SO1110 Ariel II
F-GMGE      DFH Dragonfly 333 “Heliot”
F-WFKC     Breguet 111 Gyroplane
SA53           Sikorsky H-34A
F-BDAD     SNCASE C.302 (Cierva C.30) 
‘Bu130077/23S.6’    Piasecki HUP-2        (Bu128594)
G-EBYY     Cierva C.8L Autogiro
01/F-WFDQ  SNCASE S.E.3101
01/AS        Alouette II
2009/JBL   SA319B Alouette III    Gendarmerie
329            Alouette II (instructional)
F-WGVD  SNCASO 1220 Djinn
710/BCV   Bell 47G
28AEP      Kloti RK-02 Autogyro
                 Pescara 3F
F-WYDD  Gary Benson 01
699          Hiller UH-12B Raven
100150    Focke-Achgelis Fa.330A-0 Bachstelze
6             Oehmichen N°6
               Celier Xenon autogyro


HALL 10 – Les avions de l’entre deux-guerres
Hall reformulado há poucos anos, leva-nos literalmente a uma viagem pelo ar, num passadiço que nos permite observar os aviões em exposição de forma diferente, eles também colocados “em voo”, por vezes invertido ... por aqui podemos encontrar um Junkers F.13, semelhante ao operado entre 1929 e 1931 pelos Serviços Aéreos Portugueses.

                 Avia 40P
                 Avia 41P
                 Breguet XIX GR “Point de interrogation”
F-AINX   Caudron C60
F-AOFX  Caudron C.277R Luciole
F-AJTE     Dewoitine D-530
F-BHCD   De Havilland DH89A Dragon Rapide
F-CAEX   DFS Habitch
(43-49194)  Douglas C-47A (nose section)
F-HMFV  Farman F-60 Goliath
                 Farman F455 Moustique
                 Junkers F.13
                 Mignet HM.14 Pou du Ciel
1048         Morane Saulnier MS230 Et2
F-APXO  Potez 437
3402        Potez 53   
31/HS      Schulgleiter (SG)38 caréné
173          Schulgleiter (SG)38
F-ANRO Simoun C.630
                Zepelin (nose structure)


HALL 11 – La conquête spatiale
Essencialmente composto de maquetes, possui muitos artefactos dos primeiros passos do estudo do espaço por parte da França, como sondas e foguetes, mas também satélites, cápsulas, e fatos de cosmonauta.


HALL 12 – Normandie-Niemen
Trata-se de um hall inteiramente dedicado ao Grupo de Caça Normandie-Niemen, e à memória dos heróis franceses que combateram juntos com os russos desde 1942 a 1945 na frente Leste.
4         Yakovlev Yak-3        Soviet AF
           Yakovlev Yak-9 (destroços)

Mais informações sobre o Museu do Ar e do Espaço: http://www.museeairespace.fr

Notas:
* - aeronaves anotadas referem ao período de 15 a 21 de Junho de 2015. A colecção do museu é mais extensa e, para além das reservas e aeronaves em restauro, possui diversas outras que durante o Salon são retiradas para o outro lado da pista.


Rui ”A-7” Ferreira
Entusiasta de Aviação

Thanks for aditional information/corrections by: Jos Stevens (www.rotorspot.nl);Ian Carroll;

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Le Bourget e a memória do local (M1816 – 08RF/2015)

Falar de Le Bourget faz-nos de imediato lembrar o feito aeronáutico de Lindbergh, mas não foi ele o único pioneiro a marcar o lugar, conforme nos recorda a homenagem feita estátua existente frente à antiga aerogare. Inaugurada a 8 de Maio de 1928, esta homenagem liga, numa mesma evocação, os pioneiros François Coli, Charles Nungesser, e Charles Lindbergh.



Antes de falar de Coli, Nungesser e Lindbergh, e fruto do cavalheirismo exacerbado do autor, fazemos uma primeira referência, a uma outra homenagem que existe na aerogare, a Raymonde Larroche, a primeira francesa a receber as suas “asas”.


Raymonde Larroche
Inspirada pelos voos dos irmãos Wright, nomeadamente as demonstrações de voo de Wilbur Wright em Paris, em 1908, aproveita os muitos conhecimentos pessoais que tinha no meio aeronáutico para conseguir pilotar um aeroplano. Através do seu amigo, Charles Voisin, piloto e construtor de aviões, conseguiu a sua instrução de voo e também voar pela primeira vez.
Na realidade o que realizou a 22 de Outubro de 1909, foi um salto, de cerca de 270 metros, aos comandos de um aeroplano Voisin.  É finalmente a 8 de Março de 1910, que o Aero Clube de França emite o seu brevet, o número 36 da Federação Aeronáutica Mundial. Nos anos seguintes fez diversas demonstrações de voo em festivais aeronauticos, mas foi afastada do voo durante a 1ªGG.
Finda a guerra retorna ao voo e, em 1919, entre outros feitos, conquistou dois recordes mundiais na categoria de senhoras, um de altitude, 5700 pés (4800 m), e um de distância, 201 milhas (323 km).
Faleceu em 18 de Julho de 1919, durante um ensaio de um avião experimental.
Como primeira mulher brevetada, é lembrada em diversas iniciativas, não só em França, durante a Semana das Mulheres na Aviação Mundial, que ocorre sempre por volta de 8 de Março, data do seu aniversário.

Agora os cavalheiros...
Em Maio de 1919, e à semelhança de outras iniciativas na mesma época, o industrial nova-iorquino de origem francesa, Raymond Orteig, lança o desafio para o primeiro voo transatlântico entre Nova-Iorque e Paris, sem escalas, em qualquer dos sentidos, estabelecendo o denominado “Orteig Prize” em 25.000 dólares.
Diversos pioneiros se lançaram na aventura do voo transatlântico, como o caso de dois pioneiros franceses, Nungesser e Coli, mas, o prémio acabou por ir para um norte-americano. 



Charles Nungesser e Francois Coli
Em 8 de Maio de 1927, os pilotos e heróis de guerra, Capitão Charles Nungesser e o navegador Francois Coli, partiram de Le Bourget no seu Levasseur PL.8 “L’Oiseau Blanc” rumo a Nova Iorque. O rumo tomado, em circulo, atravessando o Canal da Mancha, pela costa Sudoeste de Inglaterra e Irlandesa, atravessando o Atlântico na direção da Terra Nova, depois para Sul pela Nova Escócia e Boston, até Nova Iorque. O seu último contacto com terra ocorre na costa irlandesa seguindo-se depois o silêncio... Ainda foram lançadas buscas entre Nova Escócia e Long Island, mas sem sucesso.
O trem de aterragem encontra-se no Musée de l’Air et Espace, em Le Bourget (a descolagem foi efectuada com trem de rodas mas o aparelho iria amarar utilizando a parte inferior da fuselagem, modificada para o efeito).


Charles Lindbergh
Com uma vida muito rica em diversos aspectos, notabilizou-se por diversos feitos, nem todos no campo da aeronáutica, foi poréma a travessia a solo do Atlântico, entre o Rosevelt Field, em Nova Iorque e Le Bourget, em Paris, que o imortalizou.
O voo que teve lugar entre 20 e 21 de Maio de 1927, com uma duração de 33 horas e 30 minutos, em que percorrendo 3600 milhas (5800 km), o seu Ryan “Spirit of St.Louis”, construído para o efeito, que está em exposição no National Air and Space Museum, do Smithsonian Institute, a quem foi doado pelo próprio em Abril de 1928.
Existe alguns metros frente à torre de controle da antiga aerogare de Le Bourget, uma placa comemorativa, indicando o local exacto onde este aterrou.
 


Rui Ferreira
Entusiasta de Aviação


sexta-feira, 10 de julho de 2015

As aeronaves não tripuladas Portuguesas e as empresas Portuguesas em Le Bourget (M1815 - 07RF/2015)



AR3 Net Ray apresentado em Paris
A TEKEVER anunciou em Paris, que que irá integrar este ano uma missão da Agência FRONTEX no Mediterrâneo, utilizando um AR3 Net Ray, um projecto que resulta da parceria que tem vindo a desenvolver com a Marinha Portuguesa. Este projecto conjunto insere-se no âmbito de um protocolo para o teste e desenvolvimento de sistemas através de uma plataforma aérea para missões de vigilância marítima. Sistemas como este, permitem a interligação com os demais sistemas existentes, aumentando às capacidades de resposta do meio naval às diferentes situações operacionais.


O AR3 Net Ray é um Sistema Aéreo Não-Tripulado [Unmanned Aerial System, ou UAS] desenvolvido para diferentes tipos de missão, incluindo a Inteligência, Vigilância, Aquisição de Alvos e Reconhecimento (ISTAR), e relé de comunicações. Com uma capacidade de até 10 horas de voo, e um raio operacional de 120 quilómetros, é lançado através de um sistema de catapulta e recolhido através de um sistema adaptado ao ambiente marítimo.

Também anunciado em Paris, a constituição de uma aliança com a ViaSat, uma parceria estratégica que visa o aumento das capacidades operacionais das plataformas não tripuladas, nomeadamente para uso civil, adotando-as de comunicações via satélite, por forma a aumentar o seu raio de acção, permitindo uma utilização “para lá da visão” (Beyond Line of Sight), alargando a panóplia  de possibilidades de utilização destes produtos, para fins civis, permitindo também que a  sua utilização possa ser integrada em espaço aéreo de controle civil.

 A TEKEVER foi constituída em 2001, com capitais nacionais, e define-se como um conjunto de empresas que desenvolvem produtos  e soluções em duas áreas, Tecnologias da Informação (TI), e Aeronáutica, Espaço, Defesa e Segurança (ASDS), com uma área de negócio e carteira de clientes em crescimento apostando nos mercados aeroespacial, de defesa e de segurança.
Possui já muita experiência em sistemas não tripulados, como é o caso de alguns exemplos de sistemas aéreos, utilizados por forças militares e forças de segurança, em uso ou em desenvolvimento, pela Unidade Especial de Polícia da PSP e pela GNR (AR1 Blue Ray), Marinha Brasileira (AR2 Carcará), Marinha Portuguesa (AR3 Net Ray), Exército Português (AR4 Light Ray), e também o Ministério de Defesa Britânico, e as Forças Armadas Colombianas. Estão em curso diversos projectos nesta área, nomeadamente de Investigação & Desenvolvimento, com a European Defense Agency e a NATO.


AR1 Blue Ray da PSP


O AR4 Light Ray, um mini-UAV (Unmanned Aerial Vehicle), e primeiro projecto a ser comercializado do grupo, é a versão militar que resulta do desenvolvimento do AR1, testado em 2014 no Kosovo, pelo 1º Batalhão de Infantaria Mecanizada do Exército Português, e utilizado também pela GNR.
Video em Farnbourough: https://www.youtube.com/watch?v=aC_zCf1m7R0

O AR5 Life Ray Evolution, apresentado no ano passado em Farnbourough [http://tekevernews.blogspot.pt/2014/09/tekever-group-presents-its-new-ar5-life.html] é a mais nova e maior das plataformas aéreas do grupo. Com  4.3 m de envergadura e autonomia até 12 horas, e uma capacidade de carga de 50kg, é apresentado como  vocacionado para missões de longa duração como por exemplo a busca e salvamento, vigilância, patrulha costeira, e detecção de poluição.

Outras presenças Portuguesas no 51º Salão Aeronáutico de Paris 
  
Portugal também marcou presença na 51ª Feira Internacional de Paris, através da participação de algumas empresas da industrial da aeronáutica e aeroespacial, nomeadamente num stand que agregava um conjunto de empresas como as, Active Space, EDAETech, ISQ, Optimal Structural Systems Piep, e os consócios newFACE e X Aero Structures.
A OGMA Indústria Aeronáutica de Portugal S.A, e a TAP Maintenance & Engineering,  marcaram também presença em stands autónomos.

Rui “A-7” Ferreira
Entusiasta de Aviação

Fontes: TEKEVER e OPERACIONAL
 

sábado, 4 de julho de 2015

A Esquadra 502 “Elefantes” no 51º Festival Aéreo Internacional de Paris (M1814 - 06RF/2015)


A Força Aérea Portuguesa (FAP) marcou presença no 51º Festival Aéreo Internacional de Paris, que teve lugar entre os dias 15 e 21 de Junho, em Le Bourget, com um destacamento de seis elementos e uma aeronave C-295M (nº16710) da Esquadra 502 “Elefantes”.
A FAP não é alheia a marcar presença neste festival aéreo, nomeadamente com aeronaves deste tipo de missão. Recorde-se, a título de exemplo, a presença da então novíssima aeronave C-212-300MP (nº17201), da Esquadra 401 “Cientistas”, em 1995, a convite da Construcciones Aeronauticas S.A.
Mais recentemente, em 2014, a Esquadra 502 deslocou-se ao Sudeste Asiático a convite da Airbus para igual apresentação.
Esta versão do C-295M, resulta da experiência anterior da FAP no desempenho da sua missão, nomeadamente com o CASA C-212 Aviocar, na versão de vigilância marítima, sendo certo que todas as valências das missões atribuídas ou versões anteriores ainda não existem nas capacidades da FAP (ex.: a fotografia aérea).  Foi exactamente esta polivalência de missões num mesmo meio aéreo que o fabricante Airbus pretendeu mostrar aos seus clientes em Le Bourget. Com efeito, o C-295M da FAP presente em Paris, tinha instaladas as consolas de vigilância marítima, um conjunto de cadeiras e macas para ilustrar as versões de transporte de passageiros (civil e militar, de doentes ou feridos), e por fim, a palete de busca e salvamento, com as cadeiras dos observadores e o lançador de marcas (fumos ou flares) bem como as balsas de salvamento na rampa.


O aparelho apresentado em Paris é um de cinco que tem instalados um conjunto de sensores fixos que lhes permitem executar as missões de vigilância marítima (ex. de actividades ilegais sejam elas a imigração, tráfico de droga, bem como o controlo das pescas, a monitização da poluição, entre outros), no caso concreto, estes aparelhos tem instalados os SLAR (Side Looking Infrared Radar) da Ericsson, herdados dos Aviocar, o radar ELTA EL/M-2022A(V)3, os electro-ópticos FLIR Star Saphire HD, e comunicações por satélite SAT-2100 da Rockwell Collins, este último sistema permite o envio e recepção de dados referentes à missão em tempo real. Todos estes sistemas são interligados por um conjunto de computadores, conjunto designado por FITS (Fully Integrated Tactical System), e operados através de duas consolas, idênticas, em que um dos tripulantes tem a função de Coordenador Táctico (TACCO) e o outroa função de Operador de Sensores (SENSOR).
Existem três destes sistemas para as cinco aeronaves, e que são as plataformas aéreas com que Portugal, através da FAP, tem vindo a ser chamada a desempenhar, desde 2011, missões no âmbito do FRONTEX, tendo já operado em toda a vasta área de cobertura desta operação, desde as Colunas de Hércules até ás ilhas Gregas. Estando em curso a preparação para diversas missões no mesmo âmbito até ao final do corrente ano.


A título de curiosidade, refira-se que passaram pela aeronave da FAP, delegações oficiais de diversos países (alguns exemplos): Angola, Argentina, Benin, Brasil, Camarões, Canadá, Chile, Espanha, Finlândia, Grécia, Índia, Indonésia, Irlanda, Mali, Nações Unidas, Polónia, Sérvia, Suiça e... Portugal!
A Secretária de Estado Adjunta e da Defesa Nacional, Berta Cabral, em visita a Le Bourget para assinatura de contrato com a Turbomeca referente à manutenção dos motores da frota EH-101, visitou os nossos patrícios no dia 17 de Junho. Também Paulo Portas, Vice-Primeiro Ministro e antigo Ministro da Defesa, visitou Le Bourget a 15 de Junho, mas não se deslocou à exposição estática da Airbus.
A partir de 19 de Junho, o Salão abriu portas ao público em geral, e quase toda a exposição estática da Airbus foi reformulada, sendo nessa altura o C-295M colocado na retaguarda da exposição, o que, em boa verdade, não fez esmorecer os “Elefantes” dado que os visitantes passaram a ser, na sua maioria, todos aqueles aqueles que levam o nome de Portugal lá fora, os emigrantes.




Curiosidade já referida pelo Pássaro Ferro, na sua página de Facebook, o C-295M da FAP esteve em exposição durante o Salão a escassos metros do local onde, em 1927, aterrou Charles Lindbegh, depois do seu voo transatlântico!

Rui “A-7” Ferreira
Entusiasta de Aviação

Agradecimentos: o meu agradecimento ao pessoal da Esquadra 502 “Elefantes”, destacado em Le Bourget,, ao Sr. Kieran Daly, da Airbus Defence and Space e ao Pássaro de Ferro pela credenciação.


terça-feira, 7 de abril de 2015

EDITORIAL - "ÚLTIMA" MISSÃO OPERACIONAL


O Pássaro de Ferro, entendido como site  – Pássaro de Ferro, subsites (Porta de Embarque 04, Operações – Pássaro de Ferro e Iron Bird Photos) serão, a partir de hoje, suspensos por tempo indeterminado.
Nada é eterno, muito menos na Internet e, por isso, importa entender os sinais e saber decidir em função deles, sem dramatismo ou sobressalto, no sentido de re-equacionar o futuro.
A aviação e a causa aeronáutica seguem obviamente o seu rumo, não faltando aos “amantes” deste fascinante mundo, fontes de informação, pesquisa e consulta que - orgulhamo-nos - durante alguns anos o Pássaro de Ferro assegurou e liderou, com qualidade e dedicação.
Mas os patamares atingidos carecem de ponderação, de novos ângulos de abordagem e de renovação...

Aos vários milhões de pessoas que ao longo destes anos, leram e escrutinaram as diversas páginas do Pássaro de Ferro, fazendo-o voar tão bem e tão alto, deixamos o nosso Obrigado!


Até breve!

António Luís
Paulo Mata

quinta-feira, 2 de abril de 2015

A EUROPA NOS SEUS LABIRINTOS E DÚVIDAS (M1813 - 17AL/2015)

Caças F-15C norte-americanos chegando a Leeuwarden, há dias. Foto: USAF.

Vão chegando notícias preocupantes, que nos mostram movimentações da História a que não podemos nem devemos ficar indiferentes, escondendo a cabeça num buraco à mão ou assobiando para o lado.
A Rússia continua as suas manobras militares, continua a revelar a sua musculação, umas vezes de braço dado com as suas movimentações e taticismos diplomáticos, noutras para além delas, quase no limbo da provocação, no esticar de corda, no ver como e até onde...
A Europa "do lado de cá" está, em bom rigor, mais entretida com o ego grego, os fatos do Ministro Varoufakis, com as errâncias ideológicas do Syrisa, com as dimensões dos "discurso" alemão, com o orgulho britânico, com as debilidades e fortalezas do Euro, com o ser-se de direita, de esquerda, do centro ou da órbita estratosférica.

Um bombardeiro estratégico russo, TU-95 "Bear", escoltado por um Typhoon da RAF. Foto: RAF

Desinvestiu na defesa e tem-se como guardiã maior dos valores civilizacionais e culturais, limitando-se para tal, a anunciá-lo com pompas e circunstâncias várias, ao sabor dos seus confortos.
Fora dela há perigos, como dentro dela também. Reais. Mas todos parecem demasiado longe ou, de uma forma cinematográfica, tudo bons rapazes, mesmo que já por duas vezes, o vento quase tudo tenha levado...
Quando o rabo aperta, telefonemas para o lado de lá do Atlântico e o amigo Yanke trata das vitaminas em forma e modos para defender a nobreza do território, dos viventes, da arte, da cultura, da civilização entretida e pasmada, contemplando o umbigo e as jóias penduradas ao pescoço e nos dedos, e novamente a História, essa teimosa campaínha e reescrever-se a si mesma, as mãos ambas, em papel timbrado, fazendo-se tinir por entre reprimendas e medos.
A Europa espera sempre - por vezes quase de forma ingénua - que nenhum olhar seja invejoso, que nenhum gesto seja de cobiça.
Já por duas vezes e de forma dramática se enganou.
Será que (não) aprendeu?

Nota: Este texto é de opinião e a mesma apenas vincula o seu autor.

terça-feira, 31 de março de 2015

EPSILON TB-30 DA FAP EXECUTA ATERRAGEM FORÇADA (M1812 - 16AL/2015)



"Uma aeronave da Força Aérea Portuguesa EPSILON-TB30 efetuou uma aterragem forçada na área de Monte Real. Ambos os tripulantes não sofreram qualquer tipo de ferimentos", afirmou o coronel Rui Roque, porta-voz da Força Aérea.
Segundo Rui Roque, "trata-se de uma aeronave de instrução que estava a efetuar um voo de instrução", apontando, para já, a possibilidade de na origem da aterragem forçada estar uma "falha mecânica", mas ressalvando que a Força Aérea está a investigar.
A aeronave está sediada na base aérea n.º 1, em Sintra.


O Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Leiria adiantou que o alerta para a ocorrência chegou às autoridades às 16.23 horas, tendo acorrido ao local quatro viaturas, apoiados por sete operacionais, dos Bombeiros Municipais de Leiria e Voluntários de Leiria, e GNR.
À agência Lusa, o comandante operacional municipal de Leiria, Artur Figueiredo, explicou que a aeronave militar caiu num terreno agrícola, nos campos do Lis, junto ao açude da Carreira.
"Não há vítimas, os pilotos estão bem e a aeronave tem danos que não aparentam ser significativos", declarou Artur Figueiredo.

Texto: JN
Fotos: Paulo Cunha/Lusa

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