domingo, 11 de novembro de 2018

Vila Chã: um local, dois aviões, seis heróis… (M2008 - 68/2018)


A História é uma coisa que já aconteceu, já está por isso escrita, no espaço e no tempo, como sulcos na palma das mãos, ou rugas num rosto. Mas não é estanque, vai sendo acrescentada, descobrem-se novos dados, artefactos, documentos, vai por isso sendo objecto de novas interpretações, reescrevendo-se os catecismos que se julgavam concluídos.
Confesso-vos que o livro “Aterrem em Portugal!” de Carlos Guerreiro (que acabei de ler só agora!!!), é um belíssimo documento mas que, como acontece com outros, é um processo dinâmico, podendo ser alvo de novas edições, revistas e aumentadas – assim o esperamos todos nós! O Autor tem alimentado esta nossa fome, e muito bem, no seu blog , e percorrido o nosso jardim à beira mar plantado em busca de novos testemunhos, documentos, e artefactos.

À curta distância em que me encontro de Vila Chã, em Vila do Conde, custa a crer que ainda não tivesse lá ido antes, visitar o local onde tiveram lugar duas aterragens forçadas, em 1942 e 1943, uma delas já referida por mim a propósito dos aviadores inumados no Oporto St. James Cemetery [parte 1][parte 2].
Mas foi a aquisição recente de uma fotografia num alfarrabista que me fez rever o tema e arrepiar caminho até à pequena vila piscatória.


“Memórias de uma Terra”

 Alguns aspectos do interior do Núcleo Museológico “Memórias de uma Terra” da Associação Vila Chã 
Pesca, que fica na Travessa do Sol, 54, 4485-743 Vila Chã. 
Horário: Terças e Quintas 14H00 – 17H00 (visitas por marcação) - Telefone 229370818 e 
telemóvel 916072881 - Localização GPS: 41°17'52.16"N  8°43'51.69"W

À semelhança de tantos outros locais onde se tenta preservar a memória dos hábitos e costumes, e a memória das pessoas, Vila Chã viu nascer por iniciativa da Associação Vila Chã Pesca, um espaço de memória, inaugurado ao público em 21 de Abril de 2012, denominado “Memórias de uma Terra”. 
Nele podemos encontrar todos os aspectos relacionados com a história da vila, com ênfase na actividade piscatória, não só na pesca frente à costa, como também na pesca do longínquo bacalhau. 
Por lá tem também um cantinho que fala de aviões, do período da 2ª Grande Guerra, nomeadamente de dois momentos que, como veremos, vieram perturbar a pacatez dos vilaplanenses.
  


Um Vickers Wellington e um punhado de heróis

Foi esta a foto do Wellington que adquiri num alfarrabista, no meio de uma 
colecção de fotos da região de Vila do Conde, obtida em dias seguintes ao acidente, 
já depois de o que restou do aparelho ter sido arrastado para a praia pela maré.

Como referi no a propósito dos aviadores inumados no Oporto St. James Cemetery [parte 1][parte 2], a 29 de Maio de 1942 [3], o Vickers Wellington IC, de registo HX390, do 1st Overseas Aircraft Delivery Unit/15th OTU, da RAF, em voo de ferry, entre Portreath em Inglaterra de onde descolou às 13H40M,  com destino ao Egipto, via Gibraltar, e que aqui se despenhou.

De acordo com uma das fontes consultadas [1], devido a problemas no motor de estibordo, a tripulação tentou a amaragem, mas o avião partiu-se, já que terá embatido nos Penedos d’Aguilharda. Dois dos tripulantes morreram, correspondendo aos túmulos existentes no Cemitério Britânico do Porto(*), e todos os restantes se salvaram, nomeadamente os sargentos Gould e Jakson, feridos com diversas lesões e braços partidos, subiram para uma das asas. Anstey e Wallace-Cox ainda tentaram utilizar um dos botes de borracha, mas este não chegou a encher convenientemente. Foram salvos por pescadores locais, seguindo os dois feridos mais graves para um hospital no Porto. Anstey e Cox foram encaminhados uma unidade militar na Póvoa do Varzim, onde estiveram durante três semanas, depois para o Porto, de onde seguiram de comboio para as Caldas da Rainha, e regressaram a Inglaterra a 12 de Julho, via Gibraltar. 
A tripulação completa era constituída por,
Sergeant H. Jakson – operador de rádio
1320384 Sergeant M.H.Thompson(*) – artilheiro de cauda
Sergeant J. W. Gould – operador de rádio
980177 Sergeant I. Wallace-Cox - navegador
114195 P/O J. P. Anstey – co-piloto
1312337 Sergeant John Gordon Daniels(*) - piloto


Os heróis de Vila Chã

Os seis heróis de Vila Chã num belíssimo registo fotográfico, são eles: 
Manoel da Silva Oliveira (arrais), Manoel Carneiro, Cândido Augusto, 
Emilio Alves Neto, Carlos Ribeiro dos Santos, e José Maria da Silva.

Não há heróis anónimos, pelo menos aqui, e foram seis os pescadores de Vila Chã que naquele dia de mar muito agitado colocaram a sua vida em risco para salvar os tripulantes do Wellington, um gesto muito característico das gentes do mar, descrito na imprensa da época como revelador da sua «coragem, a sua generosidade, a sua solicitude e a fidalguia da sua alma».
Os seis homens fizeram-se ao mar, numa minúscula embarcação (catraia), num mar que como disse estava muito ruim, eram: Manoel da Silva Oliveira (arrais), Manoel Carneiro, Cândido Augusto, Emílio Alves Neto, Carlos Ribeiro dos Santos, e José Maria da Silva.

O seu gesto não passou ao lado da comunidade britânica, que demonstrou não só a gratidão e reconhecimento por parte dos tripulantes do Wellington, mas sobretudo pelo agradecimento oficial, por parte da RAF, que a cada um entregou um prémio de 500$00!


Um Lancaster … para a sucata


Uma das muitas fotos do Lancaster que amarou na praia em Vila Chã, já depois 
de também ter sido empurrado pela maré para a praia.  Repare-se no pormenor 
de destruição do nariz do aparelho, causado pela tripulação que, como era de 
esperar, destruiu todos os equipamentos electrónicos considerados secretos.

A 17 de Setembro de 1943, amarou frente a Vila Chã, o Avro Lancaster MkIII de registo EE106, do 619º Esquadrão do Comando de Bombardeiros da RAF. O aparelho descolou às 20H00 de 16 de Setembro de 1943, da sua base de Coningsby, para participar num ataque a viadutos de caminho de ferro, em Antheór, no Sul de França, tendo sido atingidos pela antiaérea, mas sem gravidade. No regresso devido ao mau tempo e pouca visibilidade, perderam-se e quando conseguem orientar-se verificam que estão a Norte de Espanha, no Golfo da Biscaia. Com combustível insuficiente para regressar a Inglaterra ou a Gibraltar, procuraram a costa Portuguesa para tentar aterrar ou amarar. 
Depois de duas passagens a baixa altitude empreendem a amaragem frente às praias de Vila Chã, imobilizando-se a menos de 200 metros da Praia do Puço. Os seis elementos da tripulação saíram ilesos, mas não sem antes destruiu os equipamentos electrónicos secretos. A população saiu à rua, e os pescadores também aqui ajudaram a tripulação a chegar a terra firme.

O aparelho foi sucateado no local, como aconteceu a muitos outros, não 
tendo ficado um parafuso como testemunho desta história… será?

Facto curioso, a vila tem sido visitada por familiares dos tripulantes de ambos os aparelhos, e em 22 de Novembro de 2015, foi inclusivamente erigido um pequeno memorial alusivo a este último acidente. Fica a faltar marcar o local do outro acidente.

Localização GPS: 41°17'17.98"N    8°43'55.11"W




Rui “A-7” Ferreira
Entusiasta de aviação

Nota: o autor escreve na grafia antiga por opção.



Notas:
[1] “Aterrem em Portugal”, de Carlos Guerreiro, Ed. Pedra da Lua, 2008
[2] Carlos Guerreiro cita no seu livro uma outra publicação: o jornal “The Portuguese Resident”, na sua edição de 4 de Novembro de 2002, onde publica um trabalho sobre este acidente, da autoria de Jon Rivelson Wilson.
[3] Por opção do autor, foi mantida a data inscrita nas lápides em St. James como a data do acidente e do falecimento dos tripulantes ainda que, segundo Carlos Gomes, referindo uma consulta ao Evade&Escape Report  desse acidente, o relatório este refere a data do acidente como sendo 28 de Maio, e não a data inscrita nas campas, nem tão pouco a que o autor refere no seu livro, 30 de Maio. Uma discrepância que fica por esclarecer.




sábado, 3 de novembro de 2018

Um lugar de memória, em Cascais ... (M2007 - 67/2018)


Arrisco algumas linhas acerca de um local de interesse aeronáutico que existe em Areia,  Cascais e, sem o intuito de aprofundar o assunto, já extensamente escalpelizado em diversas publicações, atrevo-me a dizer que este é possivelmente um dos locais mais importantes da história recente de Espanha, pois não fora o acidente aéreo ali ocorrido em 20 de Julho de 1936, não teria sido Francisco Franco a escrever a história da Espanha até aos nossos dias.

 

Quem passa por aqui, pouco ou nada diz este monumento, e um pouco à boa maneira portuguesa, o mais certo é injuriarem a mãe de quem o plantou no meio da rua(!), já que este está numa estrada um pouco estreita e onde todos têm de se desviar dele para passar. É possível que a rua esteja mal construída, mas este monumento já cá está há quase 50 anos e marca o local de um acidente aéreo ocorrido a 20 de Julho de 1936, onde perdeu a vida o General Sanjurjo. 



General José Sanjurjo Sacanell (1872-1936).


Fazendo fé nas muitas fontes consultadas temos de voltar atrás no tempo para, em muito poucas linhas, falar um pouco de quem era e o que fazia por Portugal, o General Sanjurjo. 
O General José Sanjurjo Sacanell, foi um oficial com carreira extensa, que se notabilizou no reinado de Afonso XIII de Espanha, que lhe conferiu o título de Marquês de Rife, pelo seu papel na guerra de Rife (1909). No seu percurso militar, desempenhou diversos cargos durante a monarquia, na Ditadura de Primo Rivera, e na Segunda República. Divergências com este último regime e a sua participação como protagonista no golpe de estado falhado de 1932 (La Sanjurjada), foi condenado à morte, conseguindo posteriormente ver a sua pena comutada para um exílio em Portugal.
Com um conjunto de outros generais também no exílio, arquitectam um novo golpe de estado, iniciado a 17 de Julho de 1936, golpe esse que antecede a Guerra Civil Espanhola, sendo neste contexto o Gen. Sanjurjo o líder incontestado de todas as facções políticas e por isso, naturalmente o seu líder. 
Foi adquirido um avião, para que em segredo o Gen. Sanjurjo seguisse do seu exílio no Estoril, até Burgos, onde iria comandar as forças revolucionárias. Mas com a sua morte neste acidente aéreo, e com o número dois do movimento, o Gen. Emilio Mola, que também vem a perecer num acidente aéreo, torna-se consequentemente o Gen. Francisco Franco o líder da revolução e mais tarde o novo “caudillo” de Espanha.




O aparelho, um De Havilland DH.80A Puss Moth, de registo EC-VAA, foi adquirido em Inglaterra alguns dias antes do voo, pelo jornal espanhol ABC, com objectivo de proceder ao transporte dos responsáveis máximos das forças revolucionárias para Espanha. 
O piloto, Juan António Ansaldo, descola de Croydon a 11 de Julho, escalando Bordéus, Biarritz, Porto e Lisboa, onde chega na manhã desse dia. A bordo vinha Luís António Bolin, responsável pelo jornal ABC em Londres, e que é encarregado de convidar Sanjurjo para encabeçar o movimento e disponibilizando o avião par ao levar a Burgos. 
Três dias depois o avião chega a Gando na Gran Canária, com escalas em Casablanca, e o Cabo Yubi no Sahara espanhol, com o objectivo de clandestinamente trazer Franco para Tetuán, para encabeçar as forças revoltosas aí baseadas, onde chega a 19 de Julho.
Ansaldo parte para Santa Cruz, em Torres Vedras, onde chega a 20 de Julho, de onde seguiu para Alverca, para ser reabastecido, seguindo depois para uma pista improvisada no “Campo das Marinhas”, em Cascais, para o voo para Burgos.

Sobre o acidente há várias opiniões, sendo que algumas não descuram de todo a hipótese de sabotagem. De todo o modo, o aparelho, descolou na tarde de dia 20 dessa pista improvisada no hipódromo que existia perto da Boca do Inferno, o tal “Campo das Marinhas”. 
Por ir demasiado carregado [1] o piloto não conseguiu que o avião alcançasse a velocidade e altitude necessárias, terá embatido na copa das árvores que ladeavam a pista [2], o piloto ainda tentou a aterragem mas, despenhou-se o aparelho logo de seguida num campo de cultivo onde terão batido contra um muro. Aquando do violento embate, o piloto foi projectado para fora do avião, ficando o Gen. Sanjurjo preso no interior do aparelho, vindo a perder a vida por força dos ferimentos causados no impacto.




Inaugurado em 20 de Julho de 1961 este memorial, erigido por um grupo de companheiros de armas do Gen. Sanjurjo e do movimento revolucionário, constitui-se num memorial que, não sendo monumental ou imponente (por certo por imposição do regime), chega a ser ridiculamente simples, ainda que com forte carga simbólica.



Coordenadas: 38°43'3.48"N     9°27'36.61"W



Rui “A-7” Ferreira
Entusiasta de aviação

Nota: o autor escreve na grafia antiga por opção.


Agradecimentos:
Paulo Bandeira; Fernando Moreira; e Sérgio Couto


Outras notas:

[1] – é referido em várias fontes que o Gen. Sanjurjo era um homem vaidoso, e que, para além do peso do piloto e do passageiro, mais o combustível, o Gen. levava uma quantidade exagerada de roupa (fardamento) e algumas armas. Quando confrontado pelo piloto pelo peso excessivo da sua bagagem este terá respondido que necessitava de usar roupa apropriada como o novo “caudillo” de Espanha.

[2] – algumas fontes, citando o piloto referem que um “forte torrão” ou uma cova provocaram danos no hélice e que teria sido essa a causa do acidente.


Fontes/referências:

Aerohispanoblog   http://www.aerohispanoblog.com/aviones-que-cambiaron-el-curso-de-la-guerra-civil-espanola-el-accidente-del-general-sanjurjo/

Aeropinakes: https://aeropinakes.com/wordpress/reader/aviones-y-telefonos-transporte-y-comunicaciones-para-un-golpe-de-estado/

António J. de Oliveira https://ajoliveira.com/ajoliveira/pt/history/sjurjo.php
Aterrem em Portugal / Carlos Guerreiro  http://aterrememportugal.blogspot.com/2016/04/estoril-relembra-morte-do-general.html 
Biografías y Vidas  https://www.biografiasyvidas.com/biografia/s/sanjurjo.htm
Confilegal   https://confilegal.com/20180818-sanjurjo-hombre-pudo-franco-fue-condenado-golpe-estado-fallido-1932/

El Mundo   http://www.elmundo.es/la-aventura-de-la-historia/2016/09/01/57c82394268e3ee3098b45c7.html
http://www.elmundo.es/espana/2018/07/02/5b3a4147268e3e65048b46e2.html

El Pais  https://elpais.com/politica/2017/04/21/actualidad/1492793529_804189.html 
FIDEUS REPUBLICANS  https://www.fideus.com/biografiesF%20-%20sanjurjo.htm
Historialia   http://www.historialia.com/detalle/395/general-sanjurjo-golpista-frustrado
Malomil   http://malomil.blogspot.com/2013/10/o-monumento-sanjurjo-em-cascais.html

Nubenluz https://www.nubeluz.es/franquismo/sanjurjo.html

RTP https://www.rtp.pt/noticias/mundo/historia-e-ficcao-do-fim-de-sanjurjo-o-ditador-espanhol-que-nao-chegou-a-se-lo_n851097
Vedrografias: http://vedrografias2.blogspot.com/2015/06/o-aviao-de-sanjurjo-em-santa-cruz-novas.html

Wikipédia  https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Sanjurjo

terça-feira, 16 de outubro de 2018

FORÇA AÉREA E MARINHA NAS BUSCAS DO NAUFRÁGIO "MESTRE SILVA" (M2006 - 66/2018)

À direita o P-3C em buscas e a corveta NRP Jacinto Cândido

As buscas iniciais aos tripulantes da embarcação de pesca "Mestre Silva", naufragada a 15 de Outubro de 2018, ao largo de Esmoriz, foram asseguradas por um helicóptero Alouette III, do destacamento permanente da Esquadra 552 no AM1, em Ovar.

Segundo o porta-voz da FAP, TCor Manuel Costa, foram depois deslocados para o local uma aeronave P-3 e um helicóptero EH101 Merlin que, depois de resgatar um dos tripulantes com vida, parou para reabastecer no mesmo AM1 em Ovar. "Aparentemente, existem três desaparecidos. N​​​​​​ós resgatámos uma vítima com vida, que foi transportada para o hospital e foi recuperada uma outra, já cadáver. Temos os meios no local, e já avistámos destroços"


Vídeo do resgate do tripulante do "Mestre Silva"


A Marinha fez deslocar também a corveta NRP Jacinto Cândido, enquanto a Força Aérea continuou a realizar buscas com o referido avião P-3C Orion de patrulhamento marítimo, da Esquadra 601, tendo sido rendido por um C295MAP sub-modelo também de vigilância marítima, da Esquadra 502.






Os trajectos de busca do P-3C da FAP no programa Marine Traffic          Crédito: André Carvalho


Durante o dia de hoje, 16 de Outubro, mantiveram-se as buscas com os meios aéreos de asa fixa, e da Marinha, infelizmente sem resultados práticos, até ao momento.


O C295M MAP da Esquadra 502, visto aqui sobre a corveta Jacinto Cândido, rendeu na tarde de hoje o P-3C Orion da Esq. 601

Vídeo filmado dentro do C295 da Esquadra 502 durante as buscas


Agradecimentos: André Carvalho




sexta-feira, 12 de outubro de 2018

MONTIJO - ACORDO PELA REORGANIZAÇÃO DOS MEIOS DA FORÇA AÉREA (M2005 - 65/2018)

Estuário do Tejo e Base Aérea nº6, Montijo


A desmobilização parcial dos meios da Força Aérea Portuguesa da Base Aérea nº6, no Montijo, custará 115M EUR, a serem suportados integralmente pela ANA- Aeroportos de Portugal.
Incluirá a relocalização da Esquadra 751, que opera os helicópteros EH101 Merlin, para a BA1 em Sintra e da Esquadra 502 dos C295M para a BA11, em Beja.

Os Lynx da Esquadrilha de Helicópteros da Marinha, assim como a Esquadra 501 que operará futuramente os KC-390, continuarão a operar na BA6.

O acordo que terá já sido alcançado, segundo garante o jornal "Público", faz parte de um plano mais alargado, e que contempla ainda reajustes nas áreas utilizadas pela Força Aérea no aeroporto de Lisboa. Nomeadamente o  Aeródromo de Trânsito nº1, irá mudado de sítio e será convertido num verdadeiro "aeroporto de Estado", onde os Falcon 50 da esquadra 504 da FAP (transporte VIP) continuarão a operar. Já o hangar utilizado normalmente pelas Forças Nacionais Destacadas será deslocalizado para o Montijo, passando o embarque de tropas para o estrangeiro a realizar-se portanto, na margem Sul.

Sintra, passará a ser uma base essencialmente para os helicópteros militares, ao concentrar aí a frota EH101 Merlin e os novos AW119 Koala, que substituirão a curto prazo os Alouette III, até agora sedeados em Beja. Em Sintra ficará também a partir de 2021 o Centro Multinacional de Treino de Helicópteros da Agência Europeia de Defesa, caso a candidatura portuguesa seja vencedora.

A Beja, regressará depois de cerca de uma década em Sintra, a Esquadra 101, que opera os TB-30 Epsilon, de instrução básica de pilotagem.






quarta-feira, 10 de outubro de 2018

PRIMEIRO KC-390 DE SÉRIE JÁ VOA (M2004 - 64/2018)

O voo do primeiro KC-390 de série a 9 de Outubro de 2018 em Gavião Peixoto     Foto: Embraer


A Embraer atingiu mais um importante marco ontem, 9 de Outubro de 2018, ao completar com sucesso o primeiro voo do primeiro KC-390 de série.
tal como acordado com a Força Aérea brasileira, a aeronave irá ser agora submetida a uma bateria de testes de voo, na qual mais de 1900 horas de voo serão realizadas. A certificação de voo civil será obtida brevemente, passada pela Agência Nacional de Aviação  (ANAC) brasileira.

"Hoje celebra-se outro importante marco na produção do KC-390 (...) Esta aeronave combina uma flexibilidade excepcional, com performance e produtividade superiores" disse na ocasião Jackson Schneider, presidente e CEO da Embreaer Defense & Security.




segunda-feira, 8 de outubro de 2018

FORÇA AÉREA GERE MEIOS AÉREOS DE COMBATE A INCÊNDIOS EM 2019 (M2003 - 63/2018)

AT-802 Fire Boss alugados pela ANPC na Base Aérea nº11 em Beja


"Foi aprovada a resolução que define o modelo de transição do comando e gestão centralizados dos meios aéreos de combate a incêndios rurais.
Estabelece-se, desta forma, o modelo de identificação da tipologia de meios que devem constituir o dispositivo, considerando os meios próprios e permanentes do Estado, assim como os meios complementares.
Esta resolução vem dar execução a uma das decisões tomadas no Conselho de Ministros Extraordinário de 21 de outubro de 2017 e que definiu a alteração do modelo de prevenção e combate aos incêndios rurais."

É este o ponto 2 do comunicado do Conselho de Ministros da passada quinta-feira 4 de Outubro, que laconicamente delega na Força Aérea a responsabilidade de gerir os meios do Estado para o combate aos incêndios florestais.

Em resposta à agência Lusa, o Ministério da Administração Interna complementou o comunicado, com a informação de que a Força Aérea irá assumir a partir de 1 de Janeiro de 2019 "a posição contratual da Autoridade Nacional da Protecção Civil (ANPC) e a responsabilidade na locação de meios aéreos referentes ao Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR)."

Esclareceu ainda que a FA irá receber os meios aéreos próprios do Estado (o que deverá significar os três AS350B3 e três Kamov Ka-32A11BC), pelos quais ficará responsável pela operação e manutenção. Passará também a ser a entidade responsável pela contratação de meios aéreos complementares adicionais.

Ainda segundo o mesmo comunicado do MAI, a ANPC continuará contudo a definir o dispositivo de meios aéreos necessário, o despacho de meios e o seu emprego em resposta aos incêndios.

Nos últimos anos têm sido contratados principalmente Canadair CL215/415, AT-802 Fire Boss e helicópteros médios Bell 212 e ligeiros AS350.

Recordamos que os três Kamov ex-EMA ainda operáveis, estavam concessionados à Everjets. O Estado acabaria no entanto por resolver o contrato em litígio com a concessionária, ditando o afastamento destes meios para a época de incêndios de 2018 e obrigando à contratação de outros tantos para assegurar helicópteros bombardeiros pesados, para o ano corrente.

Sobre a aquisição de meios aéreos próprios adicionais, nada mais foi avançado.






sexta-feira, 5 de outubro de 2018

SEIS DÉCADAS DE FALCÕES (M2002 - 62/2018)


Para assinalar os 60 anos da esquadra "Falcões", atualmente a Esquadra 201, sedeada em Monte Real e a operar o caça F-16MLU, foi pintada a deriva do 15103, pelo artista "Nark".
Aqui ficam alguns registos retirados da sua página de Facebook.
Parabéns a todos os "Falcões"!







domingo, 30 de setembro de 2018

Era uma vez um piloto ... (M2001 - 61/2018)


Quem já me conhece sabe que sou um rapaz com fracos hábitos de leitura mas que, em abono da verdade, tenho vindo a fazer um esforço nos últimos anos por ler um pouco mais, e ler também, um pouco por fora da esfera da aeronáutica, quer porque ofereço a mim próprio livros e digo: ó murcônhe, lê lá isso! Ora também porque, aqui e ali, sou agraciado com presentes, como é o caso do livro que estou a ler: «Espíritos no céu», de Martin Caidin.
E sem vos contar a história toda, há que ler o livro, é um livro escrito por um piloto com muitas horas de voo em imensos tipos de avião, que reconta aqui histórias insólitas, todas elas incríveis, inexplicáveis, e sobretudo … histórias passadas numa espécie de TWILIGHT ZONE, no limiar de duas realidades, esta e “a outra”.
Partilho com vocês apenas uma delas, curta e, dentro do contexto, deliciosa.

«(…) Um dos jovens oficiais que trabalhava para mim nessa altura era o capitão Robert F. Tyler, que me contou a seguinte história:
-- Fui colocado nos F-100 no Reino Unido logo que obtive o brevet, e como todos os pilotos de caça, gostava de passar algum tempo nos bares ingleses. Uma noite, pouco antes do bar fechar, senti uma vontade irresistível de sair e de me dirigir a um cemitério local. Não compreendo porquê até hoje, porque não gosto de cemitérios, e especialmente porque nunca iria a algum à noite. Em todo o caso, tive que sair, e dei por mim a observar as lápides ao luar. De facto, havia sido arrastado para uma lápide em particular … que dizia … Tenente Robert F. Tyler, da RAF, abatido quando voava num Spitfire durante a Batalha de Inglaterra, em 15 de Setembro de 1940.
Nesta altura, Bob olhou para mim e disse: -- Meu general, não sei muito dessa coisa das “muitas vidas”, mas eu nasci em 15 de Setembro de 1940.»


Rui A-7 Ferreira
Entusiasta de aviação


Nota: Por opção própria, o autor não escreve sob o atual acordo ortográfico.


Post Scriptum - O livro tem algumas histórias de B-17’s e uma delas, com as necessárias diferenças, fez-me lembrar uma das Amazing Stories, contada pelo Stephen Spielberg,
The Mission https://vimeo.com/56670088

sábado, 29 de setembro de 2018

BA5 - MONTE REAL - Dia de Base Aérea Aberta [Spotters Eye] (M2000-60/2018)


O Dia da Base Aérea nº5 aberta, que se realizou no passado dia 16 de setembro contemplou, como já é hábito, um "Spotters Day".
Esta edição apresenta alguns momentos fotográficos - a que chamamos Spotter's Eye" - captados pelo Spotter Paulo "Oneshootland" Fernandes, a quem o Pássaro de Ferro agradece, naquela que é a  Edição Número 2000 neste sítio eletrónico!
Obrigado a todos (cerca de 2,5 milhões) que já por cá passaram!


















Fotografias: Paulo "Oneshotland" Fernandes


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