segunda-feira, 24 de Novembro de 2014

TU-160 MODERNIZADO JÁ VOA (M1732 - 322PM/2014)

Tupolve Tu-160         Foto: TASS/Dmitry Rogulin

O bombardeiro estratégico russo Tupolev Tu-160 realizou o primeiro voo após ser modernizado, segundo foi revelado pela United Aircaft Corporation (UAC) no sítio de internet da empresa na passada quarta-feira (19/11/2014).

"No dia 16 de novembro de 2014, o bombardeiro Tu-160 realizou o primeiro voo após profunda  modernização geral" pode ler-se no comunicado. O "Cisne Branco" como é conhecido o Tu-160 esteve no ar durante 2 horas e 40 minutos.

Atualmente os Tu-160 estão a realizar a primeira fase de modernizações, que incluem a substituição de praticamente todos aviónicos e equipamentos de radar.

Os bombardeiros estratégicos Tu-160 de asas de goemetria variável, foram concebidos para atingir alvos em áreas geograficamente remotas e atrás das linhas inimigas. O seu raio de ação com carga normal é de 13.200 km e de 10.500km com carga máxima, com uma tripulação de quatro elementos.

Durante o ano passado, este modelo efetuou uma missão de longa distância, desde a região do Volga na Rússia, até  à Venezuela. Descolaram da base de Engels em Saratov, voaram sobre o Mar das Caraibas e o Pacífico oriental ao longo da costa sueste da América do Norte, aterrando no aeroporto Simon Bolivar em Carcas, Venezuela. Voaram um total de 10.000 Km, durante 13 horas. No regresso, desde o aeroporto de Maiquetia até ao aeroporto de Managua na Nicarágua, foram cobertos 2500 km em três horas. Apesar do Ministério da Defesa russo ressalvar que os voos foram realizados de acordo com as leis internacionais de utilização de espaço aéreo, os bombardeiros foram intercetados por Kfir colombianos alegadamente em espaço aéreo daquele país sul-americano, tendo gerado um protesto do Governo local.

Fonte: Agência TASS
Tradução e adaptação: Pássaro de Ferro

domingo, 23 de Novembro de 2014

BRASIL TERMINA MODERNIZAÇÃO DA FROTA P-3 (M1731 - 321PM/2014)

P-3AM da Força Aérea Brasileira

A Base Aérea de Salvador (BASV) realizou na quarta-feira (19/11/2014) a formatura militar de entrega da frota completa das aeronaves P-3AM Orion. A cerimónia marca para a Força Aérea Brasileira (FAB) o fim do ciclo de receção dos novos equipamentos de patrulha. O evento foi presidido pelo Comandante da Aeronáutica Tenente-Brigadeiro do Ar Juniti Saito e contou com a presença de autoridades civis e militares, além de representantes da Airbus Defence and Space e da ATECH, empresas responsáveis pela modernização das aeronaves P-3AM. Em julho deste ano foi entregue a última aeronave, o FAB 7206, completando a frota de nove aviões.

O processo de reapetrechamento foi iniciado em março de 2000, com as aeronaves adquiridas dos EUA, que passaram por um processo de modernização na fábrica da Airbus Military, em Sevilha, Espanha. Os sistemas foram atualizados e integrados num sistema tático de missão, operado por uma tripulação de até 12 militares.


Formatura da entrega das aeronaves P-3       Foto:Sgt Gustavo/ Mateus Alves

O Esquadrão Orungan (1º/7º GAV), sediado na BASV, já participou em missões de busca e salvamento, reconhecimento eletrónico, patrulha marítima, em especial nas áreas de plataformas de petróleo e de antissubimarino, com destaques à participação na Operação Joint Warrior, no Reino Unido em 2013, e na Operação Fraterno, na Argentina em 2014. Desde 2011 até hoje, o Esquadrão também formou novos tripulantes entre militares vindos de várias unidades da FAB.

Pontuando o sucesso alcançado pela Unidade Aérea em missões no território bbasileiro, em águas jurisdicionais ou no exterior, o Brigadeiro do Ar Carlos José Rodrigues de Alencastro, Comandante da Segunda Força Aérea (II FAE), afirma que o P-3AM é uma das melhores aeronaves de patrulha marítima do mundo. “Seus tripulantes encabeçam a fila de militares de alto valor, que se orgulham da máquina que voam. Eles sabem da imensa responsabilidade da missão de ser o guardião do Pré-Sal [NR: zona de exploração petrolífera em águas brasileiras] e que agora passam a vislumbrar novas capacidades e recursos”, finalizou.

Fonte: Agência Força Aérea
Adaptação: Pàssaro de Ferro

AUSTRÁLIA PONDERA ADQUIRIR O F-35B (M1730 - 108AL/2014)

F-35B a operar a partir do navio norte-americano USS Wasp. Uma imagem que poderá vir  a acontecer sob as cores da bandeira da Austrália. Foto: Lockheed Martin.

Os peritos australianos em estratégia militar estão a ponderar  a possibilidade daquele país/continente adquirir aeronaves Lockheed Martin F-35B Lightning II, para operar a partir dos navios da classe "Canberra" da marinha autraliana.
Para tal os navios anfibios, planeados para operar helicópteros EC-665 Tiger e NH-90, teria de ser modificado, deixando de lado parte do seu potencial anfíbio, para poder absorver as modificações que permitam a operação do F-35B.
Os estrategas australianos ponderam, por isso, se os ganhos com a operação de uma aeronave mais poderosa do ponto de vista de projeção de força, como será o F-35B, compensam o dinheiro que as aeronaves custariam e o que seria necessário gastar nas alterações aos vasos de guerra.
Mas algumas vozes avisam que os benefícios, a existirem, seriam residuais, pelo que apesar do F-35B ter entrado na equação, várias possibilidades estão em aberto, tendo em conta o peso geoestratégico que a Austrália assume naquela área do planeta.
Fonte: DID
Adaptação: Pássaro de Ferro

sábado, 22 de Novembro de 2014

PIÃO DE 100.000 TONELADAS - atualizado com vídeo (M1729 - 320PM/2014)

Foto: US Navy
Foto: US Navy

Ver uma moto ou um automóvel a fazer o vulgarmente chamado "pião", não é nada de estranho ou invulgar para o comum dos mortais. Muitos já o presenciaram mesmo ao vivo. Provas desportivas ou filmes estão cheios desse tipo de manobras, ao ponto de já termos deixado de lhe prestar grande atenção.
A situação ganha no entanto outros contornos, se em vez de meros 1000 kg a rodar em torno de um eixo imaginário estão 100.000 toneladas de um super porta-aviões nuclear.

Foto: US Navy
Foto: US Navy

O protagonista das fotos que apresentamos, colhidas pela Marinha dos EUA, é o porta-aviões USS Harry Truman. As imagens impressionantes do navio de 332m de comprimento e 74m de altura total, foram captadas durante os testes de mar realizados no oceano Atlântico, durante os quais são colocadas à prova as capacidades do navio e dos seus sistemas, de modo a aferir a sua condição para partir em missões operacionais.


Vídeo:

Fonte: Abadia Digital
Tradução e adaptação: Pássaro de Ferro



sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

F-22 E F-35 VOAM PRIMEIRA MISSÃO OPERACIONAL CONJUNTA (M1728 - 107AL/2014)


Esta fotografia e as que se seguem, representa muito do que as chefias da USAirforce desejavam ver há vários anos, décadas, talvez. Uma nova geração de aviões de combate, capazes de assegurar missões de vários tipos, num patamar de sofisticação que possa permitir aos EUA continuar a manter a dianteira no que toca à supremacia aérea.
Há dias, portanto, esse desejo tornou-se realidade, através da realização da primeira missão operacional conjunta entre F-22 Raptor e F-35 Lightning II.


Qualquer um destes aparelhos teve um desenvolvimento atribulado e não isento de polémicas, muito embora o F-35 tenha elevado - mais do que o F-22 - esse patamar. O Lightning II permanece, ainda, como uma aura incerta, uma vez que são muitas as vozes que questionam a sua eficácia, tendo em conta os seus enormes custos.
Será o tempo a confirmar ou não se valeu a pena "sofrer" estas agruras.


Em suma, uma vez solidificada a existência destas duas aeronaves, poderemos estar perante um vislumbre do que será a aviação de combate da 5ª geração, não só nos EUA, mas como em outros países.
E também deste modo, os Estados Unidos acabam por marcar uma vez mais a dianteira no que toca à 5ª geração, deixando para trás Rússia a China.
Pelo menos no campo da diplomacia, esta dupla de trunfos pode ter algum valor, mesmo que que "apenas" simbólico.

Fonte: Military.com/Business Insider
Fotos/Photos: USAF
Tradução e adaptação: Pássaro de Ferro


quarta-feira, 19 de Novembro de 2014

BRASILEIROS JÁ VOAM EM GRIPEN (M1727 - 319PM/2014)

Os dois pilotos brasileiros após o primeiro voo em Gripen        Foto: Agência Força Aérea

Os Capitães Gustavo de Oliveira Pascotto e Ramon Santos Fórneas tornaram-se na manhã desta quarta-feira (19/11/2014) os primeiros pilotos brasileiros a cumprirem uma missão de treino em aeronaves Gripen. Voaram durante 50 minutos em aviões Gripen D, acompanhados por pilotos da Força Aérea da Suécia. A aterragem ocorreu às 10:00 horas locais na base de Satenas, na Suécia (6 horas no horário de Brasília). 

A chegada à base de Satenas       Foto: Agência Força Aérea

"Foi melhor do que eu esperava", disse o Capitão Fórneas. "A aeronave é de pilotagem dócil", elogiou. A principal característica notada pelos brasileiros até agora foi a vantagem aerodinâmica proporcionada pelos canards, pequenas asas localizadas na frente do Gripen. "A distância de aterragem é extremamente pequena", contou. 

Os dois Gripens voaram numa área de instrução sobre a Suécia e o Mar Báltico. Após a descolagem, foi realizada uma subida até 10.638 metros de altura num minuto e meio, uma taxa de subida de 118 metros por segundo. Para cumprir o cronograma de treino proposto pelos suecos, os brasileiros também realizaram acrobacias juntos nessa que é chamada de fase de familiarização. 

Ao contrário dos demais brasileiros que já voaram no Gripen em testes, os dois aviadores têm agora a responsabilidade sobre as aeronaves e treinam para dominarem todos os sistemas dos caças. Três horas após a aterragem, os pilotos já seguiram para um novo treino no simulador de voo.

Formados pela Academia da Força Aérea, o Capitão Fórneas era piloto de caças F-5 e o Capitão Pascotto comandava caças Mirage 2000. Ambos vão passar seis meses em treino na Suécia e irão tornar-se os primeiros brasileiros instrutores de Gripen.

O contrato de aquisição de 36 aeronaves foi assinado em 24 de outubro. A expectativa é de entrega dos aviões entre 2019 e 2024. O Brasil deverá entretanto operar um número ainda não definido de aeronaves modelo C/D, em regime de leasing,  até à chegada do Gripen de nova geração.

Fonte: Agência Força Aérea
Adaptação: Pássaro de Ferro




sábado, 15 de Novembro de 2014

SACADURA CABRAL DESAPARECEU HÁ 90 ANOS (M1726 - 318PM/2014)

Fokker T.III     Foto: San Diego Air & Space Museum

O dia 15 de novembro já foi feriado, há 90 anos. A razão foi o desaparecimento de Sacadura Cabral algures no Mar do Norte. Depois de fazer mais de oito mil quilómetros de Lisboa ao Rio de Janeiro, o aviador pioneiro não conseguiu completar o voo entre a cidade holandesa de Amesterdão e a capital portuguesa. Ainda hoje, não se sabe o que aconteceu ao companheiro de Gago Coutinho e tio-avô de Paulo Portas.

A primeira notícia diz encontrar-se são e salvo, ao lado dos outros pilotos que foram aos Países Baixos buscar três hidroaviões. "O aparelho pilotado pelo comandante Sacadura Cabral, segundo nos comunicam do Centro de Aviação Marítima, já está em Cherburgo", lê-se no vespertino "A Capital" de 17 de novembro de 1924. Durante um mês, as novas serão menos precisas. Afinal, ninguém sabe, nem saberá, do aviador que dois anos antes fizera, com Gago Coutinho, a primeira travessia aérea do Atlântico, usando um revolucionário instrumento de navegação aérea.

Ou a informação do Centro de Aviação Marítima não está correta ou "A Capital" transformou a hipótese numa realidade. A Havas, a primeira agência de notícias do mundo, criada em 1835 e "avó" da France-Press, emitiu nesse dia 17 um telegrama dando apenas conta da amaragem forçada em Cherburgo, por "panne no motor" (como se traduzia na altura), do hidroavião pilotado pelo tenente Pedro Ferreira Rosado. Os jornais da manhã dessa segunda-feira acrescentavam à nota uma paragem normal da terceira aeronave, a do tenente Santos Mota, em Brest, na Bretanha, a paragem prevista antes da chegada a Lisboa.

O comandante de 43 anos, piloto com feitos sem igual, deslocara-se à cidade holandesa com cinco colegas da Marinha a fim de levantarem três dos cinco hidroaviões da Fokker - uma empresa pioneira fundada em 1919 e fechada ao fim de 77 anos - comprados por Portugal, através de subscrição pública, para proporcionar uma volta ao mundo aos dois heróis da travessia do Atlântico em 1922. Como todos os companheiros, Artur Sacadura Freire Cabral e o cabo artilheiro mecânico José Pinto Correia saíram de Amesterdão no sábado, dia 15, mas não chegaram à cidade da Normandia nem à da Bretanha, nem jamais ali pousarão.


A ligação entre Amesterdão e Lisboa não apresenta qualquer grau de dificuldade. Carlos Viegas Gago Coutinho, que conhecia muito bem o capitão-de-fragata Sacadura Cabral, dirá ao "Diário de Lisboa", quatro dias depois do desaparecimento, que o voo era insignificante, "tanto assim que o único que chegou a Brest foi o Mota, exatamente o que tinha menos prática. O Rosado, aviador já experimentado, ficou em Cherburgo. E o Sacadura..." O contra-almirante não termina a frase, o jornalista pergunta-lhe o que pensa, vê-lhe "uma sombra no olhar", o aviador acaba por dizer que "ainda há quem pense que esteja vivo".

Nesta notícia escrita pela hora de almoço de quarta-feira 19 e que ocupa toda a primeira página do vespertino, diz-se ser impossível afirmar que o comandante e o mecânico morreram. "Cem postos de telegrafia sem fios não recolhem uma notícia, Gago Coutinho está abatido. O sr. ministro da Marinha diz 'desgraça!'". No outro vespertino, publica-se uma informação "fresca" vinda de Paris: "Dizem-nos particularmente de Ostende ter aparecido o cadáver do vosso glorioso aviador Sacadura Cabral". Não se confirma, a verdade é que foram encontrados destroços do hidroavião nº 496, por uma chalupa, e o estado em que apareceram "levam a pensar que se tenha produzido uma explosão", mas nada de corpos.

As notícias são contraditórias de dia para dia. Tanto se diz que apareceu o corpo do aviador como se desmente a informação. É possível que o comandante esteja vivo, que tenha sido recolhido por um barco que não possuísse Telegrafia Sem Fios (T.S.F.) para comunicar, como também referem os jornais e os amigos de Sacadura desejam que tenha acontecido. "Eu continuo a pedir a Deus que ele continue ainda com vida e esteja a bordo de algum barco veleiro e que nós possamos vê-lo ainda", diz o aeronauta e inventor brasileiro Santos Dumont numa carta para Gago Coutinho, lamentando: "Porque não seguiu ele os meus conselhos de descansar depois de tão grande feito que foi a viagem Portugal-Brasil?"

A travessia até ao Brasil foi dura: mais de oito mil quilómetros percorridos, quase 80 dias de viagem, embora a voar tenha sido "pouco mais" de 60 horas. Nesta aventura, Sacadura aos comandos e Coutinho na navegação, com o instrumento que inventou, o Corrector, sofreram vários tormentos, entre eles uma espera por socorro no meio do Oceano, dentro do hidroavião a meter água e rodeado por dois tubarões... Parece que nada conseguia domar o espírito do pioneiro português, nem o facto de lhe terem detetado problemas oftalmológicos e aconselhado a deixar de pilotar aviões. O seu sonho era dar a volta ao mundo nos hidroaviões da Fokker.
Artur Sacadura Freire Cabral, nascido em Celorico da Beira, a 23 de maio de 1881, fez a escola politécnica e aos 16 anos tornou-se aspirante de Marinha. Três anos depois foi promovido a guarda-marinha, iniciando uma série de missões hidrográficas e geodésicas em África até passar a ser adjunto do comissário da missão portuguesa de limites de Angola e a ser nomeado subdiretor de agrimensura da, à época, colónia portuguesa. "É um africanista", como diz o seu sobrinho-neto Paulo Portas. Só aos 35 anos se efetivará na aviação, ficando a depender do Ministério da Guerra, após arrancar um "Trés bon pilote" (Muito bom piloto) no curso de aeronáutica militar da Escola Militar de Chartres, em França.

Tem um espírito aventureiro, audaz, também solidário. Em 1902, o rei dom Carlos louva-o por escrito ao tomar conhecimento de que o marinheiro, quando navegava por Moçambique, se atirou ao mar para salvar um grumete que se afogava, desprezando o risco que corria. O seu companheiro de viagem, o cabo Correia, era igualmente um homem voluntarioso, valente, fora ele quem pedira para ir nesta missão; o piloto Santos Mota deve-lhe a vida, se não fosse Pinto Correia, que o arrastou a nado, teria morrido afogado daquela vez, em Aveiro, quando o hidroavião chocou com a água não dando qualquer hipótese ao piloto. O Ministério da Marinha irá promovê-lo a segundo sargento "como se tivesse sido morto em combate".

"No seu caso, toda a vaidade era legítima e todo o orgulho era desculpável", escreve Norberto Lopes, que foi ao Brasil cobrir para o "Diário de Lisboa" a chegada da equipa de heróis a 26 de outubro de 1922. O jornalista, na altura com 22 anos e a três décadas de se tornar o diretor do vespertino, diz que, perante este "homem mais baixo do que alto, de olhos difíceis de definir entre o azul e o verde", se "justifica plenamente aquele dito de Pepino-o-Breve: os homens não se medem aos palmos". E diz mais: "a sua fisionomia é a do homem que nasceu para mandar, que está habituado a mandar, que sabe mandar, serenamente, friamente, sem uma precipitação, sem um arrebatamento, sem um entusiasmo".

"Alguém, que muito de perto privou com ele, dizia-me que o seu segredo, uma das razões porque estava destinado a andar sempre de automóvel, enquanto os outros andam a pé, é a maneira indiferente, fria e pouco expansiva como trata os homens e a excessiva delicadeza com que distingue as mulheres", conta ainda Norberto Lopes sobre este pioneiro da aviação que é "um típico herói do amanhecer do seculo XX", como refere o atual vice-primeiro-ministro. Sacadura é um homem charmoso, diz-se que só mostra o sorriso a mulheres, não será assim tão radical mas é de lembrar que uma das promessas que deixou por cumprir foi batizar um dos aviões que pilotasse com o nome de uma atriz com quem se cruzou em Inglaterra, Manora Thew, que lhe disse que o seu nome próprio significava boa sorte.
Nesta ida a Amesterdão, o ímpeto de Sacadura mantém-se, apesar da fase difícil que atravessa. A perícia do primeiro diretor do curso de aviadores em Portugal não está em causa. Os seus olhos, porém, é que já não veem o mesmo, sofrem de oftalmia. E o seu vício de fumar pode ter contribuído para o desastre, como algumas vozes fizeram circular. São muitas as dúvidas sobre o sucedido. "Qualquer viagem aérea é um ponto de interrogação", dizia Sacadura (leia uma entrevista dada pelo comandante em 1922, no nº 2 da coleção do Expresso "Grandes Entrevistas da História"). Pedro Rosado contaria mais tarde que "estava um nevoeiro denso que se pegava com o mar". E, defensor da tese do acidente, pormenorizou: "Voei sempre baixo, por vezes a dez metros da água, que estava tranquila, sem carneirada, um mar que se confundia com o nevoeiro".

O sucedido nessa manhã de sábado de intenso nevoeiro entrará para o rol dos mistérios, levando o nome deste homem à galeria dos heróis desaparecidos tragicamente, sem explicação. A Fokker disse que fora um choque violento do hidroavião com a água, mas, tendo em conta a pane da máquina de Pedro Rosado, havia quem defendesse que o avião saíra avariado da fábrica. Quem contribuiu para alarmar ainda mais os espíritos foi António Ferro, o futuro secretário da Propaganda do Estado Novo. Na altura com 29 anos e jornalista do "Diário de Notícias", foi enviado a Ostende e de lá escreveu que um engenheiro da empresa holandesa tinha guardado três parafusos dos destroços, que pareciam ter sido cortados à tesoura, dando assim lastro à tese da explosão.

Ainda a 27 de novembro, na "Capital", dizia-se que se continuava a ignorar o que sucedera ao aviador, mas lamentava-se a "perda irreparável". Nessa mesma notícia, revelavam-se planos pessoais para o futuro: o casamento com uma jovem recém-viúva de um escritor que também era oficial da marinha. Mas a 2 de dezembro, as esperanças perdiam-se e a notícia é que o Governo aguardava que se completassem 30 dias sobre o acidente para declarar a morte da tripulação do Fokker.

"O desaparecimento de Sacadura Cabral e do seu bravo companheiro nas brumas do Passo de Calais, sem uma testemunha, quasi sem um vestígio, tem o sabor heroico de uma lenda de glória", escreve-se em "A Capital" de 15 dezembro, o dia decretado de luto nacional e feriado oficial e em que o Governo autorizou a "abertura dos créditos necessários para esse fim, bem como a fornecer o bronze necessário ao monumento a erigir, por subscrição pública, em Lisboa".

Fonte: Expresso

ÚLTIMA ATERRAGEM DO PROWLER DA US NAVY (M1725 - 317PM/2014)

Um EA-6B do VAQ-134 regressa ao USS George Bush em set. 2014 durante o último destacamento da Esquadra com o modelo     Foto:Brian Stephens/US Navy


Esta sexta-feira ficou marcada no mundo da aviação pela ultima aterragem de um EA-6B Prowler operacional da Marinha dos EUA (US Navy).
Os aviões da Esquadra VAQ-134 aterraram na base aeronaval de Whibdey Island no estado de Washington, após um voo de cross country, no regresso do destacamento no porta-aviões USS George Bush.

A Esquadra, também conhecida como "Garudas", levou a cabo 104 missões de combate sobre o Afeganistão e 109 no apoio aos ataques ao Estado Islâmico, neste último destacamento, segundo revelou a US Navy.

A histórica aeronave destinada a guerra eletrónica, incluindo "empastelamento" de radares inimigos e interferência em mísseis terra-ar, entrou pela primeira vez em combate ao serviço da US Navy, ainda durante a guerra do Vietname em 1971. Termina agora a sua carreira naquele ramo das Forças Armadas americanas, após mais de quatro décadas no ativo, em duas versões diferentes (A e B). O EA-18G Growler assumirá a partir de agora essas funções na totalidade da frota da US Navy. 

O Corpo de Fuzileiros (US Marines) permanecerá como o único utilizador do modelo no mundo, tendo como horizonte para a retirada total do modelo de serviço, o ano de 2020.




sexta-feira, 14 de Novembro de 2014

PESCADORES RESGATADOS PERTO DE CAMPO DE TIRO DA RAF (M1724 - 316PM/2014)

Westland Sea King HAR3     Foto: RAF/Crown

Três pescadores foram resgatados na passada terça-feira à noite, quando o barco em que se encontravam à deriva se aproximava de um campo de tiro da Royal Air Force.

Os três homens encontravam-se na zona de Morrich More, na margem sul de Dornoch Firth, quando foram apanhados pela maré. Uma lancha de resgate e o helicóptero de alerta de Lossiemouth foram enviados para a área de Tain, pouco depois das 18:15. 

Encontravam-se todos sem ferimentos e foram aerotransportados em segurança para Inver, uma aldeia próxima.

A Guarda Costeira de Aberdeen recuperou mais tarde a embarcação.


quinta-feira, 13 de Novembro de 2014

PORTA-AVIÕES NO CÉU? (M1723 - 315PM/2014)

Ilustração: DARPA

A principio o conceito pode parecer bizarro, mas até nem é novo. Já os dirigíveis USS Los Angeles,  Akron e Macon na década de 30 do século passado transportavam frágeis biplanos Sparrowhawk, que operavam através de uma espécie de trapézio, pendurados na nave. No século XXI,  a proliferação exponencial dos drones (VANTs), voltou a trazer a ideia da utilização de plataformas aéreas como porta-aviões.

De facto, e de acordo com a Agência para Estudo de Projetos Avançados dos EUA (DARPA) o Pentágono estuda atualmente modos de utilizar múltiplos VANTs a partir de aeronaves de maior dimensão, de onde partirão e regressarão, depois de realizada a missão de reconhecimento, vigilância e informação, em áreas remotas de difícil acesso.
O pedido de informação divulgado no fim-de-semana passado procura drones que possam ser utilizados a partir de aeronaves de grandes dimensões como B-52, B-1 ou ate C-130. “A Agência procura uma aeronave que, com modificações mínimas possa lançar e recuperar múltiplos sistemas não tripulados de pequenas dimensões, de uma distancia segura” pode ler-se no pedido de informação.

A aposta dos EUA no uso intensivo de drones em missões de recolha de informação, está por isso bem visível, ao tentar ultrapassar as limitações dos atuais sistemas em utilização. A vigilância de grupos terroristas em África e Médio Oriente são algumas das prioridades do pais.


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