segunda-feira, 1 de julho de 2013

AERONAVES EM TERRA (M1059 - 183PM/2013)



A Força Aérea cumpre hoje 61 anos desde que se tornou ramo independente. Ontem domingo, tiveram lugar na cidade de Leiria, as solenidades devidas à ocasião.
Discursou por isso o Chefe de Estado Maior da Força Aérea, General José Pinheiro, proferindo talvez pela primeira vez  publicamente, várias verdades quiçá incómodas, entre as quais se destaca uma: às Forças Armadas foram cortados 36% do orçamento, em apenas dois anos. As consequências, fazem-se sentir (como seria previsível) ao nível da segurança dos militares que servem o país e da prontidão no cumprimento da missão que juraram cumprir.
Como é apanágio deste (e outros governos), a resposta fez-se ouvir, por palavras que podem ser traduzidas por um conselho à utilização da "lei da rolha": 
"Acredito que é da cultura de todos os chefes e da boa estratégia militar que as vulnerabilidades das Forças Armadas e da Defesa Nacional não devam ser ecoadas no palco da discussão pública" Aguiar-Branco dixit.

Um corte de 36% arriscaria a dizer que não foi conseguido em nenhum outro setor do Estado durante o exercício do atual (des)governo. Os chefes militares têm aguentado tempo demais em silêncio, à espera que o bom-senso tome alguma vez conta no poder político. Depois da Marinha, agora a Força Aérea pela voz do seu chefe supremo, lança o alerta, prontamente condenado pelo chefe civil da Defesa, num pseudo-conselho de sapiência militar.
Interessante como a hipocrisia dos mesmos políticos que cortam direitos inerentes a quem jurou servir a Pátria, se necessário em prejuízo da própria vida, fazendo vista-grossa à sua especial condição, se serve dessa mesma condição quando lhes interessa, para justificar o abafar da voz da razão.

Porque é mais fácil mandar calar, do que fazer alguma coisa de realmente útil para o país. 
Do que correr mal entretanto, nunca ninguém é culpado. 
Das próximas eleições mais virão, para voltar a cometer as mesmas barbaridades, das quais sairão mais uma vez despreocupadamente incólumes.
Entretanto, o país e o povo definham. 
Enquanto não for implantado um sistema que responsabilize os gestores públicos pelos atos que realizam ou realizaram no exercício das suas funções, assim continuará a ser.
Não tenhamos dúvidas. 
E não vai ser a classe política, de livre vontade a impor a si mesma esse sistema.




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