sexta-feira, 13 de setembro de 2019

DOMINGO HÁ "ROMARIA" À BA5 - MONTE REAL [M2061 - 48/2019]


No próximo domingo, dia 15 de setembro, no âmbito da comemoração dos 67 anos da Força Aérea Portuguesa e dos 60 anos da Base Aérea nº 5 - Monte Real, esta unidade também conhecida por "fighter town", vai estar aberta ao público.
Como é habitual, trata-se de um evento que congrega muitas atividades, às quais o público adere em elevado número.
A possibilidade de ver e "sentir" os caças F-16 a operar tão perto é o leitmotiv que concita mais atenção mas, para além da operação dos caças, haverá outras atividades (batismos de voo, demonstrações diversas e o habitual Spoters day, etc.), bem como áreas de street food para compor as barrigas que a dada altura rugem de fome, em paralelo com os motores dos aviões.
Saliente-se que de entre os diversos caças F-16 que vão operar e estar visíveis ao público, não faltarão as "pinturas especiais" - Falcões e Jaguares - bem como a aeronave 15101 com uma pintura especial comemorativa dos 60 anos da BA5 pintada na deriva.
O Pássaro de Ferro deixa o programa (timeline) das atividades previstas.


Créditos das imagens: Oscar Rodrigues e BA5

sábado, 7 de setembro de 2019

Notas sobre o Alouette III no…Irish Air Corps [M2060 - 47/2019]


Retomando um tema a que tinha prometido voltar há já bastante tempo, trago hoje aos leitores do Pássaro de Ferro algumas notas sobre a história do Alouette III no Irish Air Corp.

As décadas de 50 e 60 do século passado serão, talvez, o período da história em que poderemos considerar como o do advento do helicóptero, nomeadamente também pela sua utilização mais massificada, em teatros de guerra, mas também em missões civis.
Na República da Irlanda, a ocorrência de um Inverno mais rigoroso, entre 1962 e 1963, levou as autoridades a considerar a necessidade da utilização de helicópteros no Irish Air Corps (IAC), de forma continuada, como meio de auxílio permanente, no apoio a situações de emergência, catástrofes naturais, e no auxílio a populações isoladas nas ilhas.
Assim, recebeu a partir de 1963 o IAC, dois de um total de oito Alouette III, para missões de busca e salvamento, sendo as suas missões estendidas a diversas outras valências, como o transporte de tropas, reconhecimento, evacuações médicas de emergência, apoio à população residente nas ilhas, missões de cooperação com a polícia, e patrulhamento fronteiriço. 
Os aparelhos foram recebidos entre 1963 e 1974, e integrados no 301 Search and Rescue Squadron, criado em 1962, baseado em Baldonnel, sendo que com a sua introdução ao serviço, no espaço de um ano foi estabelecido um serviço diurno de Busca e Salvamento, e no ano seguinte um serviço de evacuações médicas entre hospitais. 

Durante 44 anos de operação, até 21 de Setembro de 2007, foram distinguidas as tripulações dos Alouette III com diversas medalhas de serviço, nomeadamente todos aqueles que arriscaram a sua vida em prol de outros, dando corpo àquilo que é mais que um motto, é uma forma de estar, muito conhecida também entre nós, afinal, o lema é o mesmo: "Para que outros vivam". Números finais da utilização dos Alouette III no IAC falam de 77.000 horas de voo, 1.717 missões de busca e salvamento, 2.882 missões de aeromédicas, e 542 vidas salvas.


Aqui fotografado em Baldonnel em 1980, o Alouette III nr.195 foi o primeiro 
aparelho da frota e também um dos que ficaram até ao final, o seu último voo 
foi a 21 de Setembro de 2007.

Actualmente a operar os Eurocopter EC135, e os Agusta Westland AW139, o IAC não tem mais a seu cargo a missão da busca e salvamento, já que no início deste século, esta missão passou para a Irish Coast Guard, com os seus Sikorsky S-91N, sendo que actualmente este serviço é prestado por um outsourcer, a CHC.


A frota quase completa, seis de oito aparelhos, a 21 de Setembro de 2007, 
quando foram retirados de serviço.




Nota do autor - aproveito para incluir aqui o texto original (em itálico), que escrevi nos idos de 2002, numa altura que o Alouette III ainda estava no activo. Tentei mantê-lo o mais original possível.

Irlanda
Um número alarmante de tragédias ocorridas a partir dos finais dos anos 50, inicio dos anos 60, levaram à decisão da constituição de um Serviço de Helicópteros de Salvamento, para dar resposta às necessidades de salvamento no mar, em que o helicóptero representava um meio mais eficaz do que o existente serviço de salva-vidas, e também em terra, em situações de semelhante necessidade.
Os requisitos operacionais iniciais pediam um helicóptero com uma tripulação de três, mais dois passageiros, equipado com guincho, com boa velocidade, e com alcance suficiente para operar a partir de Baldonnel, para cobertura das costas oeste e sudoeste. As hipóteses encontradas resumiram-se em pouco tempo a dois aparelhos, equipados com turbina, o Westland Whirlwind e o Sud Aviation Alouette III. Foi recomendada a aquisição do Alouette pelo Irish Air Corps, sendo o contrato para aquisição de três aparelhos assinado a 25 de Maio de 1963.
O treino das tripulações e pessoal de terra foi efectuado com aparelhos Alouette II, sendo a conversão ao Alouette III efectuada nas instalações do fabricante, em Marignane, França.
Os dois primeiros aparelhos chegaram a voar directamente de França, numa distância percorrida em dois dias, entre 24 e 26 de Novembro de 1963. Os restantes 6 dos 8 helicópteros iniciais do Helicopter Flight (HF) chegaram entre 1964 e 1974. Desde 1963 que a busca e salvamento (SAR) foi a missão primária do HF, no entanto, a versatilidade demonstrada pelo Alouette III veio cedo ao de cima, muitas outras missões foram surgindo, em especial, a segunda mais importante, a missão de evacuação médica, localmente conhecida por ambulância aérea.
Os helicópteros operam a partir da base de Baldonnel, para todo o país, e usam como apoio outras unidades do exército e aeródromos para reabastecimento. 


Uma das fotos emblemáticas do Alouette III na missão de Ambulância Aérea, 
missão em que ao longo dos anos foi sendo melhorada, tendo sido introduzidos 
equipamentos de suporte de vida, tão importantes neste tipo de missão.

Nos últimos anos de operação o HF tinha como missões: cooperação com o Exército, busca e salvamento, transporte médico de emergência, cooperação com a polícia (Garda), transporte de VIP’s, evacuações/apoio inter-ilhas, evacuações/ apoio nas montanhas, fotografia aérea, vigilância/estudo da vida selvagem, demonstrações de voo,  formação de pilotos, controle de poluição, a lista é interminável...
O Alouette III teve sempre uma relação muito próxima com as forças de segurança, sendo utilizados em variadas missões do Exército e da Guarda sempre que necessário. O leque de missões ao serviço incluíam o helitransporte de equipas de desactivação de explosivos, busca de armas, busca de prisioneiros evadidos, transporte e colocação de tropas, apoio a operações do corpo de Rangers do Exército, perseguição a veículos suspeitos, etc. Os problemas de segurança na Irlanda do Norte, por exemplo, resultaram no destacamento permanente de alguns Alouette III’s para a fronteira em 1973 e 1979.
 “Para que outros vivam”, um mote que também para nós é muito querido, é naturalmente o mote da maior parte das esquadras de SAR por todo o mundo, é também obviamente o destes rapazes irlandeses. Durante 30 anos (1963-1993), os Alouette III executaram mais de 1400 missões SAR, salvando mais de 400 vidas. A primeira foi ainda a 23 de Dezembro de 1963, tinha o Alouette III chegado há menos de um mês!
Até 1987 apenas o Alouette III executava missões de SAR em toda a Irlanda, a partir daí, com a introdução do Dauphin, a área de cobertura foi reduzida, e até repartida entre ambos.
A Irlanda tem equipes especializadas de busca e salvamento nas montanhas, o Irish Mountain Rescue Association (IMRA), que desde a operação de helicópteros pelo IAC habitualmente tem contado com este meio. Outra associação que também trabalha numa relação muito estreita com o HF, é a Search and Rescue Dogs Association (SARDA), uma associação que treina e executa missões de busca e salvamento com cães, que tem a particularidade de treinar os cães desde muito novos a habituarem-se a estarem à vontade com os helicópteros, por isso é normal vê-los na base de Baldonnel, na placa, treinando dentro e fora dos helicópteros, com o motor a trabalhar e as pás a rodarem.
A evacuação de doentes totalizava de 1963 a 1993, 2300 missões, sendo a missão “ambulância aérea” no HF de dois tipos: “Espinal” (transporte/evacuação com equipe médica especializada de doentes/feridos com lesões na coluna vertebral) e GP (general purpose – todos os outros tipos). Neste último caso, GP, vai desde o transporte para hospital de vítimas de acidentes de viação, queimados, bebés prematuros em incubadoras, transporte de órgãos para transplante, passando também habituais partos a bordo!

 No lago Glendalough, durante um treino.

Missões das mais difíceis e perigosas até às mais ridículas e hilariantes, a vida operacional dos Alouette III do IAC espelha bem a vasta panóplia de “sarilhos” em que os Alouette se vêem metidos, aqui como um pouco por todo o mundo. No Helicopter Flight diz-se que o Alouette III está tão à vontade em missões de SAR à frota de pesca próxima, como está em missões SAR nas montanhas.
Em diversas ocasiões foi a linha condutora entre as populações isoladas nas ilhas ou nas montanhas, transportando bens essenciais como a comida e medicamentos. Num nevão em particular, os Alouette e Puma do HF executaram num período de 10 dias, 148 missões, em que salvaram 98 pessoas (se não contarmos um largo número de carneiros e vacas!).

Ao longo dos anos iniciais foram também requisitados para o transporte de altas individualidades, membros do governo e das forças armadas, membros do clero, normalmente altura em que as tripulações, ao contrário do que é habitual, gastam fortunas em cortes de cabelo e graxa para os sapatos...

A especificidade e flexibilidade dos helicópteros leva a que a formação de pilotos, em terra e no ar, seja exigente e intensiva e também, reflexo das variadas missões que são capazes de executar. Os primeiros pilotos foram formados pelos pilotos de teste e desenvolvimento do fabricante, com o decorrer do tempo, foi-se estabelecendo um conjunto de relações com outras forças aéreas utilizadoras do Alouette III, dessa forma trocando informação e experiências que permitiram ao IAC desenvolver o curriculum e método de treino autónomo, em especial para as missões SAR.
A partir de 1980 o treino de pilotagem passou a contar com outra aeronave, o SA342L Gazelle, que valorizou em muito a qualidade dos pilotos que do Gazelle transitam para o Dauphin, que desempenha a missão SAR 24 sobre 24 horas.
Actualmente a formação básica inclui um tirocínio onde é ministrado um conjunto de missões, desde a adaptação ao Alouette III, a toda a tipologia de missões básicas executadas pelo HF, sendo depois os pilotos encaminhados para o Dauphin. Como é natural, os helicópteros tem um esforço acrescido, não só pelo normal desenrolar das diversas missões operacionais em que vêem envolvidos, como tem ainda de aturar todas as formas de abuso que se possam imaginar dos pilotos em instrução, prova disso, uma interminável colecção de rotores de cauda danificados durante as fases de auto-rotação de cada curso de qualificação.

Em meados dos anos 80, um Alouette III integrando um exercício com o exército.

Com uma média de 8000 horas de voo por ano (1993), a  manutenção dos Alouette irlandeses tem sido feita desde o início pelos técnicos do próprio IAC, excepto as Grand Visite (em França). Inicialmente formados pela Aérospatiale, todos os técnicos a partir de então foram formados internamente. Sendo, na opinião de todos, o Alouette a melhor escolha que alguma vez poderiam ter feito, pela sua fiabilidade, certo é, que como em qualquer outro equipamento, as peças móveis dão algumas dores de cabeça, pois quando resolvem dar problemas nem sempre é nos locais mais convenientes, nem nas alturas do ano mais agradáveis. Como se não bastassem as avarias ocasionadas pelos pilotos alunos, os condutores de ambulâncias, ansiosos por levar até ao helicóptero os doentes que transportam, deram cabo de umas quantas pás...

Os Alouette III do Irish Air Corps, em trinta anos mantiveram um recorde impecável no que diz respeito à segurança de voo, com apenas dois acidentes, em ambos os casos as aeronaves foram reparadas e continuam no activo até aos dias de hoje. Justificando esta proficiência está o elevado nível de profissionalismo dos seus pilotos e técnicos, baseados também numa formidável relação entre eles.

Pouco ou nada se sabe da operação de Alouette III por empresas civis na Irlanda. Ao que foi possível apurar, a empresa Irish Helicopters Ltd. operou entre 1970 e 1974 dois aparelhos.


  Emissão especial do cartão telefónico “Callcard”, alusivo 
aos 30 anos da operação do Alouette III pelo IAC.

  Patch dos 44 anos de operação do Alouette III pelo Irish Air Corps.

Por do sol sobre o Alouette III...



Rui “A-7” Ferreira
Entusiasta de Aviação

Nota – O autor não escreve segundo o actual acordo ortográfico.


Agradecimentos: Phillip Camp.



Baldonnel 1980




RAF Cottesmore IAT 2001





quinta-feira, 5 de setembro de 2019

KOALA INICIA ACTIVIDADE OPERACIONAL [M2059 - 46/2019]

Os AW119 Koala são operados pela Esquadra 552 da Força Aérea Portuguesa

A Força Aérea Portuguesa anunciou hoje que os novos helicópteros AW119 Koala estão já a realizar missões operacionais.

Na página da rede social Facebook, a FAP informou que os helicópteros que chegaram em Fevereiro de 2019, para substituir a frota Alouette III em fim de vida, se encontra a desempenhar "missões de reconhecimento e avaliação de fogos rurais no Norte do País, com a GNR - Guarda Nacional Republicana."  até ao próximo Domingo.

Apesar de não estarem ainda totalmente operacionais, e estando desde Fevereiro em qualificação de tripulações nas diversas actividades que deverá desempenhar, os Koala começam já a aliviar as missões da reduzida frota Alouette III, que está prevista ser totalmente retirada de serviço até ao fim do primeiro trimestre de 2020.

Entretanto, mais dois novos Koala deverão chegar à Esquadra 552 durante o mês de Setembro de 2019, enquanto o quinto e último da nova frota, apenas chegará no início de 2020.



quarta-feira, 4 de setembro de 2019

FORÇA AÉREA BRASILEIRA RECEBE PRIMEIRO KC-390 [M2058 - 45/2019]

O "baptismo" do primeiro KC-390 na aterragem em Anápolis


Hoje 4 de Setembro de 2019, teve lugar na base aérea de Anápolis, estado de Goiás, Brasil, a cerimónia oficial de recepção do primeiro Embraer KC-390, da à Força Aérea Brasileira (FAB).



A cerimónia foi presidida por Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, na qual participaram também o ministro da Defesa e o Comandante de Aeronáutica, entre muitas outras individualidades civis e militares.

Dois F-5M realizaram guarda de honra ao KC-390 antes da aterragem em Anápolis.



A aeronave hoje entregue, com a matrícula 2853, é a primeira de um total de 28 encomendadas pela FAB.


Portugal é até ao momento o único comprador estrangeiro do KC-390, tendo assinado recentemente o contrato para a aquisição de cinco aeronaves, com opção de mais uma, com o início de entregas previsto para 2023.


O Embraer KC-390 conta com substancial participação da indústria aeronáutica portuguesa, tanto a nível de projecto, como de fabrico de componentes, principalmente na OGMA e nas instalações da Embraer em Évora.



Agradecimentos: Diego Alves/CAVOK Brasil
Imagens: FAB


segunda-feira, 2 de setembro de 2019

P-3 DA FAP TERMINA MISSÃO NO MEDITERRÂNEO [M2057 - 44/2019]

O P-3C CUP+ Orion da Esquadra 601 em Sigonella, Itália

A Força Aérea Portuguesa teve um P-3C CUP+ Orion  empenhado no patrulhamento marítimo do Mediterrâneo, entre 29 de Julho e 29 de Agosto de 2019.
O destacamento em Sigonella, Itália, constituído pro 35 militares da Esquadra 601 - Lobos, integrado na Operação Sophia, da European Union Naval Force Mediterranean (EUNAVFOR MED), teve como objectivo primário o combate às redes de introdução clandestina de migrantes e de tráfico de pessoas, para acabar com a tragédia humana vivida nas águas do Mediterrâneo Central.

O P-3 n/c 14809 ao lado de um CN235 de busca e salvamento em Sigonella

Enquanto tarefa adicional, o patrulhamento dos "Lobos" contribuiu ainda para a implementação do embargo de armas e colecta de informação acerca do contrabando de petróleo exportado ilegalmente, conforme previsto em resoluções do Concelho de Segurança das Nações Unidas, que mereceu elogios por parte do Comandante do “Force Head Quarter”.


Tipicamente, o dia começou pelas três horas da madrugada, a aprontar a aeronave para voo. Destas tarefas faz parte a rigorosa inspeção da balsa salva-vidas que poderá ser largada sobre o mar, para auxílio de náufragos, assegurando a sua sobrevivência até chegada de meios de socorro.




No final do dia, após voos a baixa altitude sobre o mar, a aeronave portuguesa carece de cuidados especiais e os militares da manutenção dão, literalmente, banho aos motores, removendo resíduos de sal que poderiam acelerar a degradação deste precioso meio aéreo da Força Aérea Portuguesa.



No total do destacamento, foram voadas 83h30m repartidas por 13 voos de vigilância, além de 11h40m em voos de ligação.





A Esquadra 601 realizará novo destacamento no Mediterrâneo a partir de meados de Setembro, desta vez integrada na Operação Sea Guardian da NATO.



Fotos: EMGFA/Esq.601

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