terça-feira, 25 de março de 2014

AINDA O "PORTA-AVIÕES" IRANIANO (M1494 - 107PM/2014)

Imagem do modelo do porta-aviões em construção no Irão       Foto:Autor desconhecido

Após a revelação pelo New York Times de que o Irão está a construir uma réplica a 2/3 do tamanho, de um porta-aviões americano da classe Nimitz, surgiu na imprensa persa a explicação de que o mesmo se destina à realização de um filme sobre um avião de linha aérea iraniano, alegadamente abatido por um navio americano em 1988.

Mas os custos da construção de tão grande modelo fazem suspeitar que o uso seja apenas esse. É pelo menos essa a opinião de Christopher Harmer do Instituto de Estudos de Guerra, EUA. "Só faz sentido construir um modelo deste tamanho, para um filme que seja um sucesso comercial de primeira grandeza". Harmer admite contudo que o filme possa ser para fins de propaganda do estilo dos épicos Nazis do fim da II Guerra Mundial: "seria um desperdício de dinheiro absurdo, mas é possível que os iranianos sejam assim tão estúpidos".

Já a hipótese de que a réplica possa servir para o treino de técnicas de ataque massivo em "enxame". Depois de perder várias batalhas com a Marinha dos EUA na década de 80, os iranianos perceberam que não poderiam derrotar os americanos em luta convencional, pelo que adotaram táticas tipo kamikaze, em que centenas de pequenas embarcações armados com lançadores de foguetes ou metralhadoras lançariam ataques suicidas contra navios de guerra americanos.

"Para tal precisariam de um grande navio, mais ou menos parecido com um porta-aviões, paar poder treinar o ataque e achara as suas vulnerabilidades" disse Harmer.

Apesar do tema já ter chegado a altas instâncias políticas e militares nos EUA,as teorias para a sua explicação, soam tão estranhas tal como o facto em si é bizarro.

Outra possível explicação será o treino de disparo de mísseis, mas na verdade é que no Ocidente se sabe com muito pouca certeza para que está em construção em Bandar Abbas, perto do Estreito de Ormuz,  um modelo dum porta-aviões americano.

 



COREIA DO SUL ESCOLHE F-35 (M1493 - 106PM/2014)

Lockheed Martin F-35A Lightning II

A República da Coreia do Sul anunciou formalmente a decisão de escolher o Lockheed Martin F-35 Lightning II para o seu programa de aquisição F-X.

"Sentimo-nos honrados e gostamos da confiança que a República da Coeria depositou no caça de 5ª Geração F-35, para corresponder às suas exigências de segurança. Estamos ansiosos por colaborar na discussão entre os governos da República da Coreia e EUA, para obter um acordo final durante este ano" disse Orlando Carvalho, vice-presidente executivo da Lockheed Martin Aeronautics. "Esta decisão reforça e estende a nossa colaboração de longa data, ao mesmo tempo que reforça a estabilidade através do teatro da Pacifico- Asiático".

No seguimento de um processo de avaliação exaustivo para o programa F-X, a República da Coreia torna-se o terceiro país a adquirir o F-35 através das Foreign Military Sales dos EUA, depois do Japão e Israel.

A encomenda preliminar da Coreia do Sul inclui 40 unidades F-35A (de descolagem e aterragem convencionais), com entrega prevista a partir de 2018.

A escolha do F-35 em detrimento do F-15SE, não está isenta de polémica, já que a Boeing se queixa de ter sido a única a apresentar uma proposta dentro das especificações do anterior concurso F-X, anulado em setembro de 2013.

A decisão pela escolha do F-35 para substituir as envelhecidas frotas F-4 e F-5 parece agora ser final e as negociações entre EUA e Coreia do Sul irão definir preços e especificações técnicas das aeronaves, a construir em Fort Worth.



segunda-feira, 24 de março de 2014

LUZ VERDE PARA NOVA MISSÃO NO BÁLTICO (M1492 - 28AL/2014)

 F-16AM

O Conselho Superior de Defesa Nacional (CSDN) deu, esta segunda-feira, parecer favorável a uma missão de patrulhamento do espaço aéreo dos países bálticos pela Força Aérea.
A missão de quatro meses ficará sedeada na Lituânia, deverá realizar-se no Outono e envolverá o emprego de seis caças F-16 e 70 efetivos da Força Aérea.


Esta missão, que se realiza sob a bandeira da NATO e já foi assumida em 2007 por Portugal, é anunciada numa altura de crescente tensão entre os aliados e a Rússia por causa da Ucrânia.


O CSDN também deu parecer favorável à proposta do Governo relativa a novos destacamentos das Forças Armadas" no exterior ao longo de 2014: uma missão de um mês na República Centro Africana, com um avião C-130 e 47 militares (a sedear no Gabão), e outra de apoio às operações de segurança no Mediterrâneo para neutralizar as armas químicas da Síria (esta com um avião P-3C e 22 militares).


Haverá ainda um reforço de cinco militares portugueses na missão de treino da UE no Mali e a redução de 60 efetivos no Afeganistão.



Fonte: DN 

EMPRESAS DE DEFESA DO ESTADO CUSTAM MAIS 39 MILHÕES (M1491 - 105PM/2013)

AgustaWestland EH101 Merlin

Em 2012, o Tribunal de Contas recomendou ao governo que ponderasse o fim das duas empresas de locação do sector: a Defloc e Defaerloc

A Defloc - Locação de Equipamentos de Defesa e a Defaerloc - Locação de Aeronaves Militares, duas empresas cuja extinção já foi recomendada pelo Tribunal de Contas, vão custar mais 39 milhões de euros aos contribuintes no próximo ano. De acordo com a proposta de Orçamento do Estado para 2014, estas duas empresas públicas da área da Defesa, que integravam a holding Empordef, foram reclassificadas e passaram para a esfera orçamental do ministério. A justificação dada no relatório do OE/2104 é que pretendem "conferir um enquadramento mais adequado às actividades por elas desenvolvidas."

Numa auditoria à "Empordef/Defloc: Helicópteros EH101", divulgada em Julho de 2012, o Tribunal de Contas chegou a recomendar aos ministros das Finanças e da Defesa que ponderassem "o interesse da subsistência de diversas entidades instrumentais utilizadas para a aquisição e manutenção de equipamentos militares (Defloc e outras sociedades-veículo integradas no grupo Empordef), que sendo detentoras de activos não exercem qualquer controlo efectivo, quer do seu uso, quer dos riscos e vantagens dos mesmos." Uma proposta que não foi acolhida.

A Defloc foi criada em Setembro de 2001 como "uma sociedade instrumental para a concretização de um único contrato": a compra de 12 helicópteros EH101 para substituir a frota de aparelhos PUMA, por um valor inicial de 326,5 milhões de euros. Em Dezembro desse ano, foi celebrado entre o Estado Português, a Defloc e a EH Industries, Ltd., um contrato para o fornecimento de 12 helicópteros EH101.

Dois deles foram adquiridos pelo Estado por cerca de 67 milhões. Os restantes 10 foram objecto de contrato de locação operacional entre o Estado Português e a Defloc, por um período de 15 anos, com início em 29 de Junho de 2006 (data de entrega do último helicóptero) e pagamentos de alugueres semestrais até 2020, que representam um encargo total de 392 milhões.

Esta empresa acabou por ceder os créditos de locação ao BPI e à CGD (este último também accionista da Defloc) a quem o Estado pagará os alugueres semestrais.

De acordo com o modelo de financiamento aprovado, a empresa passaria a assegurar apenas a manutenção dos helicópteros, podendo subcontratar esta responsabilidade, o que veio a acontecer.
O objectivo deste modelo era "ultrapassar as restrições orçamentais".

Em sede de contraditório, o ministro da Defesa informou os juízes do TC que tinha ordenado "a realização de um inquérito, pela Inspecção-Geral da Defesa Nacional, destinado ao apuramento dos factos" apurados na auditoria, nomeadamente "facturação duplicada e omitida à secretaria-geral do Ministério da Defesa."

Este relatório surge depois do TC ter feito outra auditoria à "Empordef/Defaerloc: aeronaves C295M", divulgada em Outubro de 2011, e cujas conclusões já iam no mesmo sentido. A Defaerloc foi constituída em Janeiro de 2006 com o objecto de "locação de aeronaves militares e prestação de serviços aeronáuticos". O principal objectivo da empresa já estava definido meses antes: adquirir 12 aeronaves C295M até ao montante de 356,8 milhões de euros, através do recurso a locação financeira por um período de 15 anos.

A Empordef, mandatada para a condução do processo de contratação de financiamento, acabou por assinar um contrato de cessão de créditos com um sindicato bancário constituído pela Caixa - Banco de Investimentos, Barclays Bank e CGD, para pagar à empresa que tinha ganho o concurso público - a EADS Construcciones Aeronauticas (EADS-CASA) - por 275 milhões de euros.

Acréscimo de custos de 115 milhões 

Os juízes do TC concluíram que "o deslizar do calendário de entregas e consequente pagamento das aeronaves conduziu à necessidade de se obter financiamento para um período adicional de 15 meses." Com consequências bem gravosas para o erário público: "Face ao preço das aeronaves, a estimativa inicial de rendas a pagar (303 milhões) representava um acréscimo de custos de 28 milhões (+10%). Os valores agora apurados, decorrentes da alteração contratual (390 milhões), representam um acréscimo de custos de 115 milhões (mais 42%), ou seja, o equivalente ao preço de mais 5 aeronaves".

O relatório de auditoria fazia ainda referência ao facto do Estado, "como já alertado pelo TC, tem vindo a constituir sociedades de capitais exclusivamente públicos, com as quais tem celebrado contratos de locação de equipamento militar, que cedem à banca os créditos emergentes daqueles contratos, obrigando-se o Estado a pagar directamente aos bancos as respectivas rendas." "Além dos importantes custos de financiamento, o Estado assume ainda todas as responsabilidades e riscos inerentes à propriedade dos equipamentos pelo que, partindo de uma locação operacional, acaba por adquirir uma posição contratual em tudo semelhante à de mero mutuário.", defendiam os juízes do TC, para recomendar, já na altura, que os ministros das Finanças e da Defesa ponderassem "o interesse na manutenção do actual quadro institucional, que serviu de suporte à aquisição e manutenção de equipamentos militares."

O i questionou o gabinete do ministro da Defesa sobre as razões que o levaram a não acolher as recomendações do TC e quais foram as conclusões do inquérito realizado pela Inspecção-Geral do Ministério, mas até à hora de fecho desta edição não recebeu nenhuma resposta.

Fonte: Jornal i

NOVAS REGRAS PARA ABATE DE AERONAVES DURANTE CAMPEONATO DO MUNDO DE FUTEBOL (M1490 - 104PM/2013)

F-5EM da Força Aérea Brasileira em configuração de defesa aérea

A Força Aérea Brasileira (FAB) pediu ao Ministério da Defesa que o decreto que permite o abate de aeronaves em rotas de narcotráfico seja modificado para permitir que essa ação de defesa aérea possa ser aplicada durante ao Campeonato do Mundo de futebol, nas sedes da competição.

A mudança faz parte do planeamento do governo brasileiro para a realização do Mundial e está a ser estudada pelo Ministério da Defesa, disse o major brigadeiro do ar António Carlos Egito na sexta-feira, 21 de março .

Segundo o mesmo, o pedido da FAB é para que sejam alterados três trechos do decreto presidencial.

Há pormenores que "limitam o tiro de detenção", disse Egito. "(O tiro) não pode ser feito em áreas densamente povoadas, ele pressupõe que a aeronave está a ser utilizada em rotas de tráfico de entorpecentes, drogas e afins e a outra limitação é a que especifica que o tiro de detenção deva ser realizado por piloto devidamente capacitado, o que exclui a artilharia antiaérea", listou o brigadeiro.

A regra atual é de 2004 e foi aprovada para reforçar o controlo do espaço aéreo na fronteira e ampliar o combate ao tráfico de drogas.

Além dessa mudança legal, o Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (Comdabra) apresentou nesta sexta o planeamento para o controlo do espaço aéreo durante a Copa do Mundo, que limitará a operação de pelo menos oito aeroportos nos dias de jogos.

Os aeroportos da Pampulha (MG), Curitiba (PR), Cuiabá (MT), Fortaleza (CE), Manaus (AM), Recife (PE), Santos Dumont (RJ) e Salvador (BA) não terão aterragens durante os dias de jogos por um período que varia entre 4 horas e 5 horas durante a primeira e a segunda fases do Campeonato do Mundo. Nesses aeroportos não haverá restrições para descolagens.

No dia do encerramento da competição, no Rio de Janeiro, a restrição será maior, no total de sete horas.

Em Natal (RN), caso o novo aeroporto de São Gonçalo do Amarante esteja em operação, haverá restrições para descolagens nos dias dos jogos. Nos demais terminais do país não haverá restrições, que foram determinadas com base na distância entre os terminais e os estádios.

Apesar das limitações, a FAB e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) garantiram que não haverá transtornos para os usuários, porque durante o Campeonato do Mundo estará em operação uma nova malha aérea, que já leva em conta essas restrições de tráfego aéreo.

Fonte: Reuters Brasil
Adaptação: Pássaro de Ferro

domingo, 23 de março de 2014

F-16 TURCOS ABATEM MIG-23 SÍRIO (M1489 - 103PM/2014)

F-16 turcos com configuração ar-ar de armamento    Foto: FA Turca

Hoje 23 de  março de 2014 ao fim da manhã, a Força Aérea Turca abateu um caço sírio na região de fronteira de Kassab, no noroeste do país. 

Segundo o comunicado das Forças Armadas turcas, dois aviões de combate sírios foram detetados pelos radares turcos enquanto voavam em direção à fronteira coma Turquia. Depois de receberem um aviso, um dos aparelhos inverteu a rota, enquanto o segundo prosseguiu. Foram então enviados F-16 para neutralizar o caça com mísseis ar-ar, quando este entrou em espaço aéreo turco. Segundo a imprensa turca tratava-se de um aparelho de fabrico soviético MiG-23.

Erdogan, Primeiro-ministro turco atualmente em campanha política, afirmou que "a resposta será forte se alguém violar o nosso espaço aéreo", em discurso aos seus partidários.

De acordo com várias fontes sírias locais, o piloto do MiG-23 logrou ejetar-se, ao contrário das afirmações turcas, tendo-se despenhado a aeronave em território sírio. 
Ao que consta, a parelha de MiG-23 encontrava-se numa missão de ataque ao solo, em apoio às forças leais ao presidente Bashar Al-Assad, contra as forças rebeldes, em luta pelo posto de controlo fronteiriço de Kassab. 

Damasco já reagiu e considera a ação dos F-16 turcos como uma "agressão flagrante", denunciando o apoio aos "grupos de terroristas".

Desde que um F-4 Phantom II turco foi abatido em 2012 por forças sírias, que a Turquia adotou uma política de intransigência relativamente a aeronaves sírias, tendo abatido já em setembro passado um helicóptero também em região fronteiriça.

Fonte: DefensAero
Tradução. Pássaro de Ferro



sábado, 22 de março de 2014

PRIMEIRO M-346 ISRAELITA (M1488 - 102PM/2013)

Primeiro M-346 israelita        Foto. Alenia Aermacchi

A primeira aeronave de treinamento avançado M-346 para a Força Aérea e Espacial de Israel foi apresentada em cerimónia  realizada na fábrica da Alenia Aermacchi, em Venegono Superiore , Itália a 20 de março de 2014.

Em julho de 2012 , a Alenia Aermacchi, uma empresa do Grupo Finmeccanica,  recebeu o contrato do Ministério de Defesa de Israel (IMOD) para fornecer 30 aeronaves de treino avançado a  jato M-346, que irão substituir o Skyhawk AT-4 atualmente em operação pela IAF e inclui ainda sistemas de formação no solo, em colaboração com outras empresas israelitas e internacionais.

A cerimonia de apresentação teve a participação de funcionários do Ministério  de Defesa de Israel, da Força Aérea de Israel, os principais representantes institucionais italianos, bem como representantes da Alenia Aermacchi e outros parceiros industriais.

O primeiro M-346 israelita na cerimónia de apresentação       Foto: Alenia Aermacchi

Este momento é particularmente importante para a Alenia Aermacchi que, em menos de dois anos, assinou contrato e realizou o roll-out do primeiro avião israelita: um resultado que marca o excelente trabalho de equipa conseguido em estreita colaboração com os parceiros da  Alenia Aermacchi, TOR e Honeywell.

O M-346 também foi recentemente encomendado pela Polónia, que se torna o quarto cliente da aeronave depois da Itália, Singapura e Israel. Um total de 56 M-346 foram encomendados até agora. O avião já está em serviço nas Forças Aéreas de Itália e Singapura.

A entrega do primeiro M-346 à Força Aérea de Israel está prevista para o verão de 2014.

Fonte: Alenia Aermacchi
Adaptação: Pássaro de Ferro


ALODANDO NO COMO (M1487 - 101PM/2013)

O DO-27 n/c 3459  que viria a acidentar-se na ilha do Como

Na manhã do dia 17 de Novembro de 1973 o Centro de Operações do GO1201 (Grupo Operacional 1201), na BA12, recebe um pedido de evacuação, vindo de Catió, tendo de imediato destacado um DO-27 para efectuar essa missão. A equipa de alerta era constituída pelo Fur. Ivo Mota, da Esq. 121, e pela Enfermeira Paraquedista Giselda Antunes e a eles se juntou a Enfermeira Paraquedista Natália Santos, acabada de chegar à Guiné e que, por ser "pira", acompanhava as "veteranas" nas evacuações, para "ganhar calo".

Estava-se já na época pós-Strela, que tinha trazido diversas restrições à navegação aérea. Entre a opção de subir para 10.000' (pés), descendo depois à vertical do destino, o piloto optou pela outra opção possível, que era a de efectuar todo o voo a baixa altitude (50' a 100' sobre o terreno - o correspondente a 15 a 35 metros).
Para evitar zonas mais perigosas o Fur. Mota decidiu então seguir ao longo da linha de costa, sobre a água, contornar a ilha de Como (refúgio do PAIGC), subir o rio Cumbijã e, atingido Cufar, dirigir-se em linha recta para Catió.

O voo decorria normalmente a baixa altitude; à passagem por Bolama tiveram a oportunidade de ver o navio que fazia o transporte de víveres e material, que se dirigia para sul. O DO-27 não parecia ressentir-se de qualquer problema resultante do incidente da véspera. O avião sofrera um choque com um pássaro que lhe tinha acertado no hélice, mas a inspecção feita ao avião no intervalo dos dois voos não tinha detectado qualquer anomalia.

O DO-27 no lodo do Como    Foto: Col. Cor. Miguel Pessoa

Quando sobrevoavam os tarrafos ao lado da ilha de Como, o avião resolveu "apagar-se" - o motor parou repentinamente, obrigando o piloto a uma reacção rápida para preparar uma aterragem de emergência. Dada a baixa altitude a que seguiam, a única solução era "poisar o estojo" na direcção em que seguiam, em pleno tarrafo, o que o piloto fez - diga-se - com bastante êxito, pois o avião ficou atolado no lodo, mais ou menos direito, tendo os ocupantes saído ilesos desta aterragem (ou mais propriamente "alodagem"). Quem esteve na Guiné sabe bem as diferenças no contorno das margens (no mar ou nos rios) entre a maré cheia e a maré vazia. Neste caso era hora da maré baixa e a água, tendo descido, deixara o tarrafo coberto de uma espessa camada de lodo.

Foto: Col. Cor. Miguel Pessoa

Rapidamente, os ocupantes abandonaram o avião procurando, atascados no lodo, alcançar uma zona de águas mais profundas, onde pudessem, mergulhados, ficar menos expostos a olhares da margem e ser eventualmente "pescados" pelo navio que pouco antes tinham visto a navegar naquela direcção.
Claro que a aproximação do navio por que tinham passado e o facto de saberem que a Base detectaria a sua ausência lhes transmitia algum optimismo. Nem por isso deixava a Giselda de empurrar a “pira” Natália para dentro de água quando ela, ainda inexperiente e não se apercebendo da gravidade da situação, se tentava levantar para ver melhor à volta... Tentavam os dois não dar a entender à “periquita” o perigo que todos corriam, pois não ganhavam nada em pô-la ainda mais nervosa.

O piloto tinha decidido entretanto regressar ao avião para recolher a arma que o DO-27 transportava dentro de uma caixa que servia de banco ao pessoal que era transportado na parte de trás. Dada a dificuldade de progressão, a Giselda teve que o acompanhar para o ajudar, pois ele já evidenciava algumas dificuldades em regressar ao local em que tinham deixado a Natália.
Ter-se-iam passado duas horas desde a aterragem forçada no local quando começaram a ouvir o barulho de um motor. Detectaram então uma embarcação do tipo Zebro que se aproximava do local, atraída pela silhueta do DO-27 atolado. Desconfiados, continuaram metidos na água pois a distância não permitia uma identificação eficaz do pessoal que se aproximava. Sofreram uma grande desilusão quando viram o zebro afastar-se da margem. Passados uns largos minutos ouviram novamente o barulho do motor. Com o regresso do zebro, chegando agora a uma distância mais curta, puderam verificar que os tripulantes eram brancos, o que os levou a chamar a sua atenção. Rapidamente foram recolhidos e levados para o navio de guerra a que o zebro pertencia e que se aproximara entretanto do local.

Na BA12, entretanto, alertados pela falta de reportes do DO-27, tinham mandado descolar um Fiat G.91 que, seguindo o percurso mais provável voado pelo DO veio rapidamente a localizá-lo no tarrafo. Imediatamente a Força Aérea pediu a colaboração da Armada, que deslocou uma segunda embarcação para o local.
Terá então havido aqui alguma falta de comunicação pois o segundo navio atarefava-se na busca do piloto no local quando este já se encontrava no primeiro navio. Mas mais vale a mais do que a menos...

As tentativas de recuperação na maré cheia    Foto: Col. Cor. Miguel Pessoa


Foto: Col. Cor. Miguel Pessoa

Foto: Col. Cor. Miguel Pessoa

O facto é que, depois de recuperada pela Armada, mesmo sem dispor de material (perdido no acidente) a enfermeira Giselda ainda foi fazer a evacuação a Catió, num outro avião entretanto disponibilizado, que "serviço é serviço"... Não tendo comido nada durante todo o dia, acabou por ser salva por umas castanhas que transportava no camuflado e que tinham resistido ao banho…
No dia seguinte, uma LDG da Armada iniciou os trabalhos de recuperação do avião, aproveitando a fase da maré alta, que permitiu a aproximação ao local. A elevação do avião com a grua infelizmente não correu tão bem como se pretendia. Na primeira tentativa o DO acabou por cair novamente na água, ficando ainda mais danificado... Provavelmente foram maiores os estragos nessa altura do que na altura da queda! Não foi no entanto importante, pois o destino dele seria sempre a sucata. A deformação da estrutura e a corrosão da água do mar tinham provocado danos irreparáveis no avião.


 
Os estragos visíveis após a recuperação do avião       Foto: Col. Cor. Miguel Pessoa
Foto: Col. Cor. Miguel Pessoa

Podemos imaginar que o fim feliz deste acontecimento se deveu a um conjunto de factores favoráveis que podiam muito bem não ter acontecido:
-O facto de o avião voar bastante baixo, não sendo observável das tabancas existentes;
-A aproximação final do avião ao ponto de queda com o motor parado, não tendo, pelo seu silêncio, alertado ninguém próximo (detectou-se depois uma tabanca com população presumivelmente hostil a cerca de 700 metros);
-A existência de um navio da Armada, em missão de vigilância próximo do local, o que permitiu a rápida recuperação dos ocupantes do DO-27.



NOTA: Este episódio fará parte de um livro em elaboração sobre a actuação das Enfermeiras Pára-quedistas nas guerras de África

Texto: Giselda Antunes e Miguel Pessoa (piloto do Fiat G.91 que localizou o DO-27 acidentado)

FORÇAS RUSSAS INVADEM BASE AÉREA NA CRIMEIA (M1486 - 101PM/2013)

Base Aérea de Belbek na Crimeia        Imagem: Google Earth

Tropas russas cercaram uma base aérea ucraniana na Crimeia na manhã de hoje, tendo emitido um ultimato às forças locais, exigindo a rendição, divulgou o vice-comandante da base em Belbek, perto de Sebastopol: "As tropas russas no nosso aeroporto deram-nos uma hora para uma rendição ou eles vão começar a atacar. Não vamos a lugar nenhum, vamos ver que tipo de ataque é este", disse Oleg Podovalov à Reuters.

Entretanto e no desenrolar dos acontecimentos, o comandante da base aérea Belbek disse já que iria ser levado pelas forças russas para negociações, depois destas terem entrado na base com veículos blindados e armas automáticas.

Um ucraniano foi ferido na tomada da base, que era uma das últimas instalações militares na Crimeia ainda sob o controle da Ucrânia, segundo o coronel Ucraniano Juliy Mamchur revelou à Reuters.

Perguntado se achava que iria retornar com segurança das negociações em um local não especificado, o comandante disse: "Vamos esperar para ver. Por agora, estamos a concentrar todas as nossas armas no armazenamento da base".

Fonte: Reuters Brasil
Adaptação: Pássaro de Ferro

PORTA-AVIÕES IRANIANO?! (M1485 - 100PM/2013)

Imagem satélite do "porta-aviões" iraniano em cosntrução     Foto: Digital Globe

O Irão está a construir uma cópia do porta-aviões americano USS Nimitz (CVN-68), segundo relata o canal de televisão CNN.

Os serviços de informação dos EUA conseguiram tirar fotos do navio a partir de satélite, que revelam que o pretenso navio possui apenas 2/3 do tamanho real e tem já aviões a bordo ainda em doca seca, o que seria totalmente despropositado num porta-aviões real.

Washington acredita por isso que o objetivo será construir um modelo em tamanho (quase) natural e explodi-lo, transmitindo isso num canal de televisão nacional para fins de propaganda, à semelhança de ações idênticas  no passado.

Uma das mais famosas manobras de propaganda dos últimos tempos, foi quando regime de Teerão divulgou com pompa e circunstância a apresentação do primeiro caça furtivo fabricado no país, que contudo se verificou  não passar de um embuste.

Fonte: Voz da Rússia
Adaptação : Pássaro de Ferro

ARTIGOS MAIS VISUALIZADOS

CRÉDITOS

Os textos publicados no Pássaro de Ferro são da autoria e responsabilidade dos seus autores/colaboradores, salvo indicação em contrário.
Só poderão ser usados mediante autorização expressa dos autores e/ou dos administradores.

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Laundry Detergent Coupons
>