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sexta-feira, 20 de dezembro de 2024

KC-390 e EH101 EM TESTES DE GUERRA ELETRÓNICA [M2573 - 97/2024]

KC-390 em largada de flares     Foto: FAP
 
A Força Aérea Portuguesa (FAP) divulgou em nota de imprensa a realização de um exercício de teste aos sistemas de guerra eletrónica das aeronaves KC-390 Millennium e EH101 Merlin.

Largada de flares pelo KC-390 vista do NRP D. Francisco de Almeida     Foto: Marinha
As operações foram realizadas sobre o mar, ao largo da costa vicentina (segundo foi possível observar nos registos do radar virtual ADSB Exchange) nos dias 17 e 18 de dezembro e envolveram ainda a Marinha Portuguesa.

Rota do KC-390 n/c 26901 captado no ADSB Exchange no dia 17 de dezembro

No caso em particular do avião KC-390 da Esquadra 506 - Rinocerontes, tratou-se do passo inicial na validação das capacidades dos sistemas de guerra eletrónica, por se tratar de uma aeronave e equipamentos ainda novos. 

EH101 Merlin da Esquadra 751 em largada de flares    Foto: FAP

Os testes incluíram a largada de contramedidas de autodefesa, denominadas chaffs (partículas metálicas) e flares (engodo luminoso), em contexto de exercício, bem como os processos de interoperabilidade entre as forças presentes, permitindo treinar as tripulações nesta capacidade, recriando cenários exigentes e complexos.


Merlin visto da fragata NRP D. Francisco de Almeida  Foto: Marinha

Idem    Foto: FAP


O exercício contou, tal como referido, com o apoio da Marinha, através da fragata NRP D. Francisco de Almeida, onde seguiram embarcados elementos da Força Aérea. Durante o exercício foi possível ainda treinar procedimentos de uma operação de busca e salvamento, com militares a serem resgatados da fragata da Marinha pela tripulação do helicóptero EH101 Merlin da Esquadra 751 - Pumas.


Treino de Busca e Salvamento pelo EH101 Merlin da Esq. 751 com a NRP D. Francisco de Almeida        Fotos: FAP

Além da participação da Esquadra 506 e da Esquadra 751, o Centro de Guerra Eletrónica da Força Aérea também esteve envolvido no apoio direto às atividades, tanto em voo como a bordo da fragata NRP D. Francisco de Almeida.





terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

SUCEDEM-SE AS OPERAÇÕES DE COMBATE AO NARCOTRÁFICO [M2375 - 07/2023]

Imagem de uma das lanchas, captada pelo sensor da aeronave de patrulhamento da Força Aérea   Foto: FAP
Na sequência de uma monitorização aérea efetuada por uma aeronave da Força Aérea na madrugada de hoje 7 de Fevereiro de 2023, em águas internacionais ao largo da costa Sul de Portugal Continental, foram localizadas sete embarcações de alta velocidade suspeitas de transporte ilícito de estupefacientes por via marítima. Foi então desencadeada uma operação conjunta, articulada entre o Comando Regional da Policia Marítima do Sul e a Marinha, com ativação de embarcações das mesmas entidades.

Segundo revelou a Marinha, deu-se imediatamente início a uma perseguição e tentativa de abordagem às embarcações suspeitas, com o apoio do meio aéreo, tendo sido possível intercetar duas embarcações de alta velocidade, com dezenas de bidões de combustível a bordo, que foram prontamente apreendidas. Após a abordagem, foram detidos três homens, com idades compreendidas entre os 40 e os 60 anos, por fortes suspeitas da prática do crime de tráfico ilícito de estupefacientes.

Os fardos de haxixe recolhidos do mar pela Marinha      Foto: Marinha Portuguesa

No decorrer da mesma operação foram recolhidos da água nove fardos de estupefacientes, com um total de cerca de 315kg de haxixe, que serão posteriormente entregues à Polícia Judiciária. As embarcações apreendidas foram conduzidas para terra, com o apoio de uma lancha de fiscalização rápida da Marinha e de uma embarcação da Polícia Marítima.

Desde 27 de janeiro este tipo de ações conjuntas permitiram apreender 9 embarcações de alta velocidade, cerca de 470 fardos correspondentes a mais de de 16 toneladas de haxixe e a detenção de 19 pessoas.

Não foi revelado o tipo de aeronave da Força Aérea envolvida nas operações.




quinta-feira, 10 de março de 2022

P-3 DA FAP EM MISSÃO DE TREINO DETETA TRÁFICO DE DROGA [M2302 - 19/2022]

P-3C CUP+ Orion  n/c 14809 que realizou a deteção da atividade suspeita

A Operação Boa Nova, que permitiu apreender 1600 kg de haxixe na noite de quarta-feira 9 de Março de 2022, 53 NM (cerca de 98 km) a sul de Faro, foi desencadeada durante uma missão de treino de uma aeronave P-3C CUP+ da Esquadra 601 da Força Aérea Portuguesa (FAP).

Em conferência de imprensa na manhã de hoje, nas instalações da Polícia Judiciária de Faro, o Coronel Carlos Lourenço, Comandante da Base Aérea nº11 (Beja-onde está sediada a Esquadra 601), adiantou que a operação na qual foram detidos seis suspeitos, foi despoletada “rapidamente e num contexto quase inopinado [em que] conseguimos desenvolver uma ação que teve resultados finais”. O Cor. Lourenço referiu que a aeronave P-3C "deteta tudo o que está à superfície" [do mar].

Após identificada a situação suspeita, pela tripulação do P-3 n/c 14809, ainda em águas internacionais, a FAP desencadeou o procedimento junto das autoridades judiciais e marítimas, que realizaram a abordagem com sucesso, à embarcação.




sexta-feira, 5 de março de 2021

EXERCÍCIO LIGHTNING HANDSHAKE JUNTA US NAVY E MARROCOS [M2231 - 19/2021]

USS Eisenhower sobrevoado por meios aéreos da US Navy e 
 

O Grupo de Combate do porta-aviões USS Dwight D. Eisenhower (IKE CSG) está a participar no Lightning Handshake, um exercício marítimo bilateral entre os EUA, a Real Marinha Marroquina (RMN) e a Real Força Aérea Marroquina (RMAF) durante a primeira semana de março.

O exercício destina-se a aumentar a interoperabilidade entre as Marinhas dos EUA e as Forças Armadas Marroquinas em várias áreas de guerra, incluindo: guerra de superfície, guerra anti-submarina, guerra aérea, apoio logístico combinado e operações de interdição marítima.

Em nome dos marinheiros atribuídos ao IKE CSG, é uma honra participar neste histórico exercício marítimo bilateral, marcando 200 anos de uma parceria duradoura com o Marrocos ”, disse o contra-almirante Scott Robertson, comandante do Grupo de Combate de Porta-aviões Dois. “Exercícios como o Lighting Handshake aumentam a base de nossa interoperabilidade e o suporte contínuo de nosso compromisso de longo prazo com a segurança na região.

O Lightning Handshake 2021 aumenta a capacidade das forças marítimas dos Estados Unidos e de Marrocos para trabalharem conjuntas e combinadas na resolução de questões de segurança e aumentar a estabilidade na região.


Os navios participantes no Lightning Handshake do IKE CSG, comandado pelo contra-almirante Scott Robertson, incluem o navio-almirante USS Dwight D. Eisenhower (CVN 69). Os navios do Destroyer Squadron 22 incluem os destroyers de mísseis guiados classe Arleigh Burke USS Mitscher (DDG 57) e USS Porter (DDG 78).


As aeronaves que participam do Lightning Handshake incluem as Esquadras da Ala de Porta-aviões (CVW) 3, embarcados no Eisenhower. Compreendem os "Fighting Swordsmen" do Strike Fighter Squadron (VFA) 32, "Gunslingers" do Strike Fighter Squadron (VFA) 105, "Wildcats" do Strike Fighter Squadron (VFA) 131, "Rampagers" do Strike Fighter Squadron (VFA) 83; "Dusty Dogs" do Helicopter Sea Combat Squadron (HSC) 7; "Swamp Foxes" do Esquadrão de Ataque Marítimo de Helicópteros (HSM) 74; "Screwtops" do Esquadrão de Comando e Controle Aerotransportado (VAW) 123; "Zappers" do Electronic Attack Squadron (VAQ) 130 e um destacamento do Fleet Logistics Support Squadron (VRC) 40 "Rawhides.”

F-5 e F-16 marroquinos em formação com F/A-18 Super Hornet da US Navy

Os meios marroquinos que participam do Lightning Handshake incluem: Fragata Tarnk Ben Ziyad da Marinha Real Marroquina (Fragata Classe SIGMA) Centro de Operações Marítimas do QG da Royal Naval (MOC) Centro de Operações Aéreas do QG da Força Aérea Real (AOC), um helicóptero Panther e dois F-16 e F-5.

Exercício similar foi realizado em 2018 com o Grupo de Combate do porta-aviões USS Harry S. Truman (HSTCSG), envolvendo igualmente as Marinhas dos EUA e Marroquina nas seguintes áreas de guerra: comunicação, ligação, guerra anti-submarina, apoio aéreo próximo e apoio de fogo naval de superfície.


Reabastecimento em voo de um F/A-18 da US Navy a um F-5 marroquino


Fotos: James Mullen/US Navy



quinta-feira, 12 de novembro de 2020

FRAGATA NRP CORTE-REAL EMBARCA LYNX ALEMÃO [M2203 - 121/2020]



A fragata Corte-Real embarcou esta semana uma aeronave Lynx MK88 da Marinha alemã e respetivo destacamento, constituído por 19 militares alemães, segundo pode ler-se em comunicado da Marinha Portuguesa.

​​​Esta cooperação pioneira entre as duas Marinhas, assenta na partilha de experiências e procedimentos inerentes à operação de duas plataformas distintas, permitindo alavancar a capacidade de atuação combinada das duas Marinhas, no quadro da Aliança Atlântica e do reforço e da segurança marítima europeia.


É a primeira vez que uma fragata portuguesa embarca um destacamento de helicópteros estrangeiro, tendo-se iniciado os preparativos para a concretização desta cooperação em meados de 2019, que incluíram conversações e visitas técnicas ao NRP Corte-Real. 


O destacamento de helicópteros alemão permanecerá integrado na fragata Corte-Real, como meio orgânico, até ao mês de dezembro, quando está previsto a embarcação portuguesa, navio-almirante na Força ​Naval Permanente da NATO, navegar nas águas frias do Mar da Noruega e a Norte do círculo polar Ártico. 

A frota de Lynx da Marinha Portuguesa, integrada há 25 anos nas fragatas da classe Vasco da Gama e há 11 anos nas fragatas da Classe Bartolomeu Dias, está em processo de modernização na Leonardo Helicopters (Reino Unido), prevendo-se que chegue a curto prazo a primeira aeronave modernizada, sobre a qual incidirá o processo de qualificação de pessoal e redefinição de procedimentos operacionais.

Fotos: Marinha Portuguesa


sexta-feira, 11 de setembro de 2020

DESTACAMENTO DE F-16 NA POLÓNIA TREINA COM FORÇA NAVAL DA NATO [M2176 – 94/2020]

F-16 da FAP sobrevoa a fragata NRP Côrte-real em exercícios no Báltico        Foto via SNMG1

O destacamento de F-16 das Esquadras 201 e 301 da Força Aérea Portuguesa em Marlbork, Polónia, ao abrigo das Medidas de Tranquilização da NATO, não perdeu tempo em integrar-se, tanto com as forças locais, como com forças da NATO, como a Força Naval Permanente da NATO (Standing NATO Maritime Group 1 - SNMG1).

Com efeito, logo no início da semana, foi realizado treino com o 2º Batalhão de Defesa Aérea do Exército Polaco.


F-16 portugueses em treino sobre a Polónia          Fotos: Maj. Duarte Freitas via NATO Allied Air Command


Já o treino do passado dia 9, teve a particularidade de colocar a Marinha e Força Aérea portuguesas em conjunto no mar Báltico. Com efeito, Portugal, através do Comodoro Vizinha Mirones, da Marinha Portuguesa, comanda actualmente o “Standing NATO Maritime Group One (SNMG1)”, sendo o NRP Corte-real o navio-almirante da força. O navio encontra-se presentemente em operação no Mar Báltico, como parte do seu empenhamento operacional naquela região.




Fotos via SNMG1

A fragata “Corte-Real” e os caças F-16M, da Força Aérea Portuguesa, “encontraram-se” por isso esta quarta-feira, bem longe de "casa", tendo aproveitado para treinar em conjunto vários exercícios de “guerra aérea”.
O contingente português inclui cerca de 70 militares e cinco caças F-16AM (n/c 15106, 09, 10, 36 e 43). Já o NRP Corte-real tem uma guarnição de 189 elementos.

VÍDEO: Sobrevoo de um F-16 da FAP ao NRP Corte-real da Marinha Portuguesa no Báltico



quinta-feira, 26 de março de 2020

PRIMEIROS CASOS DE COVID-19 A BORDO DE UM PORTA-AVIÕES DA US NAVY [M2110 – 28/2020]

USS Theodore Roosevelt em Guam - imagem de arquivo    (c) US Navy /Anthony J. Rivera

O porta-aviões da Marinha dos EUA (US Navy) USS Theodore Roosevelt está parado na base naval em Guam, no Pacífico, e testará toda a tripulação ao novo coronavírus, uma vez que vários tripulantes contraíram a doença.

Todos os cerca de 5000 tripulantes a bordo serão testados à infecção com COVID-19, a doença causada pelo coronavírus, disse Thomas Modly, Secretário da Marinha.

Três marinheiros acusaram positivo ao teste da doença, no início desta semana. Agora, quase duas dúzias de outros marinheiros no navio têm também COVID-19, informou o Wall Street Journal.

"Encontramos mais casos a bordo do navio", disse Modly a repórteres do Pentágono na quinta-feira 25 de Março de 2020. “Estamos em processo de testar 100% da tripulação do navio, para garantir que podemos conter os contágios que possam ter ocorrido no navio.(...) Mas também quero enfatizar que o navio está operacionalmente capaz e pode cumprir sua missão".

Actualmente, existem cerca de 800 kits de teste COVID-19 no Roosevelt. Modly disse que suprimentos adicionais para testar a restante tripulação, incluindo zaragatoas e outros materiais, estão a ser transportados.

Depois dos testes serem realizados a bordo, serão levados para um laboratório do Departamento de Defesa. O oficial médico do Corpo de Fuzileiros Navais,  contra-almirante James Hancock, disse que os militares estão a trabalhar com parceiros do sector da saúde, para implementar testes em "pontos de atendimento" nos navios. "Mas ainda não chegámos lá", disse Hancock.

Enquanto o navio está em Guam, Modly disse que ninguém a bordo do Roosevelt poderá sair ao cais. Aqueles que já acusaram positivo a COVID-19 e foram levados do navio, estão em quarentena em Guam, acrescentou. Nenhum requer hospitalização: "Os sintomas são muito leves - dores e esse tipo de coisas, dor de garganta", disse Modly.

A Marinha tem 104 casos de COVID-19 entre o pessoal no activo. Isso representa cerca de um terço dos casos detectados em ramos do Departamento de Defesa. "Não tenho uma justificação para isso", disse o secretário interino da Marinha. "Seria especulação da minha parte fornecer uma razão."

Acrescentou que existem funcionários da Marinha espalhados pelo mundo, com altas concentrações de marinheiros em San Diego e Norfolk, Virgínia. "Mas ainda não realizámos a investigação sobre onde esses marinheiros contraíram a doença", disse Modly. "E antes disso, seria irresponsável da minha parte dizer por que achamos que isto está a acontecer."


sábado, 18 de janeiro de 2020

KOALA PARA A US NAVY [M2083 – 01/2020]

O TH-119 apresentado a concurso pela Leonardo       Foto: Leonardo

Menos de um ano depois da recepção dos primeiros AW119 Koala na Força Aérea Portuguesa, a Marinha dos EUA seleccionou  TH-119, para substituir a sua envelhecida frota de Bell TH-57, nas funções de instrução de pilotos para asas rotativas.

Sendo uma das críticas apontadas à escolha do Koala pela FAP, o facto de existirem pouco operadores militares do modelo, esta decisão por parte da US Navy, parece colocar um ponto final nesse argumento.

Anunciado o resultado do concurso na passada segunda-feira 13 de Janeiro de 2020, a proposta da Leonardo situou-se nos 176M USD, tendo superado a concorrência da Bell com o modelo 407 (monomotor) e a Airbus com o H135 (bimotor), além de dois outros concorrentes não revelados, para o fornecimento de 32 helicópteros ligeiros.

O contrato total será contudo no valor de 648,1M USD para 130 helicópteros, em quatro anos, situando-se 265M USD abaixo do valor inicialmente orçamentado para o programa.

O modelo receberá a designação TH-73A na  US Navy e será fabricado nas instalações da Leonardo em Filadélfia (onde aliás as unidades portuguesas também foram), com as entregas do primeiro lote de 32 aeronaves a ficarem completas até Outubro de 2021.

A manutenção será a realizar em Milton, na Flórida, onde a Leonardo se comprometeu a construir infraestruturas com quase 10.000 m2, destinadas a suportar a totalidade dos 130 helicópteros que se estima a US Navy venha a necessitar para as funções de instrução de pilotagem, fornecendo serviços 24 hora por dia, 7 dias por semana, incluindo sobressalentes, processo de garantia e renovação, serviços de técnicos e de engenharia, componentes e reparações das células.

Segundo a US Navy, o Koala adequa-se aos requisitos para o treino avançado de voo em aeronaves de asa rotativa e tiltrotor, para a Marinha, Fuzileiros e Guarda Costeira dos EUA, até 2050.

O TH-119 apresentado a concurso pela Leonardo, é a versão militar do AW119 Koala, que conta cerca de 320 células ao serviço em 40 países por todo o mundo, incluindo Portugal. Está equipado com aviónicos Genesys Aerosystems e um motor Pratt & Whitney PT6B (o mesmo do AW119). Possui ainda um assento adicional ajustável para um observador, que proporciona visão total do cockpit. Tem patins reforçados e possibilidade de reabastecimento "a quente" (sem cortar motor).

O assento de observador, que permite a um aluno adicional observar os procedimentos no cockpit   Foto: Leonardo

A US Navy espera atingir IOC (Capacidade Operacional Inicial) no novo modelo, no último trimestre de 2021, quando terá inicio o primeiro curso de alunos. A retirada dos últimos TH-57 está prevista para 2024, quando a totalidade dos 130 TH-73 já deverão ter sido entregues.






sexta-feira, 3 de maio de 2019

APROVADA LEI DE PROGRAMAÇÃO MILITAR 2019-2030 [M2035 - 22/2019]

Com a aprovação da LPM a aquisição do Embraer KC-390 pode agora avançar

A Lei hoje aprovada na Assembleia da República, definirá a estratégia de investimento, equipamento e transformação das Forças Armadas Portuguesas para os próximos 12 anos. Isto significa, que finalmente alguns programas de fundo onerosos, tal como a substituição da frota C-130 Hercules pelo KC-390, poderão finalmente avançar.

Segundo comunicado do Ministro da Defesa Nacional no dia de hoje 3 de Maio de 2019, estes projectos reforçarão a capacidade das Forças Armadas para responder às necessidades da Diáspora portuguesa, para cuidar da soberania e coesão nacionais, tanto no que diz respeito à sua área de exercício de busca e salvamento, como no que concerne a responsabilidade de jurisdição, decorrente da futura extensão da plataforma continental. Permitirão, também, fazer face às ameaças actuais e futuras, num contexto em que o maior grau de imprevisibilidade introduz maiores incertezas. Ainda segundo o MDN, esta Lei gera valor económico, tecnológico e emprego, promovendo a investigação e a inovação.

A Lei de Programação Militar (LPM) é o principal instrumento financeiro plurianual para o investimento público na Defesa e nas Forças Armadas. Trata-se da fonte primordial de equipamento, de desenvolvimento da Base Tecnológica e Industrial de Defesa Nacional, e de apoio para a Investigação e Desenvolvimento, com impacto directo nas capacidades militares necessárias para a prossecução das múltiplas missões das Forças Armadas.

A nova LPM prevê uma dotação global de 4740M EUR, superior em 1580M EUR à actual LPM, correspondendo por isso a um acréscimo de 50%.

Relacionados com a aviação, estão incluídos vários programas de reequipamento ou modernização, havendo a destacar:

-cinco aeronaves de transporte aéreo estratégico e táctico (827M EUR)
-cinco helicópteros de evacuação (53M EUR)
-substituição de aeronaves de instrução básica (2,5M EUR)
-UAVs de vigilância Classe 2 e 3 (37M EUR)
-um navio polivalente logístico (150M EUR)

As aeronaves de transporte estratégico e táctico serão, ao que tudo indica, os KC-390 que aguardavam apenas pela aprovação da LPM, para a assinatura do contrato com a Embraer, atingido que está o acordo entre as partes.

Os helicópteros de evacuação estão definidos como sendo de médio porte. Pelo valor unitário atribuído e contactos exploratórios com a Leonardo - actual fornecedor das restantes frotas de helicópteros das FAs - poderá ser do tipo AW139. Destinam-se à utilização em campo de batalha, para transporte e apoio a tropas no terreno.


O histórico DHC-1 Chipmunk poderá finalmente estar de saída

As aeronaves de instrução básica de pilotagem a adquirir, destinam-se a substituir a frota DHC-1 Chipmunk, ao serviço da Academia da Força Aérea e deverão ser "quase ultra-ligeiras", ainda por definir.

Os UAVs (aeronaves não-tripuladas) serão de Classe 2 (acima de 150 kg) e 3 (acima 600kg) e destinam-se a complementar ou substituir as aeronaves P-3C e C295M no patrulhamento e vigilância marítima.

O navio polivalente logístico, é um sonho antigo das FAs portuguesas, previsto já em várias LPMs anteriores, mas nunca executado. Permite, entre outras valias, o transporte e operação de helicópteros.

A LPM inclui ainda verbas para modernização nas frotas Falcon 50, TB-30 Epsilon, P-3C Orion e C-130H. De notar que a actualização de sistemas da frota F-16, terá que ser financiada parcialmente pela alienação de parte da frota, dado que os 202M EUR previstos na LPM, não são suficientes para a assegurar até 2030.

De fora, ficou dotação para a futura substituição dos caças F-16, eventualmente dependente de negociações com os EUA, no âmbito da utilização da base aérea das Lajes.
Outra ausência notória relaciona-se com a instrução avançada de pilotos de caça, actualmente realizada nos EUA, mas em condições pouco satisfatórias para as necessidades da FAP. Neste caso, a contratação de horas de instrução através de uma empresa particular, poderá ser a solução a adoptar, não implicando por isso a aquisição de aeronaves.

No geral, a Lei hoje aprovada na Assembleia da República, respeita o documento que o Conselho de Ministros aprovou e que o Ministro da Defesa apresentou, a 23 de Janeiro, no Plenário da Assembleia da República. Houve contudo ainda alguns ajustamentos, decorrentes da negociação com as diferentes forças partidárias, que ditaram por exemplo uma estratégia diferente, relativamente ao navio polivalente logístico, cujo programa previa inicialmente 300M EUR para a sua construção.
Este valor aparece no documento definitivo com apenas 150M EUR, tendo a diferença de verbas sido aparentemente redistribuída em 25M EUR para projectos cooperativos europeus, 5M EUR para o programa de ciberdefesa e uma consagração de 120M EUR para a modernização das fragatas da Classe Vasco da Gama.

Projecto do NPL Adamastor


A lógica associada a esta opção, tem a ver, por um lado com a priorização da manutenção de capacidade das fragatas, para assegurar a soberania dentro daquilo que virá a ser o alargamento da plataforma continental portuguesa e por outro, com a expectativa do aparecimento no mercado, durante o primeiro quadriénio da LPM, de algum navio em segunda mão que permita uma aquisição a valores mais baixos do que orçamentado para a construção de um navio de raiz.
Caso este objectivo não se concretize, as verbas em falta para a conclusão do programa, deverão ser asseguradas por meios de financiamento alternativos, ou por uma LPM ulterior.




terça-feira, 28 de agosto de 2018

F-35C NO PORTA-AVIÕES DO TOP GUN 2 (M1993 - 53/2018)

F-35C na catapulta do USS Abraham Lincoln a 20 de Agosto de 2018


Poderá ser apenas coincidência, mas a US Navy divulgou hoje uma foto de um F-35C, prestes a ser lançado do porta-aviões USS Abraham Lincoln, onde está a ser gravada a muito aguardada sequela do blockbuster dos anos 80 "Top Gun".

Desde que se começou a falar na produção de um Top Gun 2 que as conjecturas não têm parado, acerca do cenário e os aviões que irão (forçosamente) entrar no "elenco", dado que o icónico F-14 do primeiro filme, já deixaram de voar na US Navy desde 2006.

Os primeiros rumores que circularam em 2012, quando Tom Cruise começou a trabalhar no filme com o realizador Tony Scott, davam conta de um argumento com F-35s, drones e um cenário futurístico, que não entusiasmou por demais os aficionados. O projecto ficaria depois em banho-maria, interrompido pela morte do realizador britânico, tendo chegado a suspeitar-se do cancelamento da nova longa-metragem sobre a aviação naval americana.

A imagem divulgada por Tom Cruise no Twitter a 31 de Maio de 2018

A 31 de Maio passado, o próprio Tom Cruise se encarregaria de divulgar uma foto na sua conta de Twitter, a dar conta do início das filmagens, na qual se pode vislumbrar o próprio, bem como um Super Hornet em fundo. Recomeçaram por isso as especulações sobre qual será a "estrela"- leia-se caça - a protagonizar o Top Gun 2. Mesmo o merchandising que começou a circular poucos meses antes, tinha já uma silhueta de F/A-18 no logótipo da escola "Top Gun", onde antes estava o F-14.

T-shirt vendida nas lojas Primark ostentando a silhueta de um F/A-18

A 22 de Agosto, a US Navy informou que uma equipa de filmagens da Paramount Pictures, se encontrava a bordo do porta-aviões USS Abraham Lincoln. Salvaguardando  que a prioridade é" o combate e o treino para ter forças navais em prontidão", afirmaram o apoio à produção do filme. Não adiantando muitos mais detalhes, a Marinha dos EUA confirmou apenas que pilotos navais iriam participar no filme e que eventuais gastos com filmagens aéreas, que não pudessem ser realizadas como parte de missões de treino, seriam custeados pela produção. Embora na verdade, a US Navy (e até a USAF) tenham muito mais a ganhar com a publicidade que um filme desta envergadura pode aportar no recrutamento de novos pilotos militares, que tanto escasseiam por todo o mundo.

Então, e quando se julgava ser o caça da Boeing o protagonista principal, eis que a US Navy divulga uma foto de um F-35C, a bordo do mesmo porta-aviões em que decorrem as filmagens do Top Gun. Dado que o F-35C ainda nem está operacional na US Navy, não deverá tratar-se de mera coincidência...

O Top Gun 2 tem estreia marcada nos EUA para 12 de Julho de 2019.


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