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sábado, 28 de fevereiro de 2026

NOVAS CHEFIAS NAS FORÇAS ARMADAS

 

CEME General Eduardo Ferrão (esq) e o CEMFA General Cartaxo Alves (dir), novo CEMGFA    Foto: FAP

O Governo português confirmou esta sexta-feira a proposta de nomeação do General João Cartaxo Alves para o cargo de Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA). O General Cartaxo Alves, que até agora liderava a Força Aérea Portuguesa (FAP) como CEMFA, sucede ao General Nunes da Fonseca, cujo mandato de três anos termina no dia 1 de março. Desde 2014 que o cargo de CEMGFA não era ocupado por um oficial general da Força Aérea.

Esta movimentação na cúpula das Forças Armadas, aprovada em Conselho de Ministros, força por consequência a renovação no topo do ramo aéreo. Para substituir Cartaxo Alves, o Executivo indicou o Tenente-General Sérgio Roberto Leite da Costa Pereira (até ao momento Comandante Aéreo) como o novo Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, com a transição de comando prevista para o mesmo dia 1 de março. 

General Sérgio Pereira, novo CEMFA    Foto: FAP

Simultaneamente, o Governo optou pela estabilidade no ramo terrestre, decidindo prorrogar por mais dois anos, o mandato do General Eduardo Ferrão como Chefe do Estado-Maior do Exército. Com estas nomeações, redefine-se a estrutura de comando que terá a responsabilidade de gerir a modernização dos meios e a prontidão operacional das Forças Armadas nos próximos anos, num contexto de profunda adaptação das capacidades militares nacionais às exigências internacionais.



quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

DILEMAS EUROPEUS E UMA PANELA DE ARROZ [M2460 – 05/2024]

F-16AM da Força Aérea Portuguesa, aterrando na BA11 - Beja. 
Este ano completam-se 30 anos desde a sua chegada a Portugal. E não está ainda prevista a sua substituição.

A Europa atravessa tempos obscuros cuja análise, numa perspetiva histórica, revela sinais já visualizados em tempos andados e cujo desfecho não se recomenda, ou seja, esteve no epicentro de duas guerras mundiais, com tudo o que de trágico e transformador isso acarretou.
No presente e já com dois anos de rasto, uma guerra surgiu com a “operação especial” russa em território da Ucrânia, demasiado perto para ser considerada longe desta (boa) tranquilidade de décadas a que nos habituámos. Este hábito fez com que o desleixo em matéria de defesa se tenha transformado numa prática mais ou menos caucionada pelos governos, certos de que do lado de lá do atlântico, a mão amiga segura e segurará o guarda-chuva e que a leste, tudo está controlado. Só que as dinâmicas não raras vezes decidem desviar-se da agenda dos desejos e os apertos seguem-se, com variáveis a mais para uma equação de crescente complexidade – China/Taiwan, Irão, a situação em Israel/Gaza, a tensão no Mar Vermelho e o eterno jogo do gato e do rato das Coreias…
Com os fantasmas a decidirem largar das masmorras, com a União Europeia a ser pouco unida, com preocupantes excessos em matéria de politicamente correto, sobranceria cultural e falta de visão e atuação  de conjunto, tudo temperado com fluxos permanentes de imigração e respetivas tensões vemo-nos, resumidamente, cara a cara com tempos perigosos em que assobiar para o lado é a pior das receitas, por mais que acomode os espíritos.
Agora que o rabo europeu aperta, já se fala em preparos de guerra, que é preciso armar, que a Europa tem de olhar por si e para si, já que a mão que segura o tal guarda-chuva poderá deixar de o fazer, sobretudo se na Casa Branca, o inquilino mudar de natureza, de penteado e de cor de cabelo.

F-35A dos Países Baixos, em voo no "StarWars Canyon". Estas aeronaves estão já a substituir a frota F-16 neerlandesa.

E as notícias sobre as trombetas preparatórias vão aparecendo. A República Checa, agora Chéquia, anuncia a compra de 24 caças F-35; a Croácia recebe caças Rafale; a Bulgária F-16 de última geração (V); Polónia e Grécia preparam-se também para operar o F-35; os alemães falam em aumentar a produção de armamento – drones, munições, etc. – e no geral o despertar de uma nova perspetiva parece assentar praça e as pressões para cumprir e até aumentar os orçamentos de defesa já se fazem ouvir e a impor a sua incontornável necessidade.
Em Portugal, para não variar, é matéria desinteressante, evidentemente porque o atual período de excitação eleitoral tende a desvirtuar o que já de si é tradicionalmente desvirtuado e porque, arrumadinhos aqui no canto sudoeste da Europa, achamos que tudo é longe e, portanto, nada connosco.
A frota F-16 nacional cumpre por estes dias 30 anos de serviços e por uma vez apenas se falou, com moderada convicção e sem o perigo das datas, na sua (desejada) substituição pelo F-35; não se acautela o mínimo de cuidados na nossa defesa imediata; não se trata do problema da proverbial sangria de pilotos e mais recentemente da debandada do pessoal de manutenção; da operacionalidade dos meios navais de defesa avançada; não se repensa o regresso do SMO para contornar a redução constante de efetivos disponíveis, etc. …
Parecemos esquecer que a dimensão nacional não se esgota no retângulo continental e que, dependendo da perspetiva, da mesma forma que estamos no canto sudoeste da Europa, longe dos epicentros, não deixamos, por outro lado, de ser a porta de entrada sudoeste dessa mesma Europa e, não de forma despicienda, temos uma proximidade incontornável com África e com o estratégico estreito de Gibraltar.
Se os contextos históricos, estratégicos e políticos mudam, as ações antes adormecidas têm de mudar também. 
E não se cozinha uma panela de arroz dois minutos antes de ela ter de ser servida.


Nota: Este texto e a opinião nele expressa vinculam, apenas, o seu autor.

quinta-feira, 20 de março de 2014

GOVERNO PRETENDE MUDAR AUTORIDADE NO AR E NO MAR (M1481 - 96PM/2014)


As Forças Armadas (FA) arriscam perder a chefia da Autoridade Marítima Nacional e da Autoridade Aeronáutica Nacional que hoje detêm nas operações civis de fiscalização e segurança, tanto no mar como no espaço aéreo. Numa proposta a que o PÚBLICO teve acesso, o Governo admite que as FA passem apenas a "disponibilizar" recursos a esses órgãos, quando hoje são as FA que "dispõem" dessas autoridades.

Esta é a conclusão a retirar das propostas de lei orgânicas que o Governo tem já prontas e tenciona apresentar ao Conselho Superior de Defesa Nacional (CSDN) na próxima segunda-feira, antes de as aprovar em Conselho de Ministros e enviar para o Parlamento. Desde o início do seu mandato que o ministro da Defesa assumira a intenção de rever as leis orgânicas de Defesa Nacional (LDN) e de Bases da Organização das Forças Armadas (LOBOFA).

É na proposta de projecto da LOBOFA que José Pedro Aguiar-Branco, numa frase, retira o protagonismo às Forças Armadas. No capítulo relativo à organização dos ramos das FA é proposto que estes “podem [...] disponibilizar recursos humanos e materiais necessários ao desempenho de atribuições e competências de órgãos ou serviços regulados por legislação própria, nomeadamente a Autoridade Marítima Nacional e a Autoridade Aeronáutica Nacional.”

Na legislação actualmente em vigor, a redacção é diferente: “Os ramos podem dispor de outros órgãos que integrem sistemas regulados por legislação própria, nomeadamente a Autoridade Marítima Nacional e a Autoridade Aeronáutica Nacional.”

A forma como a alteração está redigida abre a porta à possibilidade de que os militares passem a estar subordinados a entidades nas quais podem deixar de ter qualquer representação. Limitando-se a ceder os seus activos para a prossecução de missões de fiscalização e vigilância no mar e no ar. Missões como as de busca e salvamento no mar português, onde a Marinha e a Força Aérea trabalham em conjunto.

O PÚBLICO confrontou o Ministério da Defesa sobre as implicações da nova redacção e o porquê da alteração. Do gabinete do ministro José Pedro Aguiar-Branco apenas foi comunicado que se estava perante “um documento de trabalho”. Isto apesar de os documentos a que o PÚBLICO teve acesso se intitularem “proposta de lei orgânica” e de haver a intenção de as apresentar ao CSDN na segunda-feira. Em qualquer caso, a proposta de lei orgânica terá de ser aprovada no Parlamento, dado serem matérias de competência partilhada.

Matéria sensível na Constituição

A questão não é nova. Desde há anos que se debate o emprego de forças militares em missões de segurança interna. Uma matéria sensível em termos constitucionais, uma vez que as FA estão impedidas de assumir missões internas a não ser em situações de emergência.

Os sucessivos governos e a Armada ensaiaram uma solução para o problema com o conceito da Marinha de “duplo uso”. Que se concretizou com a criação, em 2002, da Autoridade Marítima Nacional e a junção - sob a sua tutela, no organigrama, da Marinha - da Polícia Marítima, do Instituto de Socorros a Náufragos, das capitanias dos portos, entre outros órgãos. Actualmente, a AMN está regulamentada na lei orgânica da Marinha. Para contrabalançar as questões constitucionais, a AMN e os órgãos que a compõem são sempre apresentados como uma componente civil da Marinha e do Ministério da Defesa. O chefe de Estado-Maior da Armada tem, portanto, a dupla responsabilidade de liderar a Marinha e a AMN.

A nova redacção fez soar o alarme, já que abre a porta à transferência destas autoridades para outra tutela política. Nomeadamente, o Ministério da Administração Interna.
A Marinha tem assumido uma posição mais assertiva do que a Força Aérea nesta matéria por ter uma tradição de mais de 100 anos de representação da soberania nacional no mar. Mas a verdade é que entretanto foram transferidas competências e recursos, em particular, da Marinha para outras entidades, como a GNR na orla costeira. Uma mudança que tem gerado uma guerra surda entre organismos do Estado.

O PÚBLICO contactou antigos responsáveis destes dois ramos sobre as alterações à lei. “Não acredito que isso possa ser verdade”, reagiu o Almirante Melo Gomes, que foi Chefe do Estado-Maior da Armada durante cinco anos até 2010. “Estou a ouvi-lo e estou-me a arrepiar todo”, reconheceu o General Fernando Seabra, comandante operacional da Força Aérea até 2000.

A reacção não podia ser mais negativa. “Isso equivale a tirar aos ramos a capacidade de autoridade e de socorro e salvamento. Perverte a cadeia de comando e, além disso, pode implicar a criação de outros órgãos no Estado. No momento de emergência em que vivemos, é um crime de lesa pátria tomar essa opção”, dispara Melo Gomes.

O general da Força Aérea é igualmente crítico. “Uma situação desse género faz-me supor que mais uma vez estamos a ser usados e delapidados por interesses que eu não conheço”, denuncia, antes de admitir não conseguir perceber o porquê da decisão. “Ninguém nos pode apontar nada [à Marinha e à Força Aérea]: nem em termos de incompetência nem em termos de falta de resposta.”

Este antigo responsável militar admite a possibilidade de existirem outros interesses por trás da opção. “Há muita gente interessada em fazer a busca e salvamento”, adverte, antes de lembrar as elevadas verbas que as companhias aéreas pagam – as taxas de rota – para assegurar a segurança e vigilância do vasto território que está sob responsabilidade portuguesa.

Sobre estas críticas, o gabinete de Aguiar Branco preferiu não tecer qualquer comentário.

Mais poder para CEMGFA

Os dois projectos de lei avançam também com alterações ao nível da autoridade do Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA). Que ganha um maior poder na esfera dos ramos. Na Lei de defesa Nacional é notório o esforço para subordinar os Chefes dos ramos ao CEMGFA, quando se estipula que estes “dependem hierarquicamente do CEMGFA nas matérias relativas à capacidade de resposta das FA”. Na lei em vigor, essa autoridade estava esbatida uma vez que o CEMGFA e os Chefes dos ramos dependiam do ministro da Defesa. Na LOBOFA, duas estruturas actualmente existentes, o Estado-Maior Conjunto e o Comando Operacional Conjunto desaparecem da presente proposta para dar lugar a um “comando de nível operacional” a ser tutelado pelo CEMGFA. Ao longo desta proposta repete-se por mais de uma vez a “dependência hierárquica” dos Chefes de Estado-Maior em relação ao CEMGFA.

Essa orientação é bem visível na LOBOFA quando esta abre a porta a que o CEMGFA assuma mesmo o comando dos ramos: “Para efeitos de apoio ao exercício do comando por parte do CEMGFA, os comandos de componente [naval, terrestre e aérea] poderão ser colocados na sua dependência directa, de acordo com as modalidades de comando e controlo aplicáveis a situações específicas de emprego operacional de forças e meios, a definir caso-a-caso.”

Outra alteração que está em vias de se concretizar é um maior poder do Parlamento em relação ao envio de missões militares no estrangeiro. Qualquer decisão do Governo nesse sentido passa a ter de ser “apreciada” e “comunicada previamente” à Assembleia da República. A actual legislação dava ao Parlamento a possibilidade de “acompanhar a participação de destacamentos”. O Governo fica ainda obrigado a “comunicar à AR” a “decisão de envolver contingentes no estrangeiro” , bem como a “apresentar relatórios circunstanciados sobre esse envolvimento”.

Fonte: Público

sábado, 1 de março de 2014

RÚSSIA APROVA ENVIO DE FORÇAS MILITARES PARA A UCRÂNIA (M1450 - 66PM/2014)


O Parlamento russo aprovou por unanimidade este sábado, 1 de março de 2014, o envio de forças militares para a Ucrânia, no meio de uma crescente escalada da tensão na região da Crimeia.

A votação foi realizada no seguimento de um pedido feito por Vladimir Putin, de enviar tropas para a região da Crimeia, com o intuito de regularizar a situação política. Devido à "situação extraordinária na Ucrânia" disse putin, existem ameaças à vida dos cidadãos civis e militares russos baseados na região da Crimeia do Sul.

O novo governo da Ucrânia já condenou a decisão: "Nós entendemos as ações da Rússia como uma agressão direta à soberania da Ucrânia" disse a propósito o presidente interino, Oleksander Turchynov, no Twitter oficial do seu partido.

O Governo de Kiev está a tentar evitar que as tensões na Crimeia, que tem uma população maioritariamente russa, entrem numa escalada separatista.

Internacionalmente existe a preocupação que Moscovo intervenha militarmente, apesar dos avisos por parte dos EUA e outras potências ocidentais, para que respeite a soberania ucraniana.

Da Suécia por exemplo, o chanceler Carl Bildt tiwttou: "intervenção militar russa na Ucrânia é claramente contra a lei e os princípios da segurança internacional".

O presidente do Conselho de Segurança das Nações Unidas disse após reunião ontem: "Ficou perfeitamente claro a partir das consultas ontem a este Órgão, que a integridade territorial da Ucrânia não deve ser posta em causa. (...) Esta é uma altura para o diálogo e para trabalhar em conjunto de for,a construtiva" disse Robert Serry.

Os argumentos russos, são de que a força armada "limitada" a enviar, terá como objetivo garantir a segurança da frota russa do Mar Negro em Sebastopol, bem como os cidadãos russos que ali vivem.

Já o presidente ucraniano Turchynov, insistiu ontem que "qualquer tentativa de intrusão ou anexação vai ter consequências muito graves", isto ainda antes da decisão do Parlamento russo hoje tomada.

Ainda ontem , sexta-feira,  a Ucrânia acusou as forças russas do Mar Negro de tentar tomar posse de dois aeroportos na Crimeia, mas alegadamente sem sucesso, tendo as forças ucranianas de segurança impedido a intenção.
Homens armados permaneceram nos aeroportos desde então, tendo referido o diretor do aeroporto de Simferopol, que o espaço aéreo da Crimeia irá permanecer fechado, pelo menos até à noite.


Fonte: CNN
Tradução e adaptação: Pássaro de Ferro



quinta-feira, 31 de outubro de 2013

FORÇAS ARMADAS COM MAIS COMBUSTÍVEL EM 2014 (M1243 - 320PM/2013)

F-16 portugueses sobrevoam uma fragata espanhola

As Forças Armadas vão ter um aumento de 26% nas verbas a atribuir a gastos com combustíveis e lubrificantes, segundo se pode extrair do Orçamento de Estado para 2014.
O referido aumento traduz-se num acréscimo de 8,6 M EUR, passando dos 32,7 M EUR de 2013, para os 41,3 M EUR em 2014.

Com os sucessivos cortes aplicados ao orçamento da Defesa, principalmente a Força Aérea e a Marinha, responsáveis pelo policiamento da maior Zona Económica Exclusiva do continente europeu, têm enfrentado sérias dificuldades em manter os níveis de operacionalidade, dentro de valores aceitáveis do ponto de vista do que são as responsabilidades do país, os seus interesses económicos e a segurança. 

Com aumento de orçamento em combustíveis para 2014, além do Ministério da Defesa, apenas o Ministério da Solidariedade, Emprego e Segurança Social.







segunda-feira, 10 de junho de 2013

DE PORTUGAL (1034 - 48AL/2013)



Nos tempos difíceis que correm, por vezes algo inconscientemente, procuramos algo que nos orgulhe e dê motivos para continuarmos dignos como indivíduos e como nação. Uma espécie de cimento que mantenha a construção de pé quando tudo à sua volta treme.
A época é de sobressalto e de certa maledicência que sempre foi regra no "ser-se Português". É uma condição desgraçada, de fado!
Tão depressa exaltamos o nosso orgulho na portugalidade, como maldizemos a nossa condição, os nossos pilares e nos "vendemos" por meio pataco aos vizinhos próximos, visíveis uns, invisíveis outros.
A soberania nacional é hoje um conceito vago, longínqua causa e cousa, aqui e ali a roçar o romântico, fora de moda, que os valores da individualidade e da sobrevivência dos nossos umbigos e respetivos quintais murados foram construindo, quase como estatuto, muitas vezes ao arrepio do desígnio, orgulho e dignidade coletivos.
Um dos pilares da nacionalidade e porque não dizer, sem medo, da pátria - esse vocábulo tão pesado em algumas bocas de preconceito - são as Forças Armadas. São elas o primeiro e o último reduto do ser-se português, são elas, tantas vezes, o saco de pancada das nossas frustações individuais e coletivas, o "brinquedo" com que os políticos se parecem divertir nas suas lutas de pechisbeque pelo apetite do poder. 
A política pouco dada a cartas de recomendação que, ao longo dos anos nos trouxe a este beco cuja saída se vislumbra complicada, levando-nos hoje a um país triste, deprimido, acabrunhado, de mão nos bolsos a contar tostões, de olhar distante num futuro que mal se vislumbra. Se foi para isto que foi feito o 25 de Abril, então todas as perguntas são legítimas, todas as dúvidas têm colo!
Nos tempos dificeis que correm, são as Forças Armadas que sustêm - nem que seja em último lugar - a dignidade de uma nação, o orgulho sem medos de se ser o que se é, de continuar uma história com tantos séculos, tanto sangue e também tanta glória.
Há que as respeitar e aos homens e mulheres que as fazem a todas as horas e em todos os dias, quando tudo á nossa volta parece arder...
No dia em que se perder o respeito pela instituição militar, então sim, estará Portugal à beira do último precipicio.
Uma simples brisa, então, pode empurrar-nos para a derradeira queda!

Nota: Este texto é de opinião e apenas vincula o seu autor.



domingo, 23 de setembro de 2012

A CALMA DA TROPA (M715 - 36AL72012)

EH-101
Na sequência das recentes manifestações contra o governo e "estado da nação", ouvi algures que uma das perguntas de manual que se fazem, quando o regime de certo modo "treme" em jeito de gelatina, é a seguinte:
"- E com a tropa, está tudo calmo?"
A questão pode ter múltiplas abordagens e, eventualmente, outras tantas respostas.
Mas ela evidencia, sem aspas, a importância da estrutura militar de uma nação. E na memória de muitas gerações, ainda está presente o modo como as Forças Armadas contribuiram de forma decisiva, para que em 25 de abril de 1974, as coisas tivessem acontecido como aconteceram.
Normalmente é nestas situações em que elas assumem o seu papel agregador ou, por força das circunstâncias e do seu grau de gravidade, digamos, de "força operacional e atuante".
Mas quase sempre, nas alturas em que o país está amaciado na sua bovinidade diária, sem os apertos e os cortes atuais, as forças armadas apanham sempre com os chavões da inutilidade, de sorvedouros de dinheiros públicos, de agremiação de parasitas, etc.

F-16AM
Recentemente, a Força Aérea foi chamada a cumprir mais uma missão de interesse internacional, nomeadamente a patrulha dos céus da Islândia, com a presença de caças F-16AM das Esquadras 201-Falcões e 301-Jaguares.. 
Sem saberem muito bem o porquê da ida para terras tão distantes e tão sem relação connosco, muitas vozes se levantaram contra a sua presença por aquelas terras frias, considerando-a inútil e, uma vez mais, despesista, ignorando que a missão foi custeada pela NATO. Sobretudo num tempo tão magro como o presente, é fácil ceder à crítica gratuita  "batendo" onde é quase sempre moda "bater".

C-295
Contudo e perdoe-se-me a expressão, "quando o rabo aperta", ou se clama pela sua presença e ação ou, vá, questiona-se se "estão calmas", não vão elas descer por aí abaixo para segurarem o que resta da nossa dignidade como nação independente.

Nota: Artigo de opinião, que apenas vincula o seu autor.


quarta-feira, 4 de julho de 2012

AS ARMAS E A "CRISE" (M683 - 29AL/2012)


Nos tempos cegos que vivemos, o léxico que desenha as palavras e frases dos dias estreita-se num funil cujo "bico" permite poucos vislumbres e derivado ao seu desenho e forma, tende a redundar a análise de algumas coisas num amontoado de muitas outras coisas que se tentam enfiar todas por junto no dito corredor estreito do funil.
Tal como os líquidos, a dada altura, tudo resvala para um remoinho que na voragem do rodopio leva tudo. O que deve e o que não deve...
Os tempos de aperto que se vivem, cujas causas estão mais ou menos dissecadas, permitem que algumas posições se coloquem em diâmetros opostos e que, por isso, sejam propícias a um certo extremismo de pensamento e cujos pontos de equilíbrio nem sempre se procuram.
Ouvi, recentemente, alguém 
     um "simples" cidadão
verberar violentamente contra as forças armadas e sobre o seu papel de sorvedouro inútil de dinheiros públicos que, nesta altura, serviriam muito mais e melhor a cousa pública se não "esbanjados por esses parasitas!"(sic).
Ora este tipo de pensamento é perigoso para além de lamentável. A boca de quem ouvi isto ter-se-á esquecido que foram os militares que num tempo igualmente muito difícil fizeram o 25 de Abril, a tal revolução que permite que coisas destas se ouçam e leiam, porque fazem parte do exercício da liberdade.
E no que respeita à Força Aérea, a coisa ainda é pior, dado esse personagem achar um escândalo que os F-16 andem "a queimar milhões e milhões ao estado e para quê, se não temos inimigos?" (sic) E a seguir nova questão "porque não põem os helicópteros e os aviões a apagar os fogos de verão e estão os militares à sombra dos quartéis?" (sic)
Para que se perceba, a mesma indignação quase ácida para com os militares, acaba por se diluir quando esta "boca" atribui missões aos militares, esquecendo a anterior inutilidade que lhes havia colocado em selo/rótulo. Ou seja, tudo demasiado afastado e próximo ao mesmo tempo.
Mas isto tudo leva a que se perceba algo bastante simples. Estes tempos de crise, em que o pessimismo é de certa forma "lei" e onde o horizonte do cidadão está afunilado, são propícios ao extremismo e à perda de confiança em instituições que são pilar de uma nação, instituições certamente encabeçadas pelas Forças Armadas.
Por isso mesmo, é urgente manter padrões mínimos de dignidade nas Forças Armadas e acreditar que elas são, de modo efetivo - um dos "pilares" da soberania nacional e algo que, sejam quais forem os tempos do tempo - de crise ou "abastança" - garantem aos cidadãos todas as conquistas e toda uma construção que levou séculos a edificar! São elas que garantem aos cidadãos, pela sua postura, ação e até pedagogia, que apesar da "crise" e do pessimismo feitos "lei" por outrem - a quem não raras vezes cabem as grandes decisões -  há Homens e Mulheres prontos e de forma digna, a garantir que não perdemos em dias ou semanas, o que levou tanto orgulho, sangue, suor e lágrimas a construir durante muitos séculos!
____
Nota. Esta opinião apenas vincula o seu autor.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

AS DECLARAÇÕES DE UM MINISTRO DA DEFESA (M600-13PM/2012)



O país está de tanga. A expressão foi proferida em 2003 pelo actual Presidente da Comissão Europeia, então Primeiro-Ministro da ocidental pátria lusitana, Durão Barroso.
O mesmo Durão Barroso que sabe-se lá porquê, preteriu o país que (mal ou bem) governava para assumir o cargo que hoje se lhe conhece na União Europeia. Desde então, passaram já quase nove anos, e o país (ou os seus governos) em vez de reagir aos sinais de alerta, continuou a cavalgada cega para o abismo, continuando a endividar-se loucamente porque “as dívidas públicas não são para pagar”.
Após o mal feito por quem de direito, o resgate do FMI e as medidas ditadas pelo triunvirato (mais conhecido por "troika") são um mal aparentemente necessário (se houver alguém com uma ideia melhor que se chegue à frente). Os políticos empossados da difícil tarefa de tirar o país do buraco onde a mesma classe política o colocou, começaram a cortar a torto e a direito em regalias, salários, carreiras, postos de trabalho, etc. Soube-se pela comunicação social que na Carris por exemplo, toda a família anda à borla. Até a irmã maior e vacinada. Que os funcionários têm barbeiro à borla. Que têm um ordenado base, mas que pode ser substancialmente aumentado, bastando cumprir o horário normal (?!) de trabalho. 
Havia que terminar com isto, e o país estava (quase) todo de acordo.

Dentro desta linha de pensamento e talvez confiando na proverbial aversão de certas facções da sociedade portuguesa às Forças Armadas para lhe dar cobertura, o Sr. Ministro da Defesa, resolveu vir a público proferir algumas barbaridades acerca das instituições militares e dos próprios militares que as compõem.
Habituada que está a utilizar o Orçamento da Defesa como um "saco azul" ao qual se pode recorrer sempre que necessário para outros fins, a classe política propõe-se ultrapassar os limites do razoável. 

Ignorando que desde o 25 de Abril foram as FA's as instituições que mais reformas já tiveram, quando muitos órgãos do Estado continuam gordos e estacionários. Ignorando que nas FAs há já uma rentabilização de recursos superior a qualquer outro órgão estatal e de fazer inveja a muita empresa privada. Ignorando que com os cortes já perpetrados se estão a atingir níveis de treino e funcionamento  perigosamente baixos. Ignorando que o seu motorista porventura ganha mais que um piloto de helicópteros de busca e salvamento. Nas FA's já não há mais por onde cortar, sob pena de deixarem de existir como tal. A tentativa de cortes nos privilégios e benesses abusivas e absurdas em muitas entidades, parece ter descambado numa catártica "caça às bruxas" em que há que "queimar" também os militares.

Tal como já tive oportunidade de escrever antes, nas FA's o Sr. Ministro encontra facilmente homens com mais cultura e formação que em qualquer direcção de partido político. Homens com Sentido de Estado, uma noção que falta a várias gerações de políticos. As FA's que o Sr. Ministro apelidou de "politizadas", foram as mesmas que ofereceram a liberdade aos portugueses em 25 de Abril de 1974 e a souberam manter em 25 de Novembro de 1975. Devolveram depois o seu poder à sociedade civil e passaram a submeter-se voluntariamente ao poder político, numa atitude inaudita na história mundial. O mesmo poder político que desde então não tem cessado de as subverter e desconsiderar a seu bel-prazer.
O Sr. Ministro da Defesa veio a público dizer que só deve estar nas FA's quem tem vocação para tal. Esqueceu-se de definir o seu conceito de vocação. Curiosamente, o normal coro de vozes hostis às forças militares, quase nem se fez ouvir. Estariam todos distraídos?

Poucos saberão que foram as missões internacionais das FA's que deram voz a Portugal nas Nações Unidas na resolução da situação de Timor-Leste. Poucos o saberão porque a classe política se encarregou de tomar para si os louros.
São as FA's actualmente dos poucos esteios de credibilidade do país a nível internacional, pelas meritórias missões que vêm mantendo a decorrer pelo mundo.
Mas são esses homens que o Sr. Ministro da Defesa quer fora das FA's porque lhe são incómodos. São ironicamente um alvo fácil.

Entretanto os grandes interesses mantêm-se incólumes: o Estado continua a sustentar entre muitos outros interesses, contratos com empresas claramente danosos para o país, assinados por quem antes estava no Governo e agora está nessas empresas. Continua a servir interesses, não politizados como acusou o Sr. Ministro os militares, mas de políticos e ex-políticos. E por aí sim, haveria muito dinheiro que se poderia poupar aos contribuintes.

Ainda assim o Sr. Ministro acertou na necessidade de reformas. Mas reformas para que as FA's sejam mais autónomas do poder político, constantemente a ingerir-se no seu funcionamento interno.

As FA's não são a Carris, Sr. Ministro. 

Da próxima vez que falar dos homens que o seu ministério tutela, tenha vergonha. Há mais patriotismo no dedo de um pé de um soldado português, do que na classe política toda.
As Forças Armadas devem ser a pedra basilar de uma nação. Se ainda não percebeu isso, está no cargo errado!
____
Nota: Não sou militar, nunca fui militar, nem tão-pouco tenho militares na minha família próxima. Não sou nem nunca fui filiado nem simpatizante de nenhum partido político. Considero-me por isso insuspeito para poder falar de modo isento, longe de interesses próprios em qualquer dos lados.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

MAIS UM SITE..."OPERACIONAL" E UM BLOGUE... "BASE AÉREA"


1 - Das relações públicas da Força Aérea, recebemos mais uma nota, dando conta do aparecimento de um novo site ligado às Forças Armadas Portuguesas.
Trata-se do "Operacional", a quem desejamos, desde já, o maior sucesso.
Nele encontram-se artigos de opinião sobre assuntos relativos à defesa nacional, relativamente aos três ramos das FA's, como já se aludiu e também extensivos às forças de segurança.



2 - Damos também conta de mais um blogue de fotografias e spotting que entretanto surgiu. Pode ser visto aqui.
Ao Sérgio Trindade, seu mentor, desejamos também boas fotos e boa sorte para o seu novo espaço na blogosfera temática.

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