quarta-feira, 4 de julho de 2012

AS ARMAS E A "CRISE" (M683 - 29AL/2012)


Nos tempos cegos que vivemos, o léxico que desenha as palavras e frases dos dias estreita-se num funil cujo "bico" permite poucos vislumbres e derivado ao seu desenho e forma, tende a redundar a análise de algumas coisas num amontoado de muitas outras coisas que se tentam enfiar todas por junto no dito corredor estreito do funil.
Tal como os líquidos, a dada altura, tudo resvala para um remoinho que na voragem do rodopio leva tudo. O que deve e o que não deve...
Os tempos de aperto que se vivem, cujas causas estão mais ou menos dissecadas, permitem que algumas posições se coloquem em diâmetros opostos e que, por isso, sejam propícias a um certo extremismo de pensamento e cujos pontos de equilíbrio nem sempre se procuram.
Ouvi, recentemente, alguém 
     um "simples" cidadão
verberar violentamente contra as forças armadas e sobre o seu papel de sorvedouro inútil de dinheiros públicos que, nesta altura, serviriam muito mais e melhor a cousa pública se não "esbanjados por esses parasitas!"(sic).
Ora este tipo de pensamento é perigoso para além de lamentável. A boca de quem ouvi isto ter-se-á esquecido que foram os militares que num tempo igualmente muito difícil fizeram o 25 de Abril, a tal revolução que permite que coisas destas se ouçam e leiam, porque fazem parte do exercício da liberdade.
E no que respeita à Força Aérea, a coisa ainda é pior, dado esse personagem achar um escândalo que os F-16 andem "a queimar milhões e milhões ao estado e para quê, se não temos inimigos?" (sic) E a seguir nova questão "porque não põem os helicópteros e os aviões a apagar os fogos de verão e estão os militares à sombra dos quartéis?" (sic)
Para que se perceba, a mesma indignação quase ácida para com os militares, acaba por se diluir quando esta "boca" atribui missões aos militares, esquecendo a anterior inutilidade que lhes havia colocado em selo/rótulo. Ou seja, tudo demasiado afastado e próximo ao mesmo tempo.
Mas isto tudo leva a que se perceba algo bastante simples. Estes tempos de crise, em que o pessimismo é de certa forma "lei" e onde o horizonte do cidadão está afunilado, são propícios ao extremismo e à perda de confiança em instituições que são pilar de uma nação, instituições certamente encabeçadas pelas Forças Armadas.
Por isso mesmo, é urgente manter padrões mínimos de dignidade nas Forças Armadas e acreditar que elas são, de modo efetivo - um dos "pilares" da soberania nacional e algo que, sejam quais forem os tempos do tempo - de crise ou "abastança" - garantem aos cidadãos todas as conquistas e toda uma construção que levou séculos a edificar! São elas que garantem aos cidadãos, pela sua postura, ação e até pedagogia, que apesar da "crise" e do pessimismo feitos "lei" por outrem - a quem não raras vezes cabem as grandes decisões -  há Homens e Mulheres prontos e de forma digna, a garantir que não perdemos em dias ou semanas, o que levou tanto orgulho, sangue, suor e lágrimas a construir durante muitos séculos!
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Nota. Esta opinião apenas vincula o seu autor.

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