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terça-feira, 26 de maio de 2020

RÚSSIA COLOCA CAÇAS NA LÍBIA [M2142 - 60/2020]

MiG-29 sem marcações alegadamente em trânsito para a Líbia      Foto: US Africa Command

O US Africa Command (Comando Militar dos EUA para África) revelou hoje imagens de caças  MiG-29 e Su-24, alegadamente russos em rota para a Líbia. Segundo o comunicado de imprensa acompanhando as fotos, trata-se de caças destacados para apoiar mercenários privados, apoiados pelo Estado russo. As imagens parece terem sido captadas por um targeting pod ou FLIR de longo alcance de aeronaves americanas. Nas mesmas é possível discernir  marcações russas nalgumas das aeronaves.

Su-24 alegadamente em trânsito para a Líbia     Foto: US Africa Command
Marcações russas no Su-24      Foto: US Africa Command
Marcações russas num MiG-29      Foto: US Africa Command

Durante a semana passada, imagens de satélite tinham já dado conta da presença aeronaves russas, na base aérea de Al Jufrah, situada na zona controlada pelo  Exército Nacional da Líbia (LNA).

Uma das primeiras imagens mostrando um MiG-29 em Al Jufrah a 19 de Maio de 2020    Foto: US Africa Command

As forças oponentes, do Governo de Acordo Nacional (GNA) reconhecido internacionalmente e apoiado pela Turquia, denunciaram mesmo que uma quantidade de seis MiG-29 e dois Su-24 teria chegado a Al Jufrah. Já o comandante da Força Aérea do LNA, Saqr al-Jaroushi, confirmou também a presença dessas aeronaves ao seu serviço e declarou que os caças serão usados "na maior campanha aérea na história da Líbia", considerando ainda que "todos os meios e interesses da Turquia em todas as cidades ocupadas, são alvos legítimos".

Em comunicado de imprensa divulgado hoje, 26 de Maio de 2020, o US Africa Command afirma acreditar que Moscovo destacou estes aviões de combate na Líbia, a fim de apoiar empresas militares privadas (PMCs) apoiadas pelo Estado russo, que operam localmente.


Mais imagens de MiG-29 sem marcações    Foto: US Africa Command

As aeronaves militares russas destinar-se-ão provavelmente a fornecer Apoio Aéreo Próximo e poder de fogo ofensivo ao Grupo Wagner, que apoia o LNA, na guerra civil contra o GNA. O comunicado afirma ainda que os caças/caças-bombardeiros russos chegaram à Líbia, a partir de uma base aérea na Rússia, depois de transitarem através da Síria, onde se pensa que foram repintados para ocultar a sua origem russa.



Base síria antes e depois da partida dos MiG-29 para a Líbia     Fotos: Foto: US Africa Command

"A Rússia está claramente a tentar mudar a balança a seu favor na Líbia. Tal como os vi fazer isso na Síria, estão agora a expandir a presença militar em África, usando grupos de mercenários apoiados pelo governo, como a Wagner", disse o general do exército americano Stephen Townsend, comandante do US Africa Command. "Por muito tempo, a Rússia negou toda a extensão do seu envolvimento no actual conflito líbio. Bem, não há como negar agora. Vimos como a Rússia levou caças de quarta geração para a Líbia - durante todo o trajecto. Nem o LNA nem as empresas militares privadas podem armar, operar e sustentar estes caças sem o apoio do Estado - apoio que estão a receber da Rússia ".
Imagens dos Su-35 alegadamente escoltando os caças destacados na Líbia durante (pelo menos) parte do voo de entrega  Foto: US Africa Command

A Rússia terá vindo a utilizar a Wagner na Líbia, para ocultar seu envolvimento directo e permitir a Moscovo uma negação credível das suas intenções. As imagens de caças Su-35, alegadamente escoltando os caças destacados no voo de entrega, parecem contudo comprometer este álibi.

O mundo ouviu Haftar declarar que estava prestes a iniciar uma nova campanha aérea. Serão pilotos mercenários russos pilotando aeronaves fornecidas pela Rússia para bombardear líbios ”, disse Townsend.

O US Africa Command estima que as acções militares de Moscovo prolongaram o conflito na Líbia e exacerbaram as baixas e o sofrimento humano de ambos os lados, considera ainda que a Rússia não está interessada no que é melhor para o povo líbio, mas que está a para alcançar os seus próprios objectivos estratégicos.

"Se a Rússia se apoderar da base na costa da Líbia, o próximo passo lógico é implantar meios permanentes de negação de área de longo alcance (A2AD)", disse o general da Força Aérea dos EUA Jeff Harrigian, comandante das Forças Aéreas dos EUA na Europa / Forças Aéreas de África (USAFE/AFAFRICA). "Se esse dia chegar, criará preocupações de segurança muito reais no flanco sul da Europa".

Ainda segundo o mesmo comunicado, as acções desestabilizadoras da Rússia na Líbia também exacerbarão a instabilidade regional, que levou à crise migratória que afecta a Europa.

Actualização 27/05/2020

Já no dia 27 de Maio de 2020, o US Africa Command divulgou mais informações acerca da quantidade de meios aéreos que chegaram à Líbia, que perfazem agora um total de pelo menos 14 caças.

Através da conta oficial da rede social Twitter, juntamente com imagens, pode ler-se "Durante vários dias em Maio, caças MiG-29 e Su-24 russos deixaram a Rússia. Tinham então todos marcas da Força Aérea da Federação Russa. Após aterrar na base aérea de Khmeimin na Síria, os MiG-29 foram pintados e reaparecem sem marcas nacionais. Foram tripulados por membros militares russos e escoltados por caças russos baseados na Síria, aterrando no leste da Líbia perto de Tobruk para [colocar] combustível. Pelo menos 14 novas aeronaves russas sem marcas foram então entregues à base aérea de Al Jufra"






quarta-feira, 2 de outubro de 2019

INTERCEPÇÃO COLORIDA SOBRE O BÁLTICO [M2068 - 55/2019]

Intercepção de um Il-20 russo sobre o Báltico pelo F-16 E-191 com a pintura comemorativa dos 800 anos da bandeira dinamarquesa

A Real Força Aérea Dinamarquesa (Forsvaret) accionou o alerta de defesa (Quick Reaction Alert - QRA) ao espaço aéreo dinamarquês, no passado dia 30 de Setembro de 2019.

Nada de muito anormal, não fora um dos caças enviados para a intercepção ao Il-20 russo que despoletou a situação, por voar sem plano de voo, nem transponder ligado sobre o mar Báltico, ser realizada pelo colorido F-16 n/c E-191, adornado este ano com uma colorida pintura especial, comemorativa dos 800 anos da bandeira dinamarquesa.



Para além de divulgar as imagens do encontro, a Forsvaret aproveitou a ocasião para revelar mais dados acerca da missão de policiamento aéreo, realizada pelos seus F-16 a partir de Skrydstrup, nomeadamente as estatísticas de accionamento do alerta (scramble) real, compiladas na seguinte tabela:

"Temos anos em que há mais voos e anos em que há menos, mas no geral o número de activações do nosso QRA é realmente bastante constante", diz a propósito o brigadeiro-general Karsten Fledelius Jensen, chefe do Centro Nacional de Operações Aéreas da Real Força Aérea Dinamarquesa.

Na maioria das vezes, os "clientes" são aeronaves militares russas a voar em espaço aéreo internacional. Quando estes patrulham o Báltico, geralmente traçam as rotas em torno do espaço aéreo dos países vizinhos - por outras palavras, em espaço aéreo internacional. À medida que se movimentam contudo, os alertas das várias nações são activados - e, portanto, também os dinamarqueses.


Quando não se trata de aeronaves militares russas, são normalmente aeronaves civis de maiores ou menores dimensões, para as quais o alerta pode ser activado, se perderem as comunicações de rádio ou tiverem problemas com, por exemplo, o trem de aterragem.

A tarefa também pode ser seguir uma aeronave civil até um local de aterragem adequado se, por exemplo, eles tiverem problemas com os equipamentos de navegação.

Na maioria das vezes, isto ocorre sobre o Mar Báltico, mas também pode suceder aeronaves não identificadas descerem ao longo do limite do espaço aéreo norueguês pelo Mar do Norte. Quando isso acontece, o QRA dinamarquês também entra em acção.

Infracções verdadeiras ao espaço aéreo dinamarquês contudo, raramente acontecem. As violações efectivas do espaço aéreo são pouco frequentes.


Já os vôos militares russos, geralmente ocorrem sem os transponders ativados (sistema que os torna visíveis e os identifica para o tráfego comercial), o que significa que o tráfego aéreo regular não os pode identificar, representando por isso uma ameaça à segurança de voo, tal como comenta Karsten Fledelius Jensen:

"Quando o QRA segue aviões russos sobre o mar Báltico, às vezes é também uma questão de garantir que o tráfego na área seja visível a todos", referiu a propósito, para depois elaborar:"houve situações no passado em que o tráfego civil estava em risco porque não podiam "ver" os aviões russos. O nosso QRA voa com os transponders ligados, por isso temos certeza que seremos vistos. É disso que trata o nosso trabalho".
Fotos: Forsvaret

quinta-feira, 11 de abril de 2019

NOVA ENTREGA DE SU-30 PARA ANGOLA [M2032 - 19/2019]

Su-30 com a pintura da FAN nas instalações da 558 ARZ na Bielorússia em Setembro de 2018     Crédito: André Carvalho

A Força Aérea Nacional de Angola irá receber  mais dois caças Su-30K, de um total de doze, encomendados por Luanda à Rússia em 2013.

A notícia foi divulgada durante a visita de Estado do presidente angolano João Gonçalves, a Moscovo a 3 de Abril, quando o ministro da Defesa Salviano de Jesus Sequeira revelou que contratualmente a entrega das aeronaves está prevista para Maio próximo: "Angola teve sempre uma boa cooperação militar com a Rússia. Dentro deste contrato já recebemos seis SU-30K e esperamos que mais dois sejam entregues a Angola até ao fim de Maio".

Apesar de inicialmente previstas para 2015, as primeiras entregas viriam a ocorrer apenas em Setembro de 2017, alegadamente devido a atrasos nos trabalhos de modernização das células, anteriormente operadas pela Força Aérea Indiana, mas que poderão também estar relacionados com problemas de tesouraria angolanos, na sequência da crise económica daquele país, despoletada pelo baixo preço do petróleo.

Em Lubango podem ver-se numa das placas o que parece ser um MiG-23 e dois Su-30        Crédito: André Carvalho

Os Su-30 da nova entrega, deverão juntar-se aos anteriores em Lubango, base que congrega grande parte dos caças da FAN, e onde podiam ser observados Su-30 no Google Earth, já em Outubro de 2018.



quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

RÚSSIA DESTACA SU-57 NA SÍRIA [M1953 - 13/2018]

Frame do vídeo divulgado na rede Twitter alegadamente mostrando a aterragem de uma parelha de Su-57 na Síria

Circularam nas últimas horas imagens fotográficas e vídeo, de caça russos de 5ª Geração Su-57, alegadamente a aterrar na base aérea de Khmeimim, na Síria.
A parelha de Su-57 terá chegado à província síria de Latakia, juntamente com quatro Su-35S e outros quatro Su-25 e um A-50U de alerta aéreo.
As imagens começaram a circular ontem, 21 de Fevereiro e a sua veracidade foi comprovada por um oficial da USAF no dia seguinte.

Imagens vídeo da aproximação dos Su-57 à pista de Khmeimim

A intenção de destacar uma aeronave ainda em fase de protótipo, em cenário de guerra real, não é por enquanto ainda clara, mas pode ir desde simples manobra de propaganda, como ter interesses mais estratégicos.


A primeira opção é bastante verosímil e não é sequer situação nova em material russo/soviético. Durante o conflito na Síria, a Rússia tem aproveitado para demonstrar muito do seu material bélico, algumas vezes em acções pouco lógicas do ponto de vista militar, tais como missões realizadas com os seus bombardeiros estratégicos, através de rotas muito pouco eficientes, contornando toda a Europa Ocidental. Este tipo de acções parece ter como único objectivo mostrar o que o seu equipamento pode fazer. Novas plataformas operacionais, como os Su-30, Su-34 e Su-35S, todas conheceram baptismo de fogo na Síria.

Imagens de Su-25 (em cima) e Yak-38 (em baixo) ainda em fase de protótipos no conflito do Afeganistão


Já o destacamento em zona de guerra de protótipos, aconteceu também anteriormente, nomeadamente com Su-25 e Yak-38 durante o envolvimento da União Soviética no Afeganistão. Este tipo de acção com protótipos, tanto pode servir para angariar potenciais clientes, como para poder atribuir o título de "testado em combate" ao produto.

Um dos protótipos do Sukhoi Su-57, exibindo algumas características pouco "stealth" como o revestimento dos motores e os o bocais de exaustão (Imagem de arquivo)

O Su-57, e por se tratar de um protótipo de caça de 5ª Geração ainda sem os motores definitivos, nem configuração "invisível" completa tem, não estando no que serão as suas capacidades totais. Contudo, dois interesses estratégicos parecem possíveis: testar os sensores nos F-22 americanos e ao mesmo tempo intimidar as forças americanas, com as quais recentemente vários incidentes directos têm ocorrido.
Os riscos contudo, existem também da parte russa, dado que estarão a proporcionar uma oportunidade para os adversários terem contacto com o novel caça da Sukhoi.

Actualização 23/02/2018

A propósito desta notícia, o Gen. Mike Holmes, chefe do Air Combat Command da USAF, disse que "irá certamente aumentar o nível de complexidade que as nossas tripulações terão de enfrentar".

Entretanto, a empresa de imagens de satélite israelita Imagesat, divulgou uma imagem da base aérea de Khmeimim, em que é possível visualizar os dois Su-57, sendo inclusivamente possível distinguir a camuflagem denominada "tubarão", de um dos protótipos.

Foto: Imagesat


Quaisquer que sejam as intenções de Putin, devemos ter notícias nas próximas semanas.
Ou talvez não.




terça-feira, 30 de janeiro de 2018

TU-160 "BLACKJACK" RENASCIDO [M1945 - 05/2018]

A fotos divulgadas do novo Tu-160M2 em Kazan            Foto: UAC

A United Aircraft Corporation divulgou hoje imagens do primeiro bombardeiro estratégico Tupolev Tu-160M2 nas suas instalações de Kazan. Saído da fábrica a 16 de Novembro de 2017, o primeiro Tu-160 fabricado desde que a produção foi encerrada em 1992, aparece agora já com a pintura final a utilizar pela Força Aérea Russa.

Foto: UAC

Designado "Blackjack" pela NATO e "Cisne Branco" para os russos, o Tu-160 é um bombardeiro nuclear estratégico, capaz de atingir velocidades superiores a Mach 2 (2 vezes a velocidade do som), tendo um alcance de mais de 12.000 km sem reabastecimento e um peso máximo à descolagem de 275 toneladas.

Foto: UAC

Vladimir Putin sugeriu inclusivamente um possível uso civil do modelo para o transporte de passageiros a velocidade supersónica, após presenciar o bem-sucedido primeiro voo de teste do aparelho.

O novo Tu-140, baptizado "Pyotr Deynekin" continuará a realizar testes de fábrica e após certificação, juntar-se-á à frota operacional, que compreende 11 Tu-160 básicos e cinco modernizados.

O nome do novo Tu-160M2 em cirílico "Pyotr Deynekin" na fuselagem

A decisão de retomar a produção do Tu-160 na versão modernizada M2, foi tomada em 2015, para um total de 50 novas células, a produzir em série a partir de 2020. A actual frota operacional será também totalmente modernizada para o novo padrão, que inclui nova motorização e equipamentos electrónicos.

Vídeo da apresentação pública em Novembro de 2017:



terça-feira, 12 de dezembro de 2017

ENTREGA DE SU-30 EM ANGOLA (M1939 - 76/2017)




Tal como o Pássaro de Ferro noticiou em Setembro passado, Angola recebeu os primeiros Su-30 modernizados pela 558 ARZ na Bielorussia. As imagens que se conheciam até ao momento contudo, eram apenas as divulgadas pelas 558 ARZ e ainda na Bielorússia,

Ontem 11 de Dezembro de 2017, surgiram na internet as primeiras imagens de um Su-30 aparentemente em solo angolano e ladeado pelo que parece ser pessoal local e russo/bielorusso.

A autoria das fotos não estava incluída, nem tão-pouco a quantidade de aeronaves entregues e/ou operacionais. A matrícula C-126 é contudo diferente do C-132 visível em Baranovich em Setembro, já com pintura da Força Aérea Nacional de Angola e em estado bastante avançado naquela altura.

Angola adquiriu uma dúzia de Su-30KN em Outubro de 2013, estando as entregas previstas terminar no início de 2018. Um segundo lote de seis Su-30 adicionais estará em negociação, mas até ao momento nada foi confirmado por qualquer das partes.




quinta-feira, 19 de outubro de 2017

RUSSOS SOBREVOAM PORTUGAL... AUTORIZADOS (M1928 - 65/2017)

Russian Federation Open Skies Tupolev Tu-154M/LK-1 RF--85655
O Tupolev Tu-154M que andou a voar nos céus portugueses  

Durante o dia de ontem, 18 de Outubro de 2017, os mais atentos a aplicações como o Flight Radar repararam num avião a descrever uma estranha rota sobre Portugal continental, a uma velocidade (257 nós - 476 km/h) e altitude (6075 pés - 1850m) igualmente pouco comuns para a aeronave em questão: um Tupolev Tu-154M.
A aplicação permite igualmente saber a matrícula e a que entidade pertence: RF-85655 da Força Aérea Russa, o que torna tudo aparentemente ainda mais estranho.

Screenshot da rota reguida pelo Tu-154 da FA Russa a 18/10/2017 sobre Portugal

Mas ao contrário de ocasiões anteriores, em que a Força Aérea Portuguesa lançou a parelha de alerta (Quick Reaction Alert - QRA) de F-16 para interceptar aeronaves russas sem plano de voo, o voo de ontem não foi interceptado simplesmente porque estava autorizado, apesar do Tupolev  estar a realizar oficialmente uma missão de observação nos céus portugueses.

Passamos a explicar: o acordo "Open Skies" assinado por 34 países - entre os quais Portugal - e que entrou em vigor a 1 de Janeiro de 2002, permite a realização de voos de observação mútua, para a recolha de informação sobre o armamento e actividades militares, no sentido de aumentar a confiança e a transparência entre as partes envolvidas. A trajectória destes voos é previamente definida, podendo ter o país sobrevoado observadores próprios a bordo, que receberão igualmente uma cópia das imagens recolhidas.

Se repararmos na rota seguida neste caso, esta inclui zonas de claro interesse militar como Ovar, Monte Real, Tancos/Santa Margarida e a região de Lisboa.

Este tratado Open Skies, nada tem a ver com a convenção Open Skies de uniformização da regulamentação da aviação civil internacional.


Agradecimento: André Carvalho




quarta-feira, 11 de outubro de 2017

MEIA DÚZIA DE MIG-29 PARA A SÉRVIA (M1925 - 62/2017)

MiG-29SMT facilmente reconhecível pela "corcunda" atrás do cockpit

No final de um longo processo para reforçar a depauperada Força Aérea da Sérvia, chegaram na semana passada a Belgrado seis MiG-29, provenientes da Rússia por via aérea.
As células chegaram desmontadas, , duas a duas no An-124 da Volga-Dnepr (n/c RA-82045) entre 2 e 4 de Outubro de 2017, à base aérea de Batajnica.

Embora tenha solicitado soluções a variados países, incluindo ocidentais  em 2010, tendo recebido ofertas para Rafale, Typhoon, F-16, Su-30, MiG-29 e JF-17, o processo seria suspenso um ano mais tarde, devido principalmente a falta de verbas.
Meia década e muitas negociações depois, levaram finalmente ao negócio com a Rússia, anunciado em 21 de Dezembro de 2016, que contempla a aquisição de seis MiG-29 a custo zero, mas cujos trabalhos de modernização estão avaliados em cerca de 236M USD. Alegadamente, a modernização elevará os aparelhos à versão MiG-29SMT - a mais moderna disponível actualmente.

Actualmente, a Sérvia dispõe apenas de dois MiG-29A monolugares e outros dois MiG-29 UB bilugares em condições de voo, para realizar a missão de policiamento aéreo do país, a partir de Batajnica. A Esquadra 101, única equipada com caças, dispõe ainda de dois MiG-21UM bilugares operacionais, que não tendo capacidade de carregar armamento inicialmente, foram readaptados no país para poderem carregar mísseis ar-ar R-60 de curto alcance, guiados por infravermelhos.

Embora não seja ainda informação oficial, o lote chegado à Sérvia diz-se compreender uma célula MiG-29A (9.12A), três C (9.13) e dois UB

Apesar de pertencer actualmente ao programa de Parceria da NATO e de estar em processo de adesão à União Europeia, a influência do velho aliado russo fez-se sentir mais uma vez na Sérvia, ao contrário de países vizinhos, que têm tomado decisões para depender menos de equipamento russo. Fonte não identificada da NATO, comentou a decisão de Belgrado com um lacónico "os equipamentos de Defesa adquiridos pelos Parceiros são uma escolha soberana desses países".
Ainda assim, não deixa de ser sintomático que quando países vizinhos se tentam afastar de equipamento russo, a Sérvia escolha neles reinvestir.

MiG-29 da Patrulha acrobática russa  "Strizhi" (andorinha) 

A apresentação oficial dos caças está prevista ocorrer no dia 20 de Outubro de 2017, durante a parada militar comemorativa da libertação de Belgrado na II Guerra Mundial, à qual deverá comparecer o ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, bem como a patrulha acrobática igualmente russa "Strizhi", equipada precisamente com MiG-29.


domingo, 24 de setembro de 2017

ANGOLA RECEBE PRIMEIROS SU-30 (M1918 - 55/2017)

Su-30 já com a pintura angolana nas instalações da 558 ARZ em Baranovich             Foto: Dmitriy Berdasov
idem                                                                 Foto: Dmitriy Berdasov


Os primeiros dois  Sukhoi Su-30KN de um total de doze adquiridos por Angola, foram expedidos esta semana, a partir das instalações da 558 ARZ em Baranovichi na Bielorússia, onde foram modernizados. Segundo o sub-director da empresa, Aleksander Vorobei, os restantes dez deverão seguir-se-lhes de acordo com o calendário estabelecido, até às primeiras semanas de 2018.


SU-30 angolanos ainda em pintura primária

Os caças pertencem a um lote de 18 Su-30K, utilizados anteriormente pela Força Aérea Indiana, que foram retomados pela Rússia até 2011, após a Índia receber a versão mais moderna Su-30MKI.

Angola adquiriu doze desses caças, em contrato orçado em cerca de 1000M USD (dados não-oficiais) datado de Outubro de 2013, tendo sido modernizados para o padrão Su-30KN. Estas modificações incluem, segundo a agência de notícias Tass, o sistema de radar, que permitirá disparar contra dois alvos aéreos simultaneamente com mísseis guiados por radar, mapeamento digital e modos de observação do solo. As alterações prevêem ainda a substituição de alguns instrumentos analógicos por ecrãs digitais multi-funções e um sistema de vídeo. Terá ainda uma panóplia de armamento ar-ar e ar-terra alargada, sendo um verdadeiro caça multi-funções.


Descolagem para o primeiro voo a 31 de Janeiro de 2017
Primeiro voo da primeira célula modificada para o padrão Su-30KN

Rolagem da primeira célula em Baranovichi, Bielorússia

O voo da primeira célula modificada aconteceu a 31 de Janeiro de 2017, mas a entrega ocorreria apenas durante a semana transacta. Inicialmente programada para 2015, sofreu um atraso de sensivelmente dois anos, por razões que se deverão prender com a crise económica gerada pela baixa do preço do petróleo, embora a versão oficial fale em modificações adicionais nos aviões, solicitadas por Luanda.

Regresso do primeiro voo de um Su-30KN destinado a Angola

Notícias veiculadas na imprensa em Julho de 2017, davam conta de negociações entre Luanda e Moscovo, para a aquisição das restantes seis células do lote ex-indiano, mas nada foi confirmado ainda oficialmente.

A Força Aérea Nacional de Angola possui já vários modelos de caças e bombardeiros da família Sukhoi, nomeadamente Su-22, Su-24, Su-25 e Su-27, para além de MiG-21 e MiG-23 também de origem russa/soviética.

Su-27UB da Força Aérea Nacional de Angola          Foto: Autor desconhecido

No Google Maps vê-se o que parece ser um Su-30 com a camuflagem angolana nas instalações da ARZ em Baranovichi




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