sábado, 14 de junho de 2014

MEMÓRIAS DUM MECÂNICO DE ALOUETTE EM ÁFRICA - 4 (M1620 - 189PM/2014)

Alouette III com T-6 em fundo        Foto: Autor desconhecido

Capítulo 1
Capitulo 2 
Capítulo 3

Março de 1974 

Depois de um voo e de preparar o heli para nova missão, saímos para jantar, eu o Zé Grande, o Barbosa e o Azevedo.
Como era o nosso costume, íamos à cidade ao restaurante Miralago comer o “Frango à Miralago”, beber tintol e ir ao cinema. O mesmo filme era projetado durante uma semana e como todos os dias íamos ao cinema era um fartote. “A mania das grandezas “cujo ator era o Luí de Funés “. Era para a "desgraça". Até entravamos a marchar! Era um gozo. Era bom, descomprimíamos a tensão depois de um dia de voo.

Numa dessas noites estava eu a dormir e comecei a sonhar que estava na placa do AM (NR: Aeródromo de Manobra) de Vila Cabral e ouvia o som do helicóptero. Ouvia o bater das pás, mas não o via e de repente ouço uma explosão e não ouço mais nada. Acordo a transpirar e cheio de medo com o coração a bater muito depressa. Acabei por sossegar e dizer para mim que era um sonho. Não comentei com ninguém e deixei andar, tinha sido um sonho. Só consegui adormecer horas mais tarde. 

O helicanhão     Foto: Autor desconhecido

Passado tempos, fazemos uma nova operação em Tenente Valadim, pois a zona de ataque era numa zona chamada Serra Cortada, onde o inimigo estava. Dou saída ao helicanhão que era pilotado pelo Cap. Castelo e levava como atirador o Sarg. V. Carvalho (o sonho vem-me à memória). Durante a largada o helicanhão dava proteção à tropa e aos helis. Como tal, tinham de se meter no fogo do inimigo. 
O helicanhão é atingido. Ao retirar o atirador à chegada, sinto o cheiro de pólvora e carne queimada. É um cheiro característico. Penso de imediato. O Vaz foi atingido e queixa-se de uma perna. Foi evacuado para Nampula. 
Finda a operação voltamos para Vila Cabral. 

Há uma nova operação em Niassa. Quando soube que a mesma ia ser repetida e era para o mesmo local, preparei tudo que era necessário para a operação: óleos, massas, macas e ferramentas. 

Linha da frente de AL III em África         Foto: Autor desconhecido

Chegam quatro helicópteros e no dia seguinte, partimos para as novas operações para a Serra Cortada. Entretanto, surge o mau tempo e acabamos por ficar no aquartelamento em Tenente Valadim. 
Enquanto aguardávamos que o mau tempo levantasse, ficámos a jogar às cartas, então o que eu gostava jogar: à Lerpa. Não me recordo de todos os jogadores, mas era eu, o Mendonça e o Manel da milícia do Roxo, que estava a perder muito até à hora do jantar. Depois de bem comer e beber, regressàmos às cartas. Nessa altura, a minha sorte mudou: comecei a ganhar. Consegui ter um saldo positivo. À meia-noite acabou-se o jogo. Não perdi, também não ganhei muito. Ficámos todos satisfeitos. Aguardávamos o dia seguinte. 

Que foi feito desse tal Manuel? Era engraçado quando contavam as histórias dele. Lembro-me que o queriam promover a alferes e ele recusou-se pois preferia ser sargento, que tinha mais riscos.

Às seis horas da manhã já estávamos no refeitório a tomar o pequeno almoço e depois fomos para a pista preparar os helicópteros e os T-6. Foi uma noite mal dormida, em cima duma espécie de colchão.
As minhas máquinas (helis) eram o helicanhão e um de  transporte que estavam em Vila Cabral. Começo por dar saída ao canhão que era pilotado por Cap. Fernando Castelo e o atirador era o V. Carvalho. Pensei que ia haver vingança da operação passada. Fizemos a inspeção antes de voo, depois de darmos a volta à máquina. O capitão senta-se e coloca o cinto de segurança e eu verifico e bloqueio o cinto. Digo que o cinto não estava bloqueado, o capitão faz um sorriso e pisca o olho. Desbloqueia como quem diz que "está tudo bem". Largo o heli depois de ver se tinha fugas, quer de óleo quer de combustível. Como estava tudo bem, por sinais digo ao Castelo que estava tudo bem e vou para outro helicóptero, faço as mesmas operações e dou o OK.

O heli do Castelo, é o primeiro a descolar. Depois vão todos os outros. Quando o último descola, ao ouvir o som dos helis, recordo-me do sonho que tinha tido. 

As evacuações de feridos e mortos em AL III       Foto: Autor desconhecido

Passados minutos, aterra um helicóptero a dizer que o Capitão tinha sido abatido. Eu não acredito! Afinal o sonho estava a realizar-se. Sou dos primeiros a querer ir para o local da queda. Não deixam. Vai um outro mecânico (Mendes) que é largado no local da queda e retiram o atirador mais uma vez ferido e o corpo do Capitão.

Retiro o corpo do Capitão do heli à chegada. A maca é colocada no solo. Olho para o corpo. Só se ouve o barulho dos helicópteros e dos aviões no ar. O vento sopra e agita a ponta dos bigodes do Capitão. Fico a olhar. Um fio de sangue seco no canto da boca. Uma raiva de revolta surge em mim. Penso em tudo. Quero vingança. O meu Capitão está estendido numa maca e morto. MALDITOS! Isso não vai ficar assim penso eu, mas não estava tudo nas minhas mãos…

Começo a voar com pistola e a minha metralhadora uma Pepshaware (arma capturada ao inimigo). Passado poucos dias, devolvo a pistola, pois só me incomodava. Preferia ter a metralhadora. Saio com o Barbosa para uma evacuação de “zero horas". A rapar as copas das arvores, passamos por Nova Viseu e vamos à procura do local para efectuarmos a evacuação, pois as coordenadas eram para algures perto de Nova Viseu. 
Voámos para vários sítios. Enquanto procurávamos a tropa, que estava no mato, bem os tentámos encontrar através de chamamento da rádio: "terra, terra é a Mosca". Não conseguimos localizá-los. Voltámos a Nova Viseu para nos confirmarem o local, mas não conseguiram dar mais informações.  Regressámos por isso para Vila Cabral, e passados três dias voltámos para o local, com novas coordenadas. Conseguimos localizar o pelotão, aterrámos e quando ia sair com a maca, entregam-me um saco de lona ensanguentado e com um cheiro horrível, pois foram três dias à espera de ser retirado do local. 
Regressamos a Vila Cabral com um cheirete dentro do heli. Como tinha levado o meu desodorizante pusemos o lenço que trazíamos à volta do nariz e comecei a pôr o spray. Passámos o voo a gastar o meu rico desodorizante. Tinha sido bem caro,  tinha-o comprado em Nampula. 
Aterrámos no hospital. Como de costume, apareciam muitos civis e militares a quererem ver o que o heli trazia. E nós "mascarados". Era um voo diferente. 
Aparecem os maqueiros para retirarem a maca e eu entrego-lhes o saco como mo entregaram. Assim que acabo de entregar o corpo despedaçado dentro do saco, uma mulher pergunta o que era aquilo. Eu por linguagem gestual digo "o corpo de uma pessoa". 
A mulher abriu a boca e caiu para o lado. 
Fiz sinal para o maqueiro, a indicar a mulher caída. 
Regressámos à base de portas abertas, para não termos de aguentar mais o cheiro.


Texto: Abdul Osman, Ex-MMA

IL-76 UCRANIANO ABATIDO POR SEPARATISTAS (M1619 - 188PM/2014)

Ilyushin Il-76 semelhnate ao abatido hoje em Lugansk - Ucrânia

A insurreição pró-russa no Leste da Ucrânia teima em resistir e este sábado deu uma prova de força, abatendo um avião de transporte militar que se preparava para aterrar na cidade de Lugansk. Todos os 49 passageiros a bordo, 40 soldados do Exército nacional e 9 tripulantes, morreram no ataque – “cínico e traiçoeiro”, classificou o ministro da Defesa – com mísseis anti-aéreos.

O recém-empossado Presidente ucraniano Petro Poroshenko, que reuniu de urgência com o aparelho da segurança nacional, prometeu retaliar contra os responsáveis pelo ataque. “A Ucrânia precisa de paz, mas os terroristas receberão a resposta adequada. Aqueles que estiverem envolvidos neste cínico acto de terrorismo podem ficar com a certeza de que serão punidos”, prometeu.

Fortemente armados e equipados com tecnologia russa, os rebeldes não se intimidaram nem esmoreceram com a operação anti-terrorismo lançada pelo Governo de Kiev para reafirmar a autoridade do Estado nas províncias do Leste e estancar a tendência separatista alimentada por Moscovo. Em Março, grupos de ucranianos pró-russos instauraram governos autónomos ad-hoc em Donetsk e declararam unilateralmente a independência das respectivas regiões.

O Governo começou por responder timidamente às investidas dos rebeldes, que desde o início de Abril tomaram edifícios governamentais, quartéis da polícia ou estradas e aeroportos das regiões de Donetsk e Lugansk, mas no fim de Maio, após a eleição de Poroshenko, a campanha militar foi intensificada. Nos dois meses que já dura a operação das forças ucranianas contra os separatistas, já foram confirmadas 270 mortes – este sábado foi o dia mais sangrento para as tropas governamentais.

O aparelho abatido, um avião de transporte Ilyushin-76, carregado com tropas e equipamento militar, estava a iniciar a aterragem em Lugansk quando foi atingido por artilharia anti-aérea – as autoridades ucranianas falam em mísseis Stinger. A reportagem da Reuters encontrou os militantes separatistas junto dos escombros da aeronave, nos arredores da cidade. “Os fascistas podem trazer os reforços que quiserem, esta será sempre a nossa resposta: é assim que combatemos”, garantiu um dos rebeldes, que se identificou apenas pelo nome Piotr.

Na semana passada, os separatistas tinham lançado uma série de ataques ao aeroporto internacional de Lugansk, o único ponto estratégico da cidade que ainda se mantém nas mãos das forças ucranianas. No entanto, as batalhas pelo domínio da cidade abriram um flanco em Mariupol, uma cidade portuária de 500 mil habitantes que foi reclamada pelos rebeldes mas que na sexta-feira regressou ao controlo governamental.

O controlo de Mariupol permite às tropas nacionais manter em funcionamento a estrutura portuária por onde a Ucrânia canaliza a sua produção de aço, e também dominar as vias terrestres entre a fronteira com a Rússia e o interior do país. O ministro do Interior, Arsen Avakov disse que o Exército tinha recuperado 120 quilómetros de fronteira que estava nas mãos dos rebeldes: tendo em conta que a linha que separa a Ucrânia da Rússia se estende por 2000 quilómetros, a conquista pode parecer menor, embora possa cortar uma linha de abastecimento das forças separatistas.

Dos Estados Unidos, veio ontem a confirmação de que os tanques usados pelos rebeldes separatistas têm origem russa. “Podemos afirmar com total confiança que os tanques vieram da Rússia. Seguramente Moscovo vai alegar que os tanques foram roubados às forças ucranianas, mas nenhuma das unidades do Exército nacional que dispõe de tanques de guerra tem bases ou opera naquela região”, observou a porta-voz do Departamento de Estado norte-americano. A Rússia não comentou as alegações de Washington.




Fonte: Público

sexta-feira, 13 de junho de 2014

DISPOSITIVO DE DEFESA AÉREA DO BRASIL ESTÁ OPERACIONAL PARA O MUNDIAL DE FUTEBOL (M1618 - 70AL/2014)

 Os F-5EM são, neste momento, a ponta de lança da defesa aérea do Brasil e fazem parte do dispositivo operacional empregue no período do Mundial 2014.

O governo federal Brasileiro publicou ontem, quinta-feira dia 12, no “Diário Oficial da União”, um decreto assinado pela presidente Dilma Rousseff que autoriza o comandante da Aeronáutica a abater aeronaves que ameacem a segurança do espaço aéreo brasileiro durante o período do Mundial 2014 que se disputa naquele país.
A possibilidade do Comando da Aeronáutica autorizar a destruição de aviões considerados hostis, está prevista no Código Brasileiro das Forças Armadas desde 1986. No entanto, para que o comandante possa executar essa medida, precisa contudo de ser autorizado, via decreto com origem na Presidência da República.
O decreto publicado no “Diário Oficial” começou a valer a partir de ontem, data em que se iniciou a competição e vigorará até depois da fina, que acontecerá no Rio de Janeiro, no dia 17 de julho. O ministro da Defesa, Celso Amorim, também assina a autorização.

                                                            Os "Super Tucano" fazem também parte deste dispositivo.
Cerca de 12 700 militares e 77 aeronaves formam a estrutura responsável para garantir a segurança do espaço aéreo do Brasil durante o Mundial, segundo informações do governo federal.
O plano é semelhante ao de eventos anteriores, como na Copa das Confederações e a Jornada Mundial da Juventude. 
De acordo com a Força Aérea Brasileira (FAB), são três zonas de exclusão do espaço nas 12 cidades-sede dos jogos: a área “branca”, reservada, que começa a cerca de 100 km dos estádios; a “amarela”, restrita (12,6 km); e a “vermelha”, proibida (7,2 km).

Fonte: PA
Adaptação: Pássaro de Ferro

quarta-feira, 11 de junho de 2014

MAIS UM INCIDENTE RÚSSIA-EUA (1617 - 69AL/2014)

 RC-135 - Créditos na imagem.

No auge das tensões recentes entre os EUA e a Rússia, em 23 de abril passado, um avião de caça russo (SU-27 Flanker) armado, voou a cerca de 100 metros de uma aeronave dos EUA, no caso, um RC- 135U e terá efetuado algumas manobras tidas como "agressivas", factos ocorridos sobre águas internacionais, ao norte do Japão, segundo reconheceu recentemente o Pentágono. Inclusivamente, as mesmas fontes referem que na manobra, algumas atitudes foram consideradas "insultuosas".
Recorde-se que o RC- 135U é uma  aeronave de reconhecimento, equipada com sistemas que permitem obter informação a longo alcance e que depois se revelam bastante necessárias no "jogo de equilibrios".
O caça russo "atravessou-se no nariz do RC-135" dentro de um envelope de 100 pés e "virou um pouco para expor sua barriga" para os pilotos do RC-135 e mostrar que estava armado com mísseis ar -ar, segundo foi reportado por uma fonte do Pentágono. A mesma fonte acrescentou ainda que incidente levou altos líderes militares dos Estados Unidos entrar em contacto com a Rússia e expressar a sua preocupação com esta situação.

SU-27 Flanker

Foi pelo menos o segundo movimento considerado provocatório, efetuado pelos militares russos em abril, num momento em que as relações entre os EUA e a Rússia aumentaram o seu nível de tensão, sobretudo pela invasão terrestre e anexação da região da Crimeia, na Ucrânia, no início deste ano .
Recorde-se que em 12 de abril, um caça russo já havia efetuado uma manobra de provocação, a vasos de guerra norte-americanos no Mar Negro, conforme já noticiámos oportunamente.
O Pentágono não explicou o porquê da demora em admitir/reconhecer este incidente ocorrido nos mares do Japão.

Fonte: DID
Tradução e adaptação: Pássaro de Ferro


terça-feira, 10 de junho de 2014

SUKHOI T-50 RUSSO INCENDEIA-SE NA ATERRAGEM (M1616 - 68AL/2014)



Hoje, um caça stealth de 5ª geração da Rússia, o Sukhoi T-50 PAK-FA (PAK FA - Perspektivny Aviatsionny Kompleks Frontovoy Aviatsii), incendiou-se durante a manobra de aterragem, no final de mais uma missão de desenvolvimento do projeto. 
Apesar disso, a aterragem acabou por ser bem sucedida e o piloto (Sergey Bogdan) saíu sem um arranhão. Fontes no local, referiram que as chamas ocorreram na parte superior da aeronave - como a foto documenta - sendo que tudo indica que o aparelho será recuperável.
Segundo a Sukhoi, o incidente não terá repercussões negativa no programa de evolução do caça de 5ª geração da Rússia.

PUMAS EX-FAP SEM COMPRADORES (M1615 - 187PM/2014)

Células de SA-330 Puma inibidas após retirada de serviço da FAP

O Ministério da Defesa anulou o concurso internacional para a venda dos helicópteros Puma, desativados de serviço na Força Aérea Portuguesa (FAP). A decisão foi publicada esta segunda-feira em Diário da República, por meio de um despacho assinado por José Pedro Aguiar-Branco.

O concurso, que foi lançado em março passado, com um prazo de dois meses para a entrega de propostas, recebeu manifestações de interesse de diversas entidades, mas nenhuma proposta seria formalizada. O critério de adjudicação estabelecido era o "preço mais elevado por lote" dos oito helicópteros Puma e material sobressalente.

Recordamos que em dezembro de 2011, Aguiar-Branco revelou que estavam em andamento negociações com o INEM para a operação dos 'Puma' ex-FAP, mas esta opção viria a não se revelar vantajosa, devido ao nível de intervenção que as aeronaves necessitariam, pelo que acabariam por ser colocadas à venda.

A Força Aérea substituiu os helicópteros Puma, provenientes na sua maioria ainda da época da guerra do ultramar, pelos novos EH101 em meados da década de 2000. No entanto, problemas logísticos com a nova frota levaram à reativação temporária de quatro dos antigos helicópteros em 2008, que operaram até 2011, quando foram definitivamente retirados, e encontrando-se armazenados desde então.



segunda-feira, 9 de junho de 2014

ALERTA SOBRE WASHINGTON (M1614 - 186PM/2014)

F-16 da base aérea de Andrews

Um avião ligeiro (vulgo "avioneta") violou a zona de exclusão aérea sobre a capital dos EUA e foi intercetada por uma parelha de F-16 de alerta (QRA), que o obrigou a aterrar no aeroporto de Mount Airy, na Carolina do Norte. O Capitólio foi evacuado como medida de precaução.

As pessoas que se encontravam nesse momento no Tribunal Supremo, biblioteca do Congresso e edifícios adjacentes, também foram evacuadas. A evacuação começou às 13:30 locais de sábado 7 de junho, mas não afetou a Casa Branca.

"Entrou uma avioneta no nosso espaço aéreo" declarou o porta-voz da polícia do Capitólio, Shennell Antrobus. "Estabelecemos contacto com a aeronave, de modo que vamos poder continuar a trabalhar normalmente, vamos voltar a entrar no edifício" proferiu Antrobus, cerca de meia-hora depois do incidente. O responsável pela segurança do Senado escreveu no Twitter, que algumas ruas à volta do Capitólio haviam sido encerradas, devido à atividade policial.

Depois dos acontecimentos de 11 de setembro de 2001, a zona proibida ao voo para aeronaves privadas e comerciais foi ampliada. Desde então, esta zoan já foi violada repetidas vezes, principalmente por pilotos pouco experientes, ou que não realizaram as devidas atualizações das cartas aéreas.


Fonte: RT
Tradução: Pássaro de Ferro

domingo, 8 de junho de 2014

PILOTO DE B-1 AJUDA A ATERRAR AVIÃO COMERCIAL (M1613 - 185PM/2014)

O Cap. Mark Gongol no seu ambiente normal com um B-1B     Foto: USAF

"Todos os pilotos pensam 'o que é que eu posso fazer se isto correr mal?' quando vão num avião que não controlam" diz o Cap. Mark Gongol, assistente do oficial de operações da 13ª Esquadra de Apoio Aéreo de Fort Carson. "Pelo respeito profissional, todos sabemos que os pilotos de linha civis são extremamente qualificados, mas como derivação de ser piloto, tenho sempre os sentidos dispertos quando voo. Contudo, nunca pensei ver-me numa situação como a em que estive".

Gongol, a sua esposa e filha estava a caminho do aero porto internacional de Des Moines a 30 de dezembro de 2013, com 151 outros passageiros e seis elementos da tripulação, após passarem férias com a família. Aproximadamente aos 30 minutos de voo, Gongol notou que os motores foram colocados a baixo regime. Os pensamentos imediatamente lhe começaram a fervilhar na cabeça; havia um sem-número de razões pelas quais os motores poderiam ser colocados a baixo regime, mas nenhuma delas normal. Lentamente, o avião começou a descer e voltar à direita.

"Pelo sistema de comunicação com os passageiros, uma assistente de bordo perguntou se havia algum médico a bordo" conta Gongol. "Mais alguns pedidos para profissionais de saúde e os assistentes de bordo corriam para a primeira classe com os carrinhos de bebidas e um kit de primeiros socorros". Gongol pensava então tratar-se duma emergência médica num passageiro na primeira classe, pelo que os eu instinto disse-lhe para permanecer sentado e fora da passagem. Uma quarta comunicação soou então:"se houver algum piloto não-comercial a bordo, por favor tocar no botão de chamada dos assistentes".

Gongol percebeu imediatamente que a emergência médica era com o piloto. Olhou para a esposa que assentiu com a cabeça e carregou no botão. 
Chegado à cabine de pilotagem, Gongol viu quatro assistentes de bordo e dois passageiros enfermeiros a montar uma maca, com kits médicos espalhados pelo chão e o comandante do avião sentado na sua cadeira, com os olhos dilatados, suado, húmido e desorientado. Gongol imediatamente se apercebeu de que ele tinha sofrido um sério trauma cardíaco: "Após terem retirado o piloto, perguntou-me a co-piloto 'o senhor é piloto?' seguido rapidamente de 'em que é que voa?'" conta Gongol. "Sabia que ela estava numa posição complicada e aquela pergunta deu-lhe cinco segundos para avaliar se eu poderia ser útil. Eu tive também cerca de cinco segundos para a avaliar: "ela estava em pânico, ou estava em condições de pilotar o avião? Ambos acabámos as nossas avaliações silenciosas e ela fez uma avaliação correta e disse-me para fechar a porta e sentar-me".

A partir daí, Gongol estava calmo e concentrado e a co-piloto decidiu que ele seria útil para as comunicações rádio, apoiá-la na checklist da aeronave e ver se alguma coisa estava errada. Sendo comandante de aeronave, Gongol estava habituado a tomar decisões, mas sabia que a melhor maneira de ajudar a levar o avião em segurança até à pista era servir de co-piloto e tornar as coisas o mais normais possível para ela. Numa situação de emergência, teve a capacidade de se colocar num plano externo por um instante, para tomar a decisão aecrtada: "ela estava calma mas podia notar-se que algo stressada, quem não estaria?" diz Gongol para prosseguir, "no início interrompi a linha de operações dela, mas depressa nos adaptámos. Ela impressionou-me bastante".

Havia muitas questões que os dois pilotos falaram enquanto o avião descia; pressão de cabine, aproximação, contacto rádio com o controlo de tráfego aéreo (ATC), referências visuais e a programação do piloto automático, foram apenas algumas. A cerca de 500 pés de altitude do solo, a co-piloto tomou os controlos para realizar uma aproximação e aterragem manual, normais.
Após aterrar, virou-se para Gongol e perguntou-lhe se ele sabia para onde taxiar, já que ela nunca havia estado no aeroporto de Omaha antes. Impressionado com a calma e frieza da co-piloto a aterrar num aeroporto que não conhecia, Gongol recordava as aterragens naquele aeroporto, antes do treino de pilotagem.

"Surpreendentemente, taxiar foi a parte mais complicada do dia, para a co-piloto" conta Gongol. "Ela nunca tinha taxiado um 737 antes e o ATC não fazia ideia do que se tratava a emergência médica. Tivemos de tomar a decisão rapidamente de a mudar para o assento do comandante, para lhe permitir taxiar o avião, mesmo sem o treino necessário, porque a vida do comandante disso dependia".

Assim que as escadas insufláveis foram acionadas e os motores cortados, Gongol e a co-piloto falaram das decisões tomadas. Gongol assegurou-lhe que todas as decisões que ela tomou tinham o seu apoio; ele tomaria exatamente as mesmas opções, se estivesse no lugar dela.

O comandante do avião está em recuperação e contactou Gongol para lhe agradecer diretamente. A tripulação do avião, as duas enfermeiras que providenciaram os primeiros socorros e a co-piloto, contactaram também Gongol. Uma emergência acabou por tornar amigos vários estranhos.

"Só vi do mais alto profissionalismo, sob pressão, de todos os assistentes de bordo, as enfermeiras e a co-piloto" diz Gongol. "Todos a bordo permaneceram calmos, e não tenho qualquer dúvida de que isso contribuiu para o desfecho feliz do episódio. Na minha opinião, qualquer piloto militar teria feito exatamente a mesma coisa".

Gongol atuou numa situação de emergência, avaliou o papel que melhor poderia desempenhar, e mesmo se não foi o salvador direto de centenas de vidas, as suas ações contribuíram  para um final seguro do voo. As suas ações, segundo o próprio, não fazem dele um herói. Mas colocam-no com certeza uma categoria acima de alguém apenas bem intencionado.

Fonte: USAF
Tradução e adaptação: Pássaro de Ferro



F-16 HOLANDESES RECEBEM O PRIMEIRO BOEING 787 DA ARKE (M1612 - 67AL/2014)





Imagens da chegada do primeiro Boeing 787 da Arke, uma das subsidiárias da Thomson Airways.
À sua entrada no espaço aéreo dos Países Baixos, foi devidamente recebido por uma parelha QRA - Quick Reaction Alert - de caças F-16AM, de onde aliás foram obtidas estas belas imagens.

Fotos: RNAF

sábado, 7 de junho de 2014

MEMÓRIAS DUM MECÂNICO DE ALOUETTE EM ÁFRICA - 3 (M1611 - 184PM/2014)

Voo em formação de AL III da FAP algures em África     Foto: Autor desconhecido

Capítulo 1
Capitulo 2

A 15 de Janeiro de 1974, o Cap. Castelo diz-me para fazer a mala, pois a minha parte dessa comissão estava feita e iríamos para a Beira. No dia seguinte iria com ele num heli. Dia 16 de Janeiro, partimos para Nampula, com uma aterragem em Porto Amélia, para reabastecermos. Chegámos a  Nampula onde estive uns dias. Dez dias volvidos, arrancámos para a Beira com mais quatro helis, para efectuarmos heli-operações em vários locais, perto da Gorongosa, Carneiro, Vila Paiva de Andrade, Vila Gouveia etc. Voltei para Nampula e pensei "lá vou de novo para Mueda".

Acabei por não ir. Dois dias mais tarde, partimos para novas operações, mas dessa vez fomos para Vila Cabral, zona do Niassa. Fui avisado que iria fazer um destacamento de um mês nesse local. Acabei por ficar mais tempo. Saí de lá em maio de 1974.
Depois das heli-operações fiquei em Vila Cabral a substituir o F. Nunes, que já estava com nó (anos mais tarde fomos vizinhos na Cova da Piedade).

As "Mamas da Gina" -  Foto via site Batalhão 2908

Lá fiquei, fui conhecendo as áreas, as serras Cornos de Unango, Mamas da Gina (NR: existiam várias formações montanhosas na zona de Unango batizadas segundo as estrelas de cinema da época - Gina, Sofia e Brigitte). Fiz inúmeras evacuações, reabastecimentos e caça grossa. Como éramos mais finos, caçávamos de heli, quando vínhamos de alguma missão.

O transporte de caça no regresso duma missão em AL III      Foto: Autor desconhecido

Conheci o famoso Daniel Roxo. Voámos muitas vezes para a milícia dele. Fazíamos evacuações e reabastecimentos. Recordando o Daniel Roxo, vêm-me à memória duas evacuações que fizemos para a milícia. Estávamos sossegados no AM, quando aparece o Daniel Roxo, a pedir que fossemos evacuar um elemento da milícia dele que tinha sido mordido por uma cobra. Lá fomos, depois de nos terem dado as coordenadas. Não conseguimos encontrar a milícia, que estava no mato, nem conseguimos estabelecer contacto com essa milícia. Resultado: regressámos. No dia seguinte, o Roxo vem ter connosco e traz um milícia para nos indicar onde estava a vítima que tinham deixado para trás. Fomos ao hospital, buscar um enfermeiro para prestar os primeiros socorros. Quando descolávamos, reparei que o mesmo dizia adeus às enfermeiras todo sorridente e lá fomos os quatro: eu, o piloto, o enfermeiro e o milícia.
Localizámos o local onde a vítima estava, abri as portas, disse ao enfermeiro para se preparar enquanto íamos buscar a vitima. Saí, retirei a maca e sem pensar nas consequências, se havia minas ou outras armadilhas e meti-me com o milícia pelo mato adentro. Colocámos a vítima  na maca e fomos directos para o heli. Descolávamos, quando reparo que o enfermeiro está mal disposto. Olhei para a saqueta da injeção com instruções, enquanto o enfermeiro estava a injetar o anti-veneno ao milícia, à volta da mordida (que eram dois buracos), não fosse ele incapaz de aguentar… Passado um bocado, o nosso amigo enfermeiro vomitava para cima do soldado que estava na maca. Chegados ao hospital, enquanto esperava pela maca, pedi um balde com água e dei um banho no interior do heli. O resto, teria que ser limpo no AM.

Passados tempos, vejo o Roxo no AM e pensei "lá vem desgraça" (lembrei-me de Mueda do amigo sinistro - sempre que havia evacuações o nosso soldado aparecia).
Era mais uma evacuação. Tínhamos de ir ao mato com o Daniel Roxo buscar um ferido. Quando chegámos ao local, era um ferido e um morto. 
Mais tarde soube que a milícia do Roxo tinha entrado num acampamento inimigo e a baixa tinha sido por causa de uma armadilha. Tinham metido uma granada por baixo duma camisa, que estava presa a uma árvore. O soldado viu a camisa, puxou e... BUMMM.

(Continua aos sábados no Pássaro de Ferro)

Texto: Abdul Osman, Ex-MMA

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CRÉDITOS

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