domingo, 8 de junho de 2014

PILOTO DE B-1 AJUDA A ATERRAR AVIÃO COMERCIAL (M1613 - 185PM/2014)

O Cap. Mark Gongol no seu ambiente normal com um B-1B     Foto: USAF

"Todos os pilotos pensam 'o que é que eu posso fazer se isto correr mal?' quando vão num avião que não controlam" diz o Cap. Mark Gongol, assistente do oficial de operações da 13ª Esquadra de Apoio Aéreo de Fort Carson. "Pelo respeito profissional, todos sabemos que os pilotos de linha civis são extremamente qualificados, mas como derivação de ser piloto, tenho sempre os sentidos dispertos quando voo. Contudo, nunca pensei ver-me numa situação como a em que estive".

Gongol, a sua esposa e filha estava a caminho do aero porto internacional de Des Moines a 30 de dezembro de 2013, com 151 outros passageiros e seis elementos da tripulação, após passarem férias com a família. Aproximadamente aos 30 minutos de voo, Gongol notou que os motores foram colocados a baixo regime. Os pensamentos imediatamente lhe começaram a fervilhar na cabeça; havia um sem-número de razões pelas quais os motores poderiam ser colocados a baixo regime, mas nenhuma delas normal. Lentamente, o avião começou a descer e voltar à direita.

"Pelo sistema de comunicação com os passageiros, uma assistente de bordo perguntou se havia algum médico a bordo" conta Gongol. "Mais alguns pedidos para profissionais de saúde e os assistentes de bordo corriam para a primeira classe com os carrinhos de bebidas e um kit de primeiros socorros". Gongol pensava então tratar-se duma emergência médica num passageiro na primeira classe, pelo que os eu instinto disse-lhe para permanecer sentado e fora da passagem. Uma quarta comunicação soou então:"se houver algum piloto não-comercial a bordo, por favor tocar no botão de chamada dos assistentes".

Gongol percebeu imediatamente que a emergência médica era com o piloto. Olhou para a esposa que assentiu com a cabeça e carregou no botão. 
Chegado à cabine de pilotagem, Gongol viu quatro assistentes de bordo e dois passageiros enfermeiros a montar uma maca, com kits médicos espalhados pelo chão e o comandante do avião sentado na sua cadeira, com os olhos dilatados, suado, húmido e desorientado. Gongol imediatamente se apercebeu de que ele tinha sofrido um sério trauma cardíaco: "Após terem retirado o piloto, perguntou-me a co-piloto 'o senhor é piloto?' seguido rapidamente de 'em que é que voa?'" conta Gongol. "Sabia que ela estava numa posição complicada e aquela pergunta deu-lhe cinco segundos para avaliar se eu poderia ser útil. Eu tive também cerca de cinco segundos para a avaliar: "ela estava em pânico, ou estava em condições de pilotar o avião? Ambos acabámos as nossas avaliações silenciosas e ela fez uma avaliação correta e disse-me para fechar a porta e sentar-me".

A partir daí, Gongol estava calmo e concentrado e a co-piloto decidiu que ele seria útil para as comunicações rádio, apoiá-la na checklist da aeronave e ver se alguma coisa estava errada. Sendo comandante de aeronave, Gongol estava habituado a tomar decisões, mas sabia que a melhor maneira de ajudar a levar o avião em segurança até à pista era servir de co-piloto e tornar as coisas o mais normais possível para ela. Numa situação de emergência, teve a capacidade de se colocar num plano externo por um instante, para tomar a decisão aecrtada: "ela estava calma mas podia notar-se que algo stressada, quem não estaria?" diz Gongol para prosseguir, "no início interrompi a linha de operações dela, mas depressa nos adaptámos. Ela impressionou-me bastante".

Havia muitas questões que os dois pilotos falaram enquanto o avião descia; pressão de cabine, aproximação, contacto rádio com o controlo de tráfego aéreo (ATC), referências visuais e a programação do piloto automático, foram apenas algumas. A cerca de 500 pés de altitude do solo, a co-piloto tomou os controlos para realizar uma aproximação e aterragem manual, normais.
Após aterrar, virou-se para Gongol e perguntou-lhe se ele sabia para onde taxiar, já que ela nunca havia estado no aeroporto de Omaha antes. Impressionado com a calma e frieza da co-piloto a aterrar num aeroporto que não conhecia, Gongol recordava as aterragens naquele aeroporto, antes do treino de pilotagem.

"Surpreendentemente, taxiar foi a parte mais complicada do dia, para a co-piloto" conta Gongol. "Ela nunca tinha taxiado um 737 antes e o ATC não fazia ideia do que se tratava a emergência médica. Tivemos de tomar a decisão rapidamente de a mudar para o assento do comandante, para lhe permitir taxiar o avião, mesmo sem o treino necessário, porque a vida do comandante disso dependia".

Assim que as escadas insufláveis foram acionadas e os motores cortados, Gongol e a co-piloto falaram das decisões tomadas. Gongol assegurou-lhe que todas as decisões que ela tomou tinham o seu apoio; ele tomaria exatamente as mesmas opções, se estivesse no lugar dela.

O comandante do avião está em recuperação e contactou Gongol para lhe agradecer diretamente. A tripulação do avião, as duas enfermeiras que providenciaram os primeiros socorros e a co-piloto, contactaram também Gongol. Uma emergência acabou por tornar amigos vários estranhos.

"Só vi do mais alto profissionalismo, sob pressão, de todos os assistentes de bordo, as enfermeiras e a co-piloto" diz Gongol. "Todos a bordo permaneceram calmos, e não tenho qualquer dúvida de que isso contribuiu para o desfecho feliz do episódio. Na minha opinião, qualquer piloto militar teria feito exatamente a mesma coisa".

Gongol atuou numa situação de emergência, avaliou o papel que melhor poderia desempenhar, e mesmo se não foi o salvador direto de centenas de vidas, as suas ações contribuíram  para um final seguro do voo. As suas ações, segundo o próprio, não fazem dele um herói. Mas colocam-no com certeza uma categoria acima de alguém apenas bem intencionado.

Fonte: USAF
Tradução e adaptação: Pássaro de Ferro



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