sexta-feira, 7 de novembro de 2014

USS AMERICA: UM NAVIO COM CRISE DE IDENTIDADE (M1720 - 312PM/2014)

O USS America durante a viagem inaugural     Foto: Ryan Riley/US Navy

No passado mês de outubro, a US Navy preparou uma cerimonia com pompa e circunstância em São Francisco para apresentar o USS America (LHA-6), o quarto navio batizado com esse nome e o primeiro de uma nova classe de navios de assalto anfíbio, que no caso acaba por se assemelhar mais a um porta-aviões.
E apesar da viagem inaugural desde o Luisiana até San Diego ter corrido bem, a classe America continua a ser um programa controverso da Defesa dos EUA, ou não estivesse diretamente ligado a outros dois dos programas mais controversos de todos os tempos: o V-22 Osprey e o F-35 Lightning II.

A classe America, apesar de baseada no último navio da classe Wasp, o USS Makin Island (LHD-8), embora deslocando ligeiramente mais peso, é substancialmente diferente dele, tal como da maior parte dos navios de ataque anfíbio de convés largo das ultimas décadas. 
Enquanto os mais recentes navios do tipo, como a classe Wasp e Tarawa têm tanto de docas flutuantes como de porta-aviões, estando construídos em redor de um hangar massivo que dá acesso também à doca interior, a partir de onde todos os equipamentos, desde pequenas embarcações aos hovercrafts gigantes, operam. A novel classe America foi projectada sem esta característica marcante, estando mais focada nas operações aéreas, especificamente com o F-35B Lightning II e o MV-22B Osprey.

Os especialista têm por isso argumentado, que esta reorientação faz da classe America mais um porta-aviões do que um navio multifunções. Não há dúvida que a ausência da doca central retira muito da capacidade multifunções das classes anteriores, mas a verdade é que o mundo também mudou. Em vez de ser um “canivete suíço” nas operações expedicionárias, o USS America parece centrar as suas funções em lançar ataques dentro de território hostil, através das capacidades verticais dos MV-22 e dos F-35B.  

MV-22 Osprey aterram no USS America       Foto: Huey D. Younger Jr./US Navy

Apesar da classe Wasp poder operar estas duas aeronaves, na classe America a capacidade de ataque anfíbio foi abandonada em detrimento de poder carregar mais aeronaves, munições e combustível. No entanto, esta capacidade parece estar comprometida por um erro de conceção de base que impede a dissipação do calor causado pelas aeronaves, o que poderá ter interferência na taxa de operações que terá capacidade de suportar. O que pode tornar-se inaceitável, dado que o navio ficou diminuído nas suas funções anfíbias, para potenciar as operações aéreas, que por sua vez estão limitadas por um projeto deficiente.
Ao que se sabe o próximo navio da classe America, o USS Tripoli terá já um convés modificado, capaz de tirar partido das capacidades aéreas aumentadas a que se propõe o conceito. O que ironicamente irá comprovar que o USS America é um projeto de mais de 4000M USD, contraditório com os seus próprios objectivos e limitado desde o dia em que foi comissionado.

Velado no meio de todas estas contradições, pode também estar o objetivo  da US Navy passar a utilizar porta-aviões de tamanho médio, quando os super dispendiosos super porta-aviões não sejam absolutamente necessários. Uma possibilidade que só agora se torna de facto efetiva com a operação do mais de uma vintena de F-35, uma aeronave que também ultrapassou as limitações do Harrier.

Será sinal de que a falada redução no número de grupos de porta-aviões nucleares da US Navy pode ser mesmo para seguir em frente? 
Sinais dos tempos.

Fonte: Foxtrot Alpha
Tradução e adaptação: Pássaro de Ferro


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

MINISTRO DA DEFESA VISITA FORÇAS NACIONAIS NO BÁLTICO (M1719 - 311PM/2014)


Aguiar Branco no hangar dos F-16 de alerta em Siauliai       Foto: António Cotrim/Lusa 

O ministro da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar Branco, deslocou-se hoje à Lituânia para visitar a força nacional destacada integrada na missão da NATO nos países bálticos, encontrando-se igualmente com o seu homólogo lituano.

A visita, de um dia, começou com uma reunião entre Aguiar Branco e o ministro da Defesa da Lituânia, na capital, Vilnius.

O ministro da Defesa português deslocou-se de seguida, de avião, para a Base Aérea de Siauliai (norte da Lituânia, a 210 quilómetros de Vilnius) onde assistiu a uma apresentação da missão,  almoçando depois com a força nacional destacada.

Portugal lidera a missão "Baltic Air Policing" nos últimos quatro meses de 2014, operando a partir da Base Aérea de Siauliai, com um contingente nacional constituído por setenta militares da Força Aérea Portuguesa, seis F-16 e o reforço de um avião de patrulhamento marítimo P-3.

Além dos F-16 estará também um  P-3C nacional destacado no Báltico              Foto: António Cotrim/Lusa

"Foi reforçado este ano especialmente com o P-3, dadas as medidas de tranquilização definidas pela NATO em função da crise Ucrânia/Rússia", explicou aos jornalistas o ministro.

Portugal "voltará a assegurar a missão em 2016, referiu Aguiar Branco, explicando que essa responsabilidade tem cabido às forças nacionais de dois em dois anos desde 2007.

Estas missões de vigilância aérea do Báltico, em que participam também forças do Canadá, da Alemanha (na base de Amari, Estónia) e do Países Baixos (na base de Malbrok, Polónia), destinam-se a assegurar capacidades que os países bálticos não tinham quando aderiram à NATO, afirmou o ministro.

A "foto de família" com o contingente português em Siauliai       Foto: António Cotrim/Lusa

Esta visita ocorre numa altura em que têm sido detectados aviões militares russos no espaço aéreo europeu, incluindo no Báltico e em espaço aéreo sob responsabilidade portuguesa.

"Não devemos ter uma perspectiva de dramatismo da situação. A verdade é que o contexto internacional no último ano alterou-se no que diz respeito à ameaça concreta do leste europeu, e também daquilo que são as evidências do chamado flanco sul, com o designado Estado Islâmico", afirmou Aguiar Branco.

Para o ministro, não é "saudável entrar-se numa lógica de escalada", mas argumentou que "é necessário encontrar formas de resposta mais rápida, quer do ponto de vista operacional, quer do ponto de vista da decisão politica".

Fonte: Ministério da Defesa
Adaptação: Pássaro de Ferro

ISRAEL DÁ ASAS AO F-35 (M1718 - 310PM/2014)

Linha de montagem da Lockheed Martin nos EUA     Foto: Lockheed Martin

Anunciado por oficiais dos EUA e Israel como um marco na cooperação das indústrias de defesa dos dois países, a companhia estatal Israel Aerospace Industry (IAI) inaugurou a linha de produção esta terça-feira 4 de novembro de 2014, para o fabrico de asas para os caças Lockheed Martin F-35 Lightning II.

Num acordo de cooperação industrial estimado em 2500M USD, o complexo da IAI em Lahav irá produzir 811 pares de asas ate 2030, ao ritmo de quatro por mês.

As asas serão destinadas a encomendas de caças para a Força Aérea dos EUA, Israel e futuros clientes de exportação. Os trabalhos já começaram, com a entrega do primeiro par de asas construídas em Israel a ser entregue em meados de 2015.

O acordo constitui uma fatia considerável do total de 4000M USD de encomendas da Lockheed Martin a indústria israelita, decorrentes da decisão do país judaico datada de 2010, em adquirir o F-35. O pacote poderá aumentar até aos 5000M USD, caso a encomenda projetada de 44 aeronaves venha a ser ampliada.

Foto: Lockheed Martin

Patrick Dewar vice-presidente executivo da Lockheed Martin International  justificou a decisão de entregar a IAI componentes críticos como as asas, com três décadas de cooperação bem-sucedida nos programas F-16 e T-38. Realçou ainda, que a Lockheed Martin quase duplicou as contrapartidas de 1000M USD, pela aquisição do F-16I, porque “a IAI fabrica os melhores produtos e escolhemo-los para trabalharem connosco”.

Fonte: Defense News
Tradução e adaptação: Pássaro de Ferro


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

US MARINES ANTECIPAM RETIRADA DO HARRIER (M1717 - 309PM/2014)

AV-8B Harrier II      Foto: Michael Schwartz/US Navy

O Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA (US Marines) antecipou a retirada de serviço dos Boeing AV-8B Harrier II em cinco anos, tendo agora como horizonte o ano de 2025, para o phase out da frota. Em contrapartida, irá prolongar a vida dos seus já idosos F/A-18 Hornet até 2029.
A informação consta do plano de aviação para 2015 dos US Marines.

"O programa de transição para o F-35 mantém-se, os programas de retirada do AV-8B e do F/A-18 é que mudaram" pode ler-se no documento.

Está previsto o F-35B (de descolagem curta e aterragem vertical - STOVL) que irão substutir o Harrier, entrar em uso operacional no verão de 2015. Os Hornet deixarão definitivamente o inventário dos Fuzileiros até 2030, quando os F-35B chegarem às unidades de reserva daquele Corpo da Marinha americana.

As razões são como não podia deixar de ser económicas, esperando o Pentágono poupar cerca de 1000M USD até 2030 com as decisões anunciadas.

A primeira esquadra de Harrier a efetuar a transição para o F-35B será a VMA-211, estando previsto todas as unidades da costa oeste americana realizarem a mesma mudança até 2020. As unidades da costa leste só deverão terminar a transição em 2025. Entretanto, existem planos para modernizar as aeronaves, durante os 11 anos de vida operacional que lhes restam, com um novo dispensador de contramedidas ALE-47V2, um alerta de recetor de radar ALR-67 e um novo pod de contramedidas eletrónicas ALQ-164 e sistema de dados link 16. Com o designador Litening de quarta geração terá também novas capacidades de designação de alvos e integração com novas munições.
Há ainda planos para a dapatação para uso de mísseis ar-ar de nova geração como o AIM-120C e D e AIM-9X, com os testes escalonados para 2016.

Os Hornet por sua vez receberão também várias atualizações, quer eletrónicas, quer estruturais, sendo estas últimas destinadas a prolongar a vida útil das aeronaves para além das 8000 horas de voo nalgumas aeronaves e as 10.000 horas de voo noutras.
Tal como nos Harrier, os míssesi ar-ar AIM-120C e D e o AIM-9X são armas a incluir na panóplia disponível, além de armas ar-superfície de nova geração.

Os US Marines prevêem adquirir um total de 353 F-35B e 67 F-35C, para substituir a atual frota de Harrier, Hornet e EA-6B Prowler. As aeronaves serão a distribuir por nove esquadras com 16 F-35B, cinco esquadras com 10 F-35B e quatro esquadras a operar em porta-aviões convencionais com 10 F-35C. Duas unidades de treino utilizarão 25 F-35B cada.


Fonte: USNI News
Tradução e adaptação: Pássaro de Ferro

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

C-130 LEVAM BRINQUEDOS PARA O MALI (M1716 - 106AL/2014)

C-130H-30 da Esquadra 501 - Bisontes

Durante os últimos dias, a azáfama informativa foi dominada pelas interceções de bombardeiros russos um pouco pela Europa e, no que mais no toca, junto à costa ocidental portuguesa, empenhando caças F-16 e um mediatismo subitamente crescente e por vezes surpreendente
A movimentação foi grande, o acontecimento justificou conversas e opiniões várias, todas assentes no "brilho" da atualidade e no inusitado dos acontecimentos, devidamente enquadrados na situação geoestratégica e geopolítica presente.
No entanto, as missões da Força Aérea Portuguesa, felizmente, estão longe de ser apenas protagonizadas pelos caças e pela eficácia rápida com que respondem aos "apelos" mais súbitos.
Os mais pesados C-130H estão, de outras formas e noutras latitudes, a cumprir missões cuja honradez e grandeza não se questionam e não são, seguramente, menos importantes para o nosso bem-estar.

 Foto: Força Aérea Portuguesa.

«Aproveitando a substituição do destacamento no Mali, um C-130H partiu no dia 11 de outubro da Base Aérea n.º 6 (BA6) com cerca de 750 quilos de artigos para ser oferecido à população daquele país, nomeadamente roupa e calçado para criança e adulto, produtos de puericultura e brinquedos.
Esta campanha solidária, da iniciativa da Esquadra 501 – Bisontes e orientada pelo Gabinete de Ação Social da BA6, teve a participação ativa do Grupo Sócio-Caritativo da Paróquia do Samouco, que doou parte do material. A recolha ficou completa com o contributo dos militares e civis da Unidade, bem como de ex-Bisontes.
O Mali é considerado um dos países mais pobres do mundo, situação agravada por uma guerra civil que se prolonga há vários anos. Numa missão ao serviço das Nações Unidas (MINUSMA), desde 29 de agosto que a Esquadra 501 se encontra destacada com uma aeronave C-130 no apoio ao processo de paz. Até ao momento, já foram efetuadas mais de 165 horas de voo, transportadas mais de 1100 pessoas e 144 toneladas de material.

"Onde necessário, Quando necessário".»

Edição: Força Aérea Portuguesa/Pássaro de Ferro

sábado, 1 de novembro de 2014

FORÇA AÉREA DIVULGA IMAGENS DA INTERCEÇÃO DE ONTEM (M1715 - 105AL/2014)


Força Aérea revela pormenores da "missão de defesa aérea em espaço aéreo de responsabilidade nacional" realizada ontem.
A Força Aérea Portuguesa (FAP) divulgou hoje imagens dos bombardeiros russos e da "missão de defesa aérea em espaço aéreo de responsabilidade nacional" realizada ontem.
No comunicado, a FAP explica que "o Sistema de Defesa Aérea (DA) da FA detetou duas aeronaves não identificadas [na manhã de ontem] numa zona a noroeste de Portugal continental e com rumo sul, sem plano de voo e sem comunicações com o Controlo de Tráfego Aéreo".



A atividade foi reportada à NATO e foi "decidido ativar a parelha de aeronaves F16 Fighting Falcon, em alerta permanente na Base Aérea de Monte Real, para intercetar e identificar as aeronaves", quer eram novamente bombardeiros Tu-95 "Bear", de nacionalidade russa.



A FAP diz ainda que esta missão foi muito semelhante à de quarta-feira, embora desta vez os bombardeiros russos tenham viajado até em direção a sul por mais algum tempo. "Depois, voltaram a mudar o rumo para norte, tendo sido escoltados até à sua saída do espaço aéreo de responsabilidade nacional."


Fonte: DN
Fotos: Força Aérea Portuguesa

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

MAIS UMA VEZ OS RUSSOS EM PORTUGAL- atualizado (M1714 - 308PM/2014)

F-16AM em configuração ar-ar sobre a costa portuguesa

Dois bombardeiros estratégicos russos Tu-95 Bear H” foram hoje novamente interceptados às 8h30, pela segunda vez em pouco mais de 48 horas, por caças F-16 da Força Aérea Portuguesa (FAP), com impacto no tráfego aéreo comercial que teve de ser desviado, soube o i.

Os bombardeiros russos passaram muito perto da zona terminal da aproximação de Lisboa sempre escoltados por dois caças F-16 portugueses.

No entanto, desta vez, o sobrevoo dos aparelhos russos representou efectivos riscos ao trafego da aviação comercial, uma vez que os controladores aéreos civis não os conseguiam detectar evitando que a sua trajectória interferisse com a rota dos aviões civis. O controlo aéreo civil teve de ser informado da intrusão pela força aérea.

Mais uma vez, nenhum dos bombardeiros russos apresentou plano de voo autorizado e não mantiveram contacto rádio com o controlo aéreo civil ou militar. Os dois aparelhos voaram com os “transponders” desligados (para identificação), evitando deliberadamente qualquer identificação pelo controlo aéreo civil.

Tecnicamente, os bombardeiros de longo alcance russos não entraram na zona de soberania portuguesa, mas sobrevoaram a costa a 12 milhas náuticas, violando claramente o espaço aéreo sob responsabilidade nacional.

Atualização

Ao contrário do que ocorreu quarta-feira, quando dois bombardeiros russos inverteram a rota para norte na zona de Peniche, hoje só o fizeram "mais abaixo", precisou o Ministério da Defesa.
Isso obrigou a descolar uma segunda parelha de caças F-16 da base aérea de Monte Real (Leiria) para substituir a primeira, de forma a garantir que as aeronaves russas eram acompanhadas até deixarem o espaço aéreo sob jurisdição nacional.

A exemplo do que ocorreu quarta-feira, os aparelhos russos mantiveram-se a cerca de 100 milhas da costa portuguesa e voltaram a não responder aos pedidos de contato dos militares portugueses no que era uma missão da NATO.
Em declarações à RTP, o ministro da Defesa garantiu que a Força Aérea reagiu com "eficácia e prontidão".

Aguiar-Branco não quis confirmar pormenores deste segundo incidente com aeronaves russas no espaço aéreo sob jurisdição portuguesa, mas frisou que "o sistema funcionou" dentro dos requisitos da NATO. "A Força Aérea agiu com eficácia, serenidade e prontidão", garantiu.

Aviões de combate russos procederam "em grande escala", na passada quarta-feira, a uma série de "voos não comunicados previamente" no espaço aéreo europeu, o que levou à ativação dos dispositivos de defesa da Noruega, Grã-Bretanha, Portugal e Turquia, tendo a Aliança Atlântica registado três ocorrências distintas em menos de 24 horas.

Fonte: Jornal i e DN

"YOU WILL BE SHOT DOWN!" (M1713 - 307PM/2014)

Eurofighter Typhoon FGR4

Os céus europeus têm andado bastante ativos com interceções e situações algo tensas. No mesmo dia da perseguição aos Tu-95 russos, que chegaram a espaço aéreo português depois de atravessar todo o Atlântico Norte, no Reino Unido descolou a parelha de alerta desde Coningsby, para intercetar um avião de carga, que não comunicava com o controlo de tráfego aéreo.

O avião, um Antonov AN-26 de registo letão (YL-RAA) foi intercetado nas proximidades de Londres e obrigado a aterrar no aeroporto de Stansted, no nordeste da capital, tendo a polícia britânica tomado conta da ocorrência, uma vez no solo.

Durante a interceção, a parelh de Typhoon foi autorizada a voar a velocidades supersónicas, causando um "boom sónico" no sueste de Inglaterra. As aeronaves militares apenas estão autorizadas a voar a velocidades supersónicas sobre terra, quando estritamente necessário.

A proximidade da aeronave sem comunicações do centro de Londres, levou a que a situação fosse tratada com extrema seriedade, para mais quando existe presentemente conhecido risco ocorrência de atentados terroristas.

Nas comunicações entre os caças e o avião então por identificar, divulgadas pela BBC, pode ouvir-se claramente " I’m instructed by Her Majesty’s government of the UK to warn you if you do not respond you will be shot down", ou seja "estou autorizado pelo Governo de Sua Majestade do Reino Unido para avisar de que se não responderem serão abatidos".





quinta-feira, 30 de outubro de 2014

EDITORIAL (1712 - 104AL/2014)

Imagem de ontem, alusiva à interceção de aviões Tu-95 russos por F-16 nacionais. Foto: Força Aérea Portuguesa.

Os acontecimentos de ontem no espaço aéreo  sob jurisdição nacional aqui reportados provam, sem mais delongas, a necessidade de termos umas forças armadas operacionais e adequadas aos tempos que se vivem, mesmo que, como é o caso, estejamos integrados numa organização mais ampla - a NATO - cujos vetores de atuação são conhecidos.
Se é certo que nós, Portugal, como outras nações, não temos capacidade de defesa absolutamente autónoma, devemos ter capacidade de defesa em conjunto (participando e contribuindo de forma ativa) e em coordenação com as nações aliadas.
O mundo vive desde 1945 sem uma guerra mundial "tradicional", digamos. Pode especular-se que está em curso um conflito mundial noutros moldes, mas o que é facto é que o conceito geral da guerra, feita com armas, morte e destruição, não desapareceu do léxico dos dias e, face às recentes convulsões em algumas zonas da Europa (antiga Jugoslávia e atualmente na Ucrânia), às tensões "adormecidas" e que qualquer clique inesperado pode despertar e, já agora, à proximidade e avanço de organizações como o "Estado Islâmico", quase que se impõe que estejamos preparados para a guerra, dando corpo, justamente, ao conceito "se queres a paz, prepara-te para aguerra!"
A guerra pode acontecer por "questões territoriais, de dinhero e de fé" (General Loureiro dos Santos). Vistas bem as coisas, este trio de premissas não é despiciendo no atual quadro politico e estratégico global.
Basta estar atento aos jornais e à televisão informativa, e leia-se: a crise financeira global, o controle dos recursos energéticos e outros (gás, petróleo), a água (pouco falada, mas já a pairar...) e o avanço do radicalismo islâmico, radicado nas interpretações fanáticas de alguns preceitos do Alcorão, são marcas e sinais que não se podem nem devem escamotear.
A Rússia pode ter razões para se sentir "acossada" pelas recentes alianças de ex-países de leste e do extinto Pacto de Varsóvia ao ocidente. Estrategicamente, isso é um facto. Basta olhar um mapa e perceber a evidência.

Mapa ilustrativo das movimentações militares russas e da NATO, ontem. 

Mas no meio da complexidade desta nova "equação", com múltiplas variáveis que nem sempre se controlam, a Rússia dispõe de enormes recursos energéticos que são de carácter vital na Europa ocidental (sobretudo o gás) e, portanto, estamos perante um jogo de tabuleiro em que as peças tenderão sempre a equilibrar a contenda, sendo que os jogadores vão testando as capacidades de defesa, acuidade, atenção e ação do adversário.
Não é também de desprezar o seu poderio nuclear e, com ele, a ressurreição do (famoso) "equilíbrio do terror", uma expressão densa mas que assegurou a paz no mundo durante décadas.
Mas convém - tal como diz a expressão brasileira - "não dormir no pedaço!"
A Europa, conquistada uma paz firme, como que adormeceu, desinvestiu na defesa - contando sempre com o peso aliado norte-americano, no caso de algo correr mais. Fez acompanhar essa atitude com uma diplomacia de gelatina, isto é, pouco dada à firmeza e mais dada a ajustes pouco convictos à realidade.
Ora a história é feita de ciclos e, como se vê, há que manter em alerta os sentidos e estabelecer novos equilibrios, sendo que a componente de defesa e armamento (pelo menos "mínimo") dos estados não deve ser abandonada, por muitas que sejam as vozes que clamem em sentido contrário, assentes ou não nos "novos paradigmas da estrutura humana" entretanto conquistados ou dados como conquistados... O mundo (ainda) está longe de ser um local perfeito ou até bem frequentado.
Qualquer dos caminhos que se trilhem, por mais longe que nos levem, tem sempre a meia volta possível, seja ela voluntária... ou não.

Nota: Este texto é uma opinião que apenas vincula o seu autor.


quarta-feira, 29 de outubro de 2014

OUTRA VEZ OS RUSSOS. AGORA PORTUGAL (M1711 - 306PM/2014)

F-16AM da FAP em configuração ar-ar sobre o Atlântico


A NATO detetou e monitorizou quatro grupos de aeronaves russas em manobras militares significativas, dentro de espaço aéreo europeu sobre o Mar Báltico, Mar do Norte e Oceano Atlântico, a 28 e 29 de outubro. Este grupo representa um aumento invulgar no nível de atividade aérea no espaço aéreo europeu.

Aproximadamente às 3:00 da manhã (2:00 em Lisboa) de 29 de outubro, radares da NATO detetaram oito aeronaves a voar em formação sobre o Mar do Norte. F-16 da Real Força Aérea Norueguesa foram chamados a intercetar e identificar as aeronaves, que revelaram serem quatro bombardeiros estratégicos Tu-95 Bear H e oito Il-78 de reabastecimento aéreo. A formação provinha da Rússia continental e foi intercetada sobre o Mar da Noruega em espaço aéreo internacional. Seis dos aviões regressaram então para trás para nordeste em direção à Rússia, enquanto dois dos Tu-95 continuaram para sudoeste, paralelos à costa da Noruega. Prosseguiram depois pelo Mar do Norte, quando caças Typhoon da Royal Air Force responderam ao alerta a partir do Reino Unido.

A interceção pelos Typhoon britânicos       Foto: RAF via NATO

Já sobre pleno Oceano Atlântico a Oeste de Portugal, os dois bombardeiros foram intercetados por F-16 MLU da Força Aérea Portuguesa, que descolaram de Monte Real, Base Aérea nº5 . As aeronaves russas voltaram então rumo a nordeste, voando em direção ao ocidente do Reino Unido. Aeronaves deste país e da Noruega estavam ainda a postos, enquanto equipamento de deteção da NATO no ar e no solo seguiram os movimentos russos.
Aparentemente dirigiram-se para a Rússia, mas às 16:00 (15:00 de Lisboa) encontravam-se ainda no ar.

Os bombardeiros e aviões-tanque russos não possuíam plano de voo nem efetuaram qualquer contacto rádio com as autoridades de controlo aéreo civil, não utilizando também transponders.
Esta atitude representa risco potencial para o tráfego civil, uma vez que os controladores civis não conseguem detetar as aeronaves nesta condições, nem garantir que não aconteça interferência com o tráfego aéreo civil.


Fonte: NATO
Tradução: Pássaro de Ferro

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