quinta-feira, 30 de outubro de 2014

EDITORIAL (1712 - 104AL/2014)

Imagem de ontem, alusiva à interceção de aviões Tu-95 russos por F-16 nacionais. Foto: Força Aérea Portuguesa.

Os acontecimentos de ontem no espaço aéreo  sob jurisdição nacional aqui reportados provam, sem mais delongas, a necessidade de termos umas forças armadas operacionais e adequadas aos tempos que se vivem, mesmo que, como é o caso, estejamos integrados numa organização mais ampla - a NATO - cujos vetores de atuação são conhecidos.
Se é certo que nós, Portugal, como outras nações, não temos capacidade de defesa absolutamente autónoma, devemos ter capacidade de defesa em conjunto (participando e contribuindo de forma ativa) e em coordenação com as nações aliadas.
O mundo vive desde 1945 sem uma guerra mundial "tradicional", digamos. Pode especular-se que está em curso um conflito mundial noutros moldes, mas o que é facto é que o conceito geral da guerra, feita com armas, morte e destruição, não desapareceu do léxico dos dias e, face às recentes convulsões em algumas zonas da Europa (antiga Jugoslávia e atualmente na Ucrânia), às tensões "adormecidas" e que qualquer clique inesperado pode despertar e, já agora, à proximidade e avanço de organizações como o "Estado Islâmico", quase que se impõe que estejamos preparados para a guerra, dando corpo, justamente, ao conceito "se queres a paz, prepara-te para aguerra!"
A guerra pode acontecer por "questões territoriais, de dinhero e de fé" (General Loureiro dos Santos). Vistas bem as coisas, este trio de premissas não é despiciendo no atual quadro politico e estratégico global.
Basta estar atento aos jornais e à televisão informativa, e leia-se: a crise financeira global, o controle dos recursos energéticos e outros (gás, petróleo), a água (pouco falada, mas já a pairar...) e o avanço do radicalismo islâmico, radicado nas interpretações fanáticas de alguns preceitos do Alcorão, são marcas e sinais que não se podem nem devem escamotear.
A Rússia pode ter razões para se sentir "acossada" pelas recentes alianças de ex-países de leste e do extinto Pacto de Varsóvia ao ocidente. Estrategicamente, isso é um facto. Basta olhar um mapa e perceber a evidência.

Mapa ilustrativo das movimentações militares russas e da NATO, ontem. 

Mas no meio da complexidade desta nova "equação", com múltiplas variáveis que nem sempre se controlam, a Rússia dispõe de enormes recursos energéticos que são de carácter vital na Europa ocidental (sobretudo o gás) e, portanto, estamos perante um jogo de tabuleiro em que as peças tenderão sempre a equilibrar a contenda, sendo que os jogadores vão testando as capacidades de defesa, acuidade, atenção e ação do adversário.
Não é também de desprezar o seu poderio nuclear e, com ele, a ressurreição do (famoso) "equilíbrio do terror", uma expressão densa mas que assegurou a paz no mundo durante décadas.
Mas convém - tal como diz a expressão brasileira - "não dormir no pedaço!"
A Europa, conquistada uma paz firme, como que adormeceu, desinvestiu na defesa - contando sempre com o peso aliado norte-americano, no caso de algo correr mais. Fez acompanhar essa atitude com uma diplomacia de gelatina, isto é, pouco dada à firmeza e mais dada a ajustes pouco convictos à realidade.
Ora a história é feita de ciclos e, como se vê, há que manter em alerta os sentidos e estabelecer novos equilibrios, sendo que a componente de defesa e armamento (pelo menos "mínimo") dos estados não deve ser abandonada, por muitas que sejam as vozes que clamem em sentido contrário, assentes ou não nos "novos paradigmas da estrutura humana" entretanto conquistados ou dados como conquistados... O mundo (ainda) está longe de ser um local perfeito ou até bem frequentado.
Qualquer dos caminhos que se trilhem, por mais longe que nos levem, tem sempre a meia volta possível, seja ela voluntária... ou não.

Nota: Este texto é uma opinião que apenas vincula o seu autor.


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