quinta-feira, 9 de setembro de 2010

TA-7P 15545 - PÓLO DO MUSEU DO AR NO AM1 - nova foto (M415-36AL/2010)

 Aspecto do TA-7P s/n 15545 à chegada ao AM1.

O LTV TA-7P Corsair II s/n 15545 está no AM1, desde o passado dia 20 de Abril, onde chegou  com um aspecto algo danificado - conforme atestam as fotos - sem as asas, lemes de profundidade e motor.

 As asas que viriam a ser montadas no avião.
 
Uma vez decidida a recuperação da aeronave para acervo do Museu, a  equipa de manutenção da BA5 procedeu à instalação das asas e dos lemes de profundidade e no dia 23 de Abril, ainda sem o motor, o  antigo caça-bombardeiro de treino da versão monolugar A-7P, com a matrícula FAP 15545 foi transferido do Hangar Sul para o Hangar Norte, sua morada definitiva.

Chegada do avião ao Hangar Norte, a sua morada definitiva.

Os trabalhos seguintes tiveram como objectivo a limpeza do interior do cockpit e a remoção de todos os painéis laterais, para limpeza e verificação dos respectivos interiores.


Duas fotos que atestam já, o antes e o depois do painel principal do avião.

A equipa da BA5 regressou novamente ao AM1 no início de Maio, para proceder à montagem do motor, digamos que uma das peças-chave da dignificação definitiva do aparelho!

 Motor Pratt & Whitney TF-30 P-408 que equipa a aeronave.

 Aspecto de um dos painéis laterais já intervencionados.

Entretanto, com enorme e reconhecida mestria, foram construidas réplicas dos manches do avião para que assim o aspecto interior na aeronave mantivesse a sua "traça original".

Réplica do Manche, efectuada de modo notável.

Por seu turno, a equipa que está a recuperar o avião espera poder conseguir  restaurar um circuito eléctrico que possibilite que, na sua exposição definitiva ao público, o TA-7P apresente as suas luzes de presença em funcionamento.

Estacionamento da aeronave, no centro do Hangar Norte, a sua definitiva casa, notando-se já os efeitos do "preparado de vaselina" na sua pintura.

Os últimos trabalhos nesta aeronave foram realizados no início de Julho, com a aplicação de um preparado à base de vaselina na parte da frente do Corsair, que permitiu reavivar a pintura, conforme as fotos já atestam.
Entretanto, a recuperação desta aeronave foi suspensa devido à transferência da prioridade para a recuperação de um AL-III.

 O 5545 fotografado em 10 de Agosto pelo Pássaro de Ferro.
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O Pássaro de Ferro agradece à equipa do GAMA - Grupo de Amigos do Museu do Ar, -a cedência das fotografias e a colaboração na elaboração desta reportagem e demais esclarecimentos sobre a matéria em apreço e também pelos dados fornecidos relativamente a alguns procedimentos técnicos já efectuados e a efectuar
Pessoalmente, é um prazer enorme poder voltar a ver o TA-7P 15545, recuperado e  digno de vir a estar na Linha da Frente das peças de Museu do Pólo do Museu do Ar no AM-1 de Maceda.
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UM POUCO DA HISTÓRIA DO TA-7P 15545

O LTV TA-7P Corsair II s/n 15545, tem o BuAer USA 153201, chegou à BA5 no dia 16 de Junho de 1985, fazendo parte de um lote de seis aeronaves bilugares, para treino avançado e conversão de pilotos, ainda que fosse capaz de executar praticamente todas as missões operacionais incumbidas a este tipo de aeronave, excepção feita ao uso do canhão que, na verdade, não possuía.
O avião foi recebido com 3703.21 horas de voo efectuadas, tendo voado em Portugal, ao serviço das Esquadra 302 e 304, 1549.25 horas.
O 5545 fotografado na Bravo 1 da Base Aérea de Monte Real, em meados de 1987, ainda com as marcas e pinturas com que foi recebido pela Força Aérea. Crédito na foto.


5545 também na placa Bravo 1 em 29 de Abril de 1991 já com nova pintura

 O 5545 fotografado na base Aérea Holandesa de Leeuwarden, em Junho de 1994. 
Crédito na foto.

O TA-7P 5545, fotografado no início da década de 90, rolando no regresso de uma missão, na BA5.  Foto de autor desconhecido.

No dia 7 de Março de 1995, foi declarado o fim de potencial da aeronave, sendo colocada posteriormente no Depósito Geral de Material da Força Aérea, em Alverca.

domingo, 5 de setembro de 2010

O LADO ESCURO DA LUA (M414-31PM/2010)


Ok, é uma metáfora, não se trata do lado escuro da Lua, mas sim do lado escuro do Lynx. Mas o princípio é o mesmo: estamos a olhar para o lado ocultado ao Sol.

Havia até o mito de que o lado escuro da Lua não se via, pura e simplesmente porque não reflectia a luz, ignorando que era o facto de o período de rotação da Lua ser igual ao período de translação (ie: o tempo que a Lua demora a dar uma volta à Terra é igual ao tempo que demora a girar sobre si própria), o que faz com que seja sempre a mesma face a estar iluminada pelo Sol e não uma qualquer enigmática razão metafísica ou mística que levava um dos lados da Lua a não reflectir luz.

O Lynx é igual. Se correctamente iluminado consegue ver-se qualquer das faces (como já devem ter reparado...) mas desta vez gostei mais do lado escuro. 

É caso para dizer que está Quarto Minguante.




quinta-feira, 2 de setembro de 2010

MUSEU DO AR- PÓLO DO AM1-MACEDA (M413-35AL/2010)

O Pássaro de Ferro teve a oportunidade de, durante as férias do seu "Comandante",  visitar o Pólo do Museu do Ar, no Aeródromo de Manobra nº1 em Maceda-Ovar.
A deslocação teve dois objectivos principais.
Ao primeiro deles se presta, de seguida, relatório e contas.
Falando na primeira pessoa, gosto de Museus. A históra dentro deles enche colunas de respeito e transporta-nos para outros tempos, assim nos deixemos envolver na viagem pelo tempo.
Percorrendo a sala, podemos admirar fotografias, miniaturas, documentos vários, instrumentos, armamento, motores e, no centro, "uma Piper", recuperada com invulgar mestria e dedicação pela equipa do museu. Um trabalho absolutamente notável que se estende, de resto, a todo o museu e que prova, sem dúvida, que a paixão pelos aviões é algo que se consubstancia em vários níveis, neste caso, na preservação da memória colectiva de todos os que respiram os aviões pelos poros ou que, simplesmente, os admiram, seja sob que ponto de vista for.
Olhando-a "a Piper", somos automaticamente transportados para outros voos, noutras épocas, onde o espírito do voo ainda inebriava com uma aura de "precariedade" os aviadores e os transportados. O seu aspecto leve e quase frágil, faz-nos perceber como, na realidade, é "simples" voar.
No Hangar, pontificam algumas aeronaves da FAP: T-37, Fiat G-91, T-38, Aviocar, FTB-337G  Alfa Jet, claro, o TA-7P 15545.
Sobre esta aeronave e sobre o trabalho que nela está a ser efectuado, bem como num AL-III, darei aqui conta, a breve trecho, encorpando então o segundo objectivo da deslocação.
No fim da visita, fica sempre uma sensação de nostalgia. Tive a sorte de ver praticamente todas aquelas aeronaves em voo, no tempo em que devam a sua dinâmica ao céu.
Como ponto de, digamos, ironia, fica o facto de, três delas, AL-III, Alfa Jet e Aviocar, ainda voarem sob a Cruz de Cristo, cumprindo diariamente as suas missões.
Segue uma selecção de imagens.








domingo, 29 de agosto de 2010

OS T'S (M412-34/AL2010)

Uma vez mais o Pássaro de Ferro orgulha-se de apresentar aos seus leitores e seguidores, algumas fotografias inéditas que, pelo seu teor, descrevem sem necessidade de grandes delongas, uma importante parte da história da Força Aérea Portuguesa.
São fotografias obtidas durante o ano de 1991, na Base Aérea nº 5, em Monte Real - a "casa" dos jactos  -, pelo Paulo Moreno.
Este conjunto de imagens mostra-nos os 3 aviões que, durante vários anos, foram  uma espécie de "escola alada" para muitas gerações de pilotos de combate em Portugal, alguns deles que vieram a  ser combatentes efectivos nas campanhas ultramarinas.
A começar, o T-33, uma velha glória da aviação mundial - o T-Bird - como ficou conhecido, foi um avião que serviu com brio e muita eficácia a FAP, desde as missões de treino puro e simples, a avião de reconhecimento fotográfico.






O T-37, quanto mais não fosse por ter sido o avião que a mítica patrulha acrobática "Asas de Portugal" usou para revelar ao mundo que, em Portugal, a bravura e a mestria dos pilotos era tão ou mais apurada do que os eus congéneres habituados a voar mais sofisticados aparelhos.
 Nesta foto pode ver-se um pequeno cão. Não é um intruso ou um canídeo admirador de aviões... Trata-se da então a "mascote" dos Bombeiros da BA5.



O T-38, o avião de treino avançado da Força Aérea, supersónico, a última fronteira  antes de chegar a piloto de combate, fosse em Fiat G-91 ou no A-7P.





Qualquer destes "T's", pela sua história e pela sua presença bela, vale muito mais do que o que se possa escrever sobre eles.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

1991 - FIAT'S G-91 EM MONTE REAL (M411-33AL/2010)

O Pássaro de Ferro, uma vez mais pela oportuna e gentil cedência de fotos dos arquivos do Paulo Moreno, orgulha-se de apresentar um conjunto de fotos que, certamente, farão as delícias de muitos admiradores de um dos mais míticos aparelhos a jacto que operaram na arma aérea nacional. O Fiat G-91.
Foram captadas em Monte Real, algures no ano de 1991, soavam já (ainda que baixinho...) as trombetas para a sua retirada dos céus.
Contudo, o Fiat G-91 foi sempre um intrépido avião, que resistiu com invulgar força e determinação à cavalgada da tecnologia, demonstrando por variadas ocasiões  e situações que o binómio "piloto-avião" ultrapassa a - perdoe-se-me o termo - "gritaria" que a tecnologia impõe.
É bom entendermos a história. Ela fornece pistas para a compreensão do presente e para uma melhor projecção do futuro.
O Fiat G-91 tem tanta e tantas história(s) para contar.
Ficam as magníficas imagens que a(s) alimenta(m).

 Reabastecimento de um G-91 - 5459. 
Para um amante destas coisas, é impossível não achar absolutamente delicioso o facto de, na segunda foto, surgir o avião com o combustível a escorrer pela fuselagem. Digamos que atestou...
Até por este pormenor se constata a simplicidade da operação do Fiat G-91.



 A versão bilugar (T1/T3)do G-91, vendo-se em segundo plano uma linha de T-38


 Pormenor da parte da frente de um Fiat G-91 T3




Fiat G-91 T3 "descansando" na Bravo 1 de Monte Real

domingo, 22 de agosto de 2010

PORTA DE EMBARQUE 04 (M410-31PM/2010)

Crédito: Rotate via Airliners.net

O Pássaro de Ferro é, assumidamente, um site/blogue maioritariamente vocacionado para a aviação militar. Eu próprio admito o meu desconhecimento e muitas vezes até desinteresse pela aviação comercial ou civil em geral, fruto um pouco de preconceito de raiz contra os “autocarros com asas”.
Devo admitir no entanto que também já passei largas horas a admirar fotos de aviação comercial no “Airliners” e outros sites do género, maravilhado com imagens que os jocosamente chamados “autocarros com asas” proporcionam.
Apesar de continuar algo ignorante no campo (confesso que alguns modelos de comerciais me custam a identificar, ou pelo menos não o faço com a mesma desenvoltura dos militares), rendi-me à beleza que as imagens, das quais sou escravo, proporcionam.
O Pássaro de Ferro, principalmente pela mão do António Luís, que por razões profissionais está actualmente bem perto de um aeroporto, criou por isso um irmão mais novo – a Porta de Embarque 04 – exclusivamente dedicado à aviação comercial e aos que, de todo direito, preferem, ou não têm preconceitos relativamente à aviação comercial.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

DA POLÓNIA COM AMOR (M409-30PM/2010)

Palácio da Cultura em Varsóvia - edifício de arquitectura marcadamente soviética, agora rodeado por
edifícios de arquitectura moderna ocidentalizada

PZL 130 TC-II Orlik - aeronaves da patrulha acrobática polaca baseada em Radom - Unidade
exibida no Museu Wojska Polskiego em Varsóvia


Mig-21M "Fishbed" - Radom

Mig-23MF "Flogger" - Radom

Míssil balístico SS-1 Scud - Varsóvia

PZL Mi-2 Kania - Varsóvia

Míssil anti-aéreo (SAM) S-75 Dvina de fabrico Soviético - Varsóvia

Sukhoi Su-22M-4 - Varsóvia

Mikoyan Gurevich Mig-29 "Fulcrum" - Varsóvia

Por ocasião do Campeonato do Mundo de Acrobacia Aérea realizado entre 5 e 15 do corrente na Polónia, tive a oportunidade de pela primeira vez pisar o solo de um país anteriormente pertencente ao Pacto de Varsóvia.
Para o comum dos mortais ou para os nascidos a partir dos finais da década de 80 talvez não se revestisse de demasiada importância.
Para mim no entanto, que vivi intensamente os anos da Guerra Fria que pude observar, como já referi aqui no Pássaro de Ferro várias vezes, foi uma experiência única. Foi pisar solo proibido, durante tantos anos vedado por uma cortina de ferro. Poder observar in loco todos os detalhes de que me lembrava das revistas de aviação que lia ou das fugazes imagens por vezes exibidas na TV. A arquitectura marcadamente soviética e as soluções construtivas pragmáticas típicas do leste. Os pormenores dos aviões que durante anos tentei imitar nos kits à escala que construía.
Além do aeródromo onde se realizou a prova em Radom, que é uma base militar, pude deslocar-me ao Muzeum Wojska Polskiego em Varsóvia, contendo largo espólio militar das Forças Armadas Polacas até aos dias de hoje.

Ficou-me presente o orgulho de um povo que apesar de sucessivas invasões por diversas potências (a última das quais a Soviética) não se desmembrou nem se deixou vencer. De facto, a Polónia foi sempre olhada com extrema desconfiança pela União Soviética, manifestando-se essa desconfiança por exemplo, no baixo nível de material militar cedido às Forças Armadas Polacas, por receio de insurreição da Polónia contra o seu "Grande Irmão", caso tivesse demasiado poder bélico. A Polónia serviu por isso de base para forças soviéticas, mas as suas Forças Armadas próprias não eram fornecidas com material de ponta em quantidade nem qualidade.
A Polónia foi por isso, o "aliado" que mais material próprio fabricou. E o que mais problemas criou durante os anos de ocupação Soviética, ainda se o acto mais simbólico da queda do comunismo ocorreu na vizinha RDA.
E a Rússia culpa a Polónia veladamente ainda nos dias de hoje, pelo desmoronar do seu império.

Ficou-me a impressão de um país que se soube desenvolver e adaptar ao mundo ocidental que lhe foi marginal por tantos anos, mas que nem por isso se deixou vender a todas as novidades, como muitas vezes acontece. Prova disso é a reticência em aderir ao Euro e perder a sua moeda, tal como a presença na União Europeia não é consensual.

Para terminar, do museu Wojska Polskiego, guardei com especial interesse (senão emoção) a imagem dos mísseis balísticos SS-1 Scud tantas vezes vistos na TV (com os quais cheguei a ter pesadelos) e o mítico Mig-29, máquina aérea de beleza invejável, estrela maior de entre todas as expostas.

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