sábado, 5 de fevereiro de 2022

Pássaros de Ferro e histórias antigas [M2287 - 4/2022]



Das muitas histórias que vamos guardando em compartimentos recônditos da memória, está uma que volta não volta, me conta um amigo, de um sucateiro que existiu nos arrabaldes do Porto, e de uns quantos aviões que por ali foram sucateados.

Reza então esta história, e a memória que ele guarda e de que fala com exacerbado entusiasmo, que por ali viu algumas dezenas de fuselagens amontoadas, de Republic F-84 por entre muitos outros artefactos aeronáuticos. E foi nesse sucateiro que adquiriu então, uma cadeira de F-84 que tem na sua modesta colecção de objectos aeronáuticos. «Na década de 70, passava na estrada nos passeios de domingo e via vários aviões na sucata. Nos finais da década de 80 é que lá fui buscar a cadeira e andei pelo meio dos restos de vários F-84 de nariz verde. Não esqueço o cheiro a JP-4 que após tantos anos ainda mantinham», recorda-se de andar em cima das fuselagens e de peças de aviões, até por ali viu, um Dakota, e até um flutuador. «Era efectivamente um flutuador de ponta de asa de Widgeon ou Goose, estava em bom estado, também me foi proposto a compra de um “banco”, não sei de que avião seria. Chamo-lhe “banco” pois era o género de assento que se pode encontrar em certos aviões da 2ª G.G., usados na posição de telegrafistas, navegadores, que normalmente ocupavam um pequeno espaço atrás dos pilotos».

Recorda-se também, de um outro avião, que não estava à espera de ser retalhado a caminho do alto-forno e estava, outrossim, apartado dos restantes, quase estimado e ao qual o dono se referia como não sendo para vender.  «É para o meu neto».

O avião desapareceu, ou pelo menos desapareceu da vista de quem ali passa, e portanto da memória, ainda que, durante alguns anos, consta-se que um dos clientes regulares do sucateiro tivesse mostrado vontade, de cada vez que lá ia, de o comprar e levar lá para as bandas de Bragança.

Um outro amigo, tem uma recordação diferente, dos passeios escolares, nos autocarros apinhados de canalhada, a subir para Norte na N13, rumo a várias fábricas (como a Imperial,  a fábrica de chocolates que fica na Azurara,… ai, ai, a fábrica das “Bombocas”!!!), e de ver, do autocarro, à passagem, um único avião em cima de uns contentores. Era para ele importante, ao passar por ali, espreitar de pescoço esticado a ver se o via.

Com efeito, neste local, existiu uma empresa de sucata, a António Silva Rego S.A., que comprava diversos tipos de metais, nomeadamente o alumínio, que ia buscar mais a Sul, aos aviões que desmantelava para vender às siderurgias. Nos anos 60 e 70 era comum ver aqui, entrarem regularmente camiões com fuselagens de aviões, tendo sido, segundo julgo saber, aqui processadas algumas dezenas, sendo que uma fonte refere mesmo um número à volta das 50 aeronaves, mas se calhar, nem todas seriam de F-84.

As últimas fuselagens de aviões que ainda existiam, foram vendidas ainda nos anos 90, para Espanha, extinguido a empresa a sua actividade em 2009.

Com estas histórias destes dois amigos, e outras mais recentes, um destes dias pedi a um destes que me levasse lá, pelo menos para espreitar o local a ver se “se via por lá alguma coisa”. Para além de um local vazio do que quer que fosse de sucata, e alguns edifícios, e um canídeo de meter respeito, nada mais vimos. Mas, enquanto estávamos à espreita, vemos um senhor que vinha a sair e lá metemos conversa com ele. 

Era o antigo encarregado da sucata, que ali esteve a trabalhar desde pequenito, e que ainda trabalhava, agora para os herdeiros.

Conseguimos o contacto de um dos herdeiros e, alguns dias depois, foi-nos permitida uma visita ao espaço e aceder ao avião que, pasme-se ou não, ainda lá estava!

Era então um dos FIAT G.91R/3 que foram recebidos nos anos 70-80 e que, após canibalização, seguiu o caminho do sucateamento.

Essa visita teve lugar em Março de 2014 e, durante vários anos, o avião permaneceu no local, tendo estado em negociações a sua venda para um colecionador e aficionado dos FIAT G.91 que o iria restaurar. Desconhece-se contudo o actual paradeiro do avião.


Não quero terminar sem aqui partilhar com a aficción pássaro-ferrosiana, não só a foto da cadeira de F-84 referida, como do FIAT, bem como a ligação para o Aerotranstornados onde coloquei a informação que consegui do aparelho (até ao momento).

Mais ainda, oportunidade também de ver uma foto muito interessante de uma das fuselagens de F-84 da Patrulha S. Jorge, que aqui foram processadas, com o próprio dono da empresa sentado lá dentro, numa pose digna do próprio Major Alvega!


A cadeira referida, de um F-84

o FIAT G.91R/3 (exWGAF 32+89)

Um dos F-84 da Patrulha S. Jorge com o Sr. António Rego no interior.

Rui “A-7” Ferreira
Entusiasta de Aviação


Nota – O autor escreve na grafia antiga.

Agradecimentos: Sr. António Rego, Sr. Faria, Sérgio Couto, Pedro “Pugachev” Oliveira.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

F-16 NA ISLÂNDIA... VIA ESCÓCIA [M2286 - 3/2022]

Os F-16M da FAP à partida de Lossiemouth, Escócia
Tal como demos conta, quatro F-16M da Força Aérea Portuguesa, partiram da Base Aérea nº5 em Monte Real, na manhã de quinta-feira 27 de Janeiro de 2022, com destino à Islândia, onde irão realizar Policiamento Aéreo durante aproximadamente dois meses. 

O voo ferry dos caças, previa uma escala para reabastecimento na base de Lossiemouth, no nordeste da Escócia, Reino Unido, onde viriam a aterrar pelas 11h00 locais. A segunda etapa do voo estava previsto iniciar-se pelas 13h00 do mesmo dia, mas tal não viria no entanto a suceder, devido ao agravamento das condições meteorológicas na base de destino, em Keflavique. 

O que era para ser uma escala de duas horas acabou por estender-se por quase uma semana em Lossiemouth

Os ventos fortes que se fizeram sentir no fim de semana na Escócia, levaram à colocação, por precaução, de camiões entre os caças portugueses, de modo conferir algum abrigo

A fauna local não se incomodou com a presença prolongada dos caças lusitanos
As quatro aeronaves acabariam por ficar retidas na base britânica até quarta-feira, 2 de Fevereiro, quando finalmente estiveram reunidas as condições para completar o voo de ligação.

A descolagem da primeira parelha (15101 e 15106) ocorreu pelas 9h55 locais, na pista 23.




A segunda formação (15112 e 15107) seguiu-se cerca de 10 minutos depois, também a partir da pista 23 de Lossiemouth.





O grosso do contingente de 85 militares havia seguido para a Islândia, ainda na quarta-feira 26 de Janeiro, a bordo de  um A400M Atlas da Componente Aérea Belga, juntamente com a logística necessária para operar os caças.


Aquando da cerimónia de entrega do estandarte nacional, ainda em Monte Real a 19 de Janeiro, o Comandante da Força Nacional Destacada, Maj. Paulo Silva comentou a propósito: “Para Portugal esta é uma excelente oportunidade para demonstrar a nossa capacidade de destacar e operar a cerca de 3.000 kms da nossa base em Monte Real. (...) Outro objetivo para nós é aprimorar a nossa interoperabilidade e capacidades no domínio coletivo do Policiamento Aéreo da NATO".

Dado que a Islândia não possui capacidade de defesa aérea própria, diversos membros da NATO vão-se revezando naquele país insular, com o objetivo de garantir a presença aérea em tempo de paz, contribuir para a defesa coletiva e para um padrão comum de segurança e proteção em todo o espaço aéreo da NATO.

Depois de uma primeira participação em 2012, esta é a segunda vez que a Força Aérea Portuguesa é chamada a desempenhar a missão NATO “Iceland Air Policing”, que decorrerá até ao dia 30 de março de 2022, com rotação do pessoal sensivelmente a meio do destacamento.

O destacamento da FAP já na base de Keflavique, Islândia        Foto: FAP



quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

F-16 NACIONAIS PARTEM PARA DESTACAMENTO NA ISLÂNDIA [M2285 - 2/2022]

Imagem de arquivo.

Quatro caças F-16 da Força Aérea Portuguesa (15101, 15106, 15107 e 15112) descolaram da Base Aérea de Monte Real, rumo à Base Aérea de Keflavique, na Islândia, onde efetuarão patrulhamento até finais de março, no âmbito da política da NATO de manter caças naquela ilha para patrulhamento e defesa do espaço aéreo naquela zona. Recorde-se que a Islândia não possui defesa aérea própria.
Este destacamento assume especial importância numa altura em que a tensão entre a NATO e a Rússia aumenta, na proporção das movimentações que se verificam na zona da fronteira russa com a Ucrânia.
A missão portuguesa é composta, igualmente, por 85 militares que apoiarão o destacamento e, simultaneamente com as missões de patrulhamento e defesa, treinarão destacamento, presença e operação em zonas/bases exteriores.



segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

PRIMEIRO ALERTA AÉREO DA NATO EM 2022 FOI PORTUGUÊS [M2284 - 1/2022]

F-16AM de alerta à descolagem na BA5 com mísseis AIM-9L Sidewinder reais      Foto de arquivo

Segundo o Comando Aéreo Aliado da NATO, o primeiro scramble de um país da NATO em 2022, ocorreu em espaço aéreo português.

Segundo esta entidade revelou nas redes sociais, no dia 8 de janeiro, dois caças F-16M da Força Aérea Portuguesa em alerta na Base Aérea nº5 em Monte Real, foram chamados a interceptar um Boeing 737 civil, que perdeu contacto rádio com o Controlo de Tráfego Aéreo no espaço aéreo português sobre o Atlântico. Assim que o contacto rádio foi restabelecido, o voo continuou em segurança até ao destino do avião nas Ilhas Canárias. 

O espaço aéreo sobre a Europa regista uma média de cerca de 35.000 movimentos aéreos por dia, tornando-o um dos espaços aéreos mais movimentados do mundo. Qualquer aeronave que voe dentro, ou se aproxime do espaço aéreo europeu da NATO, que não esteja identificada, seja por perda ou omissão intencional de comunicação com o Controlo de Tráfego Aéreo, cria um ambiente inseguro, que pode levar a um incidente aéreo. A NATO garante por isso a integridade, segurança e proteção do seu espaço aéreo, mantendo uma missão de policiamento aéreo 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano, supervisionada pelo Comando Aéreo Aliado.

Em Portugal, esta tarefa é suportada por dois caças F-16M na BA5, com um tempo de resposta de 15 minutos até à descolagem.



quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

PRIMEIROS F-16 EX-NORUEGA CHEGAM À ROMÉNIA EM 2022 [M2283 - 71/2021]

F-16AM da Força Aérea Romena à aterragem em Borcea

Segundo a revista romena especializada em aviação "Aviatia" revelou hoje 30 de Dezembro de 2021, na sua edição online, os primeiros F-16, a serem comprados pela Roménia à Noruega, poderão chegar ainda durante o próximo ano. 

Apesar do contrato de aquisição de até 32 aparelhos ainda não ter sido assinado - estando marcado para a Primavera de 2022 - foi já avançada a informação de que as primeiras três células poderão chegar à Roménia até ao final de 2022.

"Os aviões vêm chave na mão, podem voar num segundo. Terão que ser adaptados aos padrões romenos, mas estamos a falar da aplicação do esquema de pintura nacional do F-16 romeno e dos sistemas de comunicação seguros, dos sistemas de reconhecimento amigo-inimigo, todos característicos de cada nação ", disse o General Viorel Pană, Chefe do Estado-Maior da Força Aérea à TVR.

Nas mesmas declarações, o Gen. Pană comentou a necessidade de formação de um grande número de pilotos e técnicos para poder operar os 32 aviões que virão da Noruega, a adicionar aos 17 adquiridos a Portugal, e sedeados na base aérea de Borcea. De realçar que o contrato de aquisição das células F-16M portuguesas previa a formação de pilotos e técnicos, inclusivamente já depois da entrega das aeronaves. Agora, as autoridades romenas parecem interessadas em prolongar a instrução de pilotos em Portugal, enquanto a formação dos técnicos será repartida entre a Noruega e a Roménia: “Continuaremos a treinar pilotos nos EUA, pelo menos quatro por ano. E, claro, temos soluções de formação em Portugal, não na Noruega. Assim, a parte da formação com Portugal continua em aberto, enquanto as soluções para a formação do corpo técnico são exclusivamente romenas e norueguesas ” referiu.

Apesar da formação de técnicos aparentemente não passar por Portugal desta vez, com a entrega da última célula ex-FAP, estava já definido o envolvimento luso na modernização das aeronaves já fornecidas.

Ainda segundo a revista Aviatia, o cronograma de entrega dos 32 F-16 ex-noruegueses, prevê a conclusão do processo até 2024, quando a Força Aérea Romena completará numericamente três esquadras de voo equipadas com F-16 MLU.





segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

BALANÇO DO DESTACAMENTO DE F-16 DA FAP NA LITUÂNIA [M2282 - 70/2021]

F-16M com panóplia de armamento na cerimónia de recepção da FND na BA5

Na passada terça-feira 14 de Dezembro, realizou-se a cerimónia de recepção da Força Nacional Destacada (FND) em missão na Lituânia entre entre 1 de Setembro e 30 de Novembro de 2021.

A cerimónia realizada na Base Aérea nº5, em Monte Real, casa das Esquadras 201 e 301 da Força Aérea Portuguesa (FAP) que operam os F-16 destacados, foi presidida pela Secretária de Estado de Recursos Humanos e Antigos Combatentes, Catarina Sarmento e Castro, e contou com a presença do CEMFA Gen. Joaquim Borrego, do Comandante Aéreo TGen. Eurico Craveiro e do Comandante da BA5 Cor. João Vicente, entre outras individualidades militares.

À direita a Secretária de Estado de Recursos Humanos e Antigos Combatentes, Catarina Sarmento e Castro

O destacamento na Lituânia, realizado ao abrigo das medidas de tranquilização aumentadas da NATO, para o policiamento das repúblicas bálticas, foi comandado pelo Maj. PILAV Paulo Silva até sensivelmente metade do período, altura em que foi realizada rotação dos 84 elementos que asseguraram a missão, passando depois o comando para o Maj. PILAV Emídio Fernandes até ao final.

Entrega da bandeira da FAP usada pela FND pelo Maj. Fernandes ao Gen. Borrego

Durante os três meses do destacamento, as aeronaves portuguesas alternaram prontidão de alerta de 15 e 180 minutos, com o destacamento dinamarquês em Siauliai. Totalizaram sete missões reais (Alpha scramble) de identificação e intercepção de aeronaves não identificadas e 19 missões de treino (Tango scramble), com 100% de eficácia. 

Além de apoio no policiamento aéreo do Báltico ao destacamento da Real Força Aérea Dinamarquesa em Siauliai, o destacamento da FAP realizou ainda 161 missões de treino conjuntas e combinadas com forças aliadas na região, entre as quais se destacam a participação no exercício Ramstein Alloy, a escolta de bombardeiros estratégicos da USAF B-1B, integração com a força naval SNMG1 (que incluía a fragata da portuguesa NRP Corte-Real), além de exercícios de apoio aéreo próximo com tropas de várias nacionalidades, que serviram para aprimorar a interoperabilidade dentro da NATO e países parceiros.

A nível de manutenção, as aeronaves destacadas (15101, 03, 12 e 42) demonstraram uma disponibilidade de 98,8% durante o período do destacamento, tendo realizado um total de 440 horas de voo.

No seu discurso, o Gen. Joaquim Borrego enalteceu a dedicação, profissionalismo e espírito de missão dos elementos que asseguraram o destacamento, que permite ao país honrar os compromissos internacionais que assumiu e terminar com o sentimento de dever cumprido.

General CEMFA na alocução aos presentes na cerimónia na BA5

De igual modo, a Drª Catarina Sarmento Castro sublinhou o reconhecimento internacional do desempenho da FND e a importância da missão desempenhada com sucesso e em segurança, que demonstra o compromisso nacional com os seus aliados da NATO.


Em 2022 está previsto a FAP realizar novo destacamento de F-16 num país aliado, desta feita na Islândia.


F-16AM Fighting Falcon

Foto de grupo dos presentes na cerimónia na BA5 a 14 de Dezembro de 2021





sexta-feira, 26 de novembro de 2021

LOBOS PATRULHAM MEDITERRÂNEO PARA NATO E UE [M2281 - 69/2021]

 

P-3C CUP+ da Esquadra 601 da FAP

O Estado Maior General das Forças Armadas deu conta através da rede social Facebook de mais uma missão realizada no dia 11 de novembro pela Esquadra 601 - “Lobos” da Força Aérea Portuguesa (FAP),  no âmbito da operação da NATO “Sea Guardian”, de patrulhamento e vigilância no Mar Mediterrâneo.

Nesta missão, a aeronave P-3C CUP+, a operar a partir da Base Aérea N.º 11, em Beja, patrulhou uma área superior a 300 mil Km2, durante 8h50 de voo, tendo realizado 3240 contactos, entre os quais se encontravam 19 embarcações relacionadas com o tráfico de estupefacientes e uma embarcação de imigração ilegal. A tripulação portuguesa identificou, assim, 14 migrantes e coordenou o seu resgate das águas do Mediterrâneo.

A operação “Sea Guardian” tem como objetivo promover a segurança marítima no Mar Mediterrâneo, garantindo a liberdade de navegação e o conhecimento situacional deste mar, com foco nas atividades de tráfico de estupefacientes, armas e pessoas, vigilância do tráfego marítimo e poluição marinha. Até ao final de 2021, os Lobos irão realizar mais 6 missões no âmbito desta operação. 

A Esquadra 601 tem além disso, outra aeronave P-3C CUP+ destacada em Málaga, Espanha, a realizar patrulhamento do Mediterrâneo até ao dia 2 de dezembro, no caso atribuída à operação Índalo, da agência europeia FRONTEX.



quarta-feira, 24 de novembro de 2021

TRIPULAÇÃO DE C295M DA ESQUADRA 502 TERMINA ETAP EM ESPANHA [M2280 - 68/2021]

C295M da Esquadra 502 durante o ETAP 21-4 em Espanha      Foto: aviationphoto11

A Esquadra 502 da Força Aérea Portuguesa terminou a participação no curso ETAP (European Tactical Airlift Programme) realizado em Saragoça, Espanha, entre 7 e 19 de novembro de 2021.

Segundo o ETAC (European Tactical Airlift Centre) divulgou, no curso 21-4 participaram cerca de 160 militares com um total de oito aviões de transporte, de sete países diferentes: Alemanha e Espanha com A400M, Chéquia, Espanha, Portugal e Polónia com C295M, Noruega com C-130J e Lituânia com C-27J.

Participaram ainda dois pilotos búlgaros com observadores e uma equipa de Controladores Aérea Táticos polacos.

O programa do curso incluiu 20 horas de instrução teórica, seguidas de nove missões de voo por tripulação. A fase de voo do curso desenrolou-se principalmente na base aérea de Saragoça, aeroporto civil de Teruel, zonas de lançamento de Bardenas e São Gregório e zona de aterragem de Ablitas. 

Momento da inversão de impulso dos motores do C295M durante uma aterragem tática em Ablitas   Foto: aviationphoto11

As missões começaram pelo planeamento e tiveram tipologias abarcando as principais tarefas do transporte aéreo militar como a largada de tropas ou carga de paraquedas, voos táticos com presença de ameaças terra-ar e ar-ar, voo a baixa altitude, extrações e infiltrações de pessoal, manobras táticas de aproximação e aterragem, descarga de combate, ou operações de carga e descarga com motores em marcha. Segundo a estatística realizaram-se 43 EROs (Engine Running Operations), 6 COL (Combat Off Load), 6 SL (Static Line para-droppings), 3 ADGE (Air Delivery Gravity Extraction), 1 ADPE (Air Delivery Parachute Extraction), 20 SATB (Standard Air Training Bundle), 43 Assault Landings e Tactical Approaches, 53 Ground to Air Threat Reaction, distribuídos por mais de 60 voos e cerca de 120 horas. 

Como resultado do curso, 37 tripulantes de oito tripulações graduaram-se com sucesso. Além disso, três loadmasters de Bulgária, Itália e Portugal qualificaram-se como instrutores.

A cerimónia de graduação teve lugar no dia 18 de novembro, na base aérea de Saragoça.


Agradecimentos: Esteban Maiza



terça-feira, 23 de novembro de 2021

ALEMÃES TREINAM EM PORTUGAL [M2279 - 67/2021]


Estiveram recentemente em Portugal, forças militares alemãs em treino de saltos e operações aéreas.
Não é uma propriamente uma novidade, mas é a oportunidade de serem observadas aeronaves pouco habituais no nosso país, como o A400 Atlas e o PZL Mielec M28 Skytruck. Os alemães aproveitam as melhores condições meteorológicas do canto sudoeste da Península Ibérica para treinar operações fora da sua área habitual.



As operações decorreram sobretudo na área de Tancos, ainda que durante algum tempo, o A400 operasse a partir do Aeroporto do Porto.



segunda-feira, 1 de novembro de 2021

CONCLUÍDO 7º CURSO DE INSTRUTORES DE TÁTICAS DE HELICÓPTEROS [M2278 - 66/2021]

Os participantes da fase de voo do 7º HTIC        Foto: EDA

O 7º  Curso de Instrutores de Tácticas de Helicópteros (HTIC) da Agência Europeia de Defesa decorreu ao longo de sete semanas repartidas pela Base Aérea nº1 em Sintra, Portugal e na Base Aérea de Pápa na Hungria.

Concluído a 22 de Outubro de 2021, o curso começou no dia 30 Agosto, com uma fase teórica de quatro semanas e treino em simulador na BA1 em Sintra. Seguiu-se depois um destacamento de três semanas na Base Aérea do Pápa na Hungria, onde os participantes realizaram a fase de voo do curso. 

Simulador do Centro Multinacional de Treino de Helicópteros em Sintra

Apoiada por pessoal da Força de Defesa Húngara e da Base Aérea do Pápa, a fase de voo incluiu um cenário operacional complexo com realização de voos em formação com diferentes aeronaves, treino de evasão contra uma série de ameaças aéreas, Guerra Eletrónica (EW) contra sistemas terrestres e aéreos e toda uma panóplia de tarefas adicionais, tais como assalto de helicóptero, escolta de veículos terrestres e apoio mútuo. 

Fase de voo do HTIC em Pápa

O curso foi conduzido pela equipa de instrutores-chefe de HTIC da EDA e ministrado a tripulações austríacas, checas, alemãs, húngaras, portuguesas e suecas, voando em seis tipos diferentes de helicópteros: AW109, EH101, H145M, Mi-171, OH-58 e UH-60.

Os instrutores vieram da Áustria, Alemanha e Suécia, juntamente com algum apoio contratado da Inzpire Ltd. O curso contou além disso, com o suporte de aeronaves de asa fixa dos L-159 ALCA checos e JAS39 Gripen húngaros, atuando principalmente como ameaças durante o treino dos helicópteros. Os equipamentos de Guerra Eletrónica foram fornecidos pela Áustria e pela Hungria.

No total, foram concedidas 18 qualificações de Bronze, 7 de Prata e 3 de Ouro, garantindo uma importante contribuição para o quadro internacional de Instrutores de Táticas de Helicóptero (HTI).

Tripulações portuguesas das Esquadras 552 e 751 participantes no 7º HTIC      Foto: FAP

Os três elementos principais do HTIC são o treino de evasão, guerra eletrónica e operações avançadas. São inicialmente ministrados como capacidades autónomas, antes de serem reunidos num ambiente complexo e não permissivo, no âmbito do planeamento e execução de Operações Aéreas Compostas (COMAO).

O Curso de Instrutores de Táticas de Helicópteros (HTIC) é uma atividade de treino avançado de helicópteros destinada a formar instrutores de táticas para helicópteros, que possam depois transmitir nacionalmente os procedimentos táticos padronizados aprendidos, de modo a promover a interoperabilidade entre as unidades de helicópteros europeias e facilitar a prontidão para atividades combinadas futuras. Isto é feito independentemente do tipo de helicóptero usado e vem sendo implementado desde 2013. A partir de 2021, a sua localização mudou para Base Aérea n.º 1 em Sintra (Portugal), onde é executada a fase teórica e simulador do curso, e para a Base Aérea do Pápa (Hungria), onde é realizada a fase de voo.

O HTIC fornece, às tripulações participantes, capacidades e conhecimentos para por sua vez ensinarem táticas avançadas às tripulações operacionais dentro de cada uma das suas próprias organizações nacionais. As tripulações graduadas devem ainda auxiliar na execução do Programa de Exercícios de Helicópteros (HEP) da EDA, o Curso de Táticas de Helicóptero (HTC) e em futuros HTIC. Os diplomados com êxito no curso recebem uma qualificação reconhecida por outros Estados-Membros.

 Os cursos HTIC duram dois anos: no primeiro ano, os futuros instrutores refinam ao máximo os seus próprios conhecimentos de táticas avançadas de helicópteros e no segundo ano, a ênfase muda para desenvolver a capacidade dos participantes em ensinar essas táticas. Por sua vez, instrutores que tenham demonstrado capacidades excecionais ao ministrar o curso, são selecionados individualmente para regressar uma terceira vez e lecionar juntamente com os instrutores permanentes, para atingirem finalmente a qualificação Ouro de instrutor e tornarem-se instrutores de futuros HTIC e/ou integrar a Equipa de Instrutores Chefe do HTIC.

Fonte: EDA



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