domingo, 6 de setembro de 2015

Commonwealth War Graves – o Cemitério Britânico do Porto (M1819 – 11RF/2015) [parte 2]


Commonwealth War Graves – o Cemitério Britânico do Porto [2ª parte]
Cemitérios do Porto – o cemitério dos Ingleses: um roteiro de aviação?

Commonwealth War Graves

O cemitério britânico do Porto, recebeu em 1941 os primeiros inumados da 2ª Grande Guerra, sendo que o conjunto total de seis lápides, se constitui numa pequena secção da Commonwealth War Graves, inserida num dos talhões, refere a três acidentes distintos.

Na sepultura colectiva nº774 (duas lápides), encontram-se os restos mortais da tripulação de um Vickers-Armstrong Wellington Ic, de registo Z8780, do Overseas Aircraft Delivery Unit, da Royal Air Force , que por volta das 14H30M de 13 de Julho de 1941 se despenhou no oceano, ao largo de de Fão, perto de Esposende.Tratava-se de um voo de entrega, que partiu desde a base da RAF de Portreath, na Cornualha, rumo a Gibraltar. A tripulação era composta por 6 elementos, tendo todos eles perdido a vida.Da informação consultada, os diferentes autores são unânimes em dizer que não é clara a razão do acidente, sendo factores plausíveis para o sucedido problemas com o aparelho, no motor, ao qual o mau tempo e o mar agitado não terão ajudado. Pensamos que ainda há espaço para investigação séria sobre o tema, junto da imprensa local e junto até dos familiares dos homens do mar que acorreram ao auxílio destes aviadores. Os familiares do Sgt. William Bernard Oakes, ainda procuram nos dias de hoje encontrar uma explicação, seja ela qual for, para o acidente. As descrições da imprensa, são muito ricas no relato às exéquias que movimentaram a comunidade britânica do Porto, mas também da sociedade civil e militar local, ainda que, a censura terá tido um papel importante no refrear a imprensa, quer sobre o acidente em si, quer sobre as cerimónias, por certo que muito ficou por dizer.Estas sepulturas, como se pode verificar pelas fotos, diferem das demais por não ostentarem os símbolos da arma a que pertenciam, talvez por ser uma sepultura colectiva.
As lápides tem as seguintes inscrições:

R.65516 SERGEANT
McNEILL, STEPHEN THOMAS,
AIR GUNNERROYAL 
CANADIAN AIR FORCE
13TH JULY 1941
 

546317 SERGEANT 
OAKES, WILLIAM BERNARD,
PILOT
ROYAL AIR FORCE
13TH JULY 1941 
AGE 21IN 
GOD’S GARDEN OF MEMORY
WE MEET EVERY DAY
MUM AND DAD
BROTHERS AND SYSTERS

R.65821 SERGEANTPEEL, 

HENRY GERALD,
ROYAL CANADIAN AIR FORCE
13TH JULY 1941 AGE 23HE 
                                                           DIED FOR HIS COUNTRY  
                                                           HE LIVES WITH HIS LORD


990743 SERGEANT
DAVIES, TREVOR VAUGHAN
ROYAL AIR FORCE
13TH JULY 1941 AGE 20
TREASURED MEMORIES ALWAYS
DEAR TREVOR
 

1106166 SERGEANT
DIXON, COLIN JAMES,
WIRELESS OP.AIR GUNNER
ROYAL AIR FORCE
13TH JULY 1941 AGE 20
 

923871 SERGEANT
HAYNES, DEREK CECIL
PILOT
ROYAL AIR FORCE
13TH JULY 1941 AGE 19
LOVE NEVES DIES


O segundo conjunto de sepulturas, nºs.776 e 777, referem-se à tripulação de um Vickers Wellington IC, de registo HX390, do 1st Overseas Aircraft Delivery Unit, da Royal Air Force, em voo de ferry, entre Portreath e o Egipto, via Gibraltar, que se despenhou perto do Atlântico frente a Vila do Conde, a 29 de Maio de 1942.
De acordo com uma das fontes consultadas, o autor Carlos Guerreiro, devido a problemas de motor o aparelho, ao amarar, partiu-se. Dois dos tripulantes morreram, correspondendo aos túmulos existentes no cemitério e todos os restantes se salvaram, « Gould e Jakson, com lesões diversas, incluindo braços partidos, subiram para uma asa. Anstey e Wallace-Cox conseguiram entrar para um bote de borracha. A aterragem foi observada da costa e o barco de um pescador conseguiu recolhê-los. Os dois feridos graves foram enviados para o Hospital no Porto. Anstey e Cox foram transferidos para uma unidade militar na Póvoa do Varzim, onde estiveram durante três semanas, antes de serem  transferidos para as Caldas da Rainha. Os dois regressaram a Inglaterra a 12 de Julho. Wallace-Cox morreu em 27-07-1943 e está sepultado no Ashbourne Cemetry, no Reino Unido.»
A tripulação completa era constituida,«Sergeant H. Jakson Sergeant M.H.Thompson (*)Sergeant J. W. Gould Segeant I. Wallace-Cox P/O J. P. AnsteySergeant John Gordon Daniels (*)»(*) túmulo em St. James.
Ainda segundo Carlos Gomes, e após consulta ao Evade&Escape Report  desse acidente, este refere a data do acidente como sendo 28 de Maio, e não a data inscrita nas campas, nem tão pouco a que o autor refere no seu livro, 30 de Maio. Uma discrepância que fica por esclarecer.

1312337 SERGEANT
DANIELS, JOHN GORDON
PILOT
ROYAL AIR FORCE
29TH MAY 1942 AGE 20



HE GAVE US
THE LOVE AND LAUGHTER.
SHARED JOY AND TEARS.
AND LEFT LOVED MEMORIES.

(grave no.777)




1320384 SERGEANT
THOMSON, MATHEW HALL
AIR GUNNER
ROYAL AIR FORCE
29TH MAY 1942 AGE 20


MAY THE SUNSHINE HE MISSED
ON LIFE'S HIGHWAY
BE FOUND IN
GOD'S HAVEN OF REST

(grave no.776)



O terceiro conjunto, a sepultura colectiva nº 567, referem-se à tripulação de Lockheed Hudson IIIA, registado FK791 (s/n 42-47347), do Esquadrão 269 da Royal Air Force, da base RAF Davidstow Moor, que se despenhou perto de Mira no dia 6 de Março de 1944. Esta unidade tinha sido colocada nas Lajes, Terceira, Açores, para onde se estava a deslocar vinda de Gibraltar. O acidente resulta de inicialmente terem perdido o motor de bombordo devido a uma tempestade eléctrica, e algum tempo depois o de estibordo também falhou. Três dos tripulantes morreram , mas um quarto, o Flight Sergeant Potwalka, foi recolhido por uma embarcação de pesca.

39548 SQUADRON LEADER
McPETRIE, DAVID DUNCAN 
PILOT
ROYAL AIR FORCE
6TH MARCH 1944 AGE 31
 

GREATLY LOVED
BY HIS WIFE AND CHILDREN
REMEMBERING HIM,
WE WILL BE BRAVE & STRONG








 

R.99353 WARRANT OFFICER 
GALLOP, PHILLIP ARTHUR 
WIRELESS OP./AIR GUNNER
ROYAL CANADIAN AIR FORCE
6TH MARCH 1944 AGE 23
 

SLEEP BELOVED, SLEEP
AND TAKE THY REST
WE LOVED THEE WELL
BUT JESUS LOVED THEE BEST

401996 WARRANT OFFICER
McLEAN, GEORGE GORDON 
ROYAL AUSTRALIAN AIR FORCE
6TH MARCH 1944 AGE 25
 

NOT LOST
BUT GONE BEFORE


Agradecimentos:
Kelvin Youngs (webmaster Aircrew Remembered);
Mrs A Francis (Enquiries Administrator at Commonwealth War Graves Commission);
Terrence Weineck (Memeber of Church Council)

Reverend Rober John Bates (Chaplain, St James Anglican Chaplaincy, Porto)
e ao Carlos Guerreiro, pela ajuda e partilha, e permissão por aqui utilizar algum do seu material.


Fontes de Informação:
Maj.(RES) Adelino Cardoso, in Aeronaves Militares Portuguesas do Seculo XX, Edição Essencial, Lisboa, 2000.
Dr. Francisco Queiroz, in Cemitérios do Porto – Roteiro, publ.2000 DMASUCMP-DMHP, da C.M.Porto.
Carlos Guerreiro, in Aterrem em Portugal, livro e online ... http://aterrememportugal.blogspot.pt/http://www.landinportugal.org/
José Augusto Rodrigues, in A Batalha de Aljezur, JF Aljezur, 2013
St. James Anglican Church Porto http://www.stjamesoporto.org
Commonwealth War Graves Commission www.cwgc.org
Aircrew Remembered [http://www.aircrewremembered.com]
Wellington IC Z8780 - http://aircrewremembered.com/haynes-derek.html
Hudson IIIA FK791 - http://www.aircrewremembered.com/mcpetrie-david-duncan.html
Altimagem - http://altimagem.blogspot.pt/2013/08/66-vickers-armstrong-wellington.html
WW2 Talk - http://ww2talk.com/forums/topic/10859-war-graves-in-portugal/
Key Publishing Ltd. Aviation Forums http://forum.keypublishing.com/archive/index.php/t-112211.html
RAF Davidstow Moor http://www.rafdavidstowmoor.org/crash-log/crash-index/
Joe Baugher’s Serials http://www.joebaugher.com/usaf_serials/1942_2a.html


Notas Finais – adicionalmente a este escrito que evoca os militares sepultados na secção da Commonwealth War Graves, ficam aqui algumas fontes de informação relativas a alguns dos militares e respectivas unidades, evocadas no cruzeiro aos combatentes de ambas as guerras,

THE FIFTH BATTALION HIGHLAND LIGHT INFANTRY IN THE WAR 1914-1918http://www.gutenberg.org/files/20250/20250-h/20250-h.htm

Nota (muito pessoal) do Autor – Numa altura em que vai tomando uma dimensão maior, a vertente do turismo cultural relativo à arte e à história (da Cidade e do País), que podemos encontrar nos cemitérios do Porto, nomeadamente os de maior dimensão, destaca-se um conjunto de visitas culturais, já na sua 10ª edição, num trabalho desenvolvido por parte da Câmara Municipal do Porto. Neste sentido, surge-me a ideia, com laivos de sugestão, que uma das vertentes a explorar poderá bem ser a vertente militar da história da cidade, nomeadamente pelos jazigos e talhões onde esta se pode evocar, desde o Cerco do Porto, mas também as 1ª e 2ª Grande Guerras, a Guerra Colonial, as Invasões Francesas, ... fica o repto. Quem sabe…


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