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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

SEXTA GERAÇÃO OU O PRINCÍPIO DO FIM DO F-35 (M1799 - 34PM/2015)

Imagem conceptual da Boeing para um caça de 6ª Geração

Não é segredo nenhum que o F-35 é, a par com o programa de defesa mais caro de todos os tempos, quiçá (ou talvez também por isso) um dos mais polémicos.
Por entre dúvidas sobre as suas capacidades para substituir adequadamente as aeronaves a que se propõe, no inventário da Forca Aérea, Marinha e Fuzileiros dos EUA (F-16, A-10, F/A-18, Harrier...), estão também inúmeros problemas técnicos, atrasos no programa e deslizes orçamentais.

Por entre vozes discordantes dentro e fora dos militares, a posição oficial tem sido a de que “o F-35 será a espinha dorsal das forças americanas”, e vários sistemas de armas foram até colocados como sacrificáveis, de modo a disponibilizar verbas para o F-35.

As entrevistas e informações oficiais divulgadas, de quem com o JSF tem vindo a operar, invariavelmente falam maravilhas do novo caça. Nas últimas semanas contudo, embora de um modo velado, foi possível observar-se uma inflexão na relação oficial com o  F-35. O maior sinal terá sido porventura o anúncio do início de desenvolvimento da 6ª Geração de caças para os EUA, alegadamente para “aproveitar a capacidade técnica acumulada” com o desenvolvimento da 5ª Geração. 

Levantando o véu sobre os objectivos para esta nova geração de caças, verifica-se que pouco tem a ver com a predecessora. Segundo o Chefe de Operações Navais da US Navy, Alm. Johnathan Greenert, o novo caça pode nem sequer ser stealth, nem especialmente rápido. É que por um lado, os avanços tecnológicos em curso podem tornar a tecnologia stealth obsoleta (IRST, radares passivos ligados em rede, etc), o que deita imediatamente por terra a “superioridade” de qualquer caça stealth. Mais ainda: sem a tecnologia stealth ficam a nu as insuficiências destes relativamente a caças convencionais, fruto das limitações impostas pela tecnologia stealth. E a China até já afirma conseguir detectar aeronaves stealth a distâncias  de 240 a 360 milhas (entre 400 a 575 km), o que significa duas a três vezes o alcance do míssil AIM-120 que o F-35 pode transportar. Apesar desta ser uma afirmação ainda por comprovar, a teoria que a sustenta é conhecida e facilmente compreensível: processando vários sinais provenientes de frequências rádio e a sua duração, de comunicações tácticas, equipamento de medição de distância, radar e sistema de identificação amigo/inimigo (IFF), para além da fonte de calor que continuarão a ser sempre os motores, ou até mesmo as perturbações aerodinâmicas causadas pela passagem de um aeronave na atmosfera, é possível detectar uma aeronave furtiva.

Por outro, os custos de desenvolvimento das aeronaves stealth, acabaram por levar ao paradoxo de os tornar “bons de mais” para por vezes serem usados na linha da frente, devido ao receio de perder aeronaves sobre território inimigo. Devido aos riscos que isso implica em termos do enorme custo das aeronaves em si, ou de permitir o acesso a essa tecnologia pelo inimigo (como já aconteceu na Sérvia e no Irão por exemplo). 

Por outro ainda, as limitações de venda de tecnologia de ponta a aliados, acabam por tornar os programas de desenvolvimento mais caros. O F-22 por exemplo não obteve permissão de exportação, apesar do interesse de vários aliados. O B-2 não está sequer estacionado permanentemente em qualquer base fora dos EUA, devido ao receio de fugas de informação na sua tecnologia.

O programa de caça de 6ª Geração, baptizado F-X (USAF) ou F/A-XX (US Navy), pode ainda assim incorporar novas armas entretanto em promissor desenvolvimento, como o laser (ou “energia dirigida” como é designado), ou outras que consigam suprimir as defesas inimigas sem colocar em risco a aeronave, colocando por isso a ênfase em destruir as capacidades inimigas e não em tentar esconder a aeronave atacante.O novo caça poderá ainda ser tripulado ou não, mas as capacidades de comunicação em rede serão certamente um dos pontos fortes do projecto.

A velocidade não será também um dos principais quesitos do novo caça, mais ou menos pelas mesmas razões do stealth. O novo conceito aponta em não desperdiçar recursos para tentar contrariar o inevitável. E ser suficientemente rápido para fugir a mísseis capazes de atingir Mach 4,5 entra decididamente no critério.

Mais sinais de que o F-35 poderá passar ao lado da carreira que para ele se pretendia, são igualmente a possibilidade de criar uma nova aeronave para substituir especificamente o A-10 nas funções de Apoio Aéreo Próximo, tal como anunciado este mês pelo Gen. Hawk Carlisle, Chefe do Comando de Combate Aéreo, com uma cimeira a decorrer já em Março de 2015, com representantes dos diversos ramos das FAs americanas, no intuito de definir opções para esta missão, em que o F-35 tem sido especialmente apontado como inadequado.

Já do lado da US Navy, a desconfiança relativamente ao F-35 mantém-se para substituir os F/A-18, apesar dos irrepreensíveis testes de mar realizados no final de 2014. Uma prova disso são as baixas encomendas que a Marinha mantém do JSF (apenas 9 unidades actualmente em serviço e encomendas de somente 2 para 2015 e  4 para 2016), deixam perceber o pouco entusiasmo no JSF, por contraste com a agora aberta possibilidade de “saltar” o F-35 como “faz-tudo” da aviação embarcada,  e passar directamente do Super Hornet ao F/A-XX.

Contudo, é ainda naturalmente cedo, para saber se a carreira do F-35 poderá vir a ser considerada bem-sucedida ou não. Programas anteriores com inícios difíceis (F-14, F-16), acabaram por ter desfechos felizes, mas o contrário é igualmente  verdade ou mais ainda (F-111, F-4, ...). O que a história não deixa de ensinar no entanto, é que sempre que se pretende que uma aeronave seja boa em tudo, acaba por não ser a melhor em nada. E embora oficialmente o F-35 não esteja para já a ser enjeitado pelos principais operadores, provavelmente devido aos principais aspectos económicos para todas as partes envolvidas (fabricantes, investidores, governos, operadores, ...) os sinais de alarme vão-se sucedendo. 

No mínimo, pode afirmar-se que a carreira do F-35 tem um grande ponto de interrogação perfeitamente visível, rodeado de muitas reticências.



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

USAF 2016 - ORÇAMENTO (M1786 - 24PM/2015)

Publicidade da Northrop Grumman ao novo bombardeiro de longo alcance para a USAF      Foto: Northrop Grumman

Nos últimos anos, a divulgação do pedido de orçamento para as Forças Armadas americanas, tem suscitado sempre elevado interesse. Tornou-se numa espécie de radiografia em que é possível analisar os programas que o Pentágono considera prioritários e quais estão destinados a serem sacrificados, dados os constrangimentos financeiros que o país tem vindo a atravessar, tal como na Europa.

A recente divulgação do pedido de orçamento para a Força Aérea dos EUA (USAF) para o Ano Fiscal 2016 (com inicio a 1 de outubro de 2015), foi mais uma oportunidade para escalpelizar quem sai e quem fica, um pouco à semelhança do defeso das épocas desportivas.

Assim, dentre os programas já ameaçados em 2015, salta à vista a insistência em “abater” o A-10, que mal-grado continuar na linha da frente, no combate ao Estado Islâmico no Médio Oriente, a USAF continua apostada em deixar cair. A proposta é que o modelo fique limitado a unidades da Guarda Aérea Nacional e Reserva, deixando as unidades de primeira linha da USAF. 

Ja o veterano avião de reconhecimento estratégico U-2, outra das frotas em risco de extinção, parece ver a sua vida prolongada por pelo menos mais três anos, de 2016 para 2019, enquanto o UAV que o devera substituir, o Global Hawk, não assume totalmente as funções.

Ja no campo das aquisições, dentro dos 122.100M USD  pedidos para a USAF para 2016, estão incluídos:

44 F-35A Lightning II
9   MQ-9 Reaper
14 C-130J Hercules
12 KC-46 tankers
8   MC-130 de operações especiais
5   HC-130 para resgate de combate
Modernizações nas frotas F-22, F-15 Eagle, B-2 e E-3 

Ainda assim, o pedido de orçamento está acima dos limites impostos pelo Ato de Controlo de Orçamento, o que significa que, caso não haja aumento desses limites, tal como previsível, mais cortes terão que ser realizados. 
Nesse cenário, KC-10, U-2, E-3, Global Hawk e F-15C estão na linha da frente para enfrentar a guilhotina, sendo a diminuição das horas de voo, redução da capacidade de reconhecimento e custos de investigação, opções adicionais para redução de custos. 14 F-35 poderão também ser sacrificados, para fazer quadrar os números dentro dos limites estabelecidos.
A ultima medida, pode ainda ser o adiamento da aquisição do novo avião presidencial Air Force One, um Boeing 747-8 recentemente anunciado, para épocas mais desafogadas.

Dentro dos programas a manter, estão a modernização da frota F-15C/D, que apesar da redução em numero de pelo menos 10 células em 2016, receberá novos radares AESA e melhoramentos no sistema de contramedidas eletrónicas.
O programa para o novo helicóptero de resgate de combate atribuído à Sikorsky, será custeado totalmente, não sofrendo qualquer corte.
Igualmente intocável, está o orçamento do programa de desenvolvimento do novo bombardeiro de longo alcance (LRS-B), destinado a substituir os B-52 e B-1 do inventário da USAF, atualmente o mais elevado dos programas de investigação e desenvolvimento, arrecadando 1200M USD para 2016, com incrementos adicionais para os anos subsequentes. Fora deste montante, poderão ainda estar verbas não divulgadas, provenientes do “saco azul” para programas secretos, que não estão sujeitos ao escrutínio publico.

Vários tipos de armamento novo, em desenvolvimento e modernizado, fecham as contas da USAF para 2016.

Segundo o Oficial Financeiro Chefe, o orçamento para o Ano Fiscal de 2016, representa “um balanço entre as necessidades do presente e as ameaças do futuro”.



segunda-feira, 17 de março de 2014

OS CORTES NA USAF (M1477 - 92PM/2014)

F-15C de Portland, Oregon     Foto: John Hughel/USAF

A 10 de março, a Força Aérea dos EUA (USAF) revelou planos específicos para cortar nas suas frotas de aeronaves nos próximos cinco anos.

Os planos para cortar 50 F-15C começam já no Ano Fiscal 2015, com consequências nas frotas ativas. 21 F-15C fora dos EUA serão retirados, juntamente com dois da base aérea de Nellis, Nevada.
Os cortes na Guarda Aérea Nacional (ANG) começam todos no Ano Fiscal 2016, com o maior impacto a acontecer no Oregon, que perderá 15 Eagles. Três F-15C serão também abatidos ao serviço na Califórnia, Massachusetts, Flórida e Luisiana. Estes cortes, descritos no pedido para o orçamento de 2015, vêm com os planos da USAF para cortar as frotas inteiras de A-10 e U-2. Contudo, como a poupança com essas frotas não era suficiente, obrigou a que cortes adicionais fossem planeados.

A-10C "Warthog" da USAF         Foto: William Greer/USAF

"Adicionalmente ao desinvestimento na frota, tivemos que tomar a difícil descisão de reduzir o número de caças táticos, aviões de comando e controlo, ataque eletrónico e meios de transporte aéreo, para podermos reequilibrar a USAF em termos de tamanho a ser suportado pelos níveis de financiamento esperados" disse o Chefe de Estado Maior da USAF, Gen. Mark Welsh num comunicado. "Sem estes cortes não vamos ser capazes de recuperar os níveis de prontidão necessários".

O anúncio de reestruturação também inclui planos para retirar a frota de Predator, num total de 84 VANTs. Outras bases verão os seus Predator substituidos pelo mais recente Reaper entre 2015 e 2017.

A eliminação do A-10 de serviço ativo, que enfrenta alguma oposição política, começará em 2015, com a ANG de Idaho a transitar para o F-15E. As unidades que operam o A-10 em Osan (Coreia do Sul), Moody, Davis Monthan e Eglin serão extintas. Outras unidades serão convertidas para outras aeronaves, nomeadamente KC-135 em Selfridge (ANG), F-16 em Whiteman (USAFR), Davis Monthan (USAFR) e Fort Wayne (ANG) e C-130J em Martin State (ANG).

Todos os cortes terão que ser sancionados  pelo Congresso, como parte do orçamento do Ano Fiscal 2015.

Fonte: Air Force Times
Tradução e adaptação: Pássaro de Ferro






segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

VIDA OPERACIONAL DO VELHO A-10 VAI SER PROLONGADA ATÉ 2015 (M1364 - 06AL72014)


A frota de aeronaves A-10 da Força Aérea dos EUA continuará em serviço ativo, pelo menos até 2015.
A recém aprovada Lei Nacional de Autorização de Defesa para o ano fiscal de 2014,  assinada pelo presidente Barack Obama em 26 de dezembro passado, proíbe a USAF de aposentar os aviões A-10 que, por isso, não foram previamente selecionados para a retirada de serviço entre Outubro de 2014 até o final do ano civil.
Uma declaração conjunta de comissões do Congresso dos Estados Unidos aludiu que a lei se destina a dar margem de manobra ao  congresso para realizar uma supervisão e considerar quais as ações a tomar nas estruturas da força aérea.
O projeto de lei não se aplica aos A-10 que haviam sido "sentenciados" para a a sua retirada em exercícios anteriores. 
A USAF tinha cerca de 320 aeronaves A-10 em Novembro de 2013 e estava a executar a retirada de aviões a uma taxa de dois por mês. Quando essa retirada programada for concluída, a USAF ficará ainda com 283 das aeronaves no ativo, uma vez que alguns aviões já foram efetivamente retirados.
O projeto de lei de autorização ocorre no meio da discussão entre o governo de Washington e a Força Aérea sobre o futuro da frota A-10, num ambiente com limitações de orçamento como as que vigoram. Em conferência de imprensa, o chefe de gabinete da força aérea, General Mark Welsh, disse que o apoio aéreo era crucial para a USAF, mas observou que se considera que as “alienações na frota”, são um meio de alcançar cerca de 12 mil milhões de dólares em economias no orçamento. 
Welsh acrescentou que outros aviões podem fornecer apoio aéreo aproximado e que a USAF tem planeada há muito tempo a substituição do A-10 pelo F-35A, aeronave que deverá alcançar a plena capacidade operacional em dezembro de 2016.

Fonte: Flightglobal
Edição: PFerro/2014

domingo, 24 de fevereiro de 2013

REAL THAW 2013/SPOTTERS DAY - 7 (M889-19AL/2013)

Última parte da colaboração do spotter Ivo Pereira. 
Desta feita, imagens obtidas na Base Aérea de Monte Real e que revelam a movimentação em volta deste exercício que se tornou, já, uma das imagens de marca e proficiência do Força Aérea Portuguesa, não só pela natureza do exercício de per si, mas também pelo envolvimento de forças externas e a subjacente capacidade de organização e logística empreendida no sentido de o tornar, também, uma referência no quadro da NATO.




Chegada e alinhamento no EOR NE da pista 19 dos A-10, para mais uma missão operacional no Real Thaw 2013. Os A-10 foram, sem dúvida alguma, uma peça importante no treino efetuado nesta edição do exercício. Muito provavelmente, uma a última em solo europeu...
Estes aparelhos são, digamos, umas das últimas piece de resistance da "guerra fria", numa altura em que a filosofia se centrava muito no lema, "uma missão, um avião"...
Hoje em dia, os aviões são cada vez mais multi-role, seja pelo aperto crescente nos orçamentos militares, seja pelo desanuviar de tensões que "sugerem" novas filosofias e abordagens os conflitos.



 Os C295M nacionais foram uma das peças do puzzle, cumprindo missões de transporte tático.

Aqui vemos o Falcon 20 da "Cobham", parte inglesa integrante deste exercício e cujo objetivo se estabeleceu na "guerra eletrónica", através do empastelamento das comunicações, servindo, por isso, como elemento obstaculizador das operações.

Os F-16AM/BM das Esquadras 201 e 301 asseguraram a proteção do espaço aéreo.

Um C-130H apresta-se para aterrar em Monte Real. Os fiéis "Hércules" serviram, também, nas missões de transporte aéreo geral e tático.


 Aterragem dos A-10, depois de mais uma missão cumprida no "teatro de operações".

O EH101 Merlin demonstrou, uma vez mais a sua versatilidade em todo o tipo de missão específica do helicóptero.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

EXERCÍCIO TEAM SPIRIT 81-91 (M721 - 91PM/2012)

Durante os anos da Guerra Fria, uma das preocupações estratégicas era a de poder operar com meios aéreos, em caso de destruição das bases fixas.
Aeronaves foram desenhadas de modo a poder operar a partir de pistas mal preparadas ou trechos de estrada, sendo o expoente máximo o Harrier britânico, mas também aeronaves como o A-10 americano, ou o Viggen sueco, entre muitas outras propulsionadas a hélice.
O exercício Team Spirit levado a cabo entre 1981 e 1991 na Coreia do Sul, foi talvez o expoente máximo desta doutrina, proporcionando imagens que, descontextualizadas poderão ter tanto de inaudito como de bizarro.

Em 1981 F-4 Phantom II americanos e coreanos, F-15 da USAF e um OV-10 Bronco


Os F-15 também possuem características que lhes permitem operar em auto-estradas

Para o A-10 foi um requisito de produção a operação em pistas não preparadas

"Cleared to take-off"

"Apron alpha"

Vista aérea do "aeroporto"

Municiamento do famoso canhão do A-10 o GAU-8 Avenger

Os OV-10 Bronco na época totalmente operacionais

Um C-130 durante largada de carga LAPES atualmente em desuso

Um A-10 no runway "19"

Os mirones apreciam o momento

Mais um C-130 a fazer-se à SCUT

Um F-5F da casa também não tem medo das portagens...


Fotos: Autor(es) desconhecido(s)
Fonte: http://blog.daum.net/lcs5801/8739163

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