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Esta foto foi captada no festival aéreo de 1996 em Beja, ao fim do dia, quando a maioria dos espectadores voltava já costas às máquinas que os entretiveram todo o dia e se encaminhavam para a saída.
Um petiz com talvez uns 10, 11 anos, hoje já seguramente um homem, divertia-se então como só as crianças sabem divertir-se, a andar sobre as mãos por entre as aeronaves estacionadas, à semelhança de um qualquer protagonista de exibição solo a efectuar voo invertido.
É parte dessa inocência que nos permite desfrutar a vida quando somos pequenos e que depois perdemos quase na totalidade - por entre responsabilidades e (auto)imposições sociais - que está ainda assim presente no spotter que, pese embora o facto de muitos os considerarem os “maluquinhos dos aviões”, estão pouco se marimbando para o que os outros pensam.
Quem nunca sentiu um fluxo de adrenalina ao presenciar a descolagem de um F-16 em full AB, ou uma rapada a queimar o Mach 1, ainda não viveu.
Parafraseando o conhecido spotter e nosso amigo Jorge "Nuvem Negra 21" Ruivo, “eu nem gosto de ir à pesca”…
Hawk T-1A sinistrado - Foto: Pedro Aragão, via Airliners.net
F-16B 15120
Ao contrário do que o título possa sugerir, este episódio nada tem a ver com o famoso filme em que Hollywood retratou a história de um helicóptero de forças especiais americanas abatido em Mogadíscio. Passou-se em Beja durante o festival aéreo NTM96, quando um Hawk T-1A (matricula xx302 s/n 1335/312127) da Royal Air Force, Sqn 78, durante uma simulação de ataque à Base, chocou em voo com um F-16B da Força Aérea Portuguesa. O F-16B da FAP, s/n 15120, pilotado pelo então Cap Pilav Francisco sofreu apenas danos menores (estabilizador esquerdo danificado) ao cruzar-se tangencialmente com o Hawk. Este último já não teve tanta sorte, uma vez que se despenhou a cerca de 10 km a NW da BA11, na zona de Cuba, após ejecção do respectivo piloto. O “nosso” F-16 aterrou aparentemente sem dificuldades de maior, facto confirmado posteriormente pelo próprio piloto, que referiu não ter sentido grandes diferenças no comportamento do aparelho, mesmo tendo-lhe sido subtraída (como já disse) mais de metade de um dos estabilizadores horizontais. Recordo-me perfeitamente que quando todos aqueles aviões levantaram voo (nesse ano realizou-se, como já aludi, o Tiger Meet em Beja, pelo que no ataque em massa participaram a quase totalidade das esquadras ali presentes) senti um “arrepio premonitor” do que sucederia minutos mais tarde. Curiosamente, o facto de haver muitas aeronaves no ar, que efectuavam passagens consecutivas sobre a base, vindas de todas as direcções, levou a que grande parte do público só se tivesse apercebido do acidente quando o Hawk explodiu ao esmagar-se no solo. Eu, por mero acaso, encontrava-me a seguir o referido Hawk quando este se cruzou com o F-16. Parecia que tinham colidido, mas como em inúmeras situações em festivais aéreos, interpretei como sendo ilusão de óptica. Quase simultaneamente vejo alguma coisa a libertar-se do Hawk e pensei “o Hawk está a lançar chaffs?! Isto este ano está bastante realista…”. Só quando os “chaffs” tomaram uma trajectória estranha e por fim se “transformaram” em pára-quedas me apercebi do que realmente sucedia. Do que se conseguiu saber do inquérito subsequente ao acidente (sempre inexplicavelmente muito sigiloso, como de resto todos os acidentes em território nacional) a aeronave britânica, devido ao elevado número de aviões que cruzavam a zona do pretenso ataque, terá inadvertidamente invadido o espaço do avião português, que efectuava funções de CAP na referida simulação de ataque. Felizmente do incidente houve apenas a registar danos materiais, já que conforme referido, o F-16 da FAP aterrou em segurança e o piloto britânico após breve estadia no hospital para tratar ferimentos menores causados pela ejecção e check up geral, pôde seguir para a Grã-Bretanha.
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