![]() |
| T-33AN Silver Star um dos "Gate Guard" da BA11 - Beja |
Os responsáveis norte-americanos não estão satisfeitos com as condições em Espanha e estavam a equacionar alternativas. Ao que o PÚBLICO apurou, uma delegação chegou mesmo a visitar a base aérea localizada na cidade alentejana para aferir da possibilidade da deslocalização.
A base foi construída nos anos 60 do século passado ao abrigo de uma acordo bilateral com a Alemanha para aí instalar unidades de instrução da Força Aérea Alemã. Uma das maiores do mundo em termos de área ocupada, sofreu com a saída do efectivo germânico em 1993. Desde então se tem procurado encontrar soluções alternativas para a infra-estrutura. Nomeadamente o uso civil, sem grande sucesso, desde 2011.
As démarches foram confirmadas ao PÚBLICO por um alto dirigente no Ministério dos Negócios Estrangeiros. E secundadas depois por um responsável do governo regional açoriano, a quem a matéria interessa embora de forma indirecta. É que a possibilidade da instalação de 500 fuzileiros navais norte-americanos e respectiva logística é uma das peças com que se joga o complicado tabuleiro da redução de efectivos americanos na ilha Terceira.
No passado mês de Abril, um grupo de 40 congressistas avançaram com uma proposta legislativa para fazer recuar o AFRICOM – comando militar das Forças Armadas americanas responsável pelas missões em África – da Alemanha para os Estados Unidos. Transformando depois a Base das Lajes na base avançada dessa estrutura. E uma das unidades propostas para se instalar na ilha Terceira era precisamente a Força de Reacção Rápida.
O Governo português reagiu com cautela aos contactos. Sem fechar totalmente a porta, Portugal também não colocou todo o seu impulso na concretização dessa mudança. Isto porque Lisboa tem a convicção que a colocação da força militar no Alentejo iria contender com uma possível alternativa para a resolução do problema açoriano.
No Palácio das Necessidades, a presente posição é a de que a possibilidade não tem de ser resolvida para já. Tanto a manutenção dos marines em Morón como a sua mudança para Beja implicam avultados investimentos na reconversão das instalações. O que significa que os norte-americanos não irão tomar uma decisão nos próximos tempos. Do lado dos Açores foi dito ao PÚBLICO que a posição portuguesa era de “abertura” para essa situação, desde que isso “não fosse encarado pelos EUA como uma questão de troca”.
Um problema para os Açores
Mas essa imposição aplica-se à Força de Reacção Rápida e não a outras estruturas do AFRICOM. Nomeadamente os “activos permanentes, incluindo activos aéreos, terrestres, operações especiais e logísticos” desse comando militar. Fazendo assim da base açoriana a “base avançada e plataforma logística” do AFRICOM, conforme a proposta entregue pelos 40 congressistas em Washington.
Embora o Governo português tenha assumido uma posição oficial cautelosa sobre a iniciativa, a realidade é que encara positivamente o esforço desses congressistas ligados ao “caucus” luso-descendente. E não deixa de admitir algumas vantagens da mudança de unidades actualmente espalhadas pela Europa (Alemanha, Espanha e Itália). Nomeadamente o facto de em alguns desses locais existirem problemas relacionados com o sobrecarregamento do espaço aéreo ou com restrições ao sobrevoo.
Em contrapartida, na Ilha Terceira o espaço aéreo é mais livre, não há problemas de sobrevoo, além de que a muitas das áreas de risco africanas poderiam ser atingidas, por mar, a partir dos Açores sem ter de haver a preocupação com o sobrevoo de países africanos.


13:08
Paulo Mata









