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sábado, 10 de maio de 2014

AMERICANOS INTERESSADOS NA BASE AÉREA DE BEJA (M1578 - 158PM/2014)

T-33AN Silver Star  um dos "Gate Guard" da BA11 - Beja


Delegação passou pela cidade alentejana no final do ano passado para aferir da possibilidade de transferir unidade actualmente estacionada em Espanha.

Enquanto os representantes do Estado português geriam o delicado dossier da redução do efectivo norte-americano na base açoriana das Lajes, chegava aos seus gabinetes uma promissora e, ao mesmo tempo, arriscada proposta do outro lado do Atlântico. Há cerca de oito meses, os militares da super-potência mundial sinalizaram o interesse de transferir para Beja a Força de Reacção Rápida sedeada na base aérea espanhola de Morón.

Os responsáveis norte-americanos não estão satisfeitos com as condições em Espanha e estavam a equacionar alternativas. Ao que o PÚBLICO apurou, uma delegação chegou mesmo a visitar a base aérea localizada na cidade alentejana para aferir da possibilidade da deslocalização.

A base foi construída nos anos 60 do século passado ao abrigo de uma acordo bilateral com a Alemanha para aí instalar unidades de instrução da Força Aérea Alemã. Uma das maiores do mundo em termos de área ocupada, sofreu com a saída do efectivo germânico em 1993. Desde então se tem procurado encontrar soluções alternativas para a infra-estrutura. Nomeadamente o uso civil, sem grande sucesso, desde 2011.

As démarches foram confirmadas ao PÚBLICO por um alto dirigente no Ministério dos Negócios Estrangeiros. E secundadas depois por um responsável do governo regional açoriano, a quem a matéria interessa embora de forma indirecta. É que a possibilidade da instalação de 500 fuzileiros navais norte-americanos e respectiva logística é uma das peças com que se joga o complicado tabuleiro  da redução de efectivos americanos na ilha Terceira. 

No passado mês de Abril, um grupo de 40 congressistas avançaram com uma proposta legislativa para fazer recuar o AFRICOM – comando militar das Forças Armadas americanas responsável pelas missões em África – da Alemanha para os Estados Unidos. Transformando depois a Base das Lajes na base avançada dessa estrutura. E uma das unidades propostas para se instalar na ilha Terceira era precisamente a Força de Reacção Rápida.

O Governo português reagiu com cautela aos contactos. Sem fechar totalmente a porta, Portugal também não colocou todo o seu impulso na concretização dessa mudança. Isto porque Lisboa tem a convicção que a colocação da força militar no Alentejo iria contender com uma possível alternativa para a resolução do problema açoriano.

No Palácio das Necessidades, a presente posição é a de que a possibilidade não tem de ser resolvida para já. Tanto a manutenção dos marines em Morón como a sua mudança para Beja implicam avultados investimentos na reconversão das instalações. O que significa que os norte-americanos não irão tomar uma decisão nos próximos tempos. Do lado dos Açores foi dito ao PÚBLICO que a posição portuguesa era de “abertura” para essa situação, desde que isso “não fosse encarado pelos EUA como uma questão de troca”.

Um problema para os Açores

É perceptível que a auscultação dos militares da super-potência mundial sobre Beja, cria um problema aos Açores. Confirma, por exemplo, uma das desvantagens técnicas da localização das Lajes. Está, apesar de tudo, demasiado longe do continente africano. As Força de Reacção Rápida foram constituídas e espalhadas pelo mundo, depois do assassinato do embaixador norte-americano em Benghazi, Líbia. Uma das condições era que essa força estivesse a não mais de duas horas de distância de locais potencialmente perigosos onde estejam colocados cidadãos americanos. A Base das Lajes fica fora desse radar horário. Beja já cumpriria esse requisito.

Mas essa imposição aplica-se à Força de Reacção Rápida e não a outras estruturas do AFRICOM. Nomeadamente os “activos permanentes, incluindo activos aéreos, terrestres, operações especiais e logísticos” desse comando militar. Fazendo assim da base açoriana a “base avançada e plataforma logística” do AFRICOM, conforme a proposta entregue pelos 40 congressistas em Washington.

Embora o Governo português tenha assumido uma posição oficial cautelosa sobre a iniciativa, a realidade é que encara positivamente o esforço desses congressistas ligados ao “caucus” luso-descendente. E não deixa de admitir algumas vantagens da mudança de unidades actualmente espalhadas pela Europa (Alemanha, Espanha e Itália). Nomeadamente o facto de em alguns desses locais existirem problemas relacionados com o sobrecarregamento do espaço aéreo ou com restrições ao sobrevoo.

Em contrapartida, na Ilha Terceira o espaço aéreo é  mais livre, não há problemas de sobrevoo, além de que a muitas das áreas de risco africanas poderiam ser atingidas, por mar, a partir dos Açores sem ter de haver a preocupação com o sobrevoo de países africanos.

Fonte: Público

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

NATAL É QUANDO UM HOMEM QUISER


Embraer EMB-314 Super Tucano (ou AT-29)


Linha da frente dos AT-29 Super Tucano


Embraer EMB-120 Brasília


Embraer EMB-145 (ou R-99)


Helibras H-50 Esquilo


Embraer AT-26 Xavante

Como o verdadeiro entusiasta da causa aeronáutica raramente é capaz de ter presença de espírito suficiente para distinguir férias de uma actividade aeronáutica, o descanso programado para o verão de 2009 tinha que contemplar um qualquer destino relacionado com aviões (para além dos da viagem, mas autocarros com asas já se sabe que não contam).


Ora Natal, capital do Rio Grande do Norte no Brasil, permitia contentar gregos e troianos (entenda-se repórter e namorada), com belas praias e paisagens luxuriantes e ao mesmo tempo garantir actividade aérea proporcionada pela Base Aérea de Natal.

Logo na noite de chegada, ao taxiar no aeroporto (a BANT é comum com o aeroporto civil) o Airbus A310 onde viajava proporcionou uma vista sobre a linha da frente dos aviões militares, permitindo reconhecer facilmente os abrigos vistos recentemente em fotos do exercício multinacional “Cruzex”, ali realizado bianualmente. Não deu para mais do que isso dado ser noite cerrada e qualquer tentativa de foto sair ferida de insucesso à nascença por todas as condicionantes (avião em movimento, pouca luz, lente com pouca amplitude focal, objectos longe).

Seria apenas dois dias mais tarde que voltaria a ver os aviões que operam a partir da BANT, quando num passeio de buggy no cimo de uma das famosas dunas móveis do nordeste brasileiro pude ver passar uma parelha de AT-29 Super Tucano seguida de outra de AT-26 Xavante. Foi o suficiente para causar desassossego e ajudar a definir o verdadeiro objectivo das férias: o Pássaro de Ferro tinha que fazer uma reportagem na Base Aérea de Natal.


Com o objectivo aclarado foram efectuados os necessários contactos para que tal viesse a acontecer.

Fomos por isso muito bem recebidos na base sede do 1ºEsq/4º GAv (Pacau) que opera o AT-26 Xavante, o 2ºEsq/5º GAv (Joker) com o AT-29 Super Tucano e o 1ºEsq/11º GAv (Gavião) que opera os helicópteros UH-50 Esquilo. Houve ainda oportunidade para ver descolar um R-99 (EMB-145) e um EMB-120 Brasília, o primeiro muito difícil de conseguir ver na Europa (apenas a Grécia opera o aparelho).


É por isso que no fim das férias apeteceu dizer “Natal é quando um homem quiser”. Mesmo que seja no pico do Verão (OK, lá é Inverno, mas o Natal é em Dezembro na mesma, quando lá é Verão. E não vale a pena embrulhar mais).


Brevemente na Sala de Operações do Pássaro de Ferro, a verdadeira reportagem da passagem pela Base Aérea de Natal.


PS: O Pássaro de Ferro agradece a todos os que na Força Aérea Brasileira tornaram possível esta e a próxima reportagem a publicar sobre a Base Aérea de Natal. Um agradecimento especial também para o Paulo Oliveira.



sábado, 17 de novembro de 2007

MONTE REAL - JULHO DE 1988, A OUTRA METADE DA ESTÓRIA




Companheiro que fui do António Luís na jornada de Monte Real - Julho de 1988, vou por isso contar a minha versão dos acontecimentos.

Terei assim que corrigir vários pontos na referida estória, começando por reenquadrá-la no dia 5 de Setembro de 1988 e não em Julho como mencionado. Merece-me ainda reparo o facto de termos realmente chegado a ver A-7s no ar, embora isso tenha acontecido enquanto percorríamos os tais 7 km que separam a estação de comboios da Base. 3 A-7P e um TA-7P em duas parelhas. Depois de lá chegarmos, aí sim, e para nossa desilusão (razão pela qual ficou provavelmente marcada na memória do António Luís como inactividade, além de ter sido o ano em que a frota esteve mais de um mês totalmente parada devido a problemas de motor) nem mais um A-7 em acção.

O terceiro reparo tem a ver com o Mirage belga que estava estacionado na placa da 304 e do qual vimos a substituição de motor, que era um Mirage 5 e não um Mirage III, conforme mencionado.

Recordo-me da especulação que movemos à volta da presença do dito Mirage, pelo facto da sua camuflagem ser perfeitamente idêntica à dos nossos A-7: que era um destacamento para ficar em Portugal e por isso aquela camuflagem, que teria tido uma emergência no ar e sido obrigado a aterrar em LPMR, etc. Nunca o chegámos a saber mas o mais certo é que tenha sido um avião que não teria regressado à Bélgica de um squadron exchange, devido à avaria.

Todo o resto da história contada é verdadeira. Os 35 graus, a linha de comboio torta e o cheiro ao diesel da locomotiva.

Recordo-me ainda de um polícia aéreo que se acercou de nós com ar circunspecto pelo lado de dentro da vedação, indagando se tínhamos máquina fotográfica. Ao que respondemos que não (a máquina estava atrás de nós no respectivo saco poisado no chão!). A lente de 50 mm no entanto, e a placa pendurada na rede a dizer “campo minado” (levámos a coisa a sério) não permitiram fotos melhores que as acima apensas.

Sei também que comprei na Figueira da Foz da parte da manhã, um kitt de um T-33 à escala 1/72, que ainda hoje possuo.

Estas correcções foram possíveis porque ao contrário do nosso comandante do Pássaro eu pude fazer batota e não me socorrer apenas da minha memória. As correcções vieram de uma agenda onde já na altura apontava os acontecimentos aeronáuticos que visualizava, numa espécie de génese de spotting. Embora por aqueles dias estivesse longe de saber o que isso era.



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