sexta-feira, 18 de outubro de 2013

NAVIO MULTI-FUNÇÕES RUSSO LANÇADO AO MAR EM FRANÇA (M1217 - 299PM/2013)

Ilustração da classe Mistral  

Na cidade de Saint-Nazaire (França), foi realizada no passado dia 15, a cerimonia de lançamento à água do primeiro navio porta-helicópteros de desembarque Vladivostok, tipo Mistral, declarou a empresa STX France que efetuou a montagem final do casco. O navio foi construído para a Marinha de Guerra russa segundo o projeto francês BPC 160, mais conhecido como Mistral.
O plano conjunto russo-francês visando a construção de quatro navios – dois para a França e dois para a Rússia – foi politizado desde o início. E não podia ter sido de outra maneira. O aspeto político interno dizia respeito, antes de mais, às controvérsias entre os produtores e o Ministério da Defesa quanto à admissibilidade de construir navios do género no exterior e à importação de armamentos em geral. O aspeto político externo referia-se à colaboração da Rússia com um membros proeminentes da NATO num ramo tão importante como a Marinha.

Por ironia do destino, o Mistral havia de se tornar alvo de ataques de ambos os lados: na Rússia, os oponentes do projeto diziam que a compra desses navios enfraqueceria a Marinha e seria um desperdício de recursos financeiros. Fora da Rússia, havia receios de que a aquisição dos Mistral poderia fortalecer a Marinha de Guerra russa, perturbando o equilíbrio de forças entre as partes. Tais declarações eram procedentes da Geórgia que, em 2008, sentiu na sua pele o impacto da Esquadra do Mar Negro durante o conflito georgiano-abkhaze. Tal como dantes, os países bálticos também se mostravam apreensivos pelo facto de verem estar a ser reforçado o potencial da Marinha russa.
Todavia, o peso político dos partidários do projeto acabou por triunfar. Superados os obstáculos, os trabalhos iniciaram-se. O navio principal estava a ser construído através de esforços conjuntos – a parte da popa do Vladivostok ficou a cargo da empresa russa Baltiysky. Convém notar que o volume dos trabalhos executados pela Rússia, tomando em conta a instalação de equipamentos e armas, previsto para o próximo ano, estima-se em 20% e no segundo navio Sevastopol, será de 40%.
Hoje em dia, as tropas de desembarque naval contam com navios do projeto 775, construídos na Polónia na década de 70-80 e os embarcações soviéticas obsoletas do projeto 1171. Estas embarcações, cujo potencial de vida já expirou, deixaram de corresponder às exigências de desembarque contemporâneas, tornando-as vulneráveis perante o emprego de meios modernos de defesa costeira. A ausência dum navio adequado, priva os fuzileiros tanto de um meio de transporte, como de um apoio de fogo eficiente.
O conceito deste tipo de navio prevê um desembarque combinado: por meio de lanchas e helicópteros. O apoio de fogo realiza-se, nesse caso, por helicópteros de combate ou aviões de descolagem curta e aterragem vertical, transportados no navio juntamente com os demais meios de transporte. As dimensões sensivelmente maiores não têm muita importância porque o novo navio tem baixa visibilidade, o que impede a sua neutralização por meios convencionais. Para defender o navio contra ataques aéreos, será usada a escolta de navios com sistemas de DAA.
Tais navios modernos, com condições confortáveis para tripulantes e elevada autonomia de ação, permitem efetuar operações prolongadas em zonas remotas, podendo ser utilizados ainda como os vasos de comando, hoje escassos.
Os países bálticos e a Geórgia não serão porventura os que têm mais a recear. Os novos navios de desembarque russos, podendo cobrir a distância maior a 10.000 milhas marítimas (cerca de 18.000 km), foram criados para outros objetivos. Em conflitos semelhantes ao sírio ou líbio por exemplo, podem desempenhar um papel significativo. Um batalhão de fuzileiros, com viaturas blindadas ligeiras e lança-granadas, apoiado por 15 helicópteros e um destacamento de navios de guerra, munidos de mísseis de cruzeiro, não poderá, desempenhar um papel-chave no decurso de uma guerra de larga escala. Mas, em zonas de conflitos regionais, pode desempenhar um importante papel.

A viagem inaugural do Vladivostok está marcada para março de 2014, com a deslocação para S. Petersburgo prevista para outubro do mesmo ano, onde será terminado com os equipamentos militares propriamente ditos.

Fonte: Voz da Rússia
Adaptação: Pássaro de Ferro

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