quarta-feira, 20 de junho de 2012

A PRIMEIRA LIGAÇÃO AÉREA PORTUGAL-MACAU (M672 - 62PM/2012)


O Breguet 16 Bn-2  "Pátria" em passagem pelo Iraque em 1924                  Foto: Joseph Cox

Se a primeira travessia aérea do Atlântico Sul por Gago Coutinho e Sacadura Cabral é mais ou menos conhecida, já o mesmo não se pode dizer da primeira ligação aérea entre a ocidental pátria lusitana e Macau, nos confins do oriente.
E foi precisamente Pátria o nome escolhido para batizar o Breguet eleito para tentar um novo feito, escassos dois anos após a proeza de Coutinho e Cabral, portanto quando decorria o ano de 1924.
O Breguet 16 Bn-2  com motor Renault de 300 cv que havia servido como bombardeiro noturno durante a I Guerra Mundial, foi adquirido através de subscrição pública, dado o desinteresse demonstrado pelo Governo de então, na ajuda aos aviadores. Para a viagem, várias modificações seriam introduzidas relativamente à configuração com que foi recebido, nomeadamente a retirada de material bélico para colocação de depósitos de combustível extra, de modo a aumentar a autonomia do aparelho.
A viagem, com início em Vila Nova de Milfontes a 7 de abril, levaria Brito Pais e Sarmento Beires (e o mecânico Manuel Gouveia a espaços) a percorrer um total de 16.380km em 115h e 45min de voo, não sem diversos percalços que por múltiplas vezes fizeram perigar o desiderato. Condições atmosférica adversas, tempestades de areia e cartas de navegação incorretas, levaram a que o Breguet 16 chegasse à Índia no limite das condições de voo. É então, e perante a coragem demonstrada pelos destemidos aviadores, que o Governo decide custear uma nova aeronave a adquirir na Índia, um Havilland Liberty DH9,  para que fosse possível terminar as últimas etapas da viagem, até à então cidade portuguesa no Oriente. Já a 20 de junho de 1924 (cumprem hoje 88 anos) e partindo da Indochina, o "Pátria II", como foi batizado o Liberty, sobrevoa Macau mas vê-se impedido de aterrar devido ao mau tempo, acabando por efetuar uma aterragem de emergência numa povoação chinesa junto a Hong Kong. Do avião danificado na aterragem, restam hoje apenas algumas peças no Clube Lusitano de Hong Kong.
Do feito, um monumento em Milfontes assinala o local de partida da epopeia dos portugueses, desta vez por ar, para o oriente. E Sarmento Beires registou em livro o relato de viagem, no seu "De Portugal a Macau".
Algumas poucas fotografias permanecem também, tal como a que aqui apresentamos e que despoletou o artigo de hoje. Uma raridade pertença do San Diego Air and Space Museum Archive, incluída na coleção Edwin Newman, e que regista a passagem do "Pátria" por Hinaidi no Iraque. 

Agradecimento: José Herculano Paulo 


1 Voaram em formação:

José Alfaiate disse...

Esta façanha esta descrita num texto e em imagens que recolhi:

http://asasdeferro-suplementos.blogspot.pt/2015/10/primeira-viagem-aerea-portugal-macau.html

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