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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

FORMAÇÃO AVANÇADA DE PILOTOS DA FAP NOS EUA [M1952 - 12/2018]

Os EUA proporcionam instrução avançada de pilotos de caça a muitos dos seus aliados    Foto: Kayla Newman/USAF
Em despacho publicado no Diário da República do passada quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2018, ficaram definidos os moldes da formação avançada de pilotos da Força Aérea Portuguesa (FAP), após a desactivação da frota Alpha Jet, na qual era ministrada, a 31 de Janeiro passado.

Na ausência de aeronaves que permitissem à FAP continuar a realizar por meios próprios, a instrução das fase III e IV da formação de pilotos de combate, a alternativa recaiu sobre a Força Aérea dos EUA (USAF), considerando o despacho nº1591/2018, ser "a única entidade atualmente apta a prestar os serviços em causa, em função da sua natureza específica, mantendo o alinhamento doutrinário, nacional e da OTAN, dos procedimentos e táticas que têm garantido a adequada interoperabilidade com países aliados".

Diga-se de passagem, esta situação vinha já a ocorrer parcialmente ao longo das últimas décadas, com vários pilotos de cada curso da Academia da Força Aérea (AFA) a receberem instrução nos EUA. A diferença de agora em diante, será que a totalidade dos pilotos destinados a caças, serão colocados os EUA após terminarem o curso na AFA.

Os pilotos nacionais irão por isso voar nos T-38C da USAF, pelo menos até à sua substituição, pelo vencedor do programa T-X, actualmente em avaliação.

O T-38C Talon estará no futuro próximos dos pilotos de caça portugueses. Isto significa que, depois da retirada do T-38A da FAP em 1993, substituído pelo Alpha Jet, o avião da Northrop será agora o sucessor do seu sucessor. 
O procedimento passará pelo programa de Foreign Military Sales dos EUA, estando as verbas a despender com a formação dos pilotos até 2026, igualmente já definidas no Diário de República, com a seguinte distribuição:

2018 - 1.7M EUR
2019 - 2.5M EUR
2020 - 2.5M EUR
2021 - 3.0M EUR
2022 - 3.0M EUR
2023 - 3.0M EUR
2024 - 3.3M EUR
2025 - 3.0M EUR
2026 - 3.0M EUR

No total, 25M EUR ficam reservados na Lei de programação Militar para a formação de pilotos, com destino às Esquadras de F-16 ou instrução elementar de pilotagem, durante os próximos nove anos,

Com o fim anunciado da frota Alpha Jet há já vários anos, os sucessivos executivos do Ministério da Defesa Nacional, assessorados pela Força Aérea,  levaram a cabo vários estudos, com vista a encontrar uma solução para o futuro da formação de pilotos de caça, para os quadros da FAP. Esses estudos incluíram cursos de voo noutros países além dos EUA, avaliação de novas aeronaves, bem como respectivas condições financeiras e comparação com o custo-benefício da alienação da actividade a uma entidade externa. Sobre a mesa esteve ainda, por duas vezes, a possibilidade de criar em Beja uma escola internacional de pilotos de caça, que contudo não se concretizariam.

O Ministério da Defesa não revelou até ao momento se a opção agora tomada, teve base nestes comparativos, ou acabaria por se tornar numa medida de recurso destinada apenas a ganhar tempo, face à ausência de uma decisão atempada sobre uma nova frota.

sábado, 27 de abril de 2013

PRAXES DA TROPA E UM SUSTO MÉDICO (M968 - 116PM/2013)


Hawker Hurricane Mk.2C na Granja do Marquês         Foto:AHFA

Quando fui para a Base Aérea 1, frequentar o Curso de Pilotagem, fomos recebidos com uma praxe. Todos os alunos (na altura só havia três especialidades: pilotos, radiotelegrafistas e mecânicos). Fomos colocados em duas camaratas. Uma com alunos pilotos e radiotelegrafistas e outra para os alunos mecânicos. 
Ora na segunda noite, cerca das 10 (estávamos todos deitados cumprindo o recolher) somos surpreendidos por um grupo de quatro pessoas devidamente equipadas de “bata branca”, que nos fazem levantar, apresentando-se como dos Serviços de Saúde da Base, vindo fazer uma inspeção às comidas caseiras dos neófitos. Havia que prevenir doenças e infeções! 
Mandaram abrir as malas de madeira guardadas debaixo das camas, com as nossas coisas. Retiraram todas as guloseimas vindas da “terrinha” e levaram-nas para analisar. 
Soubemos depois que a segunda camarata recebeu o mesmo tratamento, e também soubemos que as “análises” aos petiscos foram feitas diretamente nos estômagos dos inspecionadores… Bom proveito!!! 
Mais tarde, já no ano seguinte e noutras instalações, recebo uma encomenda via CTT de um Bolo de Aniversário. Nesse dia contudo, devido a voos, cheguei mais tarde. Ao entrar no compartimento, vejo um papel de embrulho em lugar da encomenda que deveria estar em cima da minha cama e um papel em que alguém escreveu “Estava bom. Manda vir mais”...
Não deixaram a mínima amostra. Tenho a impressão que nem migalhas!


Junto aos novos alojamentos já no fim do curso com o equipamento para
o Hurricane. Da esquerda para a direita: Eu, Vasquez e Graça Faria.

Durante a minha atividade na Força Aérea, consegui manter um nível de prontidão, sob o ponto de vista físico, que quase diria, invejável.
Contudo, nem sempre assim foi. Logo nos primeiros tempos, durante o meu Curso de Pilotagem, apanhei um grande aperto. Faltava um mês para o fim do Curso, quando fui atacado por uma apendicite aguda. O médico da Base mandou passar-me uma Guia de Marcha para me apresentar no Hospital da Estrela, para ser operado. Assim, nesse dia, utilizando o Autocarro da Base lá fui a caminho de Lisboa. Nessa época não havia os “mimos” de hoje – ambulância?! INEM?!
Apresentei-me no Hospital e colocaram-me num quarto, com mais cerca de 20 camaradas (para não me sentir desacompanhado...) 
Fui visto pelo médico, que durante cerca de dois dias tentou baixar-me a febre antes de me operar. Não conseguiu. Foi obrigado a operar-me em estado bastante febril. A tal ponto, que pós-operação, fiquei a delirar durante três dias, sem dar acordo do que se passava. Foi aqui que o meu colega do lado direito me amparou e acorria quando necessário. Não me esqueço e para sempre lhe fiquei grato, pois apesar de ter as pernas cortadas junto aos joelhos, me foi de grande ajuda. 
Ao fim dos três dias acordei e até me sentia bem, mas enfraquecido. Ouvi o relato dos acontecimentos desse “companheirão” da cama ao lado.
Evoluí satisfatoriamente, a ponto do médico pretender dar-me alta cinco dias depois de operado, e ainda antes do fim de semana. Aí perguntou-me quantos dias de baixa precisava. Disse-lhe que como estava no fim do curso (menos de um mês) não o queria perder – seria o desabar das minhas aspirações! 
Acabou por dar-me alta, mas recomendou-me que, na Base, o médico fizesse o que fosse aconselhável. 
Na Base o médico ficou aflito, por não poder alterar as indicações do Hospital: “apto para o serviço”. Falou com o Diretor do Curso, que resolveu poupar-me três dias, mas assistindo às aulas teóricas. Dez dias depois de ser operado, já estava aos comandos dum Hurricane.
Descolei com medo, porque não poderia fazer força com a perna direita, para não reabrir a costura. Correu tudo bem. 
O Curso acabaria outros dez dias mais tarde e fui brevetado com muita honra.

Brevet original



Cap (Ref) Fernando Moutinho



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