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| Os "olhos" do Litening TGP bem em evidência do lado da entrada de ar |
Sobre a interceção de uma aeronave não identificada no espaço aéreo nacional, na madrugada do passado dia 2 de dezembro, muito já se escreveu e opinou.
Agora que começa a baixar a poeira sobre o assunto, vários pontos convém clarificar ou até realçar, a bem da honestidade intelectual e cívica:
1- O sistema de alerta da Força Aérea funcionou segundo os parâmetros definidos: Dado o alerta às 6:06 horas, descolaram os F-16 em Monte Real às 6:18, portanto 12 minutos depois, ou seja, dentro dos 15 minutos de prontidão definidos. Às 6:35 já os pilotos de F-16 tinham contacto visual com a aeronave na zona de Elvas.
2- A aeronave desconhecida foi realmente intercetada pelos F-16 e registados os seus dados nos sensores óticos (Litening TGP) dos F-16.
3- Foi avaliado o nível de risco da aeronave para o país, que não constituindo perigo iminente não justificava ações por parte dos F-16 no sentido de abater a mesma, decisão que não pode naturalmente ser tomada de ânimo leve, nem sem uma razão objetiva muito forte. Ameaça concreta para as populações por parte da aeronave não existiu. O
que sucedeu e foi possível verificar, foi um procedimento irregular por
parte de uma aeronave, que não justificou medidas mais drásticas.
4- Para obrigar a aeronave a aterrar, conforme já aconteceu em situações anteriores, seria necessária uma pista e condições adequadas para a dita aeronave aterrar em segurança, o que não acontece na quase totalidade da zona sobrevoada (zona fronteiriça entre Elvas e Sabugal, aproximadamente)
5- A informação acerca da zona provável de aterragem foi fornecida às autoridades em terra, responsáveis pelo seguimento da operação no terreno. Os F-16 perderam o contacto com o avião desconhecido, devido à grande diferença de velocidades e teto mínimo de operação entre os dois tipos de aeronave, que impedia os F-16 de voar em formação constante com o avião ligeiro. Os F-16 mantiveram-se ainda no local durante mais algum tempo, de modo a prosseguir com a perseguição caso a aeronave retomasse o voo, o que não veio a suceder. Uma aeronave do tipo e dimensão em questão é extremamente fácil de aterrar e esconder em pouco tempo, sendo que, a tratar-se efetivamente de tráfico de droga, teria com certeza ajudas no terreno.
6- Em qualquer outro país da NATO em iguais condições, teria sido exatamente o mesmo o procedimento, consequentemente com os mesmos resultados (o sistema de defesa aérea espanhol por exemplo, teve exatamente o mesmo procedimento e desfecho). O treino dos pilotos nacionais está de acordo com o que é o standard NATO e as aeronaves (F-16) estão ao nível do que de mais atual existe na Europa. Os procedimentos tomados foram os adequados à situação e à gravidade da mesma.
7- Do mesmo modo que é impossível impedir o tráfico de droga no terreno em muitos sítios do país, onde é impossível ter "um polícia em cada esquina", também os meios para fazer face a procedimentos aéreos deste tipo são limitados e têm limitações, sendo algumas técnicas e outras de ordem financeira, como a relação custo/benefício.
8- Caso este tipo de procedimento se torne recorrente, aí sim, será eventualmente necessário ao Estado Português avaliar a aquisição e operação de meios especializados para fazer face a este tipo de situações.


20:26
Paulo Mata

