terça-feira, 8 de setembro de 2026

KC-390 DOS RINOCERONTES NO EXERCÍCIO FALCON LEAP NOS PAÍSES BAIXOS

O KC-390 n/c 26904 na base aérea de Eindhoven onde se realiza o exercício multinacional Falcon Leap  Foto: Han Kaap / https://www.instagram.com/hanviation

A Esquadra 506 – "Rinocerontes" da Força Aérea Portuguesa, destacou uma aeronave KC-390 (n/c 26904) no exercício multinacional Falcon Leap 2026, a decorrer a partir da Base Aérea de Eindhoven, nos Países Baixos, entre 7 e 19 de setembro.

Foto: Han Kaap / https://www.instagram.com/hanviation

Foto: Han Kaap / https://www.instagram.com/hanviation

Destacamento da Esquadra 506 em Eindhoven     Foto: FAP

Organizado anualmente pelo Exército Real dos Países Baixos (Koninklijke Landmacht), o exercício foca-se na padronização e consolidação de procedimentos de operações aerotransportadas. A edição deste ano reúne contingentes de 11 nações da NATO com o objetivo primordial de harmonizar táticas, técnicas e procedimentos (TTP) no âmbito do transporte tático, lançamento de carga (airdrop) e lançamento de paraquedistas.


Para a Esquadra 506, a integração neste cenário operacional de elevada exigência multinacional visa reforçar a interoperabilidade com os aliados da NATO e validar as qualificações das suas tripulações e pessoal de apoio em missões de projeção de força tática combinada.

Foto: Han Kaap / https://www.instagram.com/hanviation


terça-feira, 21 de julho de 2026

C-390 ADICIONA CAPACIDADE PARA LANÇAR MÍSSEIS DE CRUZEIRO

O míssil B-500M e o KC-390 em Farnborough       Foto: Embraer

A Embraer, fabricante do avião de transporte multimissão C-390 e a Anduril, empresa norte-americana de tecnologia de defesa, anunciaram hoje, durante o Farnborough International Airshow, a assinatura de um Memorando de Entendimento (MoU) para buscar, em conjunto, a integração do míssil de cruzeiro de longo alcance Barracuda-500M (B-500M), lançado por palete e desenvolvido pela Anduril, ao C-390 Millennium.

A Andurial classifica o Barracuda-500M como um míssil de cruzeiro acessível e produzido em escala, projetado para recompor rapidamente e ampliar os estoques de munições dos Estados Unidos e de seus aliados. A companhia enaltece que a variante paletizada permite que aeronaves de transporte aéreo lancem simultaneamente dezenas de munições, possibilitando novos conceitos operacionais baseados no emprego de grande volume de armamentos de forma econômica e em larga escala.

A colaboração tem como objetivo ampliar as capacidades operacionais do C-390 ao fornecer uma solução flexível e de rápida mobilização para operações militares modernas. A iniciativa representa um passo significativo na evolução da aeronave como uma plataforma multimissão e multiplicadora de força, apoiando conceitos de emprego de combate ágil e atendendo aos requisitos operacionais das forças armadas dos Estados Unidos e de seus aliados por meio de maior interoperabilidade e eficácia em missão.

Esta colaboração com a Anduril representa mais um passo importante na evolução do C-390 Millennium. Ao explorarmos a integração das capacidades de lançamento stand-off  para efeitos paletizados, cinéticos e não cinéticos, estamos ampliando ainda mais a flexibilidade da aeronave para atender às constantes necessidades de evolução das forças aéreas modernas. Juntos, estamos desenvolvendo soluções inovadoras que fortalecem a versatilidade da missão, apoiam o emprego ágil em combate e aumentam as possibilidades operacionais para nossos clientes em todo o mundo”, afirma Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança.

A integração do Barracuda-500M lançado por palete ao C-390 Millennium da Embraer oferece às forças militares aliadas uma nova forma de gerar efeitos de massa e de longo alcance a partir de uma plataforma de transporte aéreo já comprovada”, declarou Greg Kausner, Vice-Presidente Sénior de Defesa Global da Anduril. “A família de sistemas Barracuda da Anduril oferece capacidades que podem ser rapidamente produzidas e operacionalmente relevantes para atender à crescente demanda por munições acessíveis e escaláveis", concluiu.

O C-390 Millennium, projetado e desenvolvido no século XXI, é o avião de transporte militar mais moderno de sua categoria. Ele pode transportar mais carga útil (26 toneladas) do que outras aeronaves militares de transporte de porte médio, voando mais rápido (470 nós) e mais longe. É capaz de executar uma ampla variedade de missões, incluindo transporte de cargas e tropas, lançamento de equipamentos e pessoal, evacuação médica, busca e salvamento (SAR), combate a incêndios e missões humanitárias, operando a partir de pistas temporárias ou não pavimentadas. Quando equipado com sistema de reabastecimento aéreo (AAR) de instalação rápida, a aeronave pode atuar tanto como tanque, quanto como receptor.

Além das Forças Aéreas Portuguesa a Brasileira, esta aeronave multimissão foi já selecionada pelas forças aéreas da Hungria, Coreia do Sul, Países Baixos, Áustria, Chéquia, Uzbequistão, Suécia, Emirados Árabes Unidos, Eslováquia e Lituânia. 

A Anduril concluiu o primeiro teste de voo bem-sucedido do B-500M lançado por palete em setembro de 2024 e, desde então, realizou dezenas de testes de voo bem-sucedidos que validaram ainda mais a maturidade, o desempenho e a modularidade do sistema Barracuda-500, incluindo voos com Autonomia Colaborativa em Rede (Networked Collaborative Autonomy), engajamentos em terminais e testes de validação de desempenho de cargas úteis. Este acordo mostra a continuidade das aplicações do B-500M, com base nos recentes acordos, incluindo com o Departamento de Guerra dos Estados Unidos, bem como o acordo para produção local com a Polska Grupa Zbrojeniowa S.A. (PGZ), da Polónia.


Fonte: Embraer
Adaptação: Pássaro de Ferro


sexta-feira, 10 de julho de 2026

74º Aniversário da FAP comemorado em Viana do Castelo

  


Viana traz-me sempre á memória o primeiro grande evento de aviação em que participei quando em 1997 movido pela dinâmica Direcção Nacional da Associação de Especialistas da Força Aérea (AEFA) foi organizado em conjunto com o seu Núcleo de Viana do Castelo, à altura dirigido pelo imparável Carlos Jaques, e com um fortíssimo de apoio da Força Aérea Portuguesa (FAP) (era então responsável pelas RP’s outro vianense, o Cor. Carlos Barbosa), bem como da edilidade local, a FAP foi a Viana do Castelo, com uma exposição pouco mais pequena que esta de agora, mas não comparável, mesmo porque os tempos eram outros … já lá vão quase 30 anos!  

As V Jornadas Aeronáuticas da AEFA, realizaram-se então de 8 a 16 de Novembro de 1997, tendo quase por mote por um pequeno texto que tive a honra de ver publicado na Revista Mais Alto (Jun/Jul 1997), [com a versão completa publicada no Porta de Embarque 04],  à altura fez-se uma homenagem ao Eng. João Branco, com a presença da quase totalidade dos seus filhos,  e tendo como peça central da exposição a réplica de um Blériot XI do acervo do Museu do Ar.

Durante as comemorações dos seus 74 anos também a Força Aérea Portuguesa lembrou a memória desse insigne vianense, cerimónia realizada no dia 30 de Junho, e que contou com a presença de várias gerações de muitos dos seus descendentes.

 A réplica do Blériot XI da colecção do Museu do Ar, aqui ainda em Alverca (2004), 
foi a peça central da exposição de 1997, numa das raras saídas. 


A FAP veio a Viana do Castelo comemorar o seu 74º Aniversário num vasto programa de actividades, que se espraiou entre 27 de Junho e 5 de Julho, se bem que na verdade teve início a 13 de Junho, com a inauguração da exposição infográfica alusiva à história da Força Aérea, apimentado por um “flashmob” pela Banda de Música da Força Aérea.

Um programa que versa sempre a interacção com a população, em diversas vertentes, sempre com o intuito de aproximar a sociedade civil da Força Aérea, dando-se a conhecer naquilo que são a sua missão, pessoas  e meios. Compreendeu para além da exposição estática de meios, diversas outras exposições sobre a história da Força Aérea Portuguesa, sobre as grandes viagens aeronáuticas protagonizadas pelos Portugueses e até exposições de pintura. Realizaram-se também diversas actividades desportivas, inúmeras actuações da Banda de Música da Força Aérea, e tiveram lugar ainda as VIII Jornadas Aeroespaciais, e inclusivé um espectáculo nocturno de drones.
 

No dia 1 de julho, dia do Aniversário da Força Aérea Portuguesa foi inaugurado um 
monumento alusivo ao 74º aniversário da autoria do Arq. Miguel Conceição da 
Direcção de Infraestruturas da Força Aérea.
 

Presença constante nas exposições da FAP, um F-16 real, agora acompanhdo de 
drones, satélites e simuladores, continua a ser a componente da arma aérea 
que chama mais à atenção.
 

Destaque para o novo e muito realista simulador de voo de F-16 construído por 
alunos da Academia da Força Aérea, fez as delícias de aficionados e curiosos.


A cerimónia militar teve lugar no dia 4 de Julho, onde foi possível assistir à primeira passagem aérea de uma formação de KC-390, entre outras das diferentes esquadras de voo a FAP.

No dia 5, último dia do programa comemorativo, teve lugar a Celebração Eucarística e Sufrágio, e a demonstração de capacidades aéreas por diversas das esquadras de voo, concluindo o programa com o arriar das bandeiras.

O dia da demonstração das capacidades aéreas foi, para muitos de nós, como é o caso do autor, o momento alto das comemorações – ver a FAP mostrar as suas capacidades aéreas – já que semans antes  tínhamos todos as esperanças elevadas para um outro evento que, em face de constrangimentos de diversa ordem não foi permitido que a FAP se mostrasse com o já o fez ás Invictas gentes. Em Viana do Castelo, e durante toda a semana a FAP foi dando um ar da sua graça por diversas vezes às gentes minhotas, e no domingo, não defraudou as espectativas de quem ali se deslocou. 

Para o ano, esperamos todos, que por ser o 75º aniversário, possam ter lugar umas comemorações mais pujantes e um festival aéreo de se lhe tirar o chapéu, como outros a que já tivemos oportunidade de assistir. Daqui até lá, não convém perder de vista os 75 anos do DHC1 Chipmunk, à Base Aérea de Sintra, em meados de Setembro.

Deixo-vos com algumas fotos da demonstração de capacidades.

Rui “A7” Ferreira
Entusiasta de Aviação

Nota – O autor escreve na grafia antiga.

Nota do autor - leitura adicional - O Eng. João Branco e o Voo do Blériot





























sábado, 20 de junho de 2026

ANOS 80, GUERRA FRIA E UMA BASE AEREA PORTUGUESA - 2ª parte

 


O ambiente português 

No enquadramento tenso atrás visto, Portugal cumpria de várias formas as suas obrigações na esfera da NATO, disponibilizando forças e meios atribuídos à mesma. Eram exemplos a participação naval na esquadra STANAVFORLANT ou a disponibilização da 1ª Brigada Mista Independente. Nos meios aéreos, salientavam-se os aviões FIAT G-91, destinados ao Norte de Itália em caso de guerra (para onde destacavam anualmente no exercício Display Determination), implicando a preparação de pilotos e pessoal de manutenção para tal ocorrência. Igualmente era necessário organizar um conjunto de contentores de consumíveis, sobressalentes e o material de apoio para, à ordem, serem embarcados em C-130 em direção à região do Veneto. 

Nesta sequência, constituiu ocasião notável por esta época a Tactical Evaluation (TACEVAL) conduzida pela NATO à unidade aérea com aqueles compromissos a cumprir. Poderá ter sido a primeira TACEVAL após o regresso de África (ou mesmo desde sempre). 
Essa TACEVAL foi um evento preparado com antecedência e executado com cuidado, para se obterem bons resultados. Mesmo assim, houve alguns percalços… como o facto de um oficial júnior de armamento FIAT ter “causado a morte” de um cabo mecânico por lhe ter dito para sair do “abrigo” e ir reportar telefonicamente um “impacto de bomba” … é que, segundo o avaliador NATO presente, a “bomba” era “química”, logo o cabo “morreu” por efeito do “agente químico”… diga-se que o “abrigo reforçado”, onde todos estavam, era um quadrado delimitado por fita vermelha, a céu aberto… felizmente, não choveu… 

Diga-se que, para o TACEVAL e outros exercícios, o pessoal da Base era convocado a meio da noite por chamada telefónica para casa (telemóveis eram para o Bond e o Star Trek) comparecendo os “lisboetas” de madrugada na Doca da Marinha para uma “alegre” navegação fluvial (focada mais adiante), com as caras felizes e prazenteiras que se imaginam…ossos do oficio… 

Adicionalmente às atividades relacionadas com o potencial destacamento, a Base em analise acolhia diversos exercícios militares de maior ou menor dimensão. Desta forma, aeronaves de países aliados visitavam-na com alguma frequência, sendo estas aeronaves amostras de outras realidades e ambientes da Guerra Fria em curso. Entre os exercícios, salienta-se o primeiro Tiger Meet realizado em Portugal, em 1987, já abordado nas páginas da Revista da Força Aérea. 

É uma amostragem comentada de fotos de aeronaves dessa época, tomadas entre fevereiro de 1983 e janeiro de 1985, que se apresenta neste artigo. 

Diga-se ainda, que não só as bases aéreas apoiavam aeronaves aliadas em missão, como também aeroportos civis o faziam. Por exemplo, os Vulcan britânicos, antigos bombardeiros estratégicos nucleares depois convertidos para reconhecimento aéreo, operaram algumas vezes, ruidosamente, no aeroporto de Lisboa. 

Além de forças e meios atribuídos, Portugal era também nação hospedeira de alguns órgãos NATO, como um comando aeronaval (CINCIBERLANT), uma estação terrestre de ligação a satélites, uma base aérea em reserva ou infraestruturas para combustíveis e munições. 


O microcosmos local 

Ainda antes de se entrar no aspeto fotográfico do artigo, abordar-se-ão, de forma algo humorística, alguns aspetos específicos da Unidade em causa para se dar uma ideia do ambiente social que se vivia naquele espaço e naquele tempo. 
Um oficial miliciano (como então se dizia), recém-chegado à Unidade, após os procedimentos habituais de apresentação (audiência com o Comandante e outros responsáveis da cadeia hierárquica, integração na Escala de Serviço, indicação escrita de pessoas a contactar ou a beneficiar de pensões em caso de morte em serviço, etc.), devia obter o cartão de circulação interna da Base, com faixa vermelha (para pessoal do Quadro Permanente, a faixa era azul). 

Posteriormente, estas “gerações mais jovens” de oficiais eram alojadas numas casas metálicas pré-fabricadas, que poderiam ser as antigas instalações do 2º Agrupamento de Transportes Aéreos Militares, operador inicial dos DC-6 portugueses, e designadas por “B.O.s”. Podendo talvez significar “Bachelor Officers”, as teorias mais populares para tal designação, vigentes entre os irreverentes Oficiais nelas alojados, variavam entre “Barraca de Oficiais” e “Bairro Operário” … mas cabe dizer, não só que eram “climatizadas” (quentes no Verão, frias no Inverno) como, ecologicamente, albergavam algumas espécies locais (osgas). 

Muitos destes jovens oficiais pernoitavam na Unidade, e, portanto, tinham que ocupar o tempo nos finais de tarde… um deles tinha uma canoa e fazia canoagem no rio… um dia a coisa correu mal e o potencial campeão olímpico passou a categoria de naufrago… alguém viu e deu o alerta… 
saiu um heli que foi “pescar” o atleta,,, o qual teve mais tarde que pagar a despesa ou, pelo menos, umas cervejas… 

Diga-se ainda, que nesta Base e à época, grande parte do pessoal viajava através de um modo de transporte pouco vulgar nas Unidades militares em Portugal, o fluvial como se disse, concretizado por duas lanchas motorizadas da Força Aérea, mas com guarnição da Marinha. A navegação iniciava-se com o pedido, pelo patrão, de autorização para largar, ao oficial mais antigo a bordo ou ao Oficial de Dia, consoante o local de partida. 

Nessas travessias pendulares diárias, imperava normalmente a boa disposição…menos evidente quando o nevoeiro era cerrado ou o meio aquático não estava chão. Assim, durante os 30 a 45 minutos de cada percurso, jogava-se o “jogo das palavras”, conversava-se, lia-se o jornal e, ocasionalmente, “meditava-se”. As duas últimas atividades podiam revelar-se problemáticas, dado que aconteceu, “acidentalmente”, um ou outro jornal começar a arder durante a sua leitura pelo passageiro mais absorto, ou então, aproveitando-se o facto de os bancos serem corridos, um ou outro “meditativo” ser projetado por uma das extremidades em resultado de uma “vaga de fundo” dos restantes ocupantes…também não era boa ideia perder de vista as malas, sacos, etc., dado que, por “artes mágicas”, desapareciam para lugares insuspeitos, obrigando o proprietário a revistar o compartimento após a atracagem para encontrar os seus pertences, enquanto todos os outros saíam… ou então descobrir, ao chegar a casa, que a sua mala continha, vá lá saber-se porquê, um ou dois coletes salva-vidas… 

Ainda outra ocupação era realizar “acrobacia aérea” por alguns pilotos recém-chegados a determinada Esquadra, através de “loopings" (vulgo cambalhotas…) no interior da câmara de oficiais, sob supervisão dos “instrutores” (os pilotos mais antigos) … Alguns dos “acrobatas” vieram depois a atingir altos cargos… mas isso agora não vem ao caso… 

Muitos destes passageiros fluviais fizeram largas “horas de navegação” no rio e houve casos de quedas à água nos momentos de embarque e desembarque, normalmente após lautos jantares na cidade, devidamente regados… Em caso de nevoeiro fluvial, no atracadouro da Base existia um sino que era tocado, para que o patrão da lancha conseguisse navegar blind, aproximadamente na direção da Base. Seria uma espécie de BLS (Bell Landing System) … 

Ocasionalmente, entravam por engano na lancha da FA ilustres desconhecidos que, deduzia-se, pensavam ser a lancha da base naval também existente na outra margem do rio…normalmente, os “aeronáuticos” estavam tao “distraídos” que se esqueciam de avisar os “náuticos” … só a meio da travessia alguém perguntava ”Desculpe, vai para a base aérea?”, “Não, vou para a base naval…” Quando se lhes explicava que aquela lancha ia para a base aérea, ficavam aborrecidos, estranhamente, nem sequer considerando que iriam poder visitar, de graça, a base aérea… 

Para finalizar as questões “aquáticas” induzidas pelo rio, um dia estavam a fazer-se trabalhos com uma retroescavadora na praia fluvial… a dado ponto, a maquina parou… e a maré subiu… o operador achou por bem “ausentar-se” e a escavadora ficou submersa, com excepção do “cotovelo” da pá traseira… parecia um periscópio… foi assim inventada a “escavadora submarina” inovação que a NASA devia ter registado… diga-se que, quando a maré desceu, horas depois, a maquina foi recuperada, lavada, lubrificada e continuou em uso… ganda maquina! 

Por esses tempos também, quem trabalhasse num dos hangares de manutenção cruzar-se-ia frequentemente com a respetiva mascote, um simpático canídeo ao qual os veteranos deram o bonito nome de “Desperdício”. Como sabe quem conhece oficinas, o desperdício têxtil em farripas é habitualmente usado para limpeza de peças. Obviamente que fica sujo, daqui se deduzindo qual o aspeto que o fiel animal apresentava… mas era cuidadosamente alimentado por muitos mecânicos. Outra particularidade do mesmo hangar era a utilização de um veículo Mini Moke, amarelo primeiro e depois verde, que se pensa ter sido exemplar único na Força Aérea. Tinha apenas que se começar a travar largas dezenas de metros antes da paragem prevista… 

Numa nota de cariz social, por esses tempos ainda existiam em separado o Clube de Praças e o Clube de Especialistas, os quais eram também praças…, mas Especialistas. Era uma tradição de África e até anterior (eram mesmo “os praças”, porque à época não existiam mulheres militares nas Bases, daí o interesse especial pelos destacamentos americanos já mixed gender). 

E finalmente, as fotos, dizendo-se neste ponto que as referências a “Linha da Frente” dizem respeito à área de um aeródromo militar na qual as aeronaves estacionam, da qual saem para voo e à qual regressam após a aterragem, isto na disposição dos aeródromos tradicionais, estando normalmente as aeronaves paradas lado-a-lado, em “espinha”. Naquela área é executada a manutenção mais simples, dita de “1º escalão” ou “de linha”, visando o aprontamento a curto prazo para voo. Na língua inglesa costuma designar-se tal área por “flight line”. Noutro modus operandi, as aeronaves operam a partir de pequenos hangares individuais ou duplos, de estrutura reforçada ou não, habitualmente designados por “shelters”.

Num aspeto menos humorístico e mais aeronáutico cabe dizer que, dada a proximidade a um aeroporto internacional e uma configuração de pistas algo semelhante, por algumas vezes aviões civis fizeram aproximações á base, com o consequente "borrego" na final. Foi o caso de um 747 iraquiano, o qual foi alertado no último momento por um avião português. Mas uma das vezes houve efetiva aterragem, igualmente testemunhada por este relator, de um DC 9 espanhol, na pista 01 da base, o que causou expectável agitação na mesma, aterragem que, segundo comentários posteriores, teve consequências para o comandante do avião.


Autor:  M. Tralha 
Edição: Pássaro de Ferro

Nota – (foto capa) - Outra aeronave ibérica foi este C-130 (ou T.10, no sistema espanhol) ostentando uma camuflagem única para este país. Hoje em dia, quer espanhóis quer outros países empregam o cinzento, por influência americana. Além dos C-130, a Espanha foi um dos poucos operadores mundiais do KC-130, versão tanker deste avião, sendo mesmo, durante décadas, um dos apenas três países europeus capazes de reabastecer em voo (com Grã-Bretanha e França), usando inicialmente aviões Boeing KC-97.

Um FIAT G91R-4 na sua pintura final dita wrap-around, um conceito introduzido em grande escala pelos britânicos nos anos 80. Tinha a particularidade de o sistema de arranque do motor ser por cartucho explosivo, que evacuava os fumos negros junto da cauda, método algo comum em jatos antigos. Os FIAT destacavam anualmente para Itália para exercícios, como referido no texto, simulando uma situação real de guerra. As bases foram Treviso, inicialmente, e depois Aviano, ambas na região de Veneza, integrando-se na 5th Allied Tactical Air Force (FIVEATAF), uma estrutura que desapareceu da NATO na sequência das sucessivas reduções pós-Guerra Fria. Na sua base portuguesa, e também durante exercícios, eram por vezes objeto de dispersão no interior da Unidade, sendo rebocados para ficar sob as árvores (camuflagem antissatélite) e ficando estacionados no terreno arenoso graças aos pneus de baixa pressão (às vezes, havia um ou outro atolamento, muito “festejado” pelos mecânicos …).


O transporte de altas entidades em Portugal passou por várias fases, incluindo a inexistência de aeronaves específicas para tal. Após o emprego de um 707 da FAP para transportar até Londres o Chefe de Governo do início dos anos 70, a transferência destes aviões deixou o C-130 como transportador VIP, usado pelo menos uma vez numa visita presidencial à Europa. Para este fim, verificou-se a aquisição, a dado passo, do chamado “kit VIP”, três contentores modulares instaláveis no compartimento de carga (quarto presidencial, gabinete presidencial e cabine para comitiva). Foi a dada altura tomada a decisão, por ocasião da entrada de Portugal na então CEE, de se adquirir jactos executivos. Aqui pode ver-se o primeiro Falcon 20 nacional, ex-cargueiro (raridade mundial) 36 horas depois da sua chegada ao país, ostentando ainda a matrícula americana para o voo ferry.


Agora com as insígnias completas da FAP, um Falcon 20 aguarda o próximo voo. Estes aviões de fabrico francês incluíam duas raridades técnicas: por um lado, o uso de reactores aft fan, ou seja, o componente rotativo que acelera ar para a propulsão estava colocado na extremidade posterior do motor e não na anterior, como é mais vulgar. Por outro, o uso de pára-quedas de travagem para aterragens em pistas curtas, o que, sendo habitual em caças, é praticamente inexistente na aviação civil, origem dos Falcon.


Um Jaguar britânico em visita. Caça-bombardeiro supersónico anglo-francês, estava orientado para o ataque ao solo, incluindo o nuclear, para as esquadras francesas e a RAF baseada na Alemanha. Aqui trata-se de mais uma missão cross country. O Jaguar fez parte de um conjunto de projectos bi-nacionais europeus dos anos 60 e 70, que incluiram também o Transall e o Alpha Jet já vistos e ainda os helicópteros Puma, Gazelle e Lynx.


Aqui pode ver-se um Bell UH-1, um modelo famoso devido às suas operações pelos EUA no Vietname. O operador é o Exército espanhol, que já possuía na época um número apreciável de aeronaves. Era muito rara a receção de aeronaves de exércitos europeus.


Das visitas dos Harrier britânicos, já mencionadas, surgiu um novo procedimento nacional de movimentação de aviões: quando foi necessário, em dado momento, rebocar um Harrier para um hangar por motivo de avaria, os britânicos insistiram que o mesmo entrasse em marcha-atrás porque, em caso de problema no hangar, seria mais rápida a evacuação dos aviões. Isto era o oposto do procedimento nacional à época, mas, reconhecendo-se uma boa ideia, o procedimento da base, e geral, passou a ser aquele.

Aquando dos destacamentos de várias aeronaves aliadas por períodos de uma semana ou mais, recebia-se também a visita de aviões de transporte, trazendo o seu pessoal de manutenção e material de apoio. É o caso deste Hercules C Mk.3 (formalmente, não um C-130, porque a Royal Air Force não usava nem usa as designações americanas), visto aqui em fase de descarga. De notar o equipamento auxiliar português junto ao avião, pintado de amarelo alta visibilidade. Esta era a cor em uso, resultante dos antigos procedimentos da USAF, mas no decurso da época em análise (anos 80) existiu um programa de repintura deste equipamento (e de edifícios) em cor verde militar, na sequência do método NATO usado na Europa Central, para fins de baixa visibilidade. Diga-se que, de modo geral, as aviações navais não seguiram este método de escurecimento do material, continuando a manter nos veículos dos seus aeródromos (e navios) as cores amarela ou branca.




Nos anos ´70, foi decidido substituir os F-84F belgas por deltas Mirage. Como se pode ver, a Bélgica adoptou a pintura South East Asia para os Mirage. O avião aqui mostrado deverá ter sido um dos primeiros casos, hoje vulgares, de pinturas temáticas em aviões de combate (não incluindo, portanto, equipas acrobáticas), juntando-se aos aviões Tiger pintados por ocasião dos Tiger Meet.
Os Mirage que aqui se veem são da versão de reconhecimento, com câmaras fotográficas, existindo ainda a versão de ataque (não-nuclear) e o bilugar de instrução, tendo todas visitado a base. Estas versões dos Mirage foram um sucesso de vendas francês, em países africanos, do Médio Oriente e da América do Sul. Este modelo (Mirage 5) era basicamente o mesmo que esteve próximo de vir para Portugal, conforme foi já visto em revista aeronáutica nacional.


Este C-130 de apoio aos Thunderbirds envergava a pintura conhecida por South East Asia (verde-escuro, verde-claro e castanho) criada pelos americanos para o Vietname e posteriormente empregue por inúmeros países em todo o mundo. Hoje, na FAP, só os EH-101 restam com este aspeto.



Um HS.748 britânico. Na Europa, apenas a Bélgica operava também HS.748 militares. Aqui vê-se um exemplar da RAF, aí chamado Andover, para transporte VIP, talvez numa escala de ou para Gibraltar, dado que era proibido o sobrevoo de território espanhol por aviões militares operando naquele enclave.



Os Thunderbirds da USAF estiveram em Portugal continental pela primeira vez em Julho de 1984, ocasião aqui mostrada, cerca de 30 anos após a sua criação e 20 anos após a sua primeira apresentação nos Açores. Regressariam a Lisboa em setembro de 1991, após um cancelamento em setembro de 1990 devido à invasão do Kuwait. Em 84, foi detalhadamente organizada a permanência desta equipa acrobática na base, sendo dada especial ênfase aos procedimentos a executar em caso de escape de hidrazina da Emergency Power Unit (os F-16 portugueses só surgiriam cerca de dez anos mais tarde, não havendo, portanto, qualquer experiência nacional neste assunto na altura). Após a exibição em Lisboa, seguiram para os EUA, para a demonstração seguinte em Niagara Falls.

A exibição dos Thunderbirds caracteriza-se por, além da demonstração em voo, uma prévia coreografia envolvendo os pilotos e os mecânicos que dão saída aos aviões. Tal não deverá ter acontecido nesta ocasião, dado que na base de operação não havia público, a não ser os poucos militares nacionais designados para apoio aos visitantes. Os aviões ficaram estacionados em placas de dispersão na chamada “área NATO” da base, zona mantida numa situação de caretaking por um gabinete de funcionários portugueses da NATO, para uso por forças aliadas destacadas em caso de guerra. Outras infraestruturas aeronáuticas existiam em Portugal com estatuto semelhante, primariamente voltadas para a operação de meios aéreos anti-submarino.



ARTIGOS MAIS VISUALIZADOS

CRÉDITOS

Os textos publicados no Pássaro de Ferro são da autoria e responsabilidade dos seus autores/colaboradores, salvo indicação em contrário.
Só poderão ser usados mediante autorização expressa dos autores e/ou dos administradores.

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Laundry Detergent Coupons
>