sábado, 28 de junho de 2014

MEMÓRIAS DUM MECÂNICO DE ALOUETTE EM ÁFRICA - 6 (M1632 - 196PM/2014)

AL III sobre as picadas de África       Foto: Autor desconhecido



Sempre com a protecção do T-6, dias mais tarde fomos fazer reabastecimento à tropa que estava no mato, perto de Tenente Valadim e de regresso, passámos pela picada que liga Tenente Valadim, Nova Viseu a Vila Cabral. Vejo uma série de inimigos na picada, digo ao piloto que podíamos fazer uma passagem e fazíamos fogo. Só que o piloto preferiu comunicar ao T-6, que fez uma rapada e disse que não viu nada. 
Nessa noite em Vila Cabral e depois de um jantar bem regado no Miralago, fomos ao cinema ABC e qual não é o meu espanto, ao ver o Alferes Ribeiro de Nova Viseu e uns soldados. Fomos ter com eles que nos disseram que tinham vindo de coluna, buscar abastecimento para o aquartelamento. Disse-lhe que tinha visto uns inimigos na picada, em determinado local, perto de uma viatura Berliet, que estava destruída. Para estarem atentos. 
Passados dias tivemos de ir a Nova Viseu. Mal saí do heli, fui rodeado de soldados a agradecerem o meu alerta, pois tinham tirado da picada oito minas anti-carro!


Como sempre, o pessoal dos helis, tinha de estar continuamente de prevenção. Nunca sabíamos quando éramos chamados para uma evacuação, nem onde.
Eu, o Zé Grande, o Barbosa e o Azevedo mais conhecido por Zbdum (estes últimos eram pilotos), estávamos em destacamento em Vila Cabral.
Pela altura da Páscoa, estávamos a limpar o guincho do helicóptero, quando o Pimpão (piloto de T-6) diz que vai fazer acrobacia aérea e descola. Começa a subir, depois começa a exibição. Passados 5 minutos vemos o avião entrar a pique a rodar sobre si e dissemos "está a cair, ele não vai aguentar". Deixámos de o ver, ouvimos o barulho do motor e logo de seguida um violento estrondo.
Pusemos o heli em marcha, veio um piloto e com mais elementos fomos até ao sitio onde tinha caído o T-6. 
Cheguei perto, chamei pelo nome do piloto, quando vejo o capacete vermelho dentro da carlinga e um bocado mais atrás a asa por cima. Voltámos para ir buscar mais pessoal e a maca, o Zé Grande disse que era a vez dele ir…

Mais um amigo que tinha "partido".

Conheci o Pimpão em 1969. Estudámos na Escola Industrial e Comercial de Tomar. Ele no curso de electricista ou carpintaria, eu no curso de serralheiro. Foi nos anos 69/70 e 70/71, quando estive no Colégio Nuno Álvares e tinha aulas no exterior, pois queria frequentar o curso industrial.

A História não acaba aqui. Quem sabe se um dia mais tarde volto a pegar na caderneta de voo e…



Texto: Abdul Osman, Ex-MMA



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