segunda-feira, 11 de março de 2013

F-35 NA LINHA DE FOGO (M907 - 71PM/2013)

Depois de muitos defeitos apontados ao F-35 a cabine é mais um    Foto:Samuel king Jr/USAF

Não é novidade. Mas ultimamente os ataques têm-se sucedido sem clemência, de diversos quadrantes e países. O mais recente de dentro do próprio Pentágono, através de um relatório que reúne as experiências de quatro pilotos de teste do programa, datado de 15 de fevereiro último.
Nos voos de avaliação efetuados pelos pilotos na base de Eglin na Flórida, vários defeitos foram apontados à aeronave em ambiente operacional, nomeadamente vários sensores e/ou sistemas imperfeitos ou com mau funcionamento (comunicações, reabastecimento aéreo, etc). "Defeitos de idade" vai-se tentando desculpabilizar os problemas que vão surgindo, aludindo à "verdura" da maior parte dos sistemas envolvidos. A novidade deste último relatório contudo, centra-se num problema de conceção básico, não resolúvel com a maturação dos sistemas (e que até um leigo deteta simplesmente ao olhar para o perfil da aeronave): a visibilidade para fora da cabine do piloto.
Ao contrário das últimas gerações de caças, o F-35 não tem um cockpit com canópia tipo bolha no topo do avião, conferindo uma visão de 360 graus ao piloto. Todos os quatro pilotos referem sem exceção, a falta de visibilidade numa "enorme zona cega" nas costas do piloto, que "afeta não só o treino, como a segurança e sobrevivência em combate".

F-35 na base de Nellis para testes operacionais    Foto:Samuel King Jr/USAF
As declarações dos pilotos, anteriormente a voar F-16 e A-10, são claras ao referir que "manter-se em formação com o asa é difícil durante as manobras devido à visibilidade reduzida do cockpit" ou "será difícil para o piloto olhar para as 6 horas (180 graus) debaixo de forças G", continuando com "o apoio da cabeça é demasiado grande e impede a visibilidade para trás, com consequência na sobrevivência em combates aéreos". Um último é ainda mais cortante ao declarar "a visibilidade para trás fará um piloto (de F-35) ser abatido todas as vezes (num combate aéreo)".
Apesar de várias "avisos à navegação" despoletados por técnicos e consultores, a Lockheed Martin, principal fabricante da aeronave, sempre manteve a tónica na tecnologia avançada, que inclui seis câmaras colocadas à volta do aparelho, que deverão fornecer informação ao novo capacete do piloto. O problema é que o novo capacete também ainda não funciona adequadamente, com problemas próprios. Por enquanto os pilotos de F-35 apenas podem confiar nos seus olhos.
E o que vêem, não lhes agrada.

O famoso capacete do F-35 também ainda não funciona adequadamente   Foto: Samuel King Jr/USAF
Na mente de muita gente, estão com certeza ainda os pressupostos de vários anteriores programas, como o F-4 ou o F-111, que apesar de terem sido construídos em série, nunca chegaram a fazer bem aquilo para que foram projetados. Com a agravante (e o peso) no caso do F-35, de ser o programa mais caro de sempre.

Entretanto (e para já à margem de todas estas problemáticas) saiu da linha de montagem a segunda unidade de pré-produção destinada aos Países Baixos, uma das nações aliadas que vem conhecendo problemas internos para manter o programa. 
E chegaram os primeiros F-35 à base de Nellis no Nevada, onde serão utilizados em testes operacionais e avaliação de desenvolvimento de força.

A segunda unidade da FA Holandesa entregue pela lockheed Martin no dia 7/3/2013   Foto:Tom Arbogast

Mas nada de fiar. O mundo da aviação militar, com as restrições económicas dos dias de hoje, está um pouco à imagem do mundo do futebol: o que hoje é verdade, amanhã já é mentira.





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