segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

FEET DRY (M471-1CG/2011)



Deambulando por essa Internet fora, como muitos vezes faço tal e qual um caminhante que parte sem destino definido, parei num blogUE que com muito gosto costumo consultar, o Ex-OGMA. Fotos antigas das instalações de Alverca, recortes de revistas com muitas décadas, imagens de colecções pessoais, de muito se pode encontrar naquele espaço. E, como A-7ólico irrecuperável que sou, ou como nós que adoramos e vivemos com paixão tudo aquilo que é relacionado com o Corsair se gosta de rotular, encontrei por lá umas imagens verdadeiramente preciosas, diria mesmo um verdadeiro achado, e é com a devida vénia que aqui as reproduzo. Foram retiradas de uma revista “Mais Alto” da década de 70 e mostram o A-7A da U.S. Navy com o BuNo “153177” a ser intervencionado em Alverca no decurso do ano de 1970, ao que tudo indica. Ora o “153177” viria a ser, década e meia mais tarde, o A-7P “5526”. Dir-se-ia tratar-se do regresso do filho pródigo.


Na altura em que estas imagens foram recolhidas, este A-7A integrava o Esquadrão VA-105 “Gunslingers” e estava embarcado no porta-aviões USS Saratoga (CV-60). O Saratoga, em 1970, encontrava-se destacado entre o Atlântico Norte e o Mar Mediterrâneo enquanto parte da 6ª Esquadra. Tendo as Oficinas Gerais de Material Aeronáutico celebrado em 1955 com a U.S. Navy um contrato com vista à manutenção das suas aeronaves na Europa (o que atesta bem da qualidade do trabalho ali executado), nada mais natural que encontrar aparelhos navais norte-americanos em Alverca como é o caso destes nossos futuros SLUF e de tantos outros, quando a necessidade de uma intervenção mais profunda se tornava premente.

Mais um pedacinho da nossa história, e neste caso em particular da história da FAP e da passagem do Vought A-7P Corsair II por céus portugueses, que é sempre maravilhoso (re)descobrir. 

(Feet Dry – expressão normalmente empregue na aviação militar para se dar conhecimento de que se está a sobrevoar terra; o contrário de Feet Wet, sobrevoar o mar).


Duas imagens do A-7P s/n 5526 (ex. 153177 da USNavy) - Crédito dos autores nas imagens.

Texto: Carlos "Charlie Golf" Gomes

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

EXERCÍCIO TLP-Albacete (M470 - 7AL/2011) (I)

O exercício TLP-2011.1- Tactical Leadership Program, na sua versão ano 2011, decorre nesta fase primeira na Base Aérea de Albacete, na vizinha Espanha.
Como não podia deixar de ser, o Pássaro de Ferro esteve lá e publica hoje uma primeira tranche de fotos obtidas por um dos seus  "Spotter's Associados", o Hélder "Stinger" Afonso.
A segunda parte será assegurada pelo Paulo Mata, que também lá esteve, numa edição subsequente a esta.
O Pássaro de Ferro agradece ao Hélder "Stinger" Afonso a sua prontidão no envio das imagens, ainda a cheirar a fresco de JP!

 Parelha da "casa" - F/A-18 - Espanha

 F/A-18 - Finlândia

 Eurofighter Typhoon - Itália


 Sequência de descolagem de um Mirage 2000D - França
O sempre impressionante "Panavia Tornado" - Alemanha, com os seus dois motores em "full ab",  numa imagem e ruído já míticos na aviação militar mundial.

 Linha da Frente multinacional com F-16AM - Holanda, F/A-18 - Espanha e Tornado - Alemanha.
O AMX- Itália, uma aeronave de certa forma rara nestes eventos, mas que garante ainda a presença dos típicos aviões de ataque mais ligeiro.

 O inevitável F-16AM - Holanda

Uma imagem cada vez mais rara. Um Mirage F-1 - Espanha, exibindo a sua panóplia, abrigado num shelter que respira guerra fria por todas as suas sombras...

O também incontornável E-3 - França

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O FIEL AMIGO (M469 - 5PM/2011)

 







Unidade ainda com pintura e motor pré-remotorização

Planadores de instrução da Academia, L-23 e ASK-21


Para quem leu o título e pensou que se tratava de bacalhau, desengane-se, porque este é um site de aviação. O fiel amigo é o Chipmunk, que comemorou seis décadas a voar nos céus nacionais. Sim, seis! Caso estranho se considerarmos que um mero automóvel da mesma época é considerado completamente obsoleto. Para uma aeronave de instrução no entanto, os princípios básicos mantêm-se inalterados e a fiabilidade e confiança que sempre proporcionou, são o garante da sua longevidade.

Chegou a ter a sentença lida com a chegada dos Epsilon para a Esquadra 101 em 1989, relegado para a função secundária de rebocar os planadores da Academia entretanto também adquiridos. Uma remotorização no entanto, dar-lhe-ia vida nova já na segunda metade da década de 90 e voltariam a voar novamente nas funções de instrução, na informalmente designada Esquadra 802 da Academia da Força Aérea.

Se olharmos à história do DHC-1 Chipmunk, esta é inclusive anterior à da própria Força Aérea (que começou oficialmente em 1952), portanto um ano após a aquisição dos primeiros "Chips", sendo a única aeronave actualmente no activo da FA a ter transitado da Aviação do Exército.

Construído sob licença nas antigas Oficinas Gerais de Material Aeronáutico em quantidade considerável (66 unidades), adicionadas às 10 iniciais compradas directamente à DeHavilland Canada, restam hoje apenas um punhado deles, suficientes para continuar o legado da sua já longa história.

Ao longo destes 60 anos, os Chipmunk passaram pelas bases de Sintra, Ota e S.Jacinto sempre a ajudar gerações de pilotos nacionais a dar os primeiros "passos" nos céus.

Dócil como convém nessas situações, o Chipmunk chegou a ser considerado até como possível plataforma para lançamento de granadas com o despoletar da guerra em África, hipótese que no entanto seria abandonada apenas após uma única gorada tentativa. O Chipmunk era uma aeronave pacífica e assim continuaria.

Na cerimónia do passado dia 29 de Janeiro, foi assinalada com o sentimentalismo que se reserva aos grandes amigos, essa efeméride dos 60 anos ao serviço da aviação nacional.
Como referiu o Comandante da Academia na cerimónia: "dentro de 60 anos provavelmente o Chipmunk celebrará os 120 anos, mas nós já não!"

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

ENTERPRISE COM "E" GRANDE (M468 - 4PM/2011)



 












NOTA: Fotos exclusivas e reportagem completa na revista Sirius a sair no início de Março!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

ACERCA DO USS ENTERPRISE (M467 - 3PM/2011)










No Enterprise os números impressionam. Qualquer número. Começa por ser o maior porta-aviões do mundo com os seus imbatíveis 342 m de comprimento. Sendo que é sobejamente sabido que foi o primeiro porta-aviões nuclear a entrar em serviço, se nos dermos ao trabalho de pesquisar um pouco, descobrimos que é o  vaso de guerra mais antigo ao serviço da Marinha dos EUA (se excluirmos a fragata do Séc. XVIII USS Constituition de interesse histórico), é o porta-aviões norte-americano há mais tempo em serviço de todos os tempos, entre outras curiosidades menores, como ser o primeiro porta-aviões nuclear a atravessar o Canal de Suez.
Pisar o Enterprise é, por isso, como saborear 50 anos da história mundial contemporânea.
Basta dizer que quando foi comissionado, a 25 de Novembro de 1961, John Kennedy era o presidente dos EUA (curiosamente o Enterprise assistiria anos depois ao comissionamento e abate do porta-aviões com o nome do malogrado presidente), os tops musicais estavam cheios de músicas de Elvis Preseley, Ray Charles e Roy Orbinson. Os Beatles e os Rolling Stones eram ilustres desconhecidos. Marilyn Monroe ainda era viva. O homem ainda sonhava em ir à Lua. Pequenos exemplos de acontecimentos e factos culturais que julgamos perdidos no tempo, mas que o Enterprise "presenciou".
Se seguirmos a história deste vaso de guerra, vemos que se cruza e confunde com a própria história da humanidade ao ter estado na crise dos mísseis de Cuba, no início e fim da guerra do Vietname, na Operação Eldorado Canyon na Líbia e em várias operações no Golfo Pérsico.
Ao longo dos anos e para melhoramentos, visto poder considerar-se um protótipo, o Enterprise sofreu várias remodelações, algumas apenas para reajustes tecnológicos, outras funcionais, outras ainda causadas por acidentes, como o incêndio de 1969 que quase incapacitava o navio.
A experiência recolhida com o Enterprise seria crucial para os porta-aviões da classe Nimitz que lhe sucederiam já na década de 70, incorporando todos os ensinamentos recolhidos num novo projecto. O Enterprise ficaria assim único e primeiro. Como diz a divisa do seu grupo de apoio: "second to none!"

Já em jeito de requiem, e porque se aproxima o seu abate ao serviço previsto para 2013, o Enterprise honrou a nobre linhagem de que descende, que se pode vislumbrar até antes da independência dos EUA no Séc. XVIII, quando foi lançado ao mar o primeiro navio com o nome "Enterprise" e não sem passar pelo seu antecessor directo, talvez o mais famoso navio da II Guerra Mundial.

O CVN-65, também conhecido como "Big E", passou em Lisboa em trânsito para o Médio Oriente, onde fará provavelmente a sua última comissão. Como os números sempre foram importantes no Enterprise, para o registo fica a sua carga de 36 F-18E/F Super Hornet, 22 F-18C/D Hornet, 4 EA-6B Prowler, 4 E-2C Hawkeye e  6 SH-60 Seahawk.

O Comandante do USS Enterprise Cap. Dee Mewbourne


 NOTA: Amanhã segunda parte da reportagem no USS Enterprise exclusivamente fotográfica.

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