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segunda-feira, 25 de junho de 2018

AEROPORTO NO MONTIJO NÃO AGRADA A GREGOS NEM TROIANOS (M1977 - 37/2018)

C295 e C-130 são duas das frotas a ser afectadas pela adaptação da BA6 a aeroporto civil

À medida que a decisão de tornar a Base Aérea nº6 (BA6) localizada no Montijo, o aeroporto secundário de Lisboa se vai afigurando cada vez mais firme dentro dos círculos políticos, vão-se multiplicando as vozes críticas em relação a esta solução, vindas dos mais diversos quadrantes.

Seja pelos custos da relocalização das Esquadras de voo da Força Aérea e Marinha actualmente sedeadas no Montijo (501 - C-130; 502 - C295; 504 - Falcon 50, 751 - EH101; EHM - Lynx), seja por questões de operacionalidade dessas mesmas Esquadras, questões ambientais, ou pura e simplesmente técnicas, a solução Portela + Montijo está longe de ser consensual.

Certo é que, os custos associados à transformação da BA6 em aeroporto civil, serão muito mais elevados, do que à primeira vista poderia parecer. Há quem defenda até que modernizar a linha de caminho de ferro, para o já existente aeroporto de Beja, fica muito mais barato que a adaptação da base Montijense.

Depois da Força Aérea ter alertado para os inconvenientes do ponto de vista da aviação militar, conhece-se agora a posição da Associação de Pilotos Portugueses de Linha Aérea (APPLA) que dá o ponto de vista da aviação civil, relativamente ao aproveitamento do Montijo, como complemento ao aeroporto da Portela.

Trata-se de uma apresentação, elaborado pela APPLA em parceria com o Eng. José Furtado, especialista na concepção e construção de aeroportos, à Assembleia da República numa iniciativa da Comissão de Economia, que aqui disponibilizamos. Pela proveniência e informação técnica que contém, vale a pena ler com atenção e  reflectir.

Com tantos e tão fortes argumentos contra, convém saber a quem (ou se) realmente interessa a adaptação da BA6 a tráfego civil.

Porque a factura, todos sabemos no fim quem paga.



















sábado, 20 de novembro de 2010

CIMEIRA NATO - LISBOA 2010 (M438-42PM/2010)


Apesar do aparato mediático, de segurança e alarido geral criado no país pelo advento da cimeira NATO a realizar no fim-de-semana corrente em Lisboa, na prática as perspectivas dessa cimeira estavam um pouco à imagem da meteorologia quando começaram a chegar os aviões com os líderes dos países participantes: cinzenta.
A NATO enfrenta, desde o fim da Guerra Fria, uma crise de identidade por falta de um inimigo sólido e definido que justifique a sua existência e marque a sua estratégia.
O mundo mudou muito desde 1949 e mudou especialmente rápido nos últimos 20 anos em termos geopolíticos, de mentalidades e das ameaças que podem por em perigo as democracias ocidentais.
A redefinição e nomeação dessas ameaças foi por isso um dos pontos da cimeira: estados com capacidade para criar mísseis balísticos, ameaças terroristas, estados que possam representar perigos ambientais, ameaças informáticas. Destas, apenas a primeira parece ser vencível pela lei das armas a que estávamos (e a NATO também) habituados.

Curiosamente, acabou por falar-se mais do que também noutros tempos, de economia, dando a ideia que mais do que uma aliança militar, a NATO é, agora, o braço armado de países com os mesmos interesses económicos.
É também difícil de contornar a ideia de que a NATO, que foi criada como uma aliança defensiva, se tornou agora numa aliança ofensiva, ideia veiculada principalmente por forças políticas de esquerda, tradicionalmente antagonistas da Aliança Atlântica, mas que ganha cada vez mais força, face à evidência das últimas actuações, nomeadamente na antiga Jugoslávia e Afeganistão.
Pode a mentalidade ocidental e principalmente a europeia coexistir com este conceito? A Cimeira de Lisboa infelizmente parece não ter aclarado estes pontos, apesar dos muitos esforços feitos pelos participantes e pelo seu presidente.
Salvaguardando a NATO, e mais do que todas as redefinições de conceito, está principalmente o espectro do vazio de poder que a sua ausência causaria, embora não capitalizado nas palavras do texto que resume a nova estratégia para a Aliança.

Como consequência das indefinições actuais em termos de segurança, está em curso a reestruturação organizacional e financeira da NATO, que é o espelho dos cortes orçamentais perpetrados em cada um dos países integrantes, cujos governos vêem a Defesa como "fácil" e apetecível fonte de receitas em tempos de crise económica (e cá estamos outra vez a falar de economia) e cujos povos atribuem cada vez menos importância. Curiosamente, os mesmos povos ocidentais que actualmente acham politicamente incorrecto falar de Defesa e de guerra, são os mesmos que criticam e depõem os seus governos se os seus interesses e comodidades não forem defendidos, numa hipocrisia à qual nenhuma força política parece ser imune.

De relevo para a história, parece apenas ficar o gigante "piscar de olho" à Rússia, através da sua inclusão no programa de escudo anti-míssil e haverá que aguardar para perceber ao certo como isso vai acontecer, uma vez que os EUA não são propriamente conhecidos por ceder tecnologia de ponta a aliados, quanto mais a velhos inimigos. Há que ver para crer.

Independentemente de todas as indefinições existentes, o mundo continua a não ser um lugar seguro e as sociedades democráticas têm o direito a preservar o seu estilo de vida e respectivas liberdades. A linha onde o poder bélico deixa de servir bens imateriais e começa a servir os bens materiais é ,no entanto, muito difusa e sujeita a atropelos mascarados de boas intenções. Sempre assim foi e sempre há-de ser.

Apesar da meteorologia ter melhorado ao longo do fim-de-semana, a NATO continua num lugar cinzento.



NOTA: Agradecimento especial ao Álvaro Gonçalves pela cedência das fotos publicadas e que terá novo destaque no blogue Porta de Embarque 04 com várias outras fotos de aviação captadas durante a cimeira.

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