Mostrar mensagens com a etiqueta Política. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Política. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 7 de março de 2024

A DEFESA SEM DEFESA [M2472 – 17/2024]

Imagem de arquivo, de um calendário de bolso da Marinha Portuguesa em que são visíveis duas fragatas da Classe João Belo (a F481, Hermenegildo Capelo e, atrás, a própria João Belo, F480); a corveta F486 - Batista de Andrade e o navio reabastecedor São Gabriel - A5206.


Na véspera de umas eleições de importância vital para o futuro do país, através de uma análise aos discursos, aos debates e aos mil e um comentários a ambos percebe-se, sem particular esforço, que os assuntos relativos à defesa ou não foram abordados ou, quando o foram, isso aconteceu de forma superficial e sem um fio condutor que perspetive uma política com cabeça, tronco e membros, acompanhada de uma visão agregadora e de futuro no que toca à defesa nacional e, também, à defesa da Europa. O mesmo raciocínio se aplica às alterações em curso e previsíveis na geoestratégia no espaço europeu e, não menos importante, tentar agir por antecipação, ao que pode vir do lado de lá do Atlântico a partir de novembro, sobretudo se, como já aludimos, na Casa Branca mudar o penteado e a cor de cabelo do seu principal responsável.
Os partidos, pelo que se vê, não consideram estas matérias suficientemente importantes para as colocar nas suas “agendas” ou, pior do que isso, não produzem pensamento relativamente a estes assuntos, sejam quais forem as razões para tal, sendo que são todas elas obviamente preocupantes.
No final desta contabilidade em somatório de zeros, ficam apenas sombras relativamente ao futuro da defesa nacional e por acrescento, à defesa da Europa. 
No resultado a certeza de que a Europa como espaço pacificado e livre de conflitos foi um sonho que terminou e que urge redefinir com base em novas premissas e objetivos.
Convém acordar e agir. Ontem já era tarde.

sábado, 16 de abril de 2016

"OPERAÇÃO EL DORADO CANYON" - 30 anos depois - [M1837 - 17/2016]

Os F-111F em Lakenheath, descolaram rumo ao norte de África desferindo os ataques. Uma aeronave e os seus tripulantes foram abatidos.

Nos dias que presentemente percorremos, fecha-se um ciclo de três décadas sobre os ataques Norte-Americanos a alvos na Líbia, sobretudo na capital Tripoli e em Bengazi.
Em abril de 1986 e depois de mais uns quantos sarcasmos e rangeres de dentes de Kadafi e outras tantas ameaças terroristas, a administração republicana liderada por Ronald Reagan avança com ataques cirúrgicos em território Líbio. A gota de água que fez transbordar a paciência dos americanos foi o atentado a uma discoteca em Berlim, semanas antes, reivindicado por terroristas Líbios, alegadamente patrocinados pelo Coronel Kadafi. E como se estava ainda em Guerra Fria, estas movimentações faziam crescer nas sociedades uma parede de apreensões e medos face aos desequilíbrios que poderiam criar na confrontação latente entre os dois blocos.
A 15 de abril de 1986, aviões estacionados em porta-aviões no Mediterrâneo e partindo de bases em Inglaterra - nomeadamente os F-111F baseados em Lakenheath - desferiram um ataque que visou alvos estratégicos e militares, tendente a debilitar o alegado patrocínio do regime Líbio ao terrorismo.
Aliás, a Inglaterra e Margaret Thatcher eram os grandes aliados europeus dos EUA e alinharam, antes e depois destes acontecimentos, em diversas ações militares americanas, independentemente das diferentes administrações na Casa Branca - Reagan, Bush (pai), Clinton, Bush (filho) e agora Obama.
Volvidas estas três décadas, Kadafi não passa de uma recordação na história da Líbia - foi morto em 2011 pela "primavera" aí emergente e que deixou a Líbia naquilo que é hoje, uma manta de retalhos, mais ou menos sem "rei nem roque", situação agravada no presente por uma sangrenta guerra civil, um pouco à semelhança com o que acontece com a vizinhança, leia-se Tunísia e Egipto, todos brindados recentemente pela quase pomposamente designada "primavera árabe".

Os F-14 defenderam os céus e as aeronaves que efetuaram o ataque.

Entretanto, 30 anos depois, o terrorismo assentou praça nas nossas vidas e condiciona-a, dentro da própria Europa e dos EUA, em qualquer lado, a qualquer hora.
Se conjunturalmente os ataques a nações/regimes que patrocinam ou albergam o terrorismo e seus praticantes se justificam e são até caucionados pela sociedade - um pouco na onda do olho por olho, dente por dente - a prazo - que não é longo - revelam-se completamente inúteis uma vez que a senda terrorista sobrevive-lhe com total descaramento e acidez.

 Os A-6 Intruder participaram nos ataques.

Este patrocínio ocidental às primaveras árabes, recebido com hossanas e regozijos, não passou, na minha opinião, de uma fuga para a frente. Não resolveu nem resolverá coisa alguma, uma vez que a democracia que nos "governa" não é matéria do código genético de sociedades que vivem há muitos séculos sob a "espada" divina e seus preceitos, alguns deles absolutamente radicais e cuja mudança - mais ou menos patrocinada e com maior ou menor força - não mudará em meia dúzia de anos o que se enraizou há séculos.

Os A-7E Corsair II efetuaram também bombardeamentos em Tripoli e Bengazi.

Se as sociedades ocidentais quase "exigem" que se faça alguma coisa, pelo menos na sua maioria, no fundo também saberão que as ações armadas, com todo o sucesso que eventualmente tenham, não resolvem o problema fundamental e, em bom rigor, acabam por acicatar ainda mais o fundamentalismo e o ódio que fomentam o terror. A dúvida e a apreensão persistem por cima do fumo das explosões, tantos as terroristas, como as que se lhe seguem nos consabidos locais onde são cogitadas.
Concluindo, 30 anos volvidos sobre os ataques à Líbia - a operação "El Dorado Canyon" - o mundo continua esse lugar perigoso e, em alguns locais, absolutamente mal frequentado, levando-nos a uma espécie de corolário que ecoa nas nossas cabeças...
...A História nunca é suficientemente rápida para algumas das nossas necessidades.

Texto e edição: António Luís/Pássaro de Ferro


terça-feira, 13 de novembro de 2012

AINDA A PROPÓSITO DA VISITA DE MERKL A PORTUGAL- Opinião (M758 - 47AL/2012)


Ontem, durante a visita da "chanceler" alemã, Angela Merkl, para lá de todas as polémicas que estiveram subjacentes ao facto, todas elas de deriva política, longe do mediatismo e de um acerto folclore que se instalou como uma espécie de decreto omnipresente e a que Vargas Llosa alude no seu título mais recente - "A civilização do espetáculo" - os militares e neste caso a Força Aérea cumpriram, como se espera de uma arma aérea, com as suas obrigações, definidas pelo poder político, isto é responderam ao facto do espaço aéreo de Lisboa ter sido encerrado e fizeram descolar caças F-16 para assegurar que, pelo céu, a senhora Merkl nada deveria temer, ou que veleidades terroristas não caberiam na equação então em resolução.
Por vezes, quando se fala dos militares e dos seus meios, sem travão e sem razoabilidade, deveria, então, questionar-se tudo, a começar por todo este "espetáculo securitário" que se engendrou durante meia dúzia de horas em que a senhora esteve em Portugal.
Feitas as contas ao eventual desajuste cénico-político e a tudo o que ele acarretou, a resposta dos militares,  por mais bicos dos pés que se contem em terra, foi discreta e eficaz, longe, lá está, desta "Civilização do espetáculo" que Llosa escreve e explica.
É sempre bom haver instituições em que a confiança não é uma mera palavra circunstancial.

ARTIGOS MAIS VISUALIZADOS

CRÉDITOS

Os textos publicados no Pássaro de Ferro são da autoria e responsabilidade dos seus autores/colaboradores, salvo indicação em contrário.
Só poderão ser usados mediante autorização expressa dos autores e/ou dos administradores.

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Laundry Detergent Coupons
>