domingo, 7 de abril de 2013

OPERAÇÃO EAGLE CLAW - CRÓNICA DE UM DESASTRE (M943 - 99PM/2013)


As imagens que correram mundo do fim da Operação Eagle Claw no deserto salgado iraniano

No seguimento da revolução que depôs o Xá do Irão, Mohammed Reza Pahievi em 1979, a Embaixada dos EUA em Teerão foi invadida pelos revoltosos, em protesto contra o país que sempre apoiou o regime deposto e inclusivamente deu guarida ao ex-líder, fugido do país.
Assim começa o galardoado filme Argo, cujo enredo, conta a história da operação de resgate de um punhado de funcionários da invadida Embaixada.
Para todos os outros cidadãos americanos feitos prisioneiros, foi planeada em segredo uma ação de resgate, confiada a uma força-tarefa militar, pelo então Presidente dos EUA Jimmy Carter, enquanto oficialmente declarava ser essa opção uma loucura.
A Força Delta, criada poucos anos antes (1977) foi a escolhida para a operação de libertar os 66 reféns do novo regime dos Ayatolas.

Faixas vermelhas foram pintadas para distinguir os F-4 americanos em possíveis confrontos com F-4 iranianos
Os RH-53 no convés de voo do USS Nimitz já com a pintura de deserto    Foto:US Navy

A missão não era fácil e várias alternativas se colocaram para a ação, tendo a opção final recaído na utilização dos helicópteros RH-53D Sea Stallion (trimotor) devido à sua grande capacidade de carga, mas vários obstáculos se continuaram a colocar à operação, tais como a falta de autonomia dos helicópteros para atingir um porta-aviões na zona, o que obrigaria a abastecer nalgum ponto intermédio. Mesmo a escolha dos próprios pilotos não foi consensual (primeiro da Marinha, depois dos Fuzileiros). 
A opção seria por isso deslocar a Força Delta em C-130 até um ponto de encontro no terreno, para depois prosseguir nos RH-53 que viriam de um porta-aviões, reabastecendo no ar. Após o resgate dos reféns, novo transbordo ainda no Irão para aviões de asa fixa, no caso C-141 e o regresso.
Todos os preparativos contudo tiveram que ser feitos no maior secretismo, de modo a não levantar suspeitas, com movimentações de aeronaves e forças fora do comum.

Um dos MC-130 que participaram na Operação    Foto:USAF
O EC-130 que viria a ser perdido no acidente em Desert One

Previamente à missão, um agente da CIA infiltrado no Irão, localizou e assinalou uma pista de aviação no deserto, designada Desert One, a cerca de 500 km de Teerão. 
Seria o local de encontro da Força Delta (vinda da Alemanha, via Egito e Omã, para embarcar nos MC-130 que efeatuariam a penetração no Irão), com os RH-53 vindos do porta-aviões USS Nimitz estacionado no Mar Arábico. 
Em Desert One os RH-53 seriam reabastecidos e embarcariam a Força Delta, seguindo depois para o ponto  Desert Two, a 80 km de Teerão. Os helicópteros descarregavam então as forças, deslocando-se para um ponto de espera apenas com a tripulação, aguardando durante todo o dia seguinte pelo decorrer das ações no terreno.

1-Nimitz; 2-Desert One; 3-Desert Two; 4-Teerão; 5-Desert Three

A Força Delta entretanto, deslocar-se-ia em camiões até à Embaixada, onde deveria reunir os prisioneiros e conduzi-los até um campo de futebol, onde embarcariam nos helicópteros vindos entretanto do ponto de espera no deserto, para prosseguir até ao ponto Desert Three, onde se faria o transbordo para C-141 para a saída do Irão. Simples? Não. Era contudo o plano.
A 24 de abril de 1980, as forças envolvidas na operação estavam a postos e a missão teve início.

Dois dos C-130 em Desert One

Esquema das aeronaves em Desert One      Fonte: Wikipedia




Os incidentes porém, começaram logo à chegada do primeiro MC-130 (de 3 MC-130 e 3 EC-130) ao posto Desert One, onde estavam três veículos iranianos. Um foi prontamente dominado, outro atingido e o terceiro conseguiu escapar. Os oito helicópteros RH-53 que deveriam chegar meia hora depois, chegaram bastante atrasados, entre uma hora a 90 minutos depois do programado. E dos oito, só seis chegaram de facto. O heli nº6 aterrou de emergência no deserto, com os tripulantes a seguirem missão no nº8, e o nº5 regressou ao USS Nimitz após perda de alguns dos instrumentos e controlos de voo na tempestade de areia, que acabaria por atrasar todos os outros helis que seguiram missão. E os que chegaram não estavam também em boas condições, um mesmo sem capacidade para prosseguir devido a problemas hidráulicos e os restantes com outras falhas de vária ordem. Após algumas acaloradas discussões via rádio, a decisão de cancelar a missão acabaria por chegar do próprio presidente Jimmy Carter.

Apesar do plano inicial prever abandonar os RH-53 em Desert Three (para o regresso em C-141), foi decidido não os deixar em Desert One, uma opção que viria a revelar-se fatal. No meio da poeira, durante as manobras para a partida, um dos helicópteros acabou por colidir com o EC-130, sendo em pouco tempo consumidos ambos pelas chamas.

Destroços das aeronaves acidentadas com um dos RH-53 abandonados em segundo plano

Milagrosamente, vários elementos da Força Delta dentro do EC-130 conseguiram escapar, antes do fogo se propagar por toda a aeronave. Vários outros helicópteros acabaram por ficar irrecuperáveis, sendo os seus tripulantes encaminhados para os Hercules restantes, em que regressaram a Masirah em Omã.
A missão terminou com oito vítimas mortais, dois RH-53 e um EC-130 destruídos e cinco RH-53 abandonados em Desert One, mais tarde destruídos pelos iranianos.
Planos posteriores para nova ação militar foram realizados e testados nos EUA, mas não chegariam a concretizar-se. Os reféns só viriam a ser libertados por via diplomática quase um ano depois e após 444 dias de cativeiro.
Jimmy Carter não voltaria a ser eleito Presidente dos EUA. 

RH-53 abandonado no deserto iraniano




2 Comentários:

Nuno Martins disse...

Estes acontecimentos fazem parte da minha memória de infância. Um assunto que, apesar da minha tenra idade, me despertou (e ainda desperta) muito interesse.

Rui Centeio disse...

Dos CH-53, abandonados pelas forças americanas em "DESERT ONE", pelo menos dois ainda sobrevivem, um em suposto estado de vôo com a marinha iraniana, e o outro foi canibalizado para os CH-53 iranianos, comprados (6)pelo Xá em 1977.

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