sábado, 15 de dezembro de 2012

EU E O F-86F (M796 - PM146/2012)


Foi na Base Aérea 2 que iniciei o meu percurso no F-86F, o “nosso” Sabre.
Efetuei o primeiro voo em 10 de Outubro de 1958 no avião nº 5317, com o último a ser realizado em 11 de Dezembro de 1974, nas OGMA. No total, completei 1.033:35 horas de voo.
Tenho agradáveis recordações vividas nessa admirável máquina e, reparem, decorreram 16 anos entre o primeiro e o último voo.

Antes de prosseguir com a “minha história”, gostaria de referir algo interessante:
1º - O F-86F esteve ao ativo na FAP de 1958 a 1980 (22 anos de brilhantes serviços);
2º - Foram “largados” neste avião - 188 pilotos portugueses.
(O autor destes números é o ex-piloto de F-86F – Adelino Pereira Lopes a quem apresento as minhas homenagens).

O F-86F Sabre foi um avião quase tão mítico como o Spitfire. Não esqueçamos que a Guerra da Coreia ainda estava próxima e a fama do Sabre foi grande.
Como piloto de caça da FAP, o Sabre fazia parte do meu imaginário.
Foi um grande momento e deveras entusiasmante, a chegada dos primeiros exemplares à Ota. Possuo uma foto onde se vê um F-86F ainda com os emblemas da USAF.
O Agrupamento da USAF que acompanhou o MTU (Mobile Training Unit) era chefiado por dois pilotos veteranos da Guerra da Coreia, Maj Akola e Cap Brown e, mais um pequeno grupo de especialistas.
E, como nasceu a pintura dos aviões? Dum modo despretensioso e ocasional.
Sempre gostei de construir kits em plástico e, como se entenderá, o F-86 foi de imediato procurado e construído. Para não deixar o modelo "em branco”, pintei a ponta do nariz, as pontas das asas e a extremidade da cauda em azul.
Ao oferecer o modelo para embelezar a secretária ao Comandante da Esquadra, este ficou tão satisfeito que de imediato pôs à aprovação do restante pessoal, a proposta de adaptação daquele esquema de cor.
Concordaram, apenas com uma alteração: a pintura da deriva toda na mesma cor.
É a que se vê na foto abaixo.


Gostei especialmente desta aeronave. Dir-se-ia que nos completávamos. Parece exagerada esta afirmação mas, pelo menos para mim, era o que sentia. 
Como qualidade de avião tinha uma soberba capacidade aerodinâmica possibilitando uma manobrabilidade excecional. Só lamentávamos a pouca potência do motor... 
Um dia em manobras da NATO em Reims (França) numa saída de interceção acima de 35.000 pés, o meu “bandit” (pretenso inimigo) era um F-100 que resolveu defender-se com manobra em volta. Rapidamente foi apanhado porque o F-86F voltava muito melhor. 
Optou depois por fugir aplicando o afterburner...
Seguro e fiável não causava problemas quanto a avarias. Por outro lado, não causou grande número de acidentes. Em todo o meu historial tive uma avaria (a relatar em próxima ocasião) com gravidade, mas sem consequências além da substituição do motor.
Vivi belos e exaltantes momentos com o F-86F. 
Por exemplo, o Dia da Inauguração da Base de Monte Real, onde a Esquadra 51 efetuou uma exibição acrobática com 16 aviões.


Recorte da revista Mais Alto da época
Por razões várias, não houve possibilidades de constituir uma patrulha acrobática permanente. Não havia permissão superior para o fazer apesar de tanto quanto sei, ter havido pelo menos duas tentativas.
Uma, em 1962, comandada pelo Comandante da Esquadra na altura, constituída por 5 aviões.
Sei que houve outra tentativa mais tarde mas não possuo mais informações sobre isso. Estava eu então em Angola.
Mais haverá a contar, mas não quero tornar-me fastidioso por hoje.


Texto: Cap. (Ref) Fernando Moutinho


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