domingo, 5 de julho de 2009

LARGOS DIAS TÊM CEM ANOS



Encerraram-se hoje as festividades do 57º aniversário da Força Aérea Portuguesa.
Celebra-se também este ano o centenário do primeiro voo a motor realizado em Portugal, que aconteceu escassos 6 anos apenas depois dos irmãos Wright o terem conseguido pela primeira vez nos EUA e aberto o caminho para a aviação como a conhecemos hoje em dia.
Numa aeronave de aspecto frágil, como qualquer uma da época (a leveza dos aviões era condição essencial para o voo ser possível, dada a baixa potência dos motores disponíveis na época), Portugal entrava no clube dos países onde já se conseguia vencer a lei da gravidade imposta pelos deuses ao ser humano.

Desde então passaram cem anos. Que em termos de tecnologia serão cem anos-luz, de distância percorrida em termos de evolução, no sentido de aperfeiçoar o modo de aproveitar as leis da aerodinâmica, as responsáveis pela vitória sobre a tal lei da gravidade. Basta lembrar que, 13 anos depois desse primeiro voo, já Gago Coutinho e Sacadura Cabral atravessavam o Atlântico Sul no famoso Fairey que durante muitos anos ilustrou as notas de 20 escudos, uma moeda que nasceu e morreu durante este mesmo século agora encerrado. Um século em que Portugal passaria de Monarquia a República, entrou em guerras, viu revoluções.
E viu também chegar aeronaves que passariam a barreira do som.

Numa iniciativa de saudar, pelo privilégio que foi poder recuar no tempo e ter uma visão aproximada do que foi há cem anos atrás, a Força Aérea trouxe de França um Bleriot XI, semelhante ao que protagonizou em 1909 o primeiro voo motorizado em Portugal. Talvez ou garantidamente não com o mesmo espanto, com a mesma expectativa de então, o Bleriot XI lá se elevou outra vez nos céus nacionais.
Da primeira vez no Lumiar, agora na Granja do Marquês onde se situa a Base Aérea nº1, local escolhido em 1920 para a Escola Militar de Aviação, voou agora sob o olhar atento da Serra de Sintra, madrinha de tantos aviadores em Portugal, desde então.
Por essa razão e por ver em retrospectiva o caminho percorrido, apetece dizer à semelhança do título de um conhecido livro, de um conhecido autor, “largos dias têm cem anos”.

Que me perdoem hoje os leitores do Pássaro de Ferro que gostam mais de ver fotos (e de entre estes especialmente os que preferem as aeronaves modernas), mas hoje o texto é um pouco mais longo, como longos foram cem anos. E na foto, única também, não está nenhum jacto moderno. Estão dois ícones da história da aviação em Portugal: Sintra e o Bleriot XI

Parabéns à Força Aérea pelos 57 anos e parabéns aos aviadores que “escreveram” esse outro livro sobre cem anos, o dos cem anos da aviação em Portugal.

Nota: Para evitar comentários e/ou equívocos futebolísticos, não, não sou adepto do F.C P.


6 Voaram em formação:

S7alker disse...

Nada há a perdoar :D
Este é um texto belo e simples de quem tem verdadeiro amor pelas máquinas que se elevam nos céus, e que sente, com alguma nostalgia, e uma certa melancolia (parece-me :D), pelo voo que há 100 anos mudou uma parte deste nosso Portugal.
Foram, certamente, cem longos anos de terrores e maravilhas.
Obrigado pela partilha...

Saudações.

J. Correia disse...

Bela homenagem!
Cumprimentos.

António Luís disse...

O "Comandante" do Pássaro de Ferro regozija-se por ter como seu "Sub-comandante" tão ilustre escriba e fotógrafo!

Belo texto para uma história tão longa!

Paulo "Wyldething 07" Mata disse...

Bom, com elogios destes faltam-me as palavras que me sobraram no artigo.
Que posso eu dizer?... Vão aparecendo!
Abraços

PS: Caro S7alker, obrigado pelo comentário, quanto à melancolia, se a transmiti não era minha intenção. Talvez aquela costela lusitana ligada ao nosso Fado tenha tendência para se fazer notar mesmo quando não se quer ;)

S7alker disse...

Ou talvez seja mesmo de mim.
A sensação de estar com os pés bem fixos no solo quando vejo aqueles trovejantes falcões de prata deslizando nos ares, lá em cima...
E, como o caro Paulo Mata afirma, também há aquela costela lusitana...

Novamente, obrigado pela partilha.

Anónimo disse...

Brilhante!
e a foto ficou fantástica!
Ass. 5513

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