segunda-feira, 23 de outubro de 2017

"CANADAIR" EXISTEM E ESTÃO PARA DURAR (M1929 - 66/2017)

Anfíbio pesado de combate a incêndios Bombardier CL-415 vulgo "Canadair"

Acerca dos meios aéreos de combate aos incêndios (e da sua falta) muito se tem escrito e falado nos últimos anos. Mais ainda nos últimos meses, pelas catástrofes que assolaram Portugal e que colocaram a nu as carências de organização e meios existentes no nosso país.

Entre os argumentos para não adquirir aviões anfíbios pesados tipo "Canadair"por parte do Estado, para operação pela Força Aérea Portuguesa, acabaram por difundir-se vários mitos, que por entre toda a contra-informação e falta de informação credível, são repetidos tanto de boca em boca, como nas redes sociais e até meios de comunicação social, como sendo verdades absolutas.  Um deles, tem a ver com a disponibilidade de aviões de anfíbios de combate a incêndios  "Canadair" para aquisição, "porque já não se fabricam".

Em rigor, os Canadair já não se fabricam como tal desde 1986, quando a empresa Canadair foi adquirida pela Bombardier. No entanto, esta última além de fabricar o modelo CL-215 até 1990 e manter depois disso o apoio logístico aos modelos mais antigos, introduziu novos modelos (CL-415 e sub-variantes), que fabricou até 2015.
Em 2016, o programa de aviões anfíbios da Bombardier (incluindo CL-415 e os seus antecessores CL-215, todos vulgarmente designados Canadair), foi adquirido pela Viking Air empresa que detém actualmente os direitos de fabrico e prestação de serviços dos modelos, conforme se pode ler no seu sítio na internet.
A produção de qualquer dos modelos está actualmente interrompida, existindo contudo unidades em segunda mão disponíveis no mercado.

Foi difundida mais recentemente ainda a notícia de que a produção só seria reiniciada, com uma encomenda substancial de 25 a 30 aviões.
Para esclarecer este e outros assuntos acerca do tema, transcrevemos a entrevista de Christian Bergeron, Director de Vendas da Viking Air, a 19 de Outubro de 2017 na Conferencia de meios de Busca e Lavamento em Nimes, França:

"Estamos a falar com os nossos clientes, para ver as perspectivas a médio e longo prazo para os aviões [CL-415/215]. Sabemos que existe uma necessidade a curto e médio prazo e interesse a longo prazo.
Perguntaram-nos se vamos reiniciar a produção. Contudo, devido ao tempo normal que demora o início de produção, algumas das necessidades a curto prazo não puderam ser colmatadas. Além disso, está para sair alguma regulamentação de navegação e alguns componentes antigos que terão que ser substituídos nas frotas actuais. Por essa razão anunciámos recentemente aos nossos clientes o novo modelo CL-415EAF (Enhanced Aerial Firefighting).

"O 415AEF servirá dois objectivos estratégicos: primeiro suprimir a necessidade a curto prazo de actuais e novos clientes, quer queiram expandir a frota ou como novos clientes. Em segundo lugar, refazer os aviónicos, com  que iremos fornecer aviões novos, se decidirmos reiniciar a produção do 415, ao qual chamaremos CL-515. Ainda não foi tomada uma decisão, mas estamos a realizar um estudo de negócio e uma decisão será tomada em meados de 2018.

"O CL-415AEF é um programa oficial. Estamos a propô-lo a todos os nossos clientes. Adquirirmos onze células CL-215 da série 5 [últimos fabricados nos anos 80] e revimos cuidadosamente o historial de cada uma delas. Até ao momento temos reservas em relação a três delas. Temos uma base forte constituída, dado que já há 25 CL-215T [CL-215 remotorizados com motores turbo-hélice) em operação. Estamos a apontar as entregas para 2020 a 2023 e antecipamos que seja aproximadamente o mesmo horizonte temporal para a entrega do CL-515, se formos avante com ele. O CL415EAF manterá o sistema de portas duplas e capacidade de água do 215T.

"Iremos fazer duas coisas: Primeiro converter os 215 existentes em 215T- remotorizá-los, realizar reforços [estruturais], no sistema de distribuição eléctrica e sistema electrónico de combustível. Depois, será modernizado com um novo sistema de aviónicos já existente. Ainda não foi tomada uma decisão, mas iremos contemplar  as novas regulamentações de navegação preparadas para 2020, além de permitir evolução para funcionalidades futuras."

Em resumo: irá avançar imediatamente a modernização dos CL-215 do mercado de usados - denominada CL-415EAF - que servirá de base ao novo modelo CL-515 construído de raiz, caso haja mercado suficiente para iniciar a produção.

O presidente francês Emmanuel Macron manifestou publicamente a sua vontade de que a produção seja reiniciada, estando a França, ou até eventualmente uma futura força europeia de protecção civil, interessada na aquisição de mais de 20 novos Canadair até 2022.

Apesar das medidas anunciadas pelo Governo português no último fim-de-semana, não se sabe ainda quais as intenções do executivo de São Bento, relativamente à aquisição de aeronaves de combate a incêndios, para operação permanente pelo Estado.
Para acompanhar com atenção.




4 Comentários:

Jorge Pereira disse...

O desconhecimento é tal que até a nível governamental o actual o Secretário da Defesa a afirmar-me pessoalmente em 30 de Agosto de 2017 pela manhã na Ilha da Culatra "que os Canadair já não se fabricam"...

Anónimo disse...

Mas ate parece que o canadair é o único avião anfíbio de combate a incêndios..., Beriev, US-i japonês ainda em testes....etc...

Paulo Mata disse...

Os Canadair não são o único modelo para combate a incêndios mas são incontestavelmente o mais adequado às características de Portugal. Os Beriev de cada vez que estiveram cá houve sempre incidentes por serem demasiado grandes e motorizados a jacto. O japonês como muito bem disse ainda está em fase de testes e é igualmente grande (e quase de certeza caro). Neste caso não é preciso andar a reinventar a roda: os Canadair são reconhecidamente o melhor meio de combate a incêndios em Portugal.

Galvam disse...

No Brasil também enfrentamos a hesitação das autoridades em providenciar soluções eficazes para combater os incêndios florestais. Embora tenhamos uma das maiores frotas aéreas privadas de aviões agrícolas, inclusive pilotos que voluntariamente ofereceram-se para atuar no combate a incêndios florestais usando suas próprias aeronaves, solicitaram apenas ajuda para o combustível, alimentação, base de apoio...Estranhamente várias esferas governamentais desconversam rapidamente sobre o assunto. Vejam bem! Mesmo nada gastando em aquisição de equipamentos, o governo brasileiro não demonstra interesse no a combate incêndios com recursos técnicos eficientes como a pulverização aérea de espuma anti-chamas por aviões agrícolas convertidos! O ideal seria termos uma frota de Canadair's também! Mas, como a aquisição seria inviável nesse tempo de ajuste econômico, poderíamos usar os aviões agrícolas! Esporadicamente por iniciativa de alguns governos estaduais, são usados com muito sucesso e custos inacreditáveis baixos comparados a mobilização de caminhões de bombeiros, voluntários e soldados para combater os incêndios manualmente! Avisem aí ao governo português! O Brasil fabrica aviões agrícolas que funcionam inclusive com Etanol! Quem sabe?

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