sábado, 5 de abril de 2014

CHUCK YEAGER: DIÁRIO DE UM ABATE NA II GUERRA MUNDIAL -1 (M1512 - 115PM/2014)

O P-51B em que foi abatido Chuck Yeager sobre a França
 

4 de março de 1944

O tempo estava miserável. Descolámos – seria um dos nossos primeiros raides diurnos a Berlim.
Assim que saí das nuvens com o meu asa, estávamos só nós dois. Pensava onde estariam os outros, mas avançando encontrámos a “caixa” de bombardeiros que tínhamos que escoltar e avidamente procurados pelo inimigo.

Perto de Berlim, detetei um Me-109 e abati-o. A minha primeira vitória – fiz tudo o aquilo para que treinámos – abater um inimigo e proteger os bombardeiros.
Já rumo a casa, localizei um He-111. E abati-o. Foram dois… num dia! Sierra Hotel!

No entanto estava sem munições e portanto bastante vulnerável se outro avião inimigo aparecesse. Não me agradava muito ser abatido sobre território inimigo, pouco depois de ter abatido dois aviões deles. Portanto comuniquei por rádio com o grupo de bombardeiros e perguntei se podia meter-me no meio deles, pedindo para os artilheiros deles NÃO ME CONFUNDIREM com o inimigo.

Deixaram-me ir com eles no último trecho até casa.

Quando cheguei à base, soube que a missão tinha sido abortada. Claramente o meu asa e eu não recebemos o memorando – ou transmissão. Ainda bem que não. Consegui a minha primeira e segunda vitórias – bem encaminhado para me tornar um Ás de Caça e provar que o treino não tinha sido em vão.

Acontece que obtive os créditos pelo primeiro abate, mas não pelo segundo, apesar de as imagens da câmera de mira e confirmação do meu asa. Não estava preocupado. Se tinha abatido dois, podia abater mais.

Mal sabia eu o que aconteceria no dia seguinte, e que iria cercear as minhas actividades aéreas por algum tempo.

5 de março de 1944

O tempo está miserável outra vez. Apontámos a Bordéus para atacar alguns alvos navais. À medida que nos aproximamos, fica claro que não conseguiremos ver os alvos, pelo que decidimos rumar a leste para uma base aérea (inimiga) e procurar alvos de ocasião.

Berro no comunicador: Inimigos às seis horas!

E volto para eles – para uma passagem frente a frente com três Me-109.

Consigo acertar alguns tiros, mas não tantos como eles. Não preciso de sair do avião, o avião está a desfazer-se à minha volta. E separo-me dele.

Caio em queda livre. É mais seguro esperar pelos 6000 pés, antes de puxar a abertura do paraquedas, pelo que ainda faltavam alguns milhares de pés. Vários.

Um dos Me-109 direciona-se a mim, mas o meu líder da minha formação Obie O’Brien abate-o. Soube 69 anos depois que o paraquedas do piloto alemão não abriu.

À medida que flutuo até ao solo, aponto na direção do arvoredo, longe de qualquer povoação. Agarro num ramo e balanço até ao chão, tal como costumavba fzer na Virginia Ocidental – balançar nos ramos das árvores.

Apanho o meu paraquedas e afasto-me o mais possível de onde caí e na direcção oposta em que o meu avião seguia.

Não há alemão no mundo que consiga apanhar alguém da Virginia Ocidental nos bosques.

Depois de algumas horas, mantenho-me camuflado. Tiro o pó de sulfamidas e cubro as feridas nas minhas mãos e na virilha.

A zona parece infestada de alemães. À medida que a noite se aproxima encontro um lugar para me esconder e dormir um pouco – com um olho aberto. Penso na Glennis, nos meus pais, no meu avô Yaeger e agradeço em silêncio ao Obie.

Meu Deus! Como pode o destino mudar num só dia. Ainda ontem abatia os meus dois primeiros aviões alemães. Já hoje… não estava tão Sierra Hotel.

Imagino o que trará o próximo dia… ou se vou acordar e isto não passa de um pesadelo.

Testemunho dos filhos do Pastor

O meu irmão e eu tínhamos saído diretamente da casa paroquial para a igreja. O meu pai era o Pastor. O barulho por cima de nós – bem, nós sabíamos que se desenrolava uma grande batalha nos céus. Ensurdecedora e assustadora.

Vimos um avião em chamas da esquerda para a direita diagonalmente em direcção ao chão. Éramos muito pequenos. Quatro ou cinco anos.
Pouco depois, a brincar nos campos não muito distantes, encontrámos a janela da canopy do avião.

O presidente da câmara de então da cidade

Saí para ver se descobria o que causava tal barulho. Vi um avião em chamas em direcção ao chão, assim (faz um gesto com a mão a 45º). Chamei a minha irmã para vir ver.

Casal que se casou em 1944

“Ainda não estávamos casados, mas não quero contar.”
(Após alguma insistência…) “Encontrávamo-nos no celeiro. O meu marido andava a tentar evitar ser apanhado pelos alemães para ir para um campo de trabalhos forçados. Eu era o amuleto da sorte dele. Sempre que estava comigo os alemães iam a casa dele e perguntavam aos pais onde é que ele estava. Eles não sabiam. E ele escapou à captura.
Ouvimos todo aquele barulho e disparos. Depois vimos um avião a cair na nossa direção – não deu tempo para fugir. Caiu a menos de 100 metros de nós.

Perguntou-lhe o Gen. Yeager  quando ela contou esta história: “A perspectiva era boa?”



Texto: Victoria Yeager
Tradução e adaptação: Pássaro de Ferro

1 Comentários:

Emran Hossen disse...


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