sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

PILOTOS DA FORÇA AÉREA SEM VOAR HÁ 2 ANOS (M1426 - 44PM/2014)


Um grupo de pilotos da Força Aérea queixa-se de não voar há mais de dois anos, quando actualmente a capacidade operacional está no limite, mas a instituição aponta constrangimentos financeiros e orçamentais para justificar esta decisão.

Em finais de Dezembro passado, o chefe do Estado-Maior da Força Aérea, José Pinheiro, alertou que a capacidade operacional estava próxima do limite com a saída de pilotos militares para a aviação comercial, onde os salários são mais atractivos. Contudo, um grupo de pilotos denunciou que não estão a ser aproveitados operacionalmente, nem a voar por treino, quando o Estado já gastou "muito dinheiro" na sua formação.

"A FAP gastou uma fortuna com a minha formação e abdicou de mim há mais de dois anos para a função pela qual fui contratado. Tenho mais dois anos de contrato e não vou voar rigorosamente nada até o fim desse tempo. Estou a exercer actualmente um cargo administrativo", revelou um dos pilotos, de um grupo de tenentes-aviadores que fez parte de uma esquadra de aeronaves Aviocar, entretanto desactivada.

Os pilotos contactados pela Lusa pediram para não serem reveladas as suas identidades, para evitar violar o sigilo militar. Estes profissionais advertem também que, para a quantidade de missões da Força Aérea, "não há pilotos suficientes", já que em algumas aeronaves são necessários dois, acusando a instituição de "discriminação e de má-fé" por não recorrer aos serviços que podiam desempenhar.

Apesar de, enquanto pilotos militares, serem regidos por um Código de Justiça Militar e por um Regulamento de Disciplina Militar "severos", o grupo de pilotos, cujas idades rondam os 30 anos, não escondeu a sua indignação, depois de assistir à preocupação anunciada pelo general José Pinheiro.

A Força Aérea Portuguesa admitiu que há "efectivamente pilotos com menor experiência que não têm horas de voo atribuídas, pelo que a saída de pilotos experientes cria uma situação deficitária e de difícil gestão". "Os constrangimentos financeiros e orçamentais do país motivaram uma redução do regime de esforço da actividade aérea da Força Aérea [horas de voo], com significativo impacto na instrução e treino dos seus novos pilotos", explica a Força Aérea.

Mais de 40 mil euros para sair

De acordo com um dos pilotos, a Força Aérea Portuguesa só aceita a sua desvinculação caso este pague "uma indemnização milionária", tendo a instituição começado por pedir 213 mil euros e, um ano depois, baixar o valor para 47 mil euros para o deixar sair.

Segundo o testemunho de um outro piloto do grupo, também colocado num gabinete da instituição militar, e que há dois anos se encontra sem voar, tem também de pagar do seu bolso cerca de 10.000 euros em escolas de aviação civis para conseguir manter as licenças de piloto válidas, já que a lei obriga a um mínimo de horas anuais de voo.

"Num contrato de seis anos, em que a FAP gastou muito dinheiro na minha formação, apenas exerci as minhas funções durante ano e meio. Ainda me restam mais dois anos de contrato e os valores indemnizatórios requeridos por esta instituição, para que possa rescindir o contrato e continuar a minha carreira como piloto de aviões, são, no mínimo, ridículos", denunciou.

Desta forma, depois de vários pedidos de esclarecimentos às chefias militares, sem repostas satisfatórias, o grupo de pilotos decidiu levar o caso para contencioso. "A esquadra de Aviocar em que voávamos foi abatida, pelo que precisávamos de nova formação para continuar a voar numa outra aeronave e a Força Aérea alega que não compensava que continuássemos a fazê-lo. Além de que, por termos um contrato curto, alegam que não temos potencial", sublinhou um dos pilotos.

Conforme a Força Aérea explicou à Lusa, considerando as horas de voo que tem sido possível financiar e a necessidade de manter as qualificações dos pilotos e tripulantes que diariamente executam as missões, "não há capacidade remanescente que permita qualificar todos os pilotos mais novos, os quais naturalmente substituiriam aqueles que terminam o seu vínculo com a Força Aérea".

Fonte: Público

7 Comentários:

Anónimo disse...

Estes pilotos são todos contratados e a maioria acabou o curso em 2009. Após o final deste, alguns ficaram um ano sem voar, outros dois e há casos que desde 2009, ou seja, desde o final do Epsilon nunca mais tocaram num avião. Após este periodo inicial sem voar foram sendo colocados em esquadras de voo, tendo ido a maioria para a 401, que como se sabia estava para acabar, mas também para 552, 502 e 601. Ao acabar a 401 a decisão foi a de colocar estes pilotos, nos mais variados cargos, desde operações a secretariado. Como se não bastasse chegou uma ordem que proibia os restantes contratados de voar, mesmo havendo essa necessidade, o que fez com que aqueles espalhados pelas restantes esquadras fossem apeados e colocados fora destas, executando as mais variadas funções dentro da FAP não tendo necessariamente a ver com a área operacional.
Descontentes com esta situação e porque se via que a FAP não contava com eles, foram pedindo para sair, tendo a FAP estabelecido indeminizações desde os 40mil até 80mil euros.

Anónimo disse...

Será de referir, que os valores em causa, de 40 a 80 mil euros, foram obtidos após o actual CEMFA manipular mais uma vez os valores, por forma a permitir o filho de um amigo sair sem ter que pagar os valores iniciais de +/- 215.000€. Contas simples, 215.000€ - a influência do CEMFA = 40 a 80 mil €. E assim se safa um milheiro...

João José Milheiro disse...

Talvez quem colocou este ultimo post tenha alguma deficiência, talvez apanhada com algum virus africano
Para esclarecimento de quem se interesse não demos nada para este peditorio.
Primeiro não sou amigo do CEMFA, segundo as contas da indeminização são publicas o valor calculado no fim do curso foi de cerca 250 000€, valor pedido a um Alferes dois meses depois de terminar o curso, a este valor acrescia o custo da qualificação em C295 cerca de 40000€ da um total de de cerca de 290000€, como a amortização mensal de cerca de 4350€ vezes 50 meses da uma amortização de 210000€ o que faz 80000€ ISTO EM VALORES APROXIMADOS valor muito proximo do que paguei para o meu filho sair da tropa e que em breve contestarei nos locais apropriados.
É lamentavel que a coberto do anonimato se produzam afirmações falaciosas e cobardes. Mas como dizem as Bem Aventuranças:
Bem aventurados os pobres de espirito pois verão a Deus.
Peço desculpa aos restantes elementos deste blog mas ja que houve alguem, sem escrupulos e se calhar com telhados de vidro no que respeita a cunhas, que utilizou este forum para insultar quem não devia, tive infelizmente que exercer o direito de resposta neste mesmo forum.
Um abraço a todos
João José Milheiro Capitão Nav/ref tambem ex piloto da FAP e pai de um ex piloto RC da FAP

Luís Rosindo disse...

É grande o homem (com h e não com H) que faz citações de nomes e nem sequer publica o seu.
Esse zeca de nome Milheiro que se safou e teve reduzida a quantia a pagar deve-se aquilo que o seu pai, João José Milheiro, escreveu neste espaço.
Se estou a defender o menino? Claro que estou, queiras tu saber Anónimo, que inicialmente pediram um valor a esse Milheiro que se safou, e devido a um suposto erro de contas esse valor a pagar aumentou, sim aumentou não diminuiu.
Outros Zecas desse mesmo curso pediram também para sair e as suas contagens deram inferior ao Milheiro que se safou.
Mesmo que o paizinho do Milheiro que se safou tenha tido alguma influência (que não teve) então até foi boa essa suposta influência, pois os outros Zecas do curso do Milheiro tiveram o seu valor a pagar reduzido.

É preciso ser um grande monte de merd@ para vir dizer uma coisa destas sem se identificar... provavelmente deve haver aí algum complexo de inferioridade à la Adolf Hitler ou Napoleão Bonaparte....

Cresce oh Zeca e assume o que dizes.

Luís Rosindo, Tenente PIL a voar secretárias.

João Milheiro disse...

Só mais um pequeno esclarecimento:
Os 40000 foram pagos por um piloto RC do mesmo curso que tinha feito a qualificação em C212 Aviocar e os 79000 foram pagos pelo Ten. milheiro que fez a qualificação em C295.
De f acto tenho muitos amigos na FAP desde Praças a Oficiais Generais, quer no ativo quer na reserva, é natural, comemoramos este ano os 4o anos de entrada, mas o Sr General CEMFA, conheço-o mas não temos qualquer relação de amizade, falei duas vezes com ele: uma como Tenentes em que fiz um destacamento de ALIII na BA5 em 1978 e ele voava F86 na Esq dos FALCÕES a outra sendo ele responsável para Instrução e Formação da FAP em que lhe manifestei a minha discordancia pelo modo como TODOS os PILS do ultimo curso estavam a ser tratados.
Resta-me desejar a todos, mesmo ao Anonimo, boa sorte nas etapas que se avizinham e para aqueles que sofrem na pele a discriminação e injustiça, toda a minha solidariedade e apoio pois sei o que eles sentem uma vez que em 1976 passei exatamente pelo mesmo.
Saudações aeronauticas
João José Milheiro

Não sou o Tavares! disse...

O que eu gostava era que alguém descobrisse uma forma de "meter" esta notícia em todas as primeiras páginas e telejornais nacionais! Isso sim era porreiro! Em relação a comentários tristes... antes aturá-los do que ser como eles! Enfim.... acho que Rennie alivia a azia.

Pedro Soares disse...

Desculpem a pergunta sabem quantos PIl estao neste momento no ativo na força aerea?

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