domingo, 18 de janeiro de 2026

O melhor caça da Luftwaffe em 1944?

Desafios da Jagdwaffe em 1944 

(Episódio 1)

Em meados de 1944 a situação da Alemanha era crítica, para dizer o mínimo.  Mas concentremo-nos apenas nas decisões da Luftwaffe, em particular da Jagdwaffe, um termo informal para a força de caças do “Reich”.  A invasão aliada no dia D, a 6 de Junho, obrigou a um reposicionamento urgente de centenas de caças para a costa Francesa – caças retirados de outros teatros sobre grande pressão, como a Frente Leste e a própria Alemanha, acossada por bombardeamentos aéreos constantes.

As responsabilidades da Jadgwaffe eram múltiplas e divergentes; oferecer cobertura aérea ao exército perto da linha da frente, defender as linhas de comunicação e logísticas de ataques de interdição de bombardeiros médios (B-26 Marauder ou Mosquito, por exemplo), enfrentar os bombardeiros pesados e bem armados a grande altitude (B-17 Flying Fortress e B-24 Liberator) que atacavam quase diariamente alvos estratégicos na Alemanha, além de proteger os seus próprios aeródromos de ataques.  E cumprir tudo isto contra adversários com potencial industrial muito superior era, no mínimo, impensável.

Talvez a foto mais famosa do Fw 190D-9, mais conhecido como “Dora-9”.  Um exemplar imaculado, mais concretamente o número de série (Wk-Nr.) 210051, acabado de sair da fábrica em Cottbus e ainda a “cheirar a novo”.  Daqui, o primeiro lote foi enviado para o Erprobungsstelle (unidade de testes) em Rechlin para avaliação e depois para o terceiro gruppe da JG 54 baseado em Oldenburg, que recebeu quatro aviões a 20 de Setembro.

 A qualidade da oposição no ar, além de numerosa, era também cada vez mais avançada do ponto de vista da performance.  Vamos resumir os principais “inimigos” da Luftwaffe em meados de 1944;

- Primeiro, vamos juntar o P-51 Mustang e o Spifire IX, já que usavam o mesmo motor, o fenomenal Rolls-Royce Merlin (série 60), um V12 de 27 litros de cilindrada e compressor (supercharger) de duas etapas (ou estágios) capaz de desenvolver mais de 1500cv a 7000 metros de altitude.

- Outro concorrente de peso (literalmente!) era o P-47D Thunderbolt com o monstruoso Pratt & Whitney R-2800 radial de 18 cilindros, 46 litros, turbocompressor (turbosupercharger) e mais de 2000cv de potência.  Considerado por muitos pilotos da Luftwaffe como o mais perigoso “dogfighter” – mais até que o Mustang.

- Como se não fosse suficiente, por esta altura começavam também a chegar á frente em números consideráveis dois novos reforços; o Spitfire XIV, equipado com o novo motor V12 Rolls-Royce Griffon e o Hawker Tempest, com o pouco convencional motor Napier Sabre de 24 cilindros em H.  Ambos ofereciam bem mais de 2200cv extraídos dos mesmos 36 litros de cilindrada.

Perante estes adversários a Luftwaffe confiava em duas famílias de caças padrão;

- O veterano Messerschmitt Bf 109G (vários modelos; G4, G6 e G14 recondicionados), a espinha dorsal dos caças alemães, do primeiro ao último dia da guerra, motorizado pelo DB605 da Daimler-Benz, um V12 invertido de 36 litros de cilindrada e cerca de 1450cv.  Para aumentar a potência os alemães desenvolveram uma solução menos elegante tecnicamente mas simples e eficaz; o sistema MW50, uma mistura de água e metanol, injectada directamente no compressor.  O aumento de potência era imediato e dramático (mas apenas a baixa-média altitude), para cerca de 1800cv - por períodos limitados.  O Bf 109 era um caça muito rápido e perigoso mas as características de manobra exigiam pilotos com experiência – precisamente o que escasseava na Jagdwaffe em 1944.

Em 1944 a Luftwaffe não podia dar-se ao luxo de operar a partir dos seus aeródromos na França, Bélgica ou Países Baixos.  Os ininterruptos ataques aéreos obrigavam a total dispersão dos caças para pequenas clareiras e pistas improvisadas - nada podia ficar em campo aberto, daí a importância vital da camuflagem.  Claro que isto sobrecarregava o trabalho dos mecânicos e diminuía imenso a capacidade operacional.  Aqui vemos vários “schwarze manner” a puxar um Bf 109G “á unha” do seu esconderijo.

- O Focke-Wulf Fw 190A era um caça de concepção mais moderna, equipado com o robusto e muito avançado motor radial BMW 801D de 14 cilindros, 42 litros de capacidade e 1700cv.  O inteiro conjunto motriz era completamente automatizado, através de aquilo que hoje chamaríamos uma ECU ou um sistema electrónico de gestão do motor.  No Fw 190 este “computador” era mecânico, o Kommandogerät, que ajustava o fluxo de combustível, passo da hélice, velocidade do compressor, mistura, etc.  O piloto apenas manuseava a manete da potência e o sistema ajustava tudo mecanicamente, uma enorme simplificação para o piloto.  Além disso, as qualidades de manobra e harmonia de controlo eram soberbas e não admira que fosse muito apreciado por todo o tipo de pilotos.  A única queixa que se lhe podia apontar era a “falta de ar” do motor BMW a grande altitude, uma falha importante no combate aos bombardeiros pesados americanos – e as suas escoltas.

Bem, e que dizer de aspectos positivos da Luftwaffe em 1944?  Não eram muitos.  Mas podemos destacar a resiliência e organização da indústria alemã.  Apesar da pressão nas várias frentes e dos bombardeamentos incessantes, a verdade é que a produção de material de guerra bateu todos os recordes em 1944.  Só no mês de Setembro a Luftwaffe recebeu 3000 caças, novos e recondicionados, um número impressionante dadas as circunstâncias.  Tal ficou a dever-se, em grande parte, ao Jägerstab, uma comissão composta por grandes construtores aeronáuticos, representantes governamentais e as SS, e chefiado por Albert Speer e Erhard Milch – só não perguntem onde, e como, arranjaram a mão-de-obra.

Outra vantagem que a Jagdwaffe possuía sobre as forças aéreas Aliadas era a qualidade excepcional dos seus pilotos.  A experiência acumulada desde os tempos da batalha de França, batalha de Inglaterra ou a invasão da URSS (alguns até desde a Guerra Civil Espanhola) permitia a estes pilotos dominar o espaço aéreo e provocar baixas desproporcionais nos adversários.  Eram conhecidos como os Experten.  Infelizmente para os alemães, o número destes pilotos diminuía a cada semana e eram substituídos por jovens, muito menos treinados e com “zero” de experiência.

A Luftwaffe esperava desesperadamente que o revolucionário Messerschmit Me 262 conseguisse recuperar a superioridade aérea perdida, não só nos territórios ocupados como na própria Alemanha.

Por fim, não tanto um aspecto positivo tangível mas mais uma “esperança”.  A Luftwaffe, e toda a máquina de guerra alemã, depositava grande confiança na chegada das “armas-maravilha”, no caso da Jagdwaffe, nos caças a reacção, ou a jacto, particularmente o soberbo Messerschmitt Me 262.  Esperava-se que este avião fosse capaz de repor a superioridade aérea sobre os céus da Alemanha e reverter totalmente a maré da guerra.  Mas, entretanto, era necessário um novo caça convencional que ajudasse a dupla Bf 109G e Fw 190A.  E rápido.

A resposta surgiu de uma empresa que poucos esperariam…

Texto e seleção de imagens: Icterio
Edição: Pássaro de Ferro


quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

VERBAS APROVADAS PARA AQUISIÇÃO DOS BLACK HAWK DE EMERGÊNCIA MÉDICA

UH-60 Black Hawk da Força Aérea Portuguesa

O Ministério da Defesa autorizou a Força Aérea Portuguesa (FAP) a assumir um encargo plurianual, no valor máximo de 32M EUR, destinado à aquisição de quatro helicópteros Black Hawk para evacuação e emergência médica. A decisão, formalizada através de Portaria publicada em Diário da República no passado dia 5 de janeiro, enquadra‑se no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no investimento dedicado ao reforço da capacidade aeromédica nacional.

A medida dá continuidade ao princípio estabelecido em 2015 pelo Grupo de Trabalho para os Meios Aéreos em Missões de Interesse Público, que recomendou a concentração dos meios aéreos na Força Aérea como operador único. Segundo o relatório então produzido, esta centralização permite maior flexibilidade operacional, economias de escala e uma utilização mais eficiente dos recursos, contrastando com o modelo anterior baseado na locação e dispersão de operadores. Lembramos que a Força Aérea tem já contratada a aquisição de dois lotes totalizando nove helicópteros Black Hawk para combate a incêndios e mobilidade aérea na Esquadra 551 - "Panteras", aos quais se junta agora este terceiro lote de mais quatro.

A aquisição dos novos helicópteros visa reforçar a capacidade nacional de evacuação aeromédica, garantindo meios próprios capazes de responder de forma sustentada às necessidades do Serviço Nacional de Saúde e das missões de interesse público. A introdução destas aeronaves deverá também contribuir para uma gestão mais equilibrada da frota, facilitando a regeneração de tripulações e a manutenção logística.

O financiamento é integralmente assegurado pelo PRR, através da Componente C01 — Serviço Nacional de Saúde, com contrato celebrado entre a Estrutura de Missão “Recuperar Portugal” e o Ministério da Defesa Nacional. A Força Aérea é a entidade beneficiária e responsável pela execução física e financeira do investimento.

O concurso público destinado à aquisição dos referidos helicópteros encontra-se a decorrer até ao dia 19 de janeiro de 2026, para uma execução de contrato de apenas seis meses, de modo a poder usufruir das verbas do PRR, que terminam a 31 de agosto de 2026.



terça-feira, 30 de dezembro de 2025

CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIO PARA A ESQUADRA DE VOO DOS SUPER TUCANO EM BEJA

A-29N Super Tucano

A Força Aérea Portuguesa (FAP) formalizou o lançamento de um concurso público para a construção do edifício que irá acolher a futura esquadra de voo do sistema de armas A-29N Super Tucano. O anúncio de procedimento publicado em Diário de República a 29 de dezembro, detalha que a nova infraestrutura será edificada na Base Aérea N.º 11 (BA11), em Beja, representando um investimento base de 2,85M EUR.

A obra, gerida pela Direção de Infraestruturas do Comando da Logística (CLAFA), insere-se no planeamento estratégico para a receção das novas aeronaves de ataque ligeiro e treino avançado da Embraer. O projeto tem um prazo de execução fixado em 420 dias, indicando que a estrutura operacional deverá estar concluída durante o primeiro semestre de 2027. O novo edifício será o núcleo central das operações de voo e planeamento da unidade que irá operar o A-29N na FAP.

De acordo com o caderno de encargos, o concurso adota o preço como critério único de adjudicação, sob a modalidade de empreitada de obras públicas. As empresas interessadas têm até às 23:00 do dia 28 de janeiro de 2026 para submeter as respetivas propostas através da plataforma eletrónica ACIN.

Os primeiros cinco de doze A-29N Super Tucano, uma variante do Super Tucano configurada especificamente para cumprir os requisitos da NATO, foram formalmente recebidos pela FAP no passado dia 17 de dezembro de 2025, em Alverca, tendo seguido no dia seguinte para a BA11, onde foram para já integrados na Esquadra 101 - Roncos, na missão de instrução.

Ainda não foi contudo revelada a esquadra de voo que irá operar o A-29N nas missões táticas que está previsto vir a desempenhar na FAP.




segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

ABERTO CONCURSO PARA QUATRO BLACK HAWK ADICIONAIS PARA A FAP

UH-60 Black Hawk

A Força Aérea Portuguesa (FAP) formalizou a abertura de um concurso público internacional para a aquisição de quatro helicópteros médios UH-60, destinados a missões de emergência e evacuação médica (HMEEM). O investimento de 32M EUR reforça a estratégia de consolidação da frota Black Hawk em Portugal.

O Estado-Maior da Força Aérea, através do Comando da Logística (CLAFA), publicou hoje, 22 de dezembro de 2025, o anúncio de procedimento n.º 33189/2025. Este concurso visa a aquisição de quatro aeronaves UH-60, especificamente configuradas para missões de Emergência e Evacuação Médica (HMEEM), para servirem no apoio ao Sistema Integrado de Emergência Médica e missões de salvaguarda da vida humana, tal como anunciado pelo ministro da Defesa, Nuno Melo, em novembro passado.

Detalhes do Investimento e Financiamento

O preço base do procedimento está fixado em 32.000.000,00 EUR (trinta e dois milhões de euros), valor que será cofinanciado por fundos da União Europeia, através do PRR. A utilização de fundos comunitários sublinha a natureza de duplo uso (dual-use) destas aeronaves, servindo tanto as necessidades de defesa nacional como as de proteção civil e saúde pública. O prazo de execução do contrato é particularmente curto — apenas 6 meses — por forma a poder aproveitar os fundos do PRR, conforme referido, e implicará por isso a aquisição de células já disponíveis para entrega imediata (off-the-shelf), possivelmente via mercado de excedentes militares ou recondicionamento especializado.

Especificações da Frota e Missão

A escolha pelo modelo UH-60 Black Hawk não é surpreendente. Esta plataforma tem vindo a substituir progressivamente os recursos afetos a missões de asa rotativa em Portugal, oferecendo:

Capacidade Médica: Configuração para transporte de macas e equipamento de suporte avançado de vida.

Versatilidade: Capacidade de operar em ambientes degradados e condições meteorológicas adversas.

Logística: Uniformização da frota, reduzindo custos de manutenção e formação de pilotos e mecânicos.

Cronograma do Concurso

As entidades interessadas têm até às 23:00 do dia 19 de janeiro de 2026 para apresentar as suas propostas através da plataforma eletrónica ACIN. O critério de adjudicação será multifator, avaliando a melhor proposta técnica e financeira para assegurar que os requisitos de evacuação médica sejam cumpridos com a máxima fiabilidade.

Este anúncio surge em linha com as recentes declarações do Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, General Cartaxo Alves, sobre a expansão da capacidade de "duplo uso" da Força Aérea, permitindo que os novos helicópteros operem em heliportos hospitalares já certificados, maximizando o tempo de resposta em situações críticas.



sábado, 20 de dezembro de 2025

NOVA ERA NA FORÇA AÉREA PORTUGUESA - Do Espaço à 6ª Geração

A substituição do F-16 MLU da Força Aérea Portuguesa é um dos temas centrais da modernização da FAP

Em entrevista ao Diário de Notícias publicada na sexta-feira, 19 de dezembro de 2025, o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea (CEMFA), General Cartaxo Alves faz um retrato do momento de profunda transformação que se vive no ramo aéreo das Forças Armadas Portuguesa. Ao mesmo tempo, a diretiva de planeamento estratégico para o horizonte 2024-2034 estabelece um roteiro ambicioso que visa elevar Portugal a um novo patamar de autonomia. Este plano integra capacidades espaciais sem precedentes, drones de alta performance e a preparação crítica para a sucessão da frota F-16, consolidando o conceito de poder aeroespacial português.

O Fim da Era F-16 e o Horizonte da 6.ª Geração

Um dos anúncios mais aguardados foi a confirmação de que a decisão sobre a substituição dos F-16M deverá ocorrer durante o ano de 2026. Após mais de 30 anos de serviço, o General alerta que o processo começou tarde, mas que o foco agora é a conectividade total. Para a transição, a FAP planeia uma abordagem em duas fases. Embora o F-35 surja como a escolha natural de 5.ª geração pela sua interoperabilidade na NATO, o General já olha para a 6.ª geração, que introduzirá tecnologias disruptivas como armas de energia dirigida. O Investimento estima-se entre 3000M e 4800M EUR, para a aquisição de 14 a 28 novas aeronaves, a ser enquadrado na Lei de Programação Militar. A quantidade de aeronaves de 5ª geração a adquirir dependerá da participação num programa de 6ª geração. Abre a porta a ter dois caças de gerações diferentes em operação simultaneamente.

Portugal como Potência Espacial: A Constelação do Atlântico

Pela primeira vez, a Força Aérea assume o Espaço como um domínio operacional crítico. O programa espacial, sediado no novo Space Technological Hub em Alverca, prevê lançamentos imediatos, com dois satélites em fevereiro e abril de 2026, totalizando quatro até ao final do ano, para uma capacidade final de oito satélites até 2028 (em parceria com a Finlândia e o programa SAFE da UE). Estes satélites terão por missão a observação da Terra, com radares de abertura sintética (resolução de 25cm) para vigilância militar, controlo de pescas e monitorização ambiental, com capacidade de revisita de apenas 30 minutos.

Drones e a Modernização da Vigilância (ISR)

A experiência colhida nos conflitos internacionais (Ucrânia e Médio Oriente) recentes acelerou a integração de sistemas aéreos não tripulados na estrutura da Força Aérea. Através de parcerias com a indústria nacional, a instituição irá receber dois novos sistemas de vigilância e reconhecimento AR5 da Tekever ainda este ano, de um total de oito, estando paralelamente a decorrer o desenvolvimento de um drone de maior dimensão, com cerca de 20 metros de envergadura, capaz de permanecer em operação por períodos de 12 a 16 horas, com capacidades de conectividade superiores. Aquisição de sistemas anti-drone para todas as bases.

Este reforço tecnológico é acompanhado pela modernização da rede de radares terrestres, datados atualmente da década de 80, que serão substituídos por sistemas de última geração capazes de detetar ameaças complexas como mísseis de cruzeiro e drones com reduzida assinatura radar.

Reforço de Meios e Recuperação de Frotas

O cumprimento da meta de 2% do PIB para a Defesa permitiu uma "lufada de ar fresco" financeira. À FAP coube um aumento de cerca de 170M EUR no orçamento, dos quais 60M EUR aplicados na opção de aquisição do sexto KC-390 e os restantes 110M EUR na recuperação de sistemas, aquisição de sistemas de radar, drones e capacidade espacial.

O programa KC-390 está já consolidado com três aeronaves operacionais e a aquisição de uma sexta célula, com o intuito de aumentar a capacidade de transporte no âmbito da NATO. 

A frota de helicópteros Black Hawk conta cinco aeronaves integradas, com o objetivo de nove até ao final de 2026. Estes helicópteros já estão a ser certificados para operar em 24 heliportos hospitalares. 

A frota P-3C CUP de patrulhamento marítimo será aumentada de 5 para 11 aeronaves (via protocolo com a Alemanha), com modernização focada na conectividade em tempo real. Início da segunda fase de modernização da frota.

Programa de investimento na Defesa SAFE europeu

O programa prevê um investimento de aproximadamente 180M EUR para a Força Aérea. Este valor não se destina à compra de aeronaves, mas sim ao reforço da infraestrutura de defesa e vigilância, focando-se em quatro eixos:

Radares de última geração: Substituição dos sistemas da década de 1980 por tecnologia capaz de detetar mísseis de cruzeiro e drones.

Sistemas de Defesa Aérea: Aquisição de mísseis terra-ar de médio alcance.

Drones: Reforço das capacidades de vigilância e reconhecimento.

Capacidade Espacial: Aquisição de quatro satélites.


O Pilar Humano: Recorde de Formação

Apesar dos desafios de retenção no passado, o General Cartaxo Alves destaca uma inversão de tendência em 2025, com saldo positivo pela primeira vez em anos. Entram mais militares do que saem (saldo de +240 em 2025). Em instrução atingiu-se uma marca histórica com 1300 militares em formação atualmente, o dobro da média da última década. Maior estabilidade com 67% do efetivo (cerca de 6300 militares) pertence agora ao Quadro Permanente, garantindo a especialização necessária para operar sistemas de alta tecnologia. No entanto, o General admite que ainda existe um défice de aproximadamente mil militares em relação ao quadro previsto, um caminho que continuará a ser percorrido através da valorização da carreira e do reconhecimento do trabalho militar.


Incentivos e Apoio à Família Militar

A inversão da tendência de queda nos efetivos é atribuída a um conjunto integrado de medidas que vão além dos ajustes salariais. O General destaca que o nível tecnológico da FAP é um forte atrativo para jovens engenheiros que procuram trabalhar com sistemas de complexidade inigualável no mundo civil. Somam-se a isto melhorias nas infraestruturas e condições de trabalho, bem como um reforço no apoio social. A assistência médica nas bases aéreas foi alargada às famílias e filhos dos militares, e a questão da habitação junto às unidades tem sido fundamental para garantir estabilidade. O próximo passo deste processo de valorização será a revisão do regime de reformas, tema que está a ser articulado com a tutela.


Visão Estratégica para 2035 e o Futuro do Combate em Rede

Projetando a Força Aérea para a próxima década, o General Cartaxo Alves antevê uma instituição de elite, reconhecida internacionalmente pelo seu sucesso na integração entre o ecossistema militar e o civil, especialmente na área espacial. O futuro do combate aéreo será definido pela cooperação entre meios tripulados e não tripulados. O CEMFA explica que a sexta geração de caças operará em "enxames", onde uma aeronave tripulada será escoltada por vários sistemas não tripulados coordenados, capazes de proteção e ataque de precisão. Esta visão sublinha que, embora a tecnologia seja o garante da sobrevivência no campo de batalha, ela serve o propósito último de defender a paz e a soberania nacional através de militares altamente preparados e motivados.




quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

SUPER TUCANO CHEGAM A BEJA





Depois da entrega oficial em Alverca, dos primeiros A_29N Super Tucano à Força Aérea Portuguesa,  no dia de ontem, 17 de dezembro de 2025, quatro das células voaram hoje até à sua nova "casa" na Base Aérea nº11, em Beja.

Entre as 11h00 e as 11h15 sensivelmente, foram aterrando os quatro monomotores na pista 19R da BA11. Curiosamente, foi possível observar que as aeronaves envergavam novamente, as matrículas temporárias com que chegaram a Portugal, a saber: PT-CYV, PT-CVN, PT-CUS e PT-CYU.

Os A-29 no FlightRadar24 em rota de Alverca para Beja

Tal como referido na peça sobre a cerimónia de receção, as aeronaves irão para já ser integradas na Esquadra 101 - Roncos, e foram recebidas com a habitual saudação com canhões de água, momento  partilhado nas redes socias pela Força Aérea.

Foto: FAP

Foi também possível já observar, a anterior geração (TB-30 Epsilon) e a nova geração (A-29N Super Tucano) da Esquadra 101, a coabitar no mesmo espaço.







quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

FORÇA AÉREA RECEBEU OFICIALMENTE OS PRIMEIROS A-29N SUPER TUCANO [M2670 - 93/2025]

A Embraer entregou hoje os cinco primeiros A-29N Super Tucanos à Força Aérea Portuguesa (FAP) durante uma cerimônia realizada nas instalações da OGMA em Alverca, na presença de autoridades civis e militares e executivos da Embraer e convidados. A entrega ocorre um ano e um dia depois da assinatura do contrato de aquisição.

Integrado na mesma cerimónia, o Ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, e o presidente da Embraer SA, Bosco da Costa Júnior assinaram uma carta de interesse, com vista à instalação de uma fábrica de aeronáutica, em Beja. A futura unidade terá capacidade para o fabrico de aviões A-29N Super Tucano em Portugal. A edificação desta fábrica vai gerar emprego qualificado, com melhores salários, beneficiando a economia e a indústria portuguesa. As aeronaves produzidas nessa linha de montagem deverão atender a futuras necessidades do Estado Português e eventual procura de outras nações europeias, por meio de negociações governo a governo, contribuindo para o fortalecimento da base industrial de defesa em Portugal e na Europa.





Quanto aos 12 Super Tucanos, dos quais cinco foram hoje oficialmente entregues à FAP, trata-se de investimento de 200M EUR na modernização da Força Aérea Portuguesa, dos quais 75M serão aplicados na indústria nacional, através de um conjunto de empresas que farão o “upgrade”, reconfigurando os aviões para as exigências e os padrões técnicos da NATO.

Falamos de uma nova capacidade de ataque aéreo ao solo, com provas dadas, para apoio às Forças Nacionais Destacadas. Mas falamos também de novos cenários. O Super Tucano oferece agora a possibilidade de desempenhar missões de luta anti-drone, comprovando a flexibilidade da aeronave escolhida pela Força Aérea. Sublinho escolhida ‘pela Força Aérea’, com decisões políticas apoiadas em pareceres técnicos”, afirmou Nuno Melo.


Além da instrução de pilotagem, os A-29N Super Tucano fabricados pela empresa brasileira Embraer SA, vão levar a cabo missões de apoio aéreo próximo para operações conjuntas e ou combinadas. Portugal será o primeiro país a europeu a voar a nova versão desta aeronave. Também está previsto que a formação e o treino de pilotos sejam feitos em Portugal.


A decisão do governo é mais um passo no reequipamento das Forças Armadas, estimulando a criação de indústria em Portugal. Só em 2025 nasceram 60 novas empresas nas indústrias de defesa (IDD), captando cada vez mais jovens para o interior do país.

Com configuração NATO, Portugal torna-se o primeiro operador europeu e mundial desta versão. Os A-29N reforçam capacidades como o apoio aéreo próximo em operações conjuntas e/ou combinadas e missões de luta anti-drone.

Segundo o Ministério da Defesa Nacional, este marco representa também um contributo relevante para a indústria nacional, com impacto no emprego qualificado, na economia e na autonomia estratégica de Portugal.


Nos próximos dias, os A-29N seguem para a Base Aérea N.º 11, em Beja, onde irão integrar para já a Esquadra 101.
Fontes: MDN, Embraer e FAP
Adaptação: Pássaro de Ferro 



sábado, 6 de dezembro de 2025

BLACK HAWK PARA EMERGÊNCIA MÉDICA APROVADOS PELA UE

Sikorski UH-60 Black Hawk da Esquadra 551 da FAP
A compra de quatro helicópteros Black Hawk adicionais para a Força Aérea Portuguesa (FAP), anunciada pelo ministro da Defesa Nuno Melo, no Parlamento há cerca de um mês atrás, recebeu aprovação da União Europeia. A revelação foi feita na reportagem transmitida ontem 5 de dezembro de 2025 no programa Exclusivo, da TVI.

A incerteza pairava sobre a fonte de financiamento até esta quinta-feira, quando o Ministério da Defesa Nacional (MDN) confirmou que Bruxelas aprovou a canalização de verbas remanescentes do PRR, para este fim.

O MDN e a FAP enfrentam, ainda assim, uma corrida contra o tempo, para concretizar a aquisição destes quatro helicópteros Sikorsky UH-60 Black Hawk, com capacidade para a realização de missões de emergência médica. O sucesso da operação é crucial para evitar a perda dos fundos comunitários provenientes do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) no valor de 32M EUR.

Apesar da garantia do financiamento agora conseguida, o processo legal e contratual ainda carece no entanto de formalização, além da concretização da compra até ao prazo inflexível de 31 de agosto de 2026.

Fontes oficiais da FAP indicam que já foi realizada uma consulta informal à ACE Aeronautics, LLC – a empresa que forneceu os últimos aparelhos – para confirmar a disponibilidade de células que possam ser entregues dentro deste período. A ausência de aeronaves disponíveis no mercado inviabilizaria a candidatura e resultaria na consequente perda das verbas.

A Esquadra 551 - "Panteras" da FAP recebeu até ao momento cinco, de nove helicópteros Black Hawk, também eles financiados pelo PRR, em dois lotes distintos. A presente aquisição elevará o número total para treze aparelhos.

A revelação da intenção de compra deste terceiro lote de helicópteros Black Hawk para a Força Aérea, recebeu inúmeras críticas inesperadas, desde alegada impossibilidade de aterrar nos heliportos hospitalares nacionais, à falta de condições para o transporte de doentes, incluindo até o ruído (!).

Argumentos na sua grande maioria a roçar o absurdo, sobretudo tendo em conta que se trata do mesmo tipo de aparelhos que durante o verão passado realizaram inúmeras missões de emergência médica, enquanto a empresa concessionária dos transportes aéreos para o INEM, não conseguiu assegurar os serviços. Já para não referir que o Black Hawk é o helicóptero padrão de inúmeras forças armadas por todo o mundo, para a realização de resgates e evacuações médicas de combate, com enorme sucesso.

Segundo a  Força Aérea, os Black Hawk podem operar em 24 heliportos hospitalares e 112 locais próximos de unidades de saúde. Mesmo a ANAC acabaria por esclarecer que o parecer que classificava os Black Hawk como inadequados para a maioria dos heliportos hospitalares, se referia a "voos civis, e não militares".

Acresce ainda dizer que os Black Hawk da Esquadra 551, têm por missões primárias o combate a incêndios rurais e a mobilidade aérea, podendo realizar transportes médicos em complemento aos meios do INEM, tal como sucedeu entre julho e outubro do corrente ano, ou sempre que necessário, como em situações de catástrofe ou de algum modo anómalas. 

Fica portanto por confirmar agora, a disponibilidade de helicópteros no mercado, que possam ser entregues até ao final de agosto de 2026, para que o aumento da frota de Black Hawk da FAP seja concretizado.



sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

ABERTO CONCURSO PARA BLACK HAWK DO EXÉRCITO

UH-60 Black Hawk
O concurso para a dotação de helicópteros Black Hawk para a Unidade de Helicópteros de Apoio, Proteção e Evacuação (UHAPE) do Exército Português foi finalmente lançado, ontem 4 de dezembro de 2025, através da plataforma NATO Support and Procurement Agency (NSPA), com 29de janeiro de 2026, como data limite para entrega das propostas. 

A documentação do concurso solicita propostas para três helicópteros recondicionados na variante mínima UH-60L, com opção contratual para uma quarta aeronave. O orçamento aprovado para esta compra ascende a 40,8M EUR, verba que foi autorizada em outubro de 2024.  

Além das aeronaves e pacote de sobressalentes para 480 horas de voo cada, o Caderno de Encargos prevê ainda equipamento de combate a incêndios e kit de evacuação médica.

Para operações táticas, suportes internos para metralhadores tipo M3M e M240, kit para montagem externa de armamento EGMS (para metralhadoras ou rockets), blindagem para cabine e cockpit e sistema FRIES para fast rope.

Do contrato constam ainda formação para pilotos e técnicos,  tanque de combustível interno auxiliar, sistemas de suporte em terra, documentação técnica e assistência técnica durante um ano. 

O programa de entregas será faseado com a primeira entrega prevista para o 3º trimestre de 2026 e a última no 2º trimestre de 2028.



quinta-feira, 27 de novembro de 2025

AVANÇA ATUALIZAÇÃO DOS P-3 EX-ALEMÃES

P-3C CUP II ex-Marineflieger alemã

O Ministério da Defesa autorizou a Força Aérea Portuguesa (FAP) a realizar despesa com a atualização de cinco aeronaves de patrulhamento marítimo P-3C CUP II adquiridas à Alemanha em 2023. A medida visa garantir o cumprimento de requisitos operacionais essenciais da NATO e reforçar a vigilância no espaço marítimo nacional.

O Despacho assinado a 20 de novembro pelo ministro da Defesa, Nuno Melo, formaliza o investimento de 24M EUR a ser distribuído entre 2025 e 2028, financiado através de verbas da Lei de Programação Militar. 

A modernização é considerada urgente, uma vez que as aeronaves P-3 Orion são fundamentais para missões de busca e salvamento, vigilância e reconhecimento, guerra antissubmarina e antissuperfície, além do cumprimento de compromissos internacionais no âmbito da NATO.

As modificações, a serem implementadas em cinco das seis aeronaves adquiridas à Marinha Alemã em 2023, visam uniformização de equipamentos com a restante frota de P-3C CUP+ já ao serviço da Esquadra 601, nomeadamente o Link16 Crypto Modernization, o Automatic Identification System e atualização do sistema de acústicos.

O contrato de aquisição das seis células P-3C CUP II da Marineflieger abrangia também kits de modernização MLU, que incluem reforços estruturais das asas, mas aparentemente o programa de atualização ora aprovado não inclui nenhum tipo de trabalhos com tal relacionado. 

Considerações à parte, o que se pode depreender da decisão de atualizar cinco células CUP II, a adicionar às cinco CUP+ também recentemente alvo de atualização de sistemas, é que haverá a intenção de colocar operacional uma frota de uma dezena de Orion.



ARTIGOS MAIS VISUALIZADOS

CRÉDITOS

Os textos publicados no Pássaro de Ferro são da autoria e responsabilidade dos seus autores/colaboradores, salvo indicação em contrário.
Só poderão ser usados mediante autorização expressa dos autores e/ou dos administradores.

 
Design by Free WordPress Themes | Bloggerized by Lasantha - Premium Blogger Themes | Laundry Detergent Coupons
>