domingo, 1 de fevereiro de 2015

O HARRIER QUE A PEPSI NÃO QUIS DAR (M1781 - 19PM/2015)

O Harrier do anúncio da Pepsi nos anos 90       Imagem: Pepsi

Há quase vinte anos atrás, a conhecida marca de refrigerantes Pepsi, anunciava em campanha publicitária, semelhante a muitas da época, a distribuição de prémios. Para tal, os consumidores deveriam adquirir produtos da marca, colecionar os pontos inscritos nas embalagens e reclamar o prémio correspondente ao volume de pontos acumulado.
T-shirts, óculos de sol, entre muitos outros produtos de merchandising, eram os mais acessíveis. Mas por 7 milhões de pontos, a marca dizia oferecer um caça Harrier!

E assim terminava o anúncio de TV, com o apresentador a "estacionar" o conhecido caça de aterragem vertical, no jardim de uma qualquer universidade americana, e a enfática frase "é certamente melhor do que o autocarro!"

O anúncio ficou na retina de John Leonard, um estudante de gestão de 21 anos na altura, que se interessou pelo "prémio".
Leonard notou que além de comprar produtos, também se podiam comprar pontos diretamente, a 10 cêntimos cada. As contas eram fáceis de fazer, e para ter acesso ao Harrier, "bastava" ter 700.000 USD para comprar os pontos que davam direito ao caça do anúncio. Leonard pegou no telefone e convenceu cinco investidores a fornecerem-lhe os 700.000 dólares. Enviou então à Pespi 15 rótulos e um cheque e esperou pelo caça.

O avião contudo, nunca chegou. A resposta da Pepsi foi de que o anúncio se tratava de uma piada.

Leonard contudo, estava disposto a levar a coisa a sério. E a Pepsi até lhe fez o favor, ao adiantar-se e pedir uma decisão de tribunal, que considerasse o pedido de Leonard inválido. Isto compeliu-o a avançar com o seu próprio processo, para exigir o prémio.

Apesar da Pepsi acusar de Leonard de estar a tentar tirar partido do sistema legal do país, condenando o exemplo que estava a dar à sua geração, a opinião de rua era bem diferente. Várias pessoas entrevistadas  a propósito do tema, numa reportagem exibida na CBS na época, apoiavam Leonard. Um executivo chegou mesmo a sugerir que um cliente como Leonard deveria ser premiado, não processado: "Eu levava-o em tourné pelo país num Harrier. E transformava isso noutro anúncio de TV!"

Mas a Pepsi não estava para isso. Para além do processo legal, modificou o anúncio , aumentando o número de pontos para ganhar o Harrier, de 7 para 700 milhões.

No final, o pedido de Leonard foi indeferido, com o tribunal a encerrar um processo sumário a favor da Pepsi, concluindo que nenhuma pessoa normal poderia dentro da razão, concluir que o anúncio oferecia de facto um Harrier aos consumidores. O juiz terminava ainda a sentença com um comentário jocoso, em que dizia "o jovem que aparece no anúncio é um piloto altamente improvável, uma vez que até as chaves do carro do pai seria duvidoso lhe fossem confiadas, quanto mais um avião do Corpo de Fuzileiros dos EUA do prémio".




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