quarta-feira, 17 de julho de 2013

OS PROBLEMAS DO PORTA-AVIÕES SÃO PAULO (M1081 - 203PM/2013)

NAe São Paulo         Foto: Marinha Brasileira

O lendário aviador brasileiro Alberto Santos-Dumont, dá o nome a uma linha de relógios Cartier e também ao aeroporto doméstico do Rio de Janeiro, que pela sua localização e comprimento (de apenas 1300 metros), mais parece um porta-aviões, ancorado ao centro da cidade. Entre os navios pintados de cinza, atracados no arsenal da Ilha das Cobras, um se destaca pelas suas dimensões: outro porta-aviões, mas esse real: o A-12 São Paulo.

No papel é considerado o Navio Almirante da Marinha do Brasil, e é o único da sua classe no hemisfério Sul. Um raridade na América Latina, comprada em segunda mão à França em 2000, quando o Governo de Henrique Cardoso pretendeu dar um salto qualitativo nas suas Forças Armadas.

A compra foi então justificada pelo Ministério da Defesa com explicações algo complicadas, sustentando que embora o Brasil não tenha conflitos ou inimigos no mundo, um navio-aeródromo, seria de grande valor estratégico para o país, permitindo também a realização de exercícios aeronavais conjuntos com a Argentina.

Como o mercado de segunda mão deste tipo de embarcação é logicamente limitado, a Marinha francesa foi a primeira e quase única opção considerada, para comprar um, a um bom preço. Nos finais dos anos 90, o Governo de Lionel Jospin planeava retirar definitivamente o veterano porta-aviões Foch, de 257 metros de comprimento, depois de quase quatro décadas de serviço, quando apareceu o comprador inesperado. Mediante o pagamento de 12 M USD, despojado de armamento e tecnologia, foi baixada a bandeira francesa e içada a brasileira, partindo o navio de Brest rumo ao Rio.

Longe de ser o orgulho nacional pretendido, o A-12 rapidamente se tornou numa dor de cabeça: em dez anos, foram investidos mais de 90 M USD na sua modernização, bem como na aquisição de aviões e helicópteros aptos para operar a partir do seu convés. Mas, como muitas vezes acontece com máquinas em segunda mão sem garantia, o São Paulo gerou mais preocupações e notícias negativas, do que manobras ou dias de mar. Falhas contínuas, perdas de controlo e até mesmo um embaraço presidencial monumental, quando o então presidente Lula da Silva, organizou um grande evento a bordo, com centenas de convidados para navegar até uma nova área de extração de petróleo da Petrobras, uma viagem que seria cancelada no último minuto, quando não foi possível iniciar os motores do navio.

O pior incidente vivido pelo São Paulo aconteceria em 2005, quando uma explosão a bordo, causou vários mortos e deixou-o inoperante quase meia década, saindo ao mar apenas nalgumas ocasiões festivas. Há alguns meses atrás, um novo incêndio em plena navegação, novamente causou mortos e feridos graves. Por outro lado, já no final de 2011 conseguiu-se que os poucos aviões embarcados no navio, pudessem finalmente operar à noite, algo que não pode ser considerado detalhe menor, num navio de guerra.

Num relatório recente, o Ministério da Defesa reconheceu que a operação do navio é muito limitada e em média, desde que enverga a bandeira brasileira, o navio tem estado ativo apenas algumas semanas por ano. Também se fala de sua aposentadoria em 2020, quando um novo porta-aviões o substitua. Novamente a França é a melhor posicionada para o contrato de construção, apesar de neste caso, aportando tecnologia, uma vez que se pretende que seja construído num estaleiro brasileiro.

Desde que entrou ao serviço no Brasil, o A-12 teve que regressar a porto de abrigo muitas vezes assistido por potentes rebocadores portuários, que acabavam sempre por depositá-lo no arsenal do Rio, para revisão da sua maquinaria. Ao vê-lo navegar de tal forma, não deixa de ser irónico saber que o lema do porta-aviões São Paulo , é "Non ducor, duco", ou seja, "não sou conduzido, conduzo".

Fonte: El Diario
Tradução e adaptação: Pássaro de Ferro

4 Voaram em formação:

Ewerton Conde da Matta Machado disse...

Que vergonha... Que tramoia não teve pra se comprar esta SUCATA... Quantos milhões perdidos... 'Não sou conduzido. Conduzo'! Só se for pro fundo...

Anónimo disse...

Esse repórter é uma ANTA, 'Non ducor, duco" é o lema da cidade de São paulo, capital do Estado do mesmo nome e não do NAE.

Antonio disse...

O "São Paulo" é mais para um treinamento, um adestramento, digamos assim... Pior seria sem ele... Os planos são para substituí-lo por novo(s) aeródromo(s) em breve... Vamos esperar...

Anónimo disse...

eu vi em um site que a causa de que ele esta muito parcato foi por causa dos caca af-1 que ele leve a bordo,mas a marinha mandou mordenisar 12 aeronaves para melhor operar "gracas a deus"

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