quarta-feira, 17 de outubro de 2012

BAE SYSTEMS - E AGORA? (M734 - 98PM/2012)

Os interesses dos diferentes países europeus são muito difíceis de conciliar

O fracasso das negociações para a fusão da britânica BAE com o consórcio europeu EADS, deixou em aberto um grande ponto de interrogação sobre o futuro de ambas as companhias.
A união aparentemente seria favorável às duas partes e criaria a maior companhia de defesa mundial (em volume de negócios), numa percentagem de 40% para os acionistas da BAE e 60% para a EADS.
A BAE pretendia com a fusão aumentar a sua participação no mercado civil, após ter vendido a sua participação de 20% na Airbus em 2006, enquanto a EADS pretendia aumentar o seu departamento militar.

Do outro lado do Atlântico, várias são agora as empresas do ramo que olham para a BAE como uma boa oportunidade para aumentar cota de mercado, bem como entrar em novos mercados onde a BAE possui vantagem, nomeadamente no fabrico de submarinos nucleares, veículos e aviões militares e guerra eletrónica.
Embora os gestores da BAE se esforcem por afirmar que a tentativa de fusão com a EADS não é um convite implícito a qualquer outra empresa, agora que as negociações falharam, a verdade é que a posição da companhia britânica está fragilizada.
Só nos EUA, Lockheed Martin, Boeing e General Dynamics foram citadas pelo canal Bloomberg, como potenciais interessados na BAE. Reservas no entanto já vieram a lume por parte de alguns atuais clientes da BAE, que não vêem com bons olhos passar a ser fornecidos por mãos americanas, nomeadamente a Arábia Saudita que pretende manter os dois países fornecedores de armamento em separado.
Por outro lado, a EADS,  que é dada como a culpada do fracasso, alegadamente por pressões alemãs temendo perder influência no consórcio, terá que continuar a procurar um parceiro, o que na Europa  não se afigura nada fácil dada a escassez de opções, limitadas praticamente à Finmeccanica ou Thales. A opinião alemã, é de que a solução deverá estar no mercado extra-europeu.

A Defesa e indústrias associadas na Europa, parecem não ser mais do que o espelho da guerra civil económica que vem grassando silenciosamente há vários anos no Velho Continente. Se pontualmente para responder a necessidades conjuntas se consegue alguma coisa, a incapacidade para encontrar consensos duradouros e plataformas de entendimento para trabalhar em conjunto, é por vezes gritante.
Com as brechas criadas a serem aproveitadas por terceiros, a máxima militar de "dividir para conquistar", não é necessário ser aplicada na Europa.
Já estamos divididos.



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