sábado, 20 de outubro de 2012

A CRISE DOS MÍSSEIS DE CUBA, 50 ANOS DEPOIS (M736 - 42AL/2012)


Imagem de um aparelho U-2, idêntico ao que reportou para a CIA a presença de mísseis soviéticos em Cuba.
Na sequência da Revolução Cubana, em 1959, Cuba inicia uma aproximação política e estratégica à então União Soviética, afastando-se de forma radical dos Estados Unidos e tornando-se, cada vez mais, num dos pontos mais instáveis da Guerra Fria. 
Esta aproximação de Cuba à URSS é materializada através de acordos militares, ao mesmo tempo que ali tão perto, se verificava a difícil digestão, por parte dos EUA, do fracasso da sua operação na Baía dos Porcos, algum tempo antes. Kennedy precisava "vingar" esse fracasso, levando a que Moscovo acusasse a administração americana de atos opressivos contra Cuba. Na sequência disso, os Soviéticos anunciam o envio de "Conselheiros Militares" e armamento para território Cubano.
A crise agudiza-se e em 1962, Nikita Khrushchev decide instalar, secretamente, mísseis soviéticos em Cuba. A 16 de outubro do mesmo ano, fotografias aéreas obtidas pela CIA, através de um avião "espião" U-2, confirmam a existência de rampas de lançamento capazes de operar mísseis nucleares. Dois dias depois, em 18 de outubro, o presidente Kennedy toma conhecimento do transporte em navios soviéticos, de mísseis em direção a Cuba, dando sequência ao agudizar da crise e aumentando a tensão nervosa no mundo e particularmente no "pentágono".

Khrushchev e Kennedy reunidos, em 1961 com as tensões URSS/EUA em cima da mesa, tensões essas que se agudizariam, meses mais tarde, por causa de Cuba.

Confrontado com uma opinião pública visivelmente em pânico, o Governo dos EUA decide agir com firmeza. Kennedy ameaça então invadir Cuba ou bombardear as rampas de lançamento dos mísseis.
O mundo estava então, nunca como antes e de certa forma, nunca como em todo o período da "guerra fria", à  beira de um conflito atómico de proporções bíblicas!
Contudo, e de certo modo para não radicalizar ainda mais a situação, Kennedy acaba por optar por uma solução que ainda hoje se verifica, meio século depois: o bloqueio naval à ilha, iniciado em 22 de outubro de 1962.
Imagem das áreas onde havia mísseis e instalações/material de apoio.

Perante esse bloqueio, uma dúzia cargueiros soviéticos que já rumavam a Cuba, invertem a marcha e iniciam a navegação rumo aos portos da URSS de onde provinham. 
A 26 desse mesmo mês, Khrushchev anuncia oficialmente a Kennedy que retiraria os seus mísseis sob supervisão da ONU, e também sob a condição dos Estados Unidos não invadirem Cuba e susterem a colocação de ogivas nucleares na Europa, apontadas a Leste. 
Tendo em conta este aliviar de tensão, o mundo acabava de passar por uma das mais sérias e ameaçadoras crises militares, que certamente despoletaria num conflito militar nuclear em larga escala e que seria absolutamente catastrófico para a humanidade.
Passados 50 anos, a "espada nuclear" de certo modo desvaneceu-se, muito embora se pergunte sempre se atualmente o mundo é ou está ou não mais seguro. Tendo em conta o perigo de armas nucleares poderem ser adquiridas, sem controlo, por grupos terroristas - que as utilizariam sem um módico de controlo ou peso de consciência - ou serem produzidas em países cujos regimes são totalitários, como a Coreia do Norte ou o Irão, subsiste, ainda assim, um certo estado de ansiedade latente, embora menos agudo, mas que fez parte do dia a dia de muitos milhões de pessoas em todo o mundo, de forma quase dramática.

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