terça-feira, 19 de junho de 2007

MEMÓRIA DA GUERRA

Estive há dias a rever um trabalho de um amigo americano. Uma coisa técnica sobre o uso de mísseis terra-ar na Guiné, na fase final da guerra colonial. E enquanto revia aquilo a ver se tudo batia certo, viajava no tempo e lembrava-me de todo aquele período colonial e de todos aqueles que passaram por lá. E lembrava-me de tanta gente nova que caiu na Guiné e que lá ficou. Ou dos que voltaram estropiados. Ou dos que ainda sonham com aquilo. Os que não conseguem dormir sem sonhar com a guerra. E de toda aquela geração nascida nos anos 40 e mesmo 50, que passou por lá e que ficou marcada para toda a vida. Que o Estado mandou para a guerra sem apelo, nem agravo. E lembrei-me do medo e da incerteza desta gente naquele tempo. Do medo de lá ficar. De nunca mais voltar. Não era fácil. Nunca foi fácil. E lembrei-me também da sorte que as gerações mais novas tiveram de nunca passar por lá. E da falta de memória. Porque hoje, já ninguém se lembra. A não ser quem lá esteve.

1 Voaram em formação:

Pedro Ferreira disse...

pois...é pena que esta pais perca a memoria assim rapidamente.

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