sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A MINHA PRIMEIRA FOTO





Como de pepino é que se torce o pepino e outros aforismos populares que não vêm agora ao caso, a primeira foto que bati na minha vida teria que retratar o que me ia na alma. E o que me ia na alma aos 11 anos (bom, realmente desde sempre talvez) eram aviões.

Mal me apanhei com a poderosa Kodak Instamatic 100, que orgulhosamente apresento na foto apensa para se ter uma ideia clara daquilo que falamos aqui, o objecto primeiro das minhas explorações nas artes fotográficas estava bem definido: o kitt de um A-7 que tinha recebido de presente no Natal anterior.

O desiderato ainda deu no entanto alguma luta, porque a máquina já na altura não era topo de gama e o filme de 2 tambores de 110mm não se encontrava em qualquer lado.

Deu-me tempo no entanto para magicar bem a coisa e vi até num qualquer livro de fotografia que neste tipo de máquinas, por o campo do visor não coincidir com o obturador, teria que se dar um certo desconto no enquadramento para que os assuntos saíssem devidamente compostos, tanto mais importante quanto a proximidade do tema fotografado. As máquinas de focagem fixa, como a que falamos tinham ainda outro problema, que era o campo de focagem só admitir objectos além de 1,2/1,5 m de distância. Ora este facto não era compatível com o objectivo proposto de conseguir um grande plano do kitt à escala 1/72. Havia que sacrificar alguma coisa.

O avião saiu por isso desfocado, é certo, mas centradinho (atenção que não houve aqui dedo no Photoshop, a foto foi "scaneada" as is ) e as areias da estrada em frente a casa dos meus pais também me pareceram, mal vi a foto revelada, estragar o efeito pretendido de parecer um avião real, por desmesuradas em comparação com o tamanho do avião.

Se atentarmos bem, a desfocagem não se limita no entanto ao avião fora do campo de focagem. A nitidez da lente da minha Kodak Instamatic 100 era a toda a prova, conforme pude confirmar nas fotos e rolos subsequentes.

Mas é essa névoa causada pela desfocagem, que contribui agora para a candura da foto e confere um ar quase etéreo a toda a cena.

O kitt eventualmente chegou a ser pintado tempos depois com as cores da FAP (ou lá perto) e uma Cruz de Cristo em papel escarrapachada entre as asas e os estabilizadores (como mandam as regras)

Nunca soube foi como apareceu tal máquina fotográfica lá por casa.


PS: A propósito do concurso de modelismo que decorre este fim de semana em Maceda, organizado uma vez mais pela loja Big Cat, endereço as minhas felicitações por mais uma edição dessa iniciativa e a promessa de para o próximo ano participar também , já que neste, por variadas razões, não me foi de todo possível.


PS2: Não, não vou concorrer com o kitt da foto!

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