quarta-feira, 4 de junho de 2008

Aviões das nossas vidas

Há aviões e aviões, e há também avioas, mas isso ...
Durante as nossas mundanas vidas de aerotranstornados, que é afinal o que somos, há aviões que nos batem forte no peito, pois nos fazem quebrar o ritmo sincopado da pulsação, ou mesmo sufocando-nos a automatizada e contínua ingerência e expulsão de gazes da respiração, ou, casos há, que nos fazem turvar a vista, e tremeluzer os membros e castanholar os joelhos, ou arrepiar-nos a pele ou a espinha dorsal. Enfim, estaria aqui tempos infinitos a rodopiar nas palavras à procura do que dizer para descrever, como se tratasse de um poeta em busca das letras para amealhar em palavras, tentando com isso descrever a paixão ou mesmo o amor, dos homens pelas mulheres e destas por estes, bem entendido.
Mas a coisa não se faz por menos, pois muito para lá da reacção dos ditos aerotranstornados com os aviões, vulgarmente uma reacção de contornos sexuais, porque orgásmica, ela ronda sem sombra de dúvidas as raias da loucura ou demência...

Há depois outros dois níveis de aviões, aqueles que quase amamos, e com os quais nutrimos de uma sóbria afeição, carinhosa compaixão, e há depois os outros, todos os restantes, que reconhecemos por igual, mas que não nos fazem borbulhar o óleo cá dentro, nas tubagens do hidráulico...
Nestes incluem-se também, elasse, todos aqueles que, para cada um de nós, não são bem aviões, são assim umas coisas sem nome e sem jeito que por acaso, às vezes, vá-se lá perceber porquê, quando lhes dá o vento, também andam por aí nos ares, mais ou menos rente ao chão...

Podemos a uns dar beijos, a outros dar nomes politicamente incorrectos, contudo todos eles tem para nós uma linha condutora comum, são aviões, e dá um gozo tremendo vê-los voar!

Vou começar, completamente ao calhas, com alguns escritos sobre os mesmos que, se a vossa paciência permitir, irei postar de quando em vez, embora eles já estão todos escritos.



Westland Whirlwind I


A doença começou com os kits, já aqui vos falei disso. Esta doença estranhamente deliciosa que é o gostar de aviões sem se saber explicar porquê.
Começou nos kits e nos livrinhos como o Guerra Ilustrada, Guerra e o Falcão, em que liamos ávidamente as histórias do ás Luso-Britânico Major Piloto-Aviador Jaime Eduardo de Cook e Alvega, e dos outros todos, anónimos ou não, de como verdadeiros heróis polivalentes, faziam trinta por uma linha para ridicularizar os inimigos alemães, japoneses ou italianos consoante a frente de batalha...
O Westland Whirlwind é para mim, ainda hoje o avião mais fantástico que os ingleses tiveram durante a 2ªGG. Um malogrado aparelho que só existiu em pequenos números e que padecia muito de artroses nos hidráulicos, era não só bonito como, ao que parece, uma máquina infernal, só suplantado pelo P-38 Lightning no poder de fogo dos seus quatro canhões no nariz.
Foi numa das edições da Guerra Ilustrada (penso que já não a tenho) que li uma história fantástica e depois, anos mais tarde, encontrei por mero acaso uma publicação australiana (imagine-se!) a com a história toda do aparelho, com todos os pormenores.
Fiz apenas dois kits. Ambos da Airfix, cujo molde foi refrescado há uns anos, e embora esteja um pouco melhor, é ainda assim muito simples.
O primeiro kit já entregou a alma ao criador ... coitado, e o segundo, do tal molde mais recente, está por terminar na garagem.
Sobre esta última frase são escusados os V. comentários, seus ... seus ... coleccionadores de caixas!






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