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segunda-feira, 10 de março de 2025

PORTUGAL CEDEU HELICÓPTEROS PUMA À UCRÂNIA [M2591 - 15/2025 ]

Helicópteros SA-330S1 Puma ex-FAP armazenados em 2012
 

Um número não revelado de helicópteros Puma consta da listagem do Ministério da Defesa Nacional com o apoio militar à Ucrânia pelo Estado Português, atribuído ao quarto trimestre de 2024.

Recordamos que a frota SA-330S Puma se encontra desactivada desde 2011, quando foi definitivamente substituída pelos EH101 Merlin, e foi já alvo de vários concursos para a sua alienação, sempre sem sucesso.

A descrição das aeronaves que foram disponibilizadas para venda pela última vez, através da plataforma NATO Support and Procurement Agency em 2022/23, relativa aos helicópteros ex-Força Aérea Portuguesa, incluía oito lotes relativos a outras tantas células SA-330 (ver listagem abaixo) e ainda oito lotes adicionais relativos a peças de reposição sobressalentes.

Estes helicópteros foram recebidos em 1969 (4 células), 1970 (3 células) e 1975 (1 célula), tendo ainda atuado na Guerra do Ultramar (exceto a célula n/c 19513), e regressado à metrópole depois da retracção no fim da guerra, atuando principalmente nas funções de Busca e Salvamento, tanto a partir da BA6 no Montijo, como a BA4 nas Lajes. 

As últimas unidades foram retiradas definitivamente em 2011, com o potencial de voo esgotado, necessitando de manutenção e investimento profundo para poderem retornar a condições de voo, tal como se pode observar na listagem acima, relativa às condições de venda. Este terá sido aliás, o motivo pelo qual nunca encontraram comprador.

Não havendo ainda confirmação de que a doação à Ucrânia tenha contemplado a totalidade destas aeronaves, esta frota parece contudo estar de regresso a teatro de guerra, passado meio século, assim aquele país consiga realizar a necessária manutenção às aeronaves.

De lembrar que Portugal forneceu já à Ucrânia também a frota Kamov Ka-32 ex-Proteção Civil, que se encontrava igualmente imobilizada.



sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

FORÇAS PORTUGUESAS NA RCA EM BLACK HAWK TUNISINOS [M2587 - 11/2025 ]

Militares da 16ª FND na RCA junto ao UH-60M Black Hawk da Tunísia    Foto: EMGFA
 A 16ª Força Nacional Destacada (FND) na República Centro-Africana realizou recentemente um voo de reconhecimento aéreo crucial para avaliar a situação de segurança e a acessibilidade de importantes eixos rodoviários na sua área de operações, divulgou hoje o Estado Maior General das Forças Armadas (EMGFA) em nota de imprensa.

A missão em voo "permitiu obter informações valiosas sobre o terreno e a presença de potenciais ameaças", de acordo com a mesma nota, tendo como principais objetivos:

• avaliar as condições dos itinerários;

• monitorizar as atividades em curso nas aldeias, procurando indícios de movimentos suspeitos ou atividades ilícitas;

• detetar postos de controlo ilegais;

• detetar a presença de grupos armados;

• detetar possíveis zonas de aterragem para operações de evacuação médica, reabastecimento e outras necessidades logísticas.​

À semelhança das FNDs anteriores na Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA), a 16ª FND teve o apoio de helicópteros de países terceiros, no caso UH-60M Black Hawk tunisinos.




Esta não é aliás, a primeira vez que as forças portuguesas participam em operações combinadas com aeronaves tunisinas, apesar de em ocasiões anteriores terem voado em AB-205 e não nos atuais Black Hawk, destacados em setembro de 2024.

Recordamos que o Ministério da Defesa Nacional tem em curso um programa para apetrechamento do Exército Português com Helicópteros de Apoio, Proteção e Evacuação (HAPE). Todavia, e enquanto não há mais desenvolvimentos, as Forças Nacionais terão que continuar a contar com a colaboração de outras nações para este tipo de missão, uma vez que os EH101 Merlin da Força Aérea Portuguesa parecem nunca ter sido opção para destacar nos teatros africanos, e os Black Hawk recebidos até ao momento em Portugal não podem desempenhar funções operacionais de combate.

Fotos via EMGFA



sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

KAMOV EX-PROTEÇÃO CIVIL PORTUGUESA A VOAR NA UCRÂNIA [M2575 - 99/2024]

Kamov Ka-32A11BC em 2013 ainda operado pela EMA para a Proteção Civil - Imagem de arquivo
 

Pelo menos um dos Kamov Ka-32A11BC que pertenceram à Proteção Civil Portuguesa, foi visto a voar, alegadamente nos arredores de Kiev, após ter sido doado e transportado para a Ucrânia em Setembro passado.

A frota de seis helicópteros de fabrico russo, operada no combate a incêndios pela EMA - Empresa de Meios Aéreos, S.A., até à sua extinção em 2013, foi posteriormente adjudicada em regime de contrato plurianual, a privados, pelo Ministério da Administração Interna. Contudo, e face às condições de baixa operacionalidade e a uma disputa daí resultante entre o Estado Português e a empresa adjudicatária, a frota transitaria para a gestão da Força Aérea em 2018, nunca tendo chegado a voar desde então. 

Já em 2021, foi alvo de uma peritagem para apurar as condições da frota, e incorporada na Força Aérea em 2022, quando cerca de um mês mais tarde a invasão da Ucrânia pela Rússia, e as sanções que se seguiram, inviabilizarem qualquer hipótese de recuperação das células que ainda poderiam ser colocadas em condições de voo.

O Governo à época, optou então por doar à Ucrânia a totalidade da frota, independentemente da condição das aeronaves (uma acidentada em 2012 apenas poderia servir para fornecer peças e as restantes não possuíam certificado de aeronavegabilidade, e estando em diferentes condições de manutenção). 


A transferência dos helicópteros para a Ucrânia viria a ocorrer apenas em Setembro de 2023, sendo agora nestas imagens que afloraram na rede social X, a primeira vez que alguma dessas células é notada novamente operacional.




quinta-feira, 17 de outubro de 2024

MINISTÉRIO DA DEFESA AUTORIZA COMPRA DE HELICÓPTEROS PARA O EXÉRCITO [M2559– 83/2024]

Não se sabe para já se o modelo a adquirir já está escolhido, ou se a aquisição será por concurso aberto
 

O Ministério da Defesa publicou hoje, 17 de outubro de 2024, um Despacho que autoriza o Exército Português a realizar "despesa com a aquisição de meios de asa rotativa, formação, componentes e sustentação".

Esta parece ser finalmente a execução do programa «Helicópteros de Apoio, Proteção e Evacuação (HAPE)", e que conta com uma dotação orçamental de cerca de 40,9M EUR, faseada entre 2024 e 2029, proveniente da Lei de Programação Militar.

O documento define que as aeronaves que venham a dotar o Sistema de Forças "deverão ser médias e de natureza multitarefa (multirole), com capacidade de serem armadas para operações de apoio, proteção e evacuação de Forças Terrestres, mas igualmente aptas para emprego em missões de Apoio Militar a Emergências Civis (AMEC), numa perspetiva de duplo uso". Do documento não consta contudo, o número de aeronaves a adquirir nem os moldes da aquisição.

Aguardemos mais desenvolvimentos.






sábado, 16 de março de 2024

Hughes OH-6 Cayuse (Loach), o melhor helicóptero ligeiro de combate? [M2477 – 22/2024] - Parte II

 “That’s a damn Minigun!”, Los Angeles, USA, 1995 - (Episódio 2) 

As tripulações de reconhecimento dos “Loach” eram compostas por três homens; piloto, observador e, na traseira, o artilheiro (geralmente no lado direito).  O artilheiro, na prática, passava mais tempo fora do helicóptero do que dentro, com um pé (ou dois!) no patim á procura do inimigo ou a disparar a sua arma.  Outra opção, que ficava ao critério das tripulações ou da unidade, era o transporte do sistema M27, a famosa Minigun, na cabine no lado esquerdo.  Esta opção substituía o artilheiro mas não era consensual; muitos pilotos preferiam confiar no par de olhos extra do artilheiro e, no caso de uma aterrarem de emergência, três homens sempre eram melhores do que apenas dois para defender o perímetro - enquanto aguardavam o resgate.  Caso a Minigun fosse transportada o observador acumulava as funções do artilheiro.  

O sistema M27 envolvia vários componentes; a General Electric M134 de seis canos de calibre 7,62x51mm, o motor eléctrico, o essencial (e muitas vezes esquecido) delinker e a caixa de munição (2000 cartuchos no caso do “Loach”).  Tudo somado; 140kg, daí a necessidade de suprimir o artilheiro – até porque ficava quase sem espaço.  Mas, caso pensem em usar uma Minigun “á la Schwarzenegger”, não se esqueçam de adicionar a pesada bateria.  Outras particularidades; ao contrário de uma arma convencional, como a metralhadora M60 ou espingarda M16 ou AKM, que utilizam de uma forma ou outra os gases e/ou o recuo do disparo para completar o ciclo e alimentar o cartucho seguinte, a Minigun é eléctrica.  È o motor eléctrico que acciona todo o mecanismo, por isso, sem energia, nada feito.  Mas também significa que é possível ajustar a cadência de disparo com relativa facilidade – é apenas uma questão de alterar a potência do motor.  No “Loach” o piloto podia optar por duas cadências; ao pressionar o botão do gatilho até ao primeiro estágio a arma disparava a 2000 disparos por minuto mas se pressionasse totalmente o gatilho a cadência dobrava para 4000.  Mas para poupar a arma e evitar sobreaquecimento o sistema só permitia rajadas de 3 segundos por cada pressão no gatilho.  Existia uma mira no cockpit do “Loach” mas os pilotos preferiam marcar com um lápis directamente no vidro o ponto de impacto – era mais rápido e intuitivo.  O piloto podia movimentar a arma em elevação (+10º a -24º) mas não em azimute; para acompanhar alvos lateralmente era necessário recorrer aos pedais e apontar todo o helicóptero.  


Pode parecer estranho designar como “Minigun” uma arma com tamanho poder de fogo mas é apenas uma questão de perspectiva.  A M134 foi desenvolvida a partir de outro produto extremamente bem sucedido da General Electric; o canhão M61 Vulcan de 20mm, usado por quase todos os caças e caça-bombardeiros da USAF/USN desde os anos 60 até aos dias de hoje.  E quando colocados lado a lado, conforme a imagem, é normal considerar a M134 como uma mini…


James Howard, que serviu no Vietname, lembra algumas das vantagens (e desvantagens) da Minigun;

“Ao aproximar-se de um alvo durante um combate, o piloto dependia de vários factores para se manter vivo.  Claro, dependia das suas habilidades como piloto assim como da habilidade do artilheiro em providenciar fogo supressivo quando necessário e da ajuda e cooperação dos outros helicópteros na formação.  No entanto, alguns pilotos preferiam levar a Minigun em vez do artilheiro.

A arma não só dispunha de um enorme poder destrutivo mas também suscitava um efeito psicológico no piloto; dava-lhe confiança e a impressão de que, quando disparava, ele era indestrutível.  A Minigun fazia um belíssimo rugido e cuspia uma linda labareda de 30cm de largura e um metro de comprimento.  Claro que a pontaria do piloto era limitada mas a disparar 80 balas de 7,62mm por segundo o mais certo era atingir qualquer coisa.  E na mente do piloto, este poder de fogo obrigava o NVA (Exército do Povo do Vietname) e os “gooks” (termo derrogatório histórico atribuído a todos os elementos do vietcong - e não só) a esconderem-se e a não dispararem em retorno.  Outro efeito era de que quando a Minigun disparava, o piloto não conseguia ouvir mais nada (nem os disparos da artilharia anti-aérea inimiga) dando-lhe a (falsa) sensação de que estava totalmente seguro.”


Ainda sobre a lendária habilidade do “Loach” em sobreviver a danos e proteger a tripulação; numa aterragem forçada a estrutura oval da cabine reforçada funcionava como uma bola de bowling a alta velocidade, rompendo por entre árvores e arbustos e resguardando os ocupantes.  Outros componentes, como rotores, cauda e patins facilmente se separavam mas a cabina mantinha-se intacta e não era incomum após um acidente grave (e geralmente letal noutros helicópteros) ver a abalada tripulação sair pelo próprio pé do seu interior.  Na imagem mais acima, vemos um “Loach” do 5th Cavalry, abatido por um RPG que, felizmente, não detonou.  Se repararem, no painel do motor, encostado á cabina, vê-se claramente o buraco de entrada do rocket.  A tripulação sobreviveu.  A outra imagem mostra um “Loach” abatido em Agosto de 1969.  Apesar dos danos graves e de ter perdido muitas peças, o “Ovo Voador” protegeu a “peça” mais importante, a tripulação que, apesar de ferida, sobreviveu.  E provando que os soldados nunca morrem, este “Loach” foi reparado e continuou a servir até 1972.


Texto e seleção de imagens: Icterio
Edição: Pássaro de Ferro

sábado, 9 de março de 2024

Hughes OH-6 Cayuse (Loach), o melhor helicóptero ligeiro de combate? [M2474 – 19/2024] - Parte I

Bien Hoa, Vietname, 1965 (Episódio 1) 

Para qualquer entusiasta da aviação, a guerra no Vietname imediatamente invoca imagens dos versáteis F-4 Phantom, dos impressionantes bombardeiros B-52 Stratofortress ou dos ágeis MiG-21 Fishbed.  Se perguntarem por helicópteros, bem, a resposta é ainda mais fácil; o Bell UH-1 Iroquois (nome que ninguém usava), mas universalmente conhecido como “Huey”, foi “O” helicóptero do Vietname.  Mas como em todos os conflitos, também existiram máquinas que, apesar de não partilharem a mesma fama, partilharam os mesmos perigos e as mesmas tribulações.  Uma dessas máquinas foi o fenomenal Hughes OH-6 Cayuse (nome que também ninguém usava), mais conhecido como “Loach”.  Leve, incrivelmente ágil, potente e robusto, o pequeno helicóptero era venerado pelas tripulações.  A missão de reconhecimento e busca que desempenhavam exigia coragem (ou “loucura”, conforme as opiniões), perícia e uma boa dose de sorte.  E o “Loach” era a máquina certa para o trabalho.  

O OH-6 “Loach” no seu habitat natural.  Muito leve (menos de 500kg vazio e cerca do dobro á descolagem) e extremamente directo nos controlos, o helicóptero da Hughes revelou-se uma soberba peça de engenharia aeronáutica e um autêntico deleite de pilotagem.  Segundo os pilotos do Exército Americano que transitaram da anterior geração de helicópteros com motores de pistão (mais pesados e lentos) foi como passar de uma “banheira” Cadillac para um Porsche!


Dizia-se no Vietname que as tripulações de reconhecimento tinham tomates do tamanho de bolas de basquete mas cérebros do tamanho de ervilhas.  Não era para menos.  Ao contrário da maioria dos pilotos, as tripulações de helis de reconhecimento viam o inimigo olhos nos olhos.  Voavam a poucos metros do solo, á procura de pequenos sinais como pegadas, fogueiras ou algum objecto estranho.  Faziam-no logo acima da copa das árvores ou até, por baixo delas!  Quando encontravam o inimigo o procedimento padrão era marcar o alvo com uma granada de fumo e pedir um ataque de artilharia ou a ajuda dos gunships “Cobra” mas, com o inimigo a poucos metros de distância, o contacto violento era muitas inevitável e violento.  Mas a melhor forma de conhecer mais sobre as missões e experiências destas tripulações, e dos seus “Loach”, é ouvir da boca dos próprios.  O piloto Tom Pearcy recorda como numa das suas primeiras missões no Vietname a bordo do “Loach” as coisas não correram como o planeado…

Um dos primeiros OH-6A a chegar ao Vietname, neste caso o S/N 65-12925, o décimo da linha de montagem.  Também um dos primeiros a ser equipado com a Minigun XM27 no lado esquerdo da fuselagem.  As tripulações de reconhecimento pagaram um preço elevado em tripulações e helicópteros.  Segundo o DoD foram perdidos 4867 helicópteros no Sudeste Asiático entre Janeiro de 1962 e Março de 1973.  A maioria eram, obviamente, “Hueys” mas, em termos proporcionais, os “Loach” sofreram o maior número de baixas; dos 1419 produzidos, 842 foram perdidos na guerra.


“O meu código era “Blue Ghost 18” e, junto com um UH-1C “Huey” gunship (pilotado pelo Greg e pelo Owens), tínhamos de averiguar uma base inimiga numa pequena aldeia.  O terreno era composto por colinas cobertas com árvores altas e espessas e periodicamente surgiam pequenas clareiras e arrozais.  Quando chegamos á aldeia notei algo que já tinha ouvido falar várias vezes mas nunca visto pessoalmente; tocas de aranha (spyder holes).  Vi quatro ou cinco ao longo de um trilho rumo á aldeia.  Chamei a atenção do meu artilheiro, o Ed Gay, e voltei para trás para ver melhor.  Quando me aproximei, as coberturas dos buracos foram pelos ares e saíram de lá vários indivíduos a disparar com AK-47s e espingardas de ferrolho!  Claro que a vinha voz subiu várias oitavas quando gritei; “Estão a disparar contra nós!”.  O Ed ficou tão exaltado que atirou uma granada de fumo sem tirar a cavilha.  O Greg perguntou pelo rádio de onde vinham os disparos e eu respondi; “Ali atrás! Ali atrás!”, sem lhe dar indicações nenhumas de direcção.  Fiz nova curva de 180º e dirigi-me á área para a marcar com fumo, e desta vez executei alguns ziguezagues, mas voltamos a ser atingidos algumas vezes.  A minha voz subiu mais seis oitavas mas conseguimos lançar a granada de fumo no alvo.  Enquanto o Greg lançava foguetes de 70mm eu transmitia-lhe as correcções necessárias; “um pouco mais á esquerda”, “50 metros mais á frente”.  A seguir ouvi o Ed com uma voz trémula; “Sir…Sir…uh…árvore!!”  Olhei para a frente e vi a maior árvore imaginável mesmo em frente ao meu nariz!  Virei á esquerda com toda a força e falhei a árvore por meros centímetros (na realidade seriam 1 ou 2 metros).  Mas isto tudo fazia parte do plano VC, porque aquela árvore estava armadilhada com minas claymore, ou algo parecido.  A explosão arrancou a cauda e o rotor traseiro, o motor começou a fazer uma chiadeira terrível e parou logo a seguir.  Voei por mais uns 50 metros e senti que o controlo do helicóptero estava a fugir-me rapidamente.  As palavras do meu instructor vieram-me á mente; “Há sempre lugar para aterrar um helicóptero numa emergência”.  Ah é, sabichão?  Então onde vou aterrar no meio deste arvoredo todo?  Acabei por fazer uma auto-rotação a velocidade zero e nivelei no topo das árvores.  Caímos uns 9-12 metros por entre a folhagem e acabamos invertidos com as pás do rotor a cortar uma espécie de clareira.  Desliguei o sistema eléctrico e saímos do “Loach” apenas com as nossas armas e algumas granadas de fumo.  Lembro-me de ver os meus dedos ensanguentados, o meu co-piloto tinha as calças molhadas e o artilheiro sofreu uns arranhões na cara, cortesia da sua metralhadora M60.  Por isso, nada de grave.  Depois descobrimos que as granadas de fumo eram todos de cor verde - não iriam servir de muito no meio daquela vegetação.  Mas o Greg, mesmo assim, encontrou-nos sem grande problema e algum tempo depois ouvimos um veículo blindado de transporte de tropas M113 que nos recolheu.  O “Loach” foi mais tarde recolhido e reparado.”   

Os engenheiros da Hughes fizeram um trabalho notável no design do Cayuse.  A colocação do motor (neste caso, uma turbina Allison T-63 de 250cv de potência e apenas 62kg de peso!) num ângulo de 42º permitiu economizar muito espaço com a vantagem adicional de tornar o acesso mais fácil para manutenção.  A lendária robustez e “sobrevivência” do helicóptero também muito deve á localização da turbina.  Conforme o diagrama, a turbina, caso de solte numa queda ou aterragem de emergência, não atinge a tripulação.  O cubo do rotor e a transmissão também estão montados acima da antepara principal, o que aumenta a rigidez da estrutura.  Em helicópteros como o famoso “Huey”, as turbinas, transmissão e cubo estão montados directamente acima da cabina e facilmente esmagam a tripulação numa crash-landing.  Outro problema da montagem “alta” destes componentes é o elevar do centro de gravidade e, num impacto frontal, o peso vai forçar e enterrar o cockpit contra o obstáculo.  Dizia-se no Vietname que; “se tiveres mesmo de te despenhar num helicóptero, que seja num Loach”…

Texto e seleção de imagens: Icterio
Edição: Pássaro de Ferro




terça-feira, 28 de novembro de 2023

MAIS TRÊS HELICÓPTEROS MÉDIOS PARA O COMBATE A INCÊNDIOS [M2452 – 84/2023]

Primeiro helicóptero bombardeiro médio recebido pela FAP para combate a incêndios     Foto: FAP

Entregues que estão os quatro primeiros helicópteros para dotar a Força Aérea Portuguesa com meios aéreos de combate a incêndios rurais, subsistia a dúvida sobre a tipologia de três desses meios de asa rotativa.

É que, segundo a Resolução do Conselho de Ministros n.º 27/2021, os helicópteros a adquirir para o combate a incêndios seriam doze:

-dois AW119 Koala (acionando a cláusula de opção do contrato do primeiro lote de cinco)

-seis helicópteros médios (ganho em concurso público pela Arista com seis UH-60A Black Hawk)

-quatro helicópteros ligeiros (concurso ficou vazio de propostas)

Ora, no seguimento da cerimónia de entrega de dois Black Hawk e dois Koala, no passado dia 22 do corrente mês de novembro de 2023, foi mencionado em nota de imprensa da Força Aérea, um total de "onze helicópteros" para o combate a incêndios, dos quais três seriam objeto de concurso de aquisição. Ficou assim a dúvida, sobre a razão da redução de quatro para três, no número de helicópteros a adjudicar compra.

A Portaria n.º 704/2023 ontem publicada, esclarece finalmente a questão, ao estipular que irá proceder-se à "substituição dos quatro HEBL [NR: Helicóptero Bombardeiro Ligeiro]  por três HEBM [NR: Helicóptero Bombardeiro Médio], mantendo o valor da despesa total já autorizada, aumentando substancialmente a capacidade de combate efetivo, com uma maior capacidade de bombardeamento com água e de helitransporte de equipas com os respetivos equipamentos".

Isto significa na prática, que as verbas atribuídas ao concurso para aquisição de quatro HEBL (11,88M EUR), somadas às remanescentes do concurso dos seis Black Hawk (que ficou 14,8M EUR abaixo do preço base do concurso), estão agora disponíveis para a aquisição de três HEBM, até um total  de 26,68M EUR.

A referida portaria acrescenta ainda que a operação foi já aprovada pela União Europeia, dado que as verbas para aquisição de material aéreo são garantidas pelo PRR.

Como consequência, a calendarização de pagamentos e entregas foi igualmente ajustada, de acordo com a tabela seguinte, que inclui já os quatro helicópteros entregues em 2023:



Fazendo fé na informação de que os três HEBM que faltam serão objeto de concurso dedicado, não é assim garantido que sejam do mesmo modelo UH-60A Black Hawk já adquiridos, embora tal fosse aconselhável por razões logísticas de vária ordem.


Notícia atualizada às 7h43 de 29/11/2023

sábado, 16 de setembro de 2023

FORÇA AÉREA IRÁ FORMAR 60 PILOTOS DE HELICÓPTEROS ATÉ AO FINAL DA DÉCADA [M2432 – 64/2023]

O primeiro UH-60A Black Hawk destinado à Força Aérea Portuguesa     Foto: Arista
 

A ministra da Defesa Nacional, Helena Carreiras aprovou através do Despacho n.º 9374/2023 datado de 13 de Setembro, a realização da "despesa com aquisição de serviços de instrução em pilotagem de helicópteros". A expressão utilizada parece por isso referir-se a contratação dos serviços a terceiros.

Embora a instrução de pilotos de helicópteros seja normalmente ministrada na Esquadra 552 da Força Aérea Portuguesa (FAP), a contratação pontual de serviços externos para esse fim, não é uma situação nova, sendo no contexto actual facilmente justificada pelo maior volume de alunos que será necessário formar anualmente.

Segundo pode ler-se no mesmo documento "A operação dos novos meios aéreos, plasmada no Plano de Implementação da Capacidade de Meios Próprios do Estado para o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios, vai exigir, faseadamente e até 2029, a disponibilidade de sessenta pilotos de helicópteros." sendo por isso "necessário prover à formação de pilotos de asa rotativa a fim de garantir o cumprimento das necessidades que vierem a ser identificadas em cada ano”.

A verba total a despender, está estabelecida em 4.34M EUR, e será inscrita no orçamento da Força Aérea, na Lei de Programação Militar, com início em 2024. 

A FAP irá receber seis helicópteros UH-60A Black Hawk e dois AW119 Koala, incluídos no programa de aquisição de meios próprios do Estado para o combate aos incêndios rurais, financiado quase na sua totalidade pelo PRR e pelo REACT, estando pendente ainda a aquisição de quatro helicópteros ligeiros, cujo concurso não recebeu propostas.




quinta-feira, 15 de junho de 2023

ESQUADRA 752: FÉNIX RENASCE NOS AÇORES [M2415 - 47/2023]

Os EH101 Merlin nos Açores serão doravante voados pela Esquadra 752- Fénix   Foto: 1Sar Carlos Barbosa   
O dia 14 de Junho de 2023 ficará marcado como o dia em que a "Fénix" renasceu nos Açores - leia-se Esquadra 752 - que irá, a partir de agora, operar naquele arquipélago os EH101 Merlin da Força Aérea Portuguesa (FAP).

Segundo notícia avançada pela FAP através do sítio de internet e nas redes sociais da instituição, "a reactivação da Esquadra 752 surge como forma de garantir o cumprimento da missão da Força Aérea e os compromissos assumidos, nomeadamente na assistência às populações na Região Autónoma dos Açores", uma vez que a actividade de Busca de Salvamento (SAR) e Evacuações Médicas (MEDEVAC) teve um aumento de 236% na última década.

Emblema renovado da Esquadra 752

Recordamos que a Esquadra 752 foi desactivada em 2011, com a retirada de serviço da frota SA-330 Puma, sendo as missões que lhe estavam atribuídas, desempenhadas desde então por um destacamento permanente de EH101 Merlin da Esquadra 751, na Base Aérea nº4 (BA4), nas Lajes, ilha Terceira. A constituição de uma esquadra permanente permite assim conferir também maior estabilidade aos militares e respectivas famílias, até agora afectados pelo número e frequencia dos destacamentos.

A cerimónia na BA4      Foto: 1Sar Carlos Barbosa

A cerimónia de reactivação  teve lugar na BA4, onde ficará novamente sediada, com a presença do Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, General João Cartaxo Alves, que disse esperar "exemplar profissionalismo, abnegação e coragem, numa atitude que prestigia, dignifica e honra o percurso histórico da Força Aérea no Arquipélago dos Açores e em todo o território nacional" e esperando dos militares a geração de um "sentido de pertença, para encherem de honra e orgulho a nossa Força Aérea", manifestando disponibilidade para um acompanhamento próximo e "total apoio pessoal e institucional".

O primeiro Comandante desta nova "vida" da Esquadra 752, Major Hélder Costa, valorizou os "símbolos representativos desta esquadra renascida, a qual se libertou do nome Pumas para passar a ser designada tão apropriadamente de Fénix." Explicando, "como se viu pela sua história, mais uma vez se ergue das cinzas para cumprir a sua missão, para voar -Para que outros vivam", lema partilhado com a "nossa esquadra irmã, a 751, e com a qual queremos trabalhar em estreita relação e cooperação".

Foto: 1Sar Carlos Barbosa

A Esquadra 752 foi constituída pela primeira vez em 1978, com o cognome "Pumas", tendo sido redesignada Esquadra 711, em 1993. Já em 2008 regressou à designação 752 original, aquando da "Operação Fénix" de reactivação temporária da frota SA-330, que se prolongou até 2011, conforme anteriormente referido.

O SA-330 Puma n/c 19504 reactivado em 2008, que recebeu a pintura "Fénix" na cauda

Com a reactivação, a 752 adopta agora o cognome "Fénix" e a BA4 volta a ver atribuída uma esquadra de voo, depois de mais de uma década em que apenas garantiu os destacamentos de aviões C295M da Esquadra 502 - "Elefantes" e os helicópteros da Esquadra 751 - "Pumas", ambas sediadas na Base Aérea N.° 6, no Montijo. 

A FAP esclareceu ainda que a presença de C295M continuará a ser assegurada por destacamento da Esq. 502.



sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

HELICÓPTEROS PARA O EXÉRCITO NA REVISÃO DA LPM [M2377 - 09/2023]

Helicópteros NH90 do Exército alemão em Tancos no exercício Hot Blade 2018. O Exército português nunca chegaria a receber nenhum dos dez helicópteros do mesmo modelo encomendados para a UALE

Segundo noticia o Expresso na sua edição de hoje 10 de Fevereiro de 2023, a revisão da Lei de Programação Militar (LPM) já aprovada no Conselho Superior de Defesa Nacional, prevê a atribuição de helicópteros para uso do Exército.

Recordamos que o contrato dos helicópteros NH90 destinados à Unidade de Aviação Ligeira do Exército (UALE), foi cancelado em 2012 pelo executivo de então, bem como o objectivo do ramo terrestre das Forças Armadas em ter aeronaves próprias, face à crise económica em que o país mergulhou.

Mais tarde, já em 2019, a LPM passou a contemplar a aquisição de "helicópteros evacuativos", ditada principalmente pelas necessidades das Forças Nacionais Destacadas em África, com uma provisão de 53M EUR e supostamente destinados à Força Aérea, mas cujo concurso, ou compra, nunca chegaria a concretizar-se, por entre indecisões e desacordos relativamente às características dos helicópteros a adquirir.

Mais recentemente, a 11 de Outubro de 2022, o deputado do PCP João Dias em Comissão de Defesa Nacional, expressou a sua preocupação à ministra da Defesa, Helena Carreiras, pela possível sobreposição de meios aéreos do Exército, com a Força Aérea e Proteção Civil, baseando-se no despacho por ela assinado, que admitia o regresso das asas rotativas ao Exército. Helena Carreiras respondeu que o referido despacho se destinava exactamente à avaliação dessa possibilidade, mas que não era então ainda um dado adquirido, estando dependente do resultado da mesma avaliação.

À luz da recente notícia veiculada pelo Expresso, esta possibilidade parece assim vir a concretizar-se, restando saber agora se será mesmo desta vez que o Exército vai ganhar asas (rotativas). 

Recordamos que ao longo das três últimas décadas, já por duas vezes o Exército teve helicópteros encomendados, primeiro com EC635 e depois com os referidos NH90. Mas depois de muitos milhões de Euros desperdiçados, nem Exército nem Força Aérea chegariam a recebê-los. 

Ironicamente, há contudo a referir que os NH90, além de um preço de aquisição extremamente elevado, têm apresentado dificuldades de toda a ordem aos seus utilizadores, que estão a levar inclusivamente à retirada de serviço antecipada em vários países, depois de poucos anos de vida operacional. Pelo que, apesar das verbas desperdiçadas com o cancelamento do contrato dos NH90 em 2012, apresenta-se agora a possibilidade ao Estado Português de "emendar a mão" e adquirir um modelo mais fiável e adequado às necessidades nacionais.

Fica por saber igualmente, como será feita a dotação de meios técnicos e humanos para a operação dos helicópteros, dado que a UALE foi extinta em 2015. E de igual modo, a dotação orçamental para a aquisição das aeronaves, uma vez que a anterior verba de 53M EUR sempre pareceu curta para a aquisição de meios adequados a uma missão de carácter táctico, como sejam os "helicópteros evacuativos". 

Aguardemos pela divulgação da LPM.



sexta-feira, 11 de junho de 2021

US NAVY RECEBE PRIMEIRO "KOALA" [M2258 - 46/2021]

Primeiro TH-73A da US Navy        Foto: Leonardo
 

A Leonardo entregou ontem 10 de Junho de 2021, o primeiro helicóptero de treino TH-73A à Marinha dos EUA (US Navy), nas instalações do fabricante em Filadélfia, EUA.

O TH-73A é baseado na variante IFR civil do AW119Kx Koala e servirá como Sistema de Treino Avançado para Graduação em Helicópteros, para os atuais e futuros aviadores da Marinha dos EUA (US Navy), Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA (US Marines), Guarda Costeira dos EUA (US Coast Guard) e aliados da NATO.

Durante a cerimónia, que contou com as mais importantes individualidades ligadas ao programa, Alessandro Profumo, CEO da Leonardo referiu que “o evento de hoje é um marco significativo para a Leonardo, marcando o nosso esforço crescente e o compromisso de nos tornarmos não apenas um fornecedor, mas um parceiro e ativo estratégico para os Estados Unidos em diversos setores ” para depois concluir com “Estamos orgulhosos de ser colaboradores nucleares para o futuro da defesa dos EUA". Já Gian PieroCutillo, Diretor Executivo da Leonardo Helicopters, disse “A Marinha dos EUA espera a mais alta qualidade de treino para seus futuros aviadores. (...) Estamos honrados em iniciar a entrega do produto escolhido para essa tarefa crítica. Hoje é apenas o começo de uma jornada que empreendemos para apoiar a Marinha à medida que molda as capacidades das futuras gerações de alunos de aviação".

O TH-73A substituirá a envelhecida frota de TH-57B/C Sea Rangers e servirá como a primeira aeronave de treino para milhares de alunos no base aéreo-naval de Whiting Field em Milton, Florida. Para apoiar esta nova frota, a Leonardo anunciou a construção de um novo centro de apoio de helicópteros abrangendo quase 10.000 m2 quadrados em Whiting Aviation Park, localizado diretamente em frente à pista de Whiting Field, para manutenção contínua e apoio imediato, a partir de Dezembro de 2021.

Segundo a Leonardo, o TH-73A, baseado na variante certificada para Instrument Flight Rules (IFR) do popular AW119Kx Koala comercial, é perfeitamente adequado para voos de treino básico, mas também é capaz de treino avançado. Com um motor Pratt & Whitney PT-6 potente e fiável, sistemas duplos de segurança e hidráulicos, e aviónica digital avançada da Genesys Aerosystems, o TH-73 pode realizar todas as manobras do programa de treino da Marinha dos EUA, permitindo uma transição perfeita das manobras básicas para o treino operacional avançado. O Sistema Avançado de Treino de Helicópteros modernizará a tecnologia de treino da US Navy, levando-a do analógico para o digital, com o objetivo de atender as necessidades de alunos até ao ano de 2050 ou mais além.

O contrato tem um valor total de 648,1M USD, para uma encomenda de 130 aeronaves e o ano horizonte de 2024, tal como noticiámos anteriormente. 

A Força Aérea Portuguesa opera cinco células da variante AW119 MkII Koala desde 2019, tendo recentemente exercido a opção de adquirir mais duas, a receber previsivelmente em 2022.




quinta-feira, 4 de março de 2021

GOVERNO ANUNCIA AQUISIÇÃO DE 14 MEIOS AÉREOS PARA COMBATE A INCÊNDIOS [M2230 - 18/2021]

Avião bombardeiro pesado tipo "Canadair"

Em Conselho de Ministros de hoje, 4 de Março de 2021, presidido pelo Presidente da República, foi aprovado um conjunto de diplomas com vista à reforma do setor florestal, no quadro da valorização do território nacional, entre os quais está a aquisição de meios aéreos próprios do Estado, conforme pode ler-se no comunicado emitido:

"Resolução que aprova a aquisição de meios aéreos próprios e permanentes do Estado, incluindo 6 helicópteros ligeiros, 6 helicópteros bombardeiros médios e 2 aviões bombardeiros anfíbios pesados, e a locação dos meios aéreos para o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais para o período de 2023 a 2026. Por esta via, assegura-se a estabilização dos meios aéreos afetos ao dispositivo de meios aéreos de combate aos incêndios rurais, que passarão a assentar numa conjugação entre meios próprios e locados."

Segundo o ministro da Administração Interna Eduardo Cabrita, explicou no final da reunião, parte desta compra será feita com recurso à famosa “bazuca” europeia, num “investimento de 156 milhões de euros”. Os fundos virão na realidade do Plano de Recuperação e Resiliência (a "bazuca") que prevê 70 milhões de euros para financiar a capacidade aérea do combate aos incêndios e do REACT, outro programa europeu criado como resposta de emergência para a pandemia. Já os dois aviões Canadair, serão pagos com recurso ao mecanismo europeu de Proteção Civil que vai permitir financiar a compra destas aeronaves a 90%, segundo explicou Eduardo Cabrita.

Para o período até 2023, o ministro afirmou que está garantido o aluguer de 60 meios aéreos  “sem necessidade de contratos adicionais." 

Desde 2017 que a Força Aérea ficou definida pelo Governo, como a entidade a gerir os meios do Estado para o combate aos incêndios florestais.






segunda-feira, 13 de abril de 2020

OFENSIVA CONTRA O ESTADO ISLÂMICO EM MOÇAMBIQUE [M2119 – 37/2020]

Um dos dois Gazelle filmados a sobrevoar Pemba, alegadamente ao serviço de forças contratadas pelo Governo moçambicano para combater o Daesh no norte do país

Na sequência do que vêm sendo ataques armados no norte e centro de Moçambique, por parte de grupos do Estado Islâmico, chegam também notícias de uma contra-ofensiva, alegadamente realizada por forças militares privadas sul-africanas ao serviço da Força Aérea Moçambicana.

Apesar do pouco destaque que o assunto vem merecendo na imprensa internacional, a escalada de violência, principalmente na província de Cabo Delgado, mas com diversos focos por todo país, por parte de grupos armados que organizações internacionais classificam como terroristas, terá já provocado entre 600 a 700 mortos, em cerca de dois anos e meio, além de cerca de 200.000 desalojados, segundo o arcebispo católico D. Luiz Fernando.

Imagem divulgada pelo Daesh das acções em Quissanga


No final de Março de 2020, as vilas de Mocímboa da Praia e Quissanga foram invadidas pelo grupo jihadista, que destruiu várias infraestruturas e içou a sua bandeira num quartel das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique. Na ocasião, num vídeo divulgado na internet, um alegado jihadista justificou os ataques  com o objectivo de impor a lei islâmica na região.

Já em Abril, nova ofensiva em Namacande, com assaltos a instituições públicas, estabelecimentos comerciais, postos de combustível, agências bancárias e unidades das forças de segurança estatais para se apoderarem das armas, foi filmada novamente por elementos do grupo armado, com posterior divulgação nas redes sociais.

O outro helicóptero Gazelle avistado em Pemba tem pintura notoriamente mais clara mas não é possível discernir a matrícula

Chegaram entretanto relatos e imagens de pelo menos três helicópteros - dois Gazelle e um Bell 407, armados, a sobrevoar a cidade de Pemba. Num dos Gazelle é inclusive possível identificar a matrícula sul-africana ZU-ROJ, que corresponde a um Westland 341B Gazelle AH1 ex-British Army.



Segundo a imprensa sul-africana, os ataques através destes meios aéreos, são a mais recente tentativa de Maputo para derrotar a insurgência. Fontes militares moçambicanas citadas, disseram terem estes helicópteros leves atingido uma base dos jihadistas de Ahlu Sunnah wa Jamaa (ASWJ) na área de Mueda, na quarta-feira 8 de Abril de 2020, além de bases em Mbau no distrito de Awassi e Muidumbe na quinta-feira 9 de Abril. Ainda segundo as mesmas fontes não divulgadas, os ataques teriam sido bem-sucedidos, com muitas baixas entre os insurgentes. Os ataques não incluem para já forças terrestres, embora estes possam vir a ocorrer mais tarde.

Já na sexta-feira 10 de Abril, ficou a saber-se de várias fontes não confirmadas, que um dos helicópteros Gazelle foi forçado a fazer uma aterragem de emergência, depois de ter sido atingido por tiros, durante novo ataque aos insurgentes, nessa manhã. A tripulação terá escapado ilesa e destruiu a aeronave, para impedir que caísse nas mãos do inimigo.

Canhão/metralhadora fixa montada na porta lateral do Gazelle ZU-ROJ


A identidade das milícias privadas que participaram na contra-ofensiva governamental da passada semana não é completamente clara. Joseph Hanlon, um comentarista tido como credível em Moçambique, identificou o helicóptero Gazelle ZU-ROJ, como estando ao serviço da empresa militar privada russa Wagner, que teria entrado em Moçambique em Novembro de 2019, ao abrigo de um contrato com o governo moçambicano, para combater os insurgentes.

No entanto, duas fontes militares independentes disseram ao jornal sul-africano Daily Maverick que a Wagner terá abandonado Moçambique em Março deste ano, depois de fracassar na sua missão, e que os ataques aéreos da passada semana foram conduzidos pela empresa de segurança privada Dyck Advisory Group (DAG), sedeada na África do Sul, propriedade do ex-coronel militar do Zimbábue Lionel Dyck.

De acordo com o site desta empresa, “O Dyck Advisory Group (DAG) é o resultado de anos de experiência em operações líderes nas áreas de remoção de minas, gestão de riscos de explosão, segurança especializada, serviços caninos e caça furtiva. (...) O DAG é capaz de avaliações rápidas dos problemas existentes e o fornecimento subsequente das soluções necessárias. As soluções apropriadas serão então implementadas pelo DAG na qualidade de consultor. Se necessário, o DAG também supervisionará a implementação das soluções. ”

Bell 407

As  mesmas fontes disseram ainda que as milícias privadas voaram na quarta-feira em três helicópteros para Pemba, no norte de Cabo Delgado - um helicóptero Gazelle, um Bell UH-1 Huey e um Bell 407 - e um avião Diamond DA42, onde se juntaram a outro helicóptero Gazelle e a um Cessna 208 Caravan de asa fixa, que haviam chegado a Pemba mais cedo na semana.

A intervenção de novos operadores militares privados vem, aparentemente por isso, na sequência da retirada de Moçambique da Wagner, que terá desistido em Março de 2020, com pouco sucesso contra os insurgentes. As mesmas fontes disseram que os mercenários da Wagner não compreenderam o terreno difícil de Cabo Delgado. Mas as actividades da Wagner - uma empresa suspeita de vínculos com o presidente russo Vladimir Putin - sempre foram obscuras e alguns observadores insistem que apenas esteve em Moçambique como segurança pessoal para o presidente Filipe Nyusi e sem nunca estar mandatada para combater os insurgentes islâmicos.

Os insurgentes da ASWJ - que também se têm apresentado como leais à Província da África Central do Estado Islâmico (ISCAP) - afiliada do Estado Islâmico (IS) global - vêm montando operações cada vez maiores e mais frequentes na província de Cabo Delgado. A insurgência está activa desde Outubro de 2017 e é cada vez mais caracterizada por ataques brutais às forças de segurança governamentais e a populações civis, nos quais as vítimas são frequentemente decapitadas e mutiladas. Essas têm sido também as marcas de actuação das operações do IS no Médio Oriente.

Em Março de 2020 contudo, os insurgentes parecem ter mudado de táctica, quando investiram no ataque em larga escala por mar e terra em Mocímboa da Praia, o porto comercial mais a norte de Moçambique. Mataram ou expulsaram as forças de segurança e destruíram múltiplos edifícios, incluindo o terminal de aeroporto, escritórios governamentais, lojas e bancos e içaram a bandeira preta e branca do IS. Desta vez não tinham como alvo civis, mas sim conquistar a confiança da população local, distribuindo inclusivamente comida e dinheiro.

A ousadia dos ataques ​​na região de Cabo Delgado, começou já a deixar nervosas as empresas estrangeiras que vêm construindo instalações no litoral, para extrair e processar as vastas reservas de gás da província, nomeadamente a francesa Total e a americana Exxon Mobil. O último ataque a Mocímboa da Praia terá sido particularmente preocupante, visto ter ocorrido perto da estação de processamento de combustíveis em construção, onde estava a ser descarregado equipamento.


terça-feira, 16 de julho de 2019

OGMA ANUNCIA CONTRATO DE MANUTENÇÃO DA FROTA MERLIN DA FAP [M2046 - 33/2019]

Foto: OGMA

A OGMA anunciou ontem 15 de Julho de 2019, através da sua conta na rede social Twitter, a celebração, com a DGRDN (Direção Geral de Recursos da Defesa Nacional), de um contrato para a manutenção de 2º e 3º Escalão do sistema de armas EH101 Merlin.

No mesmo "tweet" pode ainda ler-se que o contrato cobre a totalidade dos doze helicópteros que compõem a frota ao serviço da Força Aérea Portuguesa (FAP), actualmente (e por enquanto) ainda baseados na Base Aérea nº6, sita no Montijo.

A manutenção da frota EH101 da FAP tem sido o "calcanhar de Aquiles" de uma aeronave que, sendo excelente para as missões que lhe são atribuídas, tem enfrentado sucessivos problemas de operacionalidade, devido à manutenção, cujo contrato não foi assegurado adequadamente pelo Estado Português aquando da sua aquisição. Desde Dezembro de 2018, quando terminou o anterior contrato com a Leonardo - que é também o fabricante do modelo - que a manutenção estava a ser realizada ao abrigo da extensão do mesmo contrato, que estava contudo limitada legalmente, no tempo.



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