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domingo, 1 de dezembro de 2013

P-8 POSEIDON: PRIMEIRO DESTACAMENTO DA US NAVY (M1298 - 366PM/2013)

Descolagem para o primeiro destacamento de um P-8A Poseidon da US Navy   Foto: Clark Pierce/US Navy

O passado dia 29 de novembro foi um dia histórico para a Marinha dos EUA (US Navy), com o primeiro destacamento do novo avião de patrulhamento marítimo e reconhecimento P-8A Poseidon, que atingiu assim a Capacidade de Operação Inicial (IOC).

Algumas semanas depois de completar a Avaliação de Prontidão Operacional, a 4 de novembro, dois P-8A do VP-16 da US Navy foram destacados da base em Jacksonville, Flórida, para a base aérea de Kadena em Okinawa, Japão.
Com este acontecimento, o P-8 tornou-se o primeiro avião de patrulha marítima a entrar em serviço operacional na US Navy em mais de meio século:

"Esta IOC é o culminar de anos de planificação cuidadosa e coordenação de esforços por parte da frota, gestor d erecursos, comunidade de aquisição e indústria" referiu a propósito o Cap. Scott Dillon, gestor do programa para Aeronaves de Patrulha Marítima e Reconhecimento.

Ao atingir a IOC, a US Navy pode agora continuar a transição da sua envelhecida frota de P-3C para o P-8A. Depois da esquadra VP-16 "War Eagles", seguem-se a VP-5 "Mad Foxes" com o primeiro destacament poprevisto para meados de 2014 e o VP-45 "Pelicans" já em 2015.

"O número de submarinos em uso no mundo está a aumentar rapidamente. Muitos paises estão a construir ou a adquirir submarinos avançados, silenciosos e extremamente difíceis de detetar e temso de estar à altura de competir tecnologicamente, para os conseguir detetar. O P-8, a par com o Triton (VANT) reforçarão as missões marítimas e proporcionarão uma excelente Perceção Situacional" acrescentou o Contra-Almirante Matt Carter, Comandante do Grupo de Patrulha e Reconhecimento.

O P-8A Poseideon oferece relativamente ao seu antecessor P-3C Orion, uma maior capacidade de carga, maior altitude de serviço e tecnologia atualizável, à medida que novos avanços vão surgindo na indústria. Além disso a tripulação necessária para operar o P-8A foi reduzida em dois elementos, de onze para nove. Um dos elementos subtraídos foi o engenheiro de voo, agora considerado desnecessário devido aos avanços tecnológicos introduzidos, que permitem que o piloto e copiloto realizem o seu trabalho.




quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

CAÇAS CHINESES SEGUEM AVIÕES AMERICANOS (M837 -20PM/2013)

Chengdu J-10 da RPC       Foto:afbase.com

Um P-3C Orion de patrulhamento marítimo e um C-130 Hercules de carga norte-americanos baseados no Japão, foram seguidos por caças J-7 e J-10 chineses na zona fronteiriça entre China e Japão. 
Segundo divulgou o jornal nipónico Sankei Shimbun, as ações de interceção chinesas ocorreram a 10 de janeiro, sendo entendidas como uma reação aos recentes movimentos japoneses no sentido de proteger as ilhas Senkaku/Diaoyu em disputa pelos dois países asiáticos.

No mesmo dia, caças chineses foram também localizados nas imediações das referidas ilhas alvo de contenda. Aviões P-3C, EP-3 e OP-3 de vigilância/reconhecimento das Forças de Auto Defesa Japonesas foram destacados para recolher dados sobre as atividades da aviação chinesa. Adicionalmente, dois aviões-radar E-2C Hawkeye foram também enviados, para prevenir um confronto direto entre aviões das duas nações.

Já no dia 11 de janeiro, o Ministro dos Negócios Estrangeiros chinês confirmou a propósito do sucedido, que as ações da Força Aérea da República Popular da China eram uma resposta à interceção de aviões chineses por caças japoneses, ocorrida anteriormente. Ainda assim, classificou as missões como sendo de patrulhamento de rotina, sobre território nacional, acusando as autoridades de Tóquio de serem culpadas de escalar o conflito territorial.

Desde a decisão de Tóquio em nacionalizar as ilhas no Mar da China oriental datada de setembro de 2012, que incidentes isolados têm ocorrido na região, tanto com vasos de superfície, como com aeronaves das duas nações.

Circularam entretanto rumores de que o Primeiro-Ministro nipónico Shinzo Abe terá autorizado o disparo de tiros de aviso contra aeronaves chinesas que entrassem sem autorização em espaço aéreo japonês. O General chinês Peng Guangqian fez depois saber através da agência noticiosa nacional que , "caso um avião chinês seja atingido nem que seja com um flare, isso significa guerra".
Ainda segundo o General Peng, o Primeiro-Ministro Abe desmentiu os rumores, face às suas declarações.

Fonte: Want China Times
Adaptação:Pássaro de Ferro


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

JAPÃO PLANEIA DESLOCAR F-15 PARA PROTEJER ILHAS SENKAKU (M834 -17PM/2013)

F-15J Eagle      Foto:Domínio público

O Ministério da Defesa japonês considera deslocar para um aeroporto em Shimojijima uma força de F-15 Eagle, com vista à proteção dos seus interesses nas ilhas Senkaku.
Fontes governamentais japonesas informaram ontem 14 de janeiro, ter a intenção de colocar uma força de F-15 mais próxima das ilhas Senkaku no Mar da China oriental, do que a atual base de Maha.
Em meados do mês passado, uma aeronave de vigilância marítima chinesa entrou em espaço aéreo das referidas ilhas, tendo os F-15 sido chamados a intercetar a referida aeronave. Ao chegarem ao local contudo, o avião já havia abandonado o espaço aéreo japonês. Naha dista cerca de 420 km de Senkaku, o que implica cerca de 15 a 20 minutos de voo para cobrir a distância.
O aeroporto de Shimojijima fica situado a menos de metade dessa distancia, com uma pista de 3000 m. 
Todavia, para a sua utilização por caças de combate em permanência, serão necessárias adaptações, uma vez que se trata de um aeroporto civil. Além disso, um tratado datado de 1971 entre Japão e os EUA, define que esta pista não seria destinada a fins militares.

Sobre as ilhas Sokaku (ou Diaoyu em chinês)  está pendente uma disputa territorial, após o Japão ter adquirido as mesmas a particulares, tal como referido anteriormente no Pássaro de Ferro.


Fonte:Kyodo News
Adaptação:Pássaro de Ferro

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

GROWLER: UM RUGIDO NA NEVE (M822 -09PM/2013)

EA-18G Growler do VAQ132 da US Navy     Foto:Alfredo Rosado/US Navy
 
Com o pico do Inverno a ser atingido um pouco por todo hemisfério Norte, vão-se sucedendo as imagens de operações em ambientes de baixas temperaturas.
As presentes fotos chegam-nos da Base Aeronaval em Misawa no Japão, onde os EA-18G Growler do Esqudradrão de Guerra Eletrónica VAQ132 da US Navy estão destacados em apoio a operações da 7º Esquadra norte-americana.

 Após um forte nevão a aplicação de descongelante no EA-18G para poder regressar às missões Foto:Mike Ferrell/US Navy
Mecânico procede a descarregamento de eletricidade estática na canópia (esq)  Foto:Alfredo Rosado/US Navy
Crew chief faz sinalética ao piloto no início de mais uma missão  Foto:Alfredo Rosado/US Navy
A versão de guerra eletrónica do "faz-tudo" da Marinha americana à saída da placa em Misawa Foto:Kenneth Takada/US Navy
... finalmente take-off!        Foto:Kenneth Takada/US Navy

Fonte:US Navy

terça-feira, 20 de novembro de 2012

EXERCÍCIO KEEN SWORD (M765 - PM119/2012)

Um F/A-18E Super Hornet alinha na catapulta do USS George Washington          Foto:US Navy/Brian Abel

O atarefado convés de voo do USS George Washington               Foto:US Navy/Brian Abel

A impressionante armada reunida no exercício         Foto:US Navy/Jennifer Villalovos

O Comandante das forças japonesas é saudado à chegada ao George Washington      Foto:US Navy/Hilary Payton

O navio-almirante CVN 73 USS George Washington em toda a sua força     Foto:US Navy/Casey Kyhl

Um SH-60F Sea Hawk descola podendo ver-se C-2, E-2 e F/A-18 no convés    Foto:US Navy/Ryan Smith

O contratorpedeiro/porta-helicópteros japonês Hyuga          Foto:US Navy/Ryan Smith

Terminou no passado dia 16 de novembro de 2012, o exercício Keen Sword, que durante duas semanas integrou forças aeronavais norte-americanas e japonesas.
Além da impressionante armada de 26 vasos de guerra reunida, entre os quais um super porta-aviões nuclear e dois porta-helicópteros, este exercício de realização bi-anual, teve a particularidade de se realizar durante o congresso do Partido Comunista Chinês, justamente no Mar da China Oriental e Mar das Filipinas.

Submarino americano rompe a formação final do exercício        Foto:US Navy/Jennifer Villalovos

Aviões P-3 Orion japonês e americano sobrevoam o seu "inimigo" natural      Foto:US Navy/Adam Thomas

No seguimento da crise diplomática entre China e Japão, provocada pelas ilhas Diaoyu/Senkaku em disputa, este é já o segundo exercício de grande envergadura integrando forças norte-americanas realizado nas proximidades da China, depois de em outubro terem estado dois super porta-aviões em exercícios com forças tailandesas, tal como o Pássaro de Ferro deu conta em artigo anterior.
Sendo definido oficialmente como um exercício "destinado a treinar e coordenar procedimentos aumentando a interoperabilidade necessária, para defender efetivamente o Japão ou responder a uma situações de crise na região da Ásia-Pacífico", ninguém duvida que o alcance deste tipo de exercícios, vai muito além do que se diz por palavras.
E os chineses sabem com certeza ler nas entrelinhas.

Um F/A-18E Super Hornet aguarda a sua vez de reabastecer ao fim do dia     Foto:US Navy/Colin Crawford

Um F/A-18F abeira-se do buffet          Foto:US Navy/Colin Crawford

segunda-feira, 4 de junho de 2012

MIDWAY 1942 - O PONTO DE VIRAGEM DA GUERRA NO PACÍFICO (M661 - 55PM/2012)



Midway é um minúsculo atol no Pacífico, que herdou o seu nome pelo facto de se encontrar sensivelmente a meio deste oceano.
Na II Guerra Mundial, após seis meses de conquistas por todo o Pacífico, apenas perturbadas pelo ataque a Tóquio de que falámos antes, para o Japão consolidar o seu domínio necessita apenas de rematar as pontas deixadas soltas em Pearl Harbour: afundar os porta-aviões americanos. O plano consistia por isso em conquistar Midway de surpresa, atraindo os porta-aviões da US Navy para então os afundar. Para tal, o Almirante Nagumo reunia a maior frota que o mundo alguma vez viu, com destaque para os quatro maiores porta-aviões da época.
Como em todos os desastres, uma série de acontecimentos começaram a fazer precipitar o que mais tarde se vem a tornar uma inevitabilidade. Neste caso, o mais importante terá sido mesmo a descodificação do código de comunicações japonesas pelos serviços de inteligência dos EUA, o que permitiu saber com antecedência onde e quando se daria o ataque. Posto isto, o plano de defesa entraria em marcha.
Sob as ordens do Almirante Spruance, dois porta-aviões intactos (Enterprise e Hornet) e um terceiro algo massacrado na então recente Batalha do Mar de Coral (Yorktown), mas que seria reparado em tempo recorde, foram mobilizados para esperar a incauta armada nipónica. As defesas de Midway foram reforçadas e bombardeiros mobilizados para o aeródromo.
Na madrugada de 4 de Junho de 1942, os EUA estavam à espera do que Nagumo tinha para oferecer.


Assim, quando a primeira vaga de bombardeamentos japoneses começava em Midway, já os bombardeiros americanos aí baseados (B-17 e B-26) estavam no ar para atacar a frota nipónica.
Desta primeira vaga poucos proveitos qualquer das partes retiraria, já que tanto as defesas da ilha, como da frota japonesa neutralizariam os ataques de que foram alvo.
Foi em mais alguns pormenores, como aguardar ou não pela aterragem dos aviões da primeira vaga, decidir na escolha do armamento a carregar nos aviões da segunda vaga de ataque e nos alvos a atacar, que Nagumo perderia a batalha para Spruance.
Após um segundo ataque aéreo com aviões torpedeiros Devastator, Avenger e Vindicators,  que seriam chacinados pelas defesas japonesas, os americanos voltariam à carga com bombardeiros de voo picado Dauntless. Se os primeiros não obtiveram resultados contabilizáveis, tiveram como consequência obrigar os japoneses a trocar as bombas que carregavam para novo ataque a Midway, por torpedos para atacar os porta-aviões americanos. Os caças japoneses Zero de proteção da frota estavam quase sem munições nem combustível e os porta-aviões ao navegar em círculos para evitar os torpedos, não estavam posicionados em relação ao vento de modo a lançar aviões imediatamente. Os conveses estavam ainda cheios de munições, combustível e aviões. O terceiro ataque americano foi por isso devastador. Em menos de 10 minutos, três dos quatro porta-aviões (Kaga, Akagi, Soryu) da Marinha Imperial estavam em chamas. 


Douglas SBD Dauntless descarregam a sua carga mortal na frota nipónica


Do único porta-aviões remanescente (Hiryu) sairia o ataque por bombardeiros Val à frota americana, com impacto direto apenas no porta-aviões Yorktown, o tal debilitado na Batalha do Mar de Coral. Mesmo incapacitado, este porta-aviões viria a prestar um bom serviço à marinha dos EUA, sendo alvo ainda de um segundo ataque. Os japoneses, por seu lado, ao acreditarem ter afundado este vaso de guerra no Mar de Coral, pensavam ser o Enterprise que atacaram no primeiro ataque e o Hornet no segundo. Na verdade tinha sido sempre o mesmo porta-aviões e embora inutilizado, ainda flutuava. 



Contas finais, o Japão perderia os seus melhores e mais experientes pilotos, três dos seus maiores porta-aviões e a supremacia que acreditavam ter nos mares do Pacífico. O Japão, tal como a Alemanha na Europa, seria derrotado pela sua arrogância e agressividade, que levava a desprezar táticas consideradas defensivas.

John S. Thach no seu F4F Wildcat com bandeiras respeitantes a vitórias no ar visíveis por baixo do cockpit

Além de ser o ponto intermédio entre os EUA e o Japão, Midway foi também o ponto de viragem da Guerra do Pacífico. A partir de então os EUA começariam a cavalgada de reconquista que só terminaria a bordo do cruzador USS Missouri a 2 de setembro de 1945 com a assinatura da rendição do Japão. A Marinha de Guerra nipónica, delapidada das suas mais valiosas unidades, começara a sua agonizante decadência. Para a guerra aérea, sobrevive ainda hoje em dia a tática criada por John Thach para permitir aos lentos Wildcats abaterem os rápidos e manobráveis Zero: consistia em voar em formação com dois Wildcats, que ao serem atacados por um Zero se dividiriam, obrigando o inimigo a escolher um alvo. Ao descrever um S simétrico ao seu asa, o avião perseguido proporcionar-lhe-ia um ponto de ataque perfeito para abater o inimigo, no cruzamento dos dois S. É uma tática ensinada ainda nos dias de hoje.


Tática criada por John Thach


Imagens: US National Archives

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

PRIMEIROS F-35B ENTREGUES AOS US MARINES (M586 - 5PM/2012)

A descolagem do primeiro F-35B operacional em Fort Worth            Foto: Lockheed Martin

O VM-01 ou 168057 (BF-6) em voo ferry até à Base Aérea de Eglin              Foto: USAF/Joely Santiago

A chegada a Eglin                    Foto: Lockheed Martin/Angel delCueto

Na 33rd Fighter Wing  na Base Aérea de Eglin, o  Marine Fighter Attack Training Squadron 501 (VMFAT-501) é agora o lar de dois novos F-35B Lightning II entregues pela Lockheed Martin a 11 de Janeiro, para que pilotos e mecânicos em conjunto com uma equipa de outros profissionais se preparem para destacamento algures no globo quando necessário.

As aeronaves designadas BF-6 e BF-8 voaram separadamente, chegando a Eglin respetivamente às 15:13 e 16:39, após um voo de aproximadamente 90 minutos, desde as instalações da Lockheed Martin em Fort Worth no Texas. O Maj Joseph Bachmann, o primeiro piloto de F-35 da 33rd Fighter Wing, efetuou o voo ferry do primeiro dos dois F-35B assignados para já aos "Warlords", sendo escoltado por dois F-18 da 2nd Marines Wing na sua chegada. O Ten Cor Matt Taylor pilotou o segundo F-35B.

Com esta última adição à frota, a 33rd FW possui agora um total de oito JSF, tendo a variante da USAF (F-35A) chegado durante o verão de 2011. Três versões distintas do F-35 (A, B e C) irão substituir o A-10 e F-16 na USAF, F/A-18 na US Navy e F/A-18 e AV-8B nos US Marines, além de uma grande variedade de outros caças nas forças aéreas de pelo menos nove outros países, entre os quais se encontra agora o Japão, que em Dezembro de 2011 escolheu também o JSF.

"A capacidade STOVL (Short Take-Off and Vertical Landing) do F-35B permite levar tecnologia de quinta geração à Task Force dos Fuzileiros sempre que necessário" disse o TenCor James Wellons comandante do VMFAT-501. " A nossa missão é conduzir  as operações com o F-35B em coordenação com os outros membros do consórcio presentes também na Base Aérea de Eglin, de modo a atingir os objetivos do nosso plano anual de treino de pilotos.

O F-35 Lighting II é uma aeronave de quinta geração, combinando tecnologia furtiva aos radares (stealth), com a velocidade e agilidade de um caça, informação de sensores totalmente integrada, operações em rede e sustentação avançada.

O VMFAT-501 receberá em Eglin mais cinco unidades F-35B durante 2012.


domingo, 11 de dezembro de 2011

O DIA DA INFÂMIA (M566 - 40PM/2011)





Seguindo uma política de expansionismo territorial com vista a suportar a pujança económica do país, que necessitava por um lado de matérias-primas para alimentar a sua indústria e por outro, de novos mercados para onde escoar a produção, o Japão foi alvo de vários embargos norte-americanos nos finais da década de 1930 e inícios dos anos 40, como represália às também várias invasões que o país do sol-nascente vinha perpetrando por todo o sudeste asiático.
A operação de 7 de Dezembro de 1941 seria preparada no mais alto sigilo, tendo a enorme esquadra japonesa conseguido atravessar a totalidade do Pacífico desde 26 de Novembro, sem ser detectada por voos de reconhecimento americanos e atacar sem declaração de guerra prévia, a base onde sabiam estarem atracados os mais valiosos vasos de guerra americanos.
Do ponto de vista dos EUA, uma série de más avaliações e decisões contribuíram para a magnitude da tragédia, quando havia já vários indícios de que um ataque contra as suas forças, estaria iminente. Julgava-se por um lado que o porto de Pearl Harbour, de águas pouco profundas, fornecia uma protecção natural contra ataques de torpedos, não tendo sido colocadas redes anti-torpedo uma vez que estas dificultavam as operações normais diárias.  Não tinham sido colocadas armas anti-aéreas em redor da base para evitar problemas com os proprietários dos terrenos adjacentes e por fim os reconhecimentos aéreos de longa distância não estavam a ser realizados por escassez de aeronaves. Na verdade, acreditava-se ser a distância um dissuasor suficiente para qualquer ataque significativo.
A Marinha Imperial Japonesa provou o contrário: baseados em 6 porta-aviões (Akagi, Hiryu, Kaga, Shokaku, Soryu e Zuikaku), a maior força naval reunida até então, quase meio milhar de aviões "Zero", Nakajima 97 "Kate" e Aichi   99 "Val",  afundaram ou inutilizaram os maiores navios de guerra americanos da época, neutralizando qualquer capacidade de reacção durante os seis meses seguintes, enquanto o Japão ocupava as Índias Holandesas e as suas reservas de petróleo, verdadeira razão do ataque a Pearl Harbour (como se vê as guerras pelo "ouro negro" vêm já de longe).
O índice de eficácia japonês foi assombroso, tendo surpreendido até os próprios japoneses. Um sistema de estabilização dos torpedos, evitava que estes se afundassem e detonassem ao serem largados em águas pouco profundas e a oposição aérea e  anti-aérea era quase inexistente.
8 couraçados, 6 cruzadores, 29 contratorpedeiros e 9 submarinos e cerca de 2500 vidas foram perdidos no porto de Pearl Harbour na manhã de 7 de Dezembro de 1941, contra apenas 29 aviões, 5 submarinos e 64 vidas das forças atacantes.
O presidente Franklin Roosevelt classificaria este acto no dia seguinte, ao declarar guerra ao Japão, como "o dia que viverá na infâmia" e como tal ficaria conhecido na história.
O Japão conseguiu atingir os seus objectivos e neutralizar a marinha americana pelo tempo necessário para se apossar da totalidade do sudeste asiático quase sem oposição.
Os porta-aviões americanos (Enterprise, Saratoga e Lexington), em exercícios fora de Pearl Harbour no dia do ataque e por isso intactos, foram a única ponta que ficaria solta e que lhes iria causar dissabores a médio prazo.

Do ataque a Pearl Harbour resultou uma forte união interna nos EUA, que relutava até então em entrar no conflito mundial. O gigante adormecido acordou por fim para uma guerra na qual já estava inserido, mas que teimava em recusar. Após os primeiros meses de vitórias, os japoneses pagariam bem caro a ousadia, num conflito longo e penoso, que acabaria apenas no uso de armas nucleares.
Do ponto de vista militar, resultou o emergir do porta-aviões como a peça principal de poderio naval, substituindo o couraçado e os cruzadores de linha na escala de importância, doutrina que ainda prevalece nos dias de hoje.

Deste episódio marcante da história norte-americana e mundial, foram produzidos 2 famosos filmes: "Tora! Tora! Tora!" de 1970 e reconhecido historicamente como sendo o mais fiel e já em 2001 "Pearl Harbour" que cruza um romance ficcional com episódios reais e excelentes imagens reconstituindo os acontecimentos de 7 de Dezembro de 1941 e meses subsequentes.

Passados 70 anos sobre a data de 7 de Dezembro de 1941, os Estados Unidos não deixam de prestar homenagem àqueles que pereceram e sobreviveram ao "Dia da infâmia".


À direita Frank Chebetar sobrevivente do navio USS Phelps (DD 360) afundado em Pearl Harbour a 7/12/1941        Foto:US Navy/Maria Melchor

John Busma sobrevivente do USS Medusa assinala a hora do ataque a Pearl Harbour   Foto: US Navy/Eli Medellin
Memorial USS Arizona  navio em que se perderam mais vidas       Foto: US Navy/Daniel Barker
Cerimónia a assinalar o 70º aniversário do ataque à base de Pearl Harbour   Foto: US Navy/Mark Logico

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