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sexta-feira, 8 de abril de 2022

HH-60W JOLLY GREEN II - Os Novos Helicópteros de CSAR da USAF [M2313 - 30/2022]

O primeiro HH-60W Jolly Green II a ser entregue à US Air Force (Foto: Lockheed Martin)

Numa altura em que tanto se fala da aquisição de novos helicópteros para as Forças Armadas Portuguesas com a função de evacuação e resgate, para os quais se prevê um investimento de 53M EUR, a Força Aérea dos Estados Unidos da América (USAF – United States Air Force) tem, aos poucos, revelado vários pormenores interessantes sobre o seu mais recente programa para a sua frota de Combat Rescue Helicopters (CRH), o HH-60W Jolly Green II.  

A 18 de maio de 2021, a Sikorsky (empresa da Lockheed Martin desde 2015) entregou o primeiro helicóptero de resgate em combate HH-60W Jolly Green II à USAF. 

Este foi o primeiro Jolly Green II a ser entregue como parte de 10 aeronaves incluídas no 1º lote do contrato Low Rate Initial Production (LRIP), que foi assinado em 2019. Entretanto, outro lote para mais 12 aeronaves foi já assinado em 2020.

Surgiram entretanto na internet várias fotografias dos testes efetuados aos HH-60W. A 19 de março de 2020 podemos observar os novos Helicópteros numa câmara de congelação no Laboratório McKinley Climatic Lab da Base Aérea de Eglin, Flórida. A USAF reporta que durante um mês de testes, os Jolly Green II passaram por várias condições inóspitas, tal como como chuva torrencial (492 l/min), ventos de 72Km/h e picos de temperatura entre os 49ºC e os -51ºC. 

Testes numa câmara de congelação (Foto: USAF/Samuel King Jr.)

Testes de chuva (Foto: USAF/Samuel King Jr.)

Testes de calor (Foto: USAF/Samuel King Jr.)

Os testes avaliaram como se comportaria a aeronave, instrumentos, eletrónica e tripulação em condições extremas, simulando assim a capacidade operacional desta frota, em todos os cenários possíveis. 

Os HH-60W Jolly Green II aumentam o raio de ação, letalidade e capacidade de sobrevivência, oferecendo um conjunto de avanços tecnológicos para maior segurança e fiabilidade das missões, particularmente em ambientes de alta ameaça. 

 External gun mount system com Metralhadoras .50cal e Rockets 70mm  (Foto: CFD International)

Estas aeronaves irão substituir os HH-60G Pave Hawk existentes. No entanto irão manter em uso o sistema de armamento que já era utilizado e que é muito interessante, pois permite a fácil reconfiguração do helicóptero, consoante a ameaça e o tipo de poder de fogo pretendido. O EGMS - External Gun Mount System, produzido pela empresa Norte Americana CFD International e usado desde 2003, é um sistema que é completamente externo à aeronave, tornando-a mais segura, permitindo libertar espaço interior e podendo inclusive voar com portas e janelas fechadas. Este sistema além de poder ser desmontado facilmente e usado noutra aeronave, também permite reconfigurações que vão desde simples metralhadoras em 7,62x51mm até às mais pesadas .50Cal, e com a adição de um 14-inch NATO Bomb Rack, pode transportar qualquer sistema de armas compatível com essa montagem, como por exemplo pods para Rockets de 70mm ou até misseis HellFire.

External gun mount system com Minigun da Profense e Misseis Hellfire (Foto: Arista Aviation)

Sem dúvida, são helicópteros impressionantes que aumentarão ainda mais a capacidade de resgate em combate que a USAF já possui.  

Texto: Bryan Ferreira

domingo, 19 de janeiro de 2020

HELICÓPTEROS TÁCTICOS PRECISAM-SE [M2084 – 02/2020]

EH101 Merlin da FAP com camuflagem táctica

No início da semana transacta, durante a presença em Portugal de Mankeur Ndiaye, representante especial do secretário-geral das Nações Unidas para a República Centro-Africana, ficou conhecida publicamente a vontade daquela organização no reforço do contingente luso na missão MINUSCA (Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana).

"Vou tentar ver com o senhor ministro o que podemos fazer em conjunto para reforçar os meios de intervenção da MINUSCA, incluindo com meios aéreos", referiu a 13 de Janeiro de 2020, à margem de uma conferência no Instituto de Defesa Nacional, sublinhando ainda que "os meios aéreos são muito importantes", antes da reunião marcada para o final da tarde do mesmo dia, com o ministro da Defesa Gomes Cravinho.

Esta necessidade, não é de agora, e tinha já sido aliás, identificada várias vezes pelas chefias portuguesas. As forças nacionais destacadas na RCA têm sido até ao momento apoiadas por helicópteros de várias proveniências, mas com cada vez maior dificuldade em termos operacionais, pelas mais diversas razões. A última, terá sido a queda de um dos três helicópteros senegaleses, que apoiavam a Força de Reacção Rápida portuguesa até Outubro passado, quando os restantes dois se encontravam já com problemas na sua operação.

É nesta sequência de eventos, que surge a solicitação do representante da ONU, do reforço da força portuguesa, que diz o mesmo interlocutor "faz a diferença no terreno". Esta necessidade é agora ainda mais premente, devido à necessidade de realização de eleições: "Insistimos na necessidade da mobilização dos recursos, porque sem recursos não poderemos organizar as eleições" disse a propósito.

No entanto, depois de décadas de avanços e recuos, as Forças Armadas portuguesas encontram-se, por motivos diversos, desfalcadas de meios de asas rotativas que possam colmatar esta necessidade.

O Exército chegou a ter nove helicópteros EC635 prontos, que foram, na época, recusados por falta de certificação para uso militar. Seguiu-se a participação no programa NH90, que acabaria cancelada em 2012, pelo Governo de então, bem como a Unidade de Aviação Ligeira do Exército, que era suposto vir a operar esses meios aéreos.

Já relativamente aos meios da Força Aérea, a substituição do Alouete III - usado intensamente em combate no Ultramar - só foi concretizada in extremis, e devido à descontinuação do apoio do fabricante do modelo. O seu sucessor - o AW119 Koala - embora excelente na instrução de pilotagem, para que foi adquirido, é uma versão civil, não tendo, tal como o EC635, certificação para uso em operações militares. Resta por isso o EH101 Merlin, que substituiu na FAP o SA-330 Puma, este último também usado nas guerras de África, a par com o Alouette III.

Causará alguma estranheza a razão pela qual esta frota não tem sido considerada para o uso em teatro de guerra pelas forças portuguesas, quando Reino Unido e Itália já o fizeram no Médio Oriente e a Dinamarca recentemente destacou duas unidades no Mali.


Os AW101 Merlin dinamarqueses na Operação Barkhane no Mali

A frota de EH101 da Força Aérea Portuguesa é constituída por doze células EH101 Merlin, cujas funções têm sido maioritariamente a Busca e Salvamento (SAR). Possuem contudo certificação para uso militar, sendo essa mesmo a razão da sua camuflagem táctica. Podem levar até três atiradores (um em cada um das portas laterais e outra na traseira). Quatro células (n/c 19609 a 19612) são do modelo EH101-516, específicas para as funções de Combat Search and Rescue (CSAR), possuindo sistemas adicionais de ajuda a sobrevivência em combate (Defensive Aids Suite – DAS), incluindo Receptor de Alerta Radar (Radar Warning Receiver – RWR), Sistema de Alerta Míssil (Missile Warning System –MWS) e Sistema Dispensador de Contramedidas (Counter Measures Dispensing System – CMDS).

EH101-516 Merlin da FAP em treino de operações tácticas

As razões para a sua não utilização em teatro de guerra poderão apenas, por isso, estar dependentes dos problemas de operacionalidade que têm afectado a frota, seja devido às dificuldades de manutenção, seja por falta de tripulações qualificadas, o que causou já mesmo constrangimentos ao funcionamento dos três alertas de SAR, que a Esquadra 751 assegura em Portugal continental e nas ilhas.

Certo é que, na Lei da Programação Militar (LPM) até 2030, está inscrita uma verba de 53M EUR para " cinco helicópteros de evacuação". Este valor é, à primeira vista, compatível com o modelo AW139 da Leonardo, empresa que terá sido sondada para apresentar propostas, que preencham os requisitos portugueses. A urgência na aquisição dos helicópteros, para utilização imediata em teatro de guerra, parece contudo, não ser compatível com aeronaves novas, aconselhando eventualmente a escolha de aeronaves em segunda mão, escolha essa que estará também a ser estudada pelas chefias militares e Ministério da Defesa.

Com a constante sangria de oficiais, sargentos  e praças da Força Aérea, resta saber se haverá igualmente pessoal para os operar.


quinta-feira, 13 de março de 2014

AVANÇA NOVO HELICÓPTERO DE CSAR DA USAF (M1467 - 82PM/2014)

Projeção do que será o CRH-60       Imagem: Sikorsky

O programa de desenvolvimento do novo helicóptero de Busca e Salvamento em Combate (CSAR) da Força Aérea dos EUA (USAF), irá avançar. 
A decisão foi anunciada a 4 de março, da intenção de assinatura de contrato com a Sikorsky, até ao final de junho do corrente ano. O contrato com a duração de 14 anos, no valor de 7000M USD incluirá o fornecimento de 112 aeronaves.

A Sikorsky, em parceria com a Lockheed Martin, foi a única empresa a concorrer ao projeto, com a sua proposta CRH-60, uma versão modificada do seu UH-60M Black Hawk.

A USAF disse que irá retirar 430M USD de outros programas até ao ano fiscal de 2019, devido à especificidade crítica da missão de CSAR. O programa recebeu além disso uma injeção de mais de 300M USD, no orçamento do ano fiscal de 2014. A USAF avisa ainda assim, que o programa poderá ter que ser reavaliado, caso cortes adicionais no orçamento da Defesa venham a ocorrer no ano fiscal de 2016.

"O preço competitivo e os fundos proporcionados pelo Congresso permitir-nos-ão fechar o contrato do CHR, mas poderemos ter de enfrentar desafios significativos para manter o esforço no bom caminho" referiu a propósito a Secretária da USAF Deborah Lee James. "Teremos que trabalhar com o Congresso durante as deliberações do orçamento de 2015".

O CRH irá substituir a envelhecida frota de helicópteros de resgate HH-60G Pave Hawk, também um produto da Sikorsky. "A Sikorsky e a sua colega de consórcio Lockheed Martin agradecem à USAF por nos permitirem construir um moderno e sustentável helicóptero de resgate, que irá substituir a rapidamente obsolescente frota de HH-60G Pave Hawk" declarou a Sikorsky num comunicado. "Estamos ansiosos por trabalhar com a USAF para poder entregar o CHR-60 dentro dos prazos estabelecidos".

Fonte: Flight Global
Tradução: Pássaro de Ferro

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

MISSÃO CSAR EM RISCO NOS EUA (M1281 - 351PM/2013)

Sikorsky HH-60G Pave Hawk de CSAR na USAF     Foto: Christopher Boitz/USAF

As unidades dedicadas à missão de resgate em ambiente de combate (CSAR- Combat Search and Rescue) nos EUA, estão em risco de serem extintas, segundo informação divulgada no passado dia 17 de novembro de 2013, por fontes em Washington.

Os fundos previstos para helicópteros de CSAR não estão incluídos na proposta de orçamento para o ano fiscal de 2015, afetada pelos conhecidos cortes devido ao chamado "sequestro orçamental" nos EUA. Além disso, fundos para aumentar a vida útil de cerca de 90 helicópteros usados em combate HH-60G Pave Hawk, não faz também parte do orçamento.  A Força Aérea (USAF)  tem, além disso e por essa razão, suspendido a realização de um contrato com a Sikorsky e Lockheed Martin para a criação de um substituto dos Pave Hawk, devido às incertezas no seu orçamento.
Mantendo-se este cenário, a USAF terá que suspender, ou pelo menos reduzir drasticamente a sua missão de CSAR.

Entretanto, e no seguimento desta notícia, um grupo de antigos pilotos e defensores da missão de CSAR, criou um sítio de internet para chamar a atenção para o problema e angariar apoios para a causa. O Cor. (Ref) Henry Manson, antigo piloto de CSAR na USAF, é um desses casos e dá a cara pelo movimento: "Isto não está certo. Que mais podem fazer as pessoas do lado de fora da vedação, senão tentar influenciar o Congresso?"

De realçar que o movimento não tem qualquer apoio ou supervisão por parte de fabricantes de aeronaves, sendo constituído apenas por pessoas preocupadas em resolver o assunto. Segundo o Cor. Manson "o feedback tem sido muito positivo até ao momento. (...) As pessoas não sabiam que o assunto não ia ser resolvido. Penso que foi uma surpresa a Força Aérea não ser capaz de adquirir um novo helicóptero."
Para o grupo, acima de tudo, ter os meios significa poder continuar uma missão com muito significado para os militares: "Há sobre tudo um imperativo moral: se mandamos tropas para zonas de perigo, temos de ser capazes de as ir buscar. Ninguém fica para trás. É um pacto com todos os homens e mulheres que servem nas forças armadas, de que ser americano significa que vamos atrás deles".

Um resgate em ambiente de guerra no Afeganistão    Foto: Eric Harris

Curiosamente, a missão de CSAR foi alvo já no decorrer de 2013 de um documentário impressionante da National Geographic, que o Pássaro de Ferro divulgou oportunamente na página de Facebook.

Poucos meses passados, essa nobre missão de salvar vidas, parece agora ela própria ter de ser salva.


Primeiro episódio do documentário da NG intitulado "Inside Combat Rescue"


Os restantes episódios estão também disponíveis no Youtube, bastando efetuar uma busca.





sábado, 1 de dezembro de 2007

PARA QUE OUTROS VIVAM - 2

Aqui ficam algumas imagens obtidas numa recente visita que o "Pássaro de Ferro" efectuou à BA6, nomeadamente à Esquadra 751 - "Pumas", que opera o EH-101 Merlin, nas missões SAR, CSAR e SIFICAP.







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