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domingo, 19 de janeiro de 2020

HELICÓPTEROS TÁCTICOS PRECISAM-SE [M2084 – 02/2020]

EH101 Merlin da FAP com camuflagem táctica

No início da semana transacta, durante a presença em Portugal de Mankeur Ndiaye, representante especial do secretário-geral das Nações Unidas para a República Centro-Africana, ficou conhecida publicamente a vontade daquela organização no reforço do contingente luso na missão MINUSCA (Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana).

"Vou tentar ver com o senhor ministro o que podemos fazer em conjunto para reforçar os meios de intervenção da MINUSCA, incluindo com meios aéreos", referiu a 13 de Janeiro de 2020, à margem de uma conferência no Instituto de Defesa Nacional, sublinhando ainda que "os meios aéreos são muito importantes", antes da reunião marcada para o final da tarde do mesmo dia, com o ministro da Defesa Gomes Cravinho.

Esta necessidade, não é de agora, e tinha já sido aliás, identificada várias vezes pelas chefias portuguesas. As forças nacionais destacadas na RCA têm sido até ao momento apoiadas por helicópteros de várias proveniências, mas com cada vez maior dificuldade em termos operacionais, pelas mais diversas razões. A última, terá sido a queda de um dos três helicópteros senegaleses, que apoiavam a Força de Reacção Rápida portuguesa até Outubro passado, quando os restantes dois se encontravam já com problemas na sua operação.

É nesta sequência de eventos, que surge a solicitação do representante da ONU, do reforço da força portuguesa, que diz o mesmo interlocutor "faz a diferença no terreno". Esta necessidade é agora ainda mais premente, devido à necessidade de realização de eleições: "Insistimos na necessidade da mobilização dos recursos, porque sem recursos não poderemos organizar as eleições" disse a propósito.

No entanto, depois de décadas de avanços e recuos, as Forças Armadas portuguesas encontram-se, por motivos diversos, desfalcadas de meios de asas rotativas que possam colmatar esta necessidade.

O Exército chegou a ter nove helicópteros EC635 prontos, que foram, na época, recusados por falta de certificação para uso militar. Seguiu-se a participação no programa NH90, que acabaria cancelada em 2012, pelo Governo de então, bem como a Unidade de Aviação Ligeira do Exército, que era suposto vir a operar esses meios aéreos.

Já relativamente aos meios da Força Aérea, a substituição do Alouete III - usado intensamente em combate no Ultramar - só foi concretizada in extremis, e devido à descontinuação do apoio do fabricante do modelo. O seu sucessor - o AW119 Koala - embora excelente na instrução de pilotagem, para que foi adquirido, é uma versão civil, não tendo, tal como o EC635, certificação para uso em operações militares. Resta por isso o EH101 Merlin, que substituiu na FAP o SA-330 Puma, este último também usado nas guerras de África, a par com o Alouette III.

Causará alguma estranheza a razão pela qual esta frota não tem sido considerada para o uso em teatro de guerra pelas forças portuguesas, quando Reino Unido e Itália já o fizeram no Médio Oriente e a Dinamarca recentemente destacou duas unidades no Mali.


Os AW101 Merlin dinamarqueses na Operação Barkhane no Mali

A frota de EH101 da Força Aérea Portuguesa é constituída por doze células EH101 Merlin, cujas funções têm sido maioritariamente a Busca e Salvamento (SAR). Possuem contudo certificação para uso militar, sendo essa mesmo a razão da sua camuflagem táctica. Podem levar até três atiradores (um em cada um das portas laterais e outra na traseira). Quatro células (n/c 19609 a 19612) são do modelo EH101-516, específicas para as funções de Combat Search and Rescue (CSAR), possuindo sistemas adicionais de ajuda a sobrevivência em combate (Defensive Aids Suite – DAS), incluindo Receptor de Alerta Radar (Radar Warning Receiver – RWR), Sistema de Alerta Míssil (Missile Warning System –MWS) e Sistema Dispensador de Contramedidas (Counter Measures Dispensing System – CMDS).

EH101-516 Merlin da FAP em treino de operações tácticas

As razões para a sua não utilização em teatro de guerra poderão apenas, por isso, estar dependentes dos problemas de operacionalidade que têm afectado a frota, seja devido às dificuldades de manutenção, seja por falta de tripulações qualificadas, o que causou já mesmo constrangimentos ao funcionamento dos três alertas de SAR, que a Esquadra 751 assegura em Portugal continental e nas ilhas.

Certo é que, na Lei da Programação Militar (LPM) até 2030, está inscrita uma verba de 53M EUR para " cinco helicópteros de evacuação". Este valor é, à primeira vista, compatível com o modelo AW139 da Leonardo, empresa que terá sido sondada para apresentar propostas, que preencham os requisitos portugueses. A urgência na aquisição dos helicópteros, para utilização imediata em teatro de guerra, parece contudo, não ser compatível com aeronaves novas, aconselhando eventualmente a escolha de aeronaves em segunda mão, escolha essa que estará também a ser estudada pelas chefias militares e Ministério da Defesa.

Com a constante sangria de oficiais, sargentos  e praças da Força Aérea, resta saber se haverá igualmente pessoal para os operar.


terça-feira, 20 de junho de 2017

O FOGO, OS AVIÕES, A MENTIRA E A VERDADE (M1904 - 41/2017)

 Foto: Ejército del Aire

Hoje o dia fica marcado pela notícia - oficialmente desmentida - da alegada queda de uma aeronave de combate aos incêndios que, desde sábado passado, destroem a floresta na zona do Pinhal Interior 

     - pinhal interior é, em si mesmo uma designação falsa, na medida em que de pinhal pouco resta e deveria ser, sim "Eucaliptal Interior".

A notícia da alegada queda do Canadair, que muitos OCS difundiram e o Pássaro de Ferro partilhou, pelo que foi dito e afirmado pelas autoridades (ANPC e Governo), era falsa.
E assim sendo, ela engrossa uma tenebrosa lista de notícias falsas, disseminadas pelas redes sociais, por sites de notícias forjadas e pela onda catastrofista que, invariável e despudoradamente é cavalgada por interesses estranhos à verdade dos factos, motivados pela febre do protagonismo e dos hits que dão dinheiro.
É uma espécie de "condição abutre" que paira sobre a desgraça alheia, cobrindo-a com mais desgraça e pronta a chupar os cadáveres até aos ossos.
O papel dos órgãos de comunicação social sérios, como é o caso do Pássaro de Ferro, está, por isso, sobre permanente escrutínio e, evidentemente, exposto por inerência natural, digamos, às notícias falsas que por vezes são tremendamente "vestidas" de realidade e em que a voragem mediática frequentemente descarta os filtros devidos à sua depuração.
São tempos "estranhos" estes, proporcionados pela total abertura do espaço comunicacional, sobretudo o que assenta nas plataformas digitais globais, largada à vontade, às vontades mais variadas. Desde as mais sérias às mais estúpidas.
E a estupidez, infelizmente, está generosamente distribuída.

Edição: António Luís

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

QUEM TIROU AS FOTOS DOS ATAQUES DE F-22? (M1686- 230PM/2014)

Fotos antes e depois do ataque alegadamente por F-22 Raptor na Síria

Tal como noticiado no Pássaro de Ferro, o Pentágono anunciou  a primeira operação do F-22 Raptor em teatro de guerra.
Esta ação aconteceu 28 anos depois do contrato para o desenvolvimento do até agora único caça de 5ª Geração ter sido assinado.
As fotos que acompanharam o anúncio, alegadamente com o alvo antes e após o ataque, levantam contudo muitas dúvidas acerca da sua procedência e do modo como foram obtidas.

Não podem ter sido obtidas de um targeting pod no F-22, uma vez que arruinaria a sua capacidade stealth e super cruise.
As duas imagens parecem no entanto ter sido colhidas na mesma altura do dia, uma vez que as sombras no edifício são coerentes, dando ideia tratar-se de um aparelho a voar em volta do alvo, com grande probabilidade um veículo não tripulado (VANT).

Sendo esse o caso, porque não foi abatido, se a missão requeria capacidade stealth?
E se de facto as fotos foram tiradas por um VANT, porque não enviar um VANT de combate para largar as bombas?

Fonte: Aviation Week
Tradução e adaptação: Pássaro de Ferro




F-22: BATISMO DE FOGO (M1685- 229PM/2014)

F-22 Raptor mostra a baía de armamento interno      Foto: Jared Becker/USAF (arquivo)

O Pentágono descreveu hoje como foram usados os F-22 pela primeira vez em combate, o que sucedeu durante os ataques de ontem ao Estado Islâmico na Síria. 
Os caças de 5ª Geração efetuaram largada de bombas guiadas por GPS, tendo destruído um edifício que se crê estava em utilização como centro de comando e controlo.

F-22 Raptor à saída para a missão na Síria      Foto: USAF

“Uma mistura de vários aviões (…) foram usados nos ataques” pode ler-se no comunicado da USAF. “Não especificamos os números exatos nem as munições utilizadas. Contudo, os aviões Americanos incluíram F-15E, F-16, F/A-18, F-22 e B-1B. Adicionalmente foram lançados 47 misseis Tomahawk, a partir dos navios USS Arleigh Burke e USS Philippine Sea, destacados em águas internacionais no Mar Vermelho e norte do Golfo Arábico”.


Dado os relativamente pequenos danos revelados nas fotos antes/depois divulgadas pela Defesa, tal como os vídeos dos ataques, as bombas usadas foram com grande  probabilidade SDB-I, possivelmente complementadas por algumas JDAM mais pesadas.

Reabastecimento em voo durante a missão que ditou o batismo de fogo do F-22    Foto: USAF

Este tipo de missão parece algo despropositado para um caça que foi criado para a missão primária de superioridade aérea, mas as capacidades ar-solo foram-lhe sendo ampliadas com as atualizações periódicas de software e hardware.

A penetração no espaço aéreo  e defesas sírias parece ser a razão primaria para a utilização da furtividade do F-22, contudo foram alegadamente utilizados também F-15, F-16 e UAV na mesma vaga de ataque.





sexta-feira, 6 de junho de 2014

OPERAÇÃO OCEAN SHIELD ATÉ 2016 (M1610 - 183PM/2014)

Fragata da Marinha de Guerra Portuguesa NRP Bartolomeu Dias com Lynx Mk.95 a bordo

Os ministros de Defesa da NATO decidiram na passada terça-feira 3 de junho, estender a operação anti-pirataria denominada Ocean Shield, até ao fim de 2016.

Desde agosto de 2009 que navios da NATO patrulham as águas da região do "corno de África", com oparte da Operação Ocean Shield. A missão pretende contribuir para o esforço internacional de combate à pirataria, ajudando também a construir capacidade nas marinhas regionais. A Ocean Shield trabalha em estreita proximidade com outras forças navais que patrulham o Oceano Índico, incluindo forças americanas e europeias.

Sendo parte de um largo esforço internacional a Operação Ocean Shield ajudou a reduzir significativamente as atividades de pirataria na região. Em 2011 os piratas capturaram 24 embarcações e a NATO registou 129 ataques de piratas ao largo da Somália. Em 2012 o número de ataques caiu para apenas 20 e nenhum navio foi capturado com sucesso pelos piratas desde maio de 2012, não havendo por isso atualmente qualquer navio mercante sob o controlo dos piratas somalis.

Apesar do sucesso, a pirataria continua a ser uma ameaça. A NATO considera que os piratas continuam a ter intenção  e capacidade de atacar navios mercantes e os navios militares da NATO continuam a detetar tentativas de captura de embarcações pelos piratas. Além do mais, as causas da pirataria na Somália continuam a persistir.

A Operação Ocean Shield ajuda a manter o tráfego marítimo numa das zonas mais movimentadas do globo. Cerca de 90% do comércio é transportado por mar, sendo que metade dessas transações passa pelo Oceano Índico. Em 2013 O Banco Mundial estimou os custos da pirataria para a economia mundial em 18.000M USD por ano. As operações da NATO anti-pirataria ajudam a reduzir esses custos.

Portugal já integrou a Operação Ocean Shield, com meios da Marinha (fragata e helicóptero Lynx) e Força Aérea (avião P-3 Orion).


sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

1000 HORAS DE VOO EM COMBATE (M1404 - 29PM/2014)

Chegada da missão em que o Maj "Dozer" ultrapassou 1000 horas de voo em combate   Foto: Michael Means/USAF

O Maj. "Dozer" (nome fictício) da Força Aérea dos EUA (USAF) oficial de sistemas de armas do 335º EFS, ultrapassou as 1000 horas de voo em ambiente de combate a 12 de janeiro de 2014, completando 176 missões desde a Primavera de 2004.

"Significa que já ando nisto há algum tempo e não posso negar que sou um dos mais antigos" disse Dozer a propósito.

Foto: Michael Means/USAF
"A milésima hora de combate de Dozer é um testamento da sua contribuição permanente, tal como da comunidade do F-15E, ao longo dos últimos 10 anos - desde a manutenção que mantêm os aviões a voar, aos tripulantes que os usam em combate" referiu TCor Todd Dyer, comandante do 355 EFS. "Não há muitos aviadores de caça que possam reivindicar tal façanha".

Foto: Michael Means/USAF

Dozer segue a mesma linha de pensamento, dizendo que tal marco foi um esforço de equipa: "Por cada hora que passei no ar, a nossa manutenção passou centenas de horas a trabalhar para manter os aviões no ar. Fazem um trabalho extraordinário e nós colocamos as nossas vidas nas mãos deles, de cada vez que descolamos". Continuando depois o raciocínio:"Há coisas que damos por garantidas, tais como as forças de segurança, que nos mantêm a nós e aos nossos aviões seguros, a logística que mantém stocks de peças e combustível disponíveis para os aparelhos, as equipas médicas que cuidam da nossa saúde, ou até as equipas de suporte à missão, que nos mantêm alimentados e nos pagam. Eu não teria uma única hora de combate sem a ajuda de toda a equipa."

O Maj. "Dozer" no backseat do F-15E      Foto: Michael Means/USAF

Dozer, natural de Beezer no Texas, está colocado na base aérea de Seymour-Johnson na Carolina do Norte e tem um total de mais de 2200 horas de voo na sua carreira de 13 anos.

"Adoro o meu trabalho, proteger as tropas no terreno e aprender sempre alguma coisa nova ou que se pode melhorar" continuou Dozer. "Estou rodeado de pessoas altamente motivadas, inteligentes e talentosas, que impõem a elas próprias os mais altos standards."

Foto: Michael Means/USAF

Para além de ter atingido esta importante marca, Dozer é visto dentro da sua unidade como muito mais do que apenas um oficial de sistema de armas: "Dozer é uma mais-valia extraordinária para os seus chefes" diz Dyer. "Ele também desempenha funções de assistente de Oficial de Operações, analisador de voo e comandante de missão - ele faz tudo."

Os cumprimentos do Comandante do 355 EFS à base do destacamento algures na Ásia  Foto: Michael Means/USAF


Fonte: USAF
Tradução e adaptação: Pássaro de Ferro


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