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segunda-feira, 4 de junho de 2012

MIDWAY 1942 - O PONTO DE VIRAGEM DA GUERRA NO PACÍFICO (M661 - 55PM/2012)



Midway é um minúsculo atol no Pacífico, que herdou o seu nome pelo facto de se encontrar sensivelmente a meio deste oceano.
Na II Guerra Mundial, após seis meses de conquistas por todo o Pacífico, apenas perturbadas pelo ataque a Tóquio de que falámos antes, para o Japão consolidar o seu domínio necessita apenas de rematar as pontas deixadas soltas em Pearl Harbour: afundar os porta-aviões americanos. O plano consistia por isso em conquistar Midway de surpresa, atraindo os porta-aviões da US Navy para então os afundar. Para tal, o Almirante Nagumo reunia a maior frota que o mundo alguma vez viu, com destaque para os quatro maiores porta-aviões da época.
Como em todos os desastres, uma série de acontecimentos começaram a fazer precipitar o que mais tarde se vem a tornar uma inevitabilidade. Neste caso, o mais importante terá sido mesmo a descodificação do código de comunicações japonesas pelos serviços de inteligência dos EUA, o que permitiu saber com antecedência onde e quando se daria o ataque. Posto isto, o plano de defesa entraria em marcha.
Sob as ordens do Almirante Spruance, dois porta-aviões intactos (Enterprise e Hornet) e um terceiro algo massacrado na então recente Batalha do Mar de Coral (Yorktown), mas que seria reparado em tempo recorde, foram mobilizados para esperar a incauta armada nipónica. As defesas de Midway foram reforçadas e bombardeiros mobilizados para o aeródromo.
Na madrugada de 4 de Junho de 1942, os EUA estavam à espera do que Nagumo tinha para oferecer.


Assim, quando a primeira vaga de bombardeamentos japoneses começava em Midway, já os bombardeiros americanos aí baseados (B-17 e B-26) estavam no ar para atacar a frota nipónica.
Desta primeira vaga poucos proveitos qualquer das partes retiraria, já que tanto as defesas da ilha, como da frota japonesa neutralizariam os ataques de que foram alvo.
Foi em mais alguns pormenores, como aguardar ou não pela aterragem dos aviões da primeira vaga, decidir na escolha do armamento a carregar nos aviões da segunda vaga de ataque e nos alvos a atacar, que Nagumo perderia a batalha para Spruance.
Após um segundo ataque aéreo com aviões torpedeiros Devastator, Avenger e Vindicators,  que seriam chacinados pelas defesas japonesas, os americanos voltariam à carga com bombardeiros de voo picado Dauntless. Se os primeiros não obtiveram resultados contabilizáveis, tiveram como consequência obrigar os japoneses a trocar as bombas que carregavam para novo ataque a Midway, por torpedos para atacar os porta-aviões americanos. Os caças japoneses Zero de proteção da frota estavam quase sem munições nem combustível e os porta-aviões ao navegar em círculos para evitar os torpedos, não estavam posicionados em relação ao vento de modo a lançar aviões imediatamente. Os conveses estavam ainda cheios de munições, combustível e aviões. O terceiro ataque americano foi por isso devastador. Em menos de 10 minutos, três dos quatro porta-aviões (Kaga, Akagi, Soryu) da Marinha Imperial estavam em chamas. 


Douglas SBD Dauntless descarregam a sua carga mortal na frota nipónica


Do único porta-aviões remanescente (Hiryu) sairia o ataque por bombardeiros Val à frota americana, com impacto direto apenas no porta-aviões Yorktown, o tal debilitado na Batalha do Mar de Coral. Mesmo incapacitado, este porta-aviões viria a prestar um bom serviço à marinha dos EUA, sendo alvo ainda de um segundo ataque. Os japoneses, por seu lado, ao acreditarem ter afundado este vaso de guerra no Mar de Coral, pensavam ser o Enterprise que atacaram no primeiro ataque e o Hornet no segundo. Na verdade tinha sido sempre o mesmo porta-aviões e embora inutilizado, ainda flutuava. 



Contas finais, o Japão perderia os seus melhores e mais experientes pilotos, três dos seus maiores porta-aviões e a supremacia que acreditavam ter nos mares do Pacífico. O Japão, tal como a Alemanha na Europa, seria derrotado pela sua arrogância e agressividade, que levava a desprezar táticas consideradas defensivas.

John S. Thach no seu F4F Wildcat com bandeiras respeitantes a vitórias no ar visíveis por baixo do cockpit

Além de ser o ponto intermédio entre os EUA e o Japão, Midway foi também o ponto de viragem da Guerra do Pacífico. A partir de então os EUA começariam a cavalgada de reconquista que só terminaria a bordo do cruzador USS Missouri a 2 de setembro de 1945 com a assinatura da rendição do Japão. A Marinha de Guerra nipónica, delapidada das suas mais valiosas unidades, começara a sua agonizante decadência. Para a guerra aérea, sobrevive ainda hoje em dia a tática criada por John Thach para permitir aos lentos Wildcats abaterem os rápidos e manobráveis Zero: consistia em voar em formação com dois Wildcats, que ao serem atacados por um Zero se dividiriam, obrigando o inimigo a escolher um alvo. Ao descrever um S simétrico ao seu asa, o avião perseguido proporcionar-lhe-ia um ponto de ataque perfeito para abater o inimigo, no cruzamento dos dois S. É uma tática ensinada ainda nos dias de hoje.


Tática criada por John Thach


Imagens: US National Archives

domingo, 11 de dezembro de 2011

O DIA DA INFÂMIA (M566 - 40PM/2011)





Seguindo uma política de expansionismo territorial com vista a suportar a pujança económica do país, que necessitava por um lado de matérias-primas para alimentar a sua indústria e por outro, de novos mercados para onde escoar a produção, o Japão foi alvo de vários embargos norte-americanos nos finais da década de 1930 e inícios dos anos 40, como represália às também várias invasões que o país do sol-nascente vinha perpetrando por todo o sudeste asiático.
A operação de 7 de Dezembro de 1941 seria preparada no mais alto sigilo, tendo a enorme esquadra japonesa conseguido atravessar a totalidade do Pacífico desde 26 de Novembro, sem ser detectada por voos de reconhecimento americanos e atacar sem declaração de guerra prévia, a base onde sabiam estarem atracados os mais valiosos vasos de guerra americanos.
Do ponto de vista dos EUA, uma série de más avaliações e decisões contribuíram para a magnitude da tragédia, quando havia já vários indícios de que um ataque contra as suas forças, estaria iminente. Julgava-se por um lado que o porto de Pearl Harbour, de águas pouco profundas, fornecia uma protecção natural contra ataques de torpedos, não tendo sido colocadas redes anti-torpedo uma vez que estas dificultavam as operações normais diárias.  Não tinham sido colocadas armas anti-aéreas em redor da base para evitar problemas com os proprietários dos terrenos adjacentes e por fim os reconhecimentos aéreos de longa distância não estavam a ser realizados por escassez de aeronaves. Na verdade, acreditava-se ser a distância um dissuasor suficiente para qualquer ataque significativo.
A Marinha Imperial Japonesa provou o contrário: baseados em 6 porta-aviões (Akagi, Hiryu, Kaga, Shokaku, Soryu e Zuikaku), a maior força naval reunida até então, quase meio milhar de aviões "Zero", Nakajima 97 "Kate" e Aichi   99 "Val",  afundaram ou inutilizaram os maiores navios de guerra americanos da época, neutralizando qualquer capacidade de reacção durante os seis meses seguintes, enquanto o Japão ocupava as Índias Holandesas e as suas reservas de petróleo, verdadeira razão do ataque a Pearl Harbour (como se vê as guerras pelo "ouro negro" vêm já de longe).
O índice de eficácia japonês foi assombroso, tendo surpreendido até os próprios japoneses. Um sistema de estabilização dos torpedos, evitava que estes se afundassem e detonassem ao serem largados em águas pouco profundas e a oposição aérea e  anti-aérea era quase inexistente.
8 couraçados, 6 cruzadores, 29 contratorpedeiros e 9 submarinos e cerca de 2500 vidas foram perdidos no porto de Pearl Harbour na manhã de 7 de Dezembro de 1941, contra apenas 29 aviões, 5 submarinos e 64 vidas das forças atacantes.
O presidente Franklin Roosevelt classificaria este acto no dia seguinte, ao declarar guerra ao Japão, como "o dia que viverá na infâmia" e como tal ficaria conhecido na história.
O Japão conseguiu atingir os seus objectivos e neutralizar a marinha americana pelo tempo necessário para se apossar da totalidade do sudeste asiático quase sem oposição.
Os porta-aviões americanos (Enterprise, Saratoga e Lexington), em exercícios fora de Pearl Harbour no dia do ataque e por isso intactos, foram a única ponta que ficaria solta e que lhes iria causar dissabores a médio prazo.

Do ataque a Pearl Harbour resultou uma forte união interna nos EUA, que relutava até então em entrar no conflito mundial. O gigante adormecido acordou por fim para uma guerra na qual já estava inserido, mas que teimava em recusar. Após os primeiros meses de vitórias, os japoneses pagariam bem caro a ousadia, num conflito longo e penoso, que acabaria apenas no uso de armas nucleares.
Do ponto de vista militar, resultou o emergir do porta-aviões como a peça principal de poderio naval, substituindo o couraçado e os cruzadores de linha na escala de importância, doutrina que ainda prevalece nos dias de hoje.

Deste episódio marcante da história norte-americana e mundial, foram produzidos 2 famosos filmes: "Tora! Tora! Tora!" de 1970 e reconhecido historicamente como sendo o mais fiel e já em 2001 "Pearl Harbour" que cruza um romance ficcional com episódios reais e excelentes imagens reconstituindo os acontecimentos de 7 de Dezembro de 1941 e meses subsequentes.

Passados 70 anos sobre a data de 7 de Dezembro de 1941, os Estados Unidos não deixam de prestar homenagem àqueles que pereceram e sobreviveram ao "Dia da infâmia".


À direita Frank Chebetar sobrevivente do navio USS Phelps (DD 360) afundado em Pearl Harbour a 7/12/1941        Foto:US Navy/Maria Melchor

John Busma sobrevivente do USS Medusa assinala a hora do ataque a Pearl Harbour   Foto: US Navy/Eli Medellin
Memorial USS Arizona  navio em que se perderam mais vidas       Foto: US Navy/Daniel Barker
Cerimónia a assinalar o 70º aniversário do ataque à base de Pearl Harbour   Foto: US Navy/Mark Logico

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